Sushi

Sushi…

Mais um que gostou daquela história do sushi.

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Humor

O aprendiz…de que mesmo?

Esta notícia chega ser irônica. Aí vai um trecho:

Publicitários, empresários e até jogadores de futebol foram contaminados pela febre do celular. No Orkut, mil comunidades foram abertas (…). “Queria muito o celular e sabia que logo ele estaria habilitado para funcionar aqui”, diz Velloso, que se considera um geek , um aficionado por tecnologia e programação acima do normal.

Um hacker amigo de Velloso, indicou a dupla. “Fui o primeiro a desbloquear o telefone”, conta Velloso. Outros famosos fizeram o mesmo caminho, caso dos empresários Roberto Justus e Álvaro Garnero. MacMasi e Stool levam três horas para desbloquear os aparelhos, que, com as alterações, passam a funcionar com o chip de qualquer celular GSM, seja Tim, Vivo ou Claro.

O que me surpreendeu foi ver o nome do famoso Roberto Justus, o empresário do interessantíssimo programa “O Aprendiz”, cópia nacional de um reality show do Donald Trump, na lista acima. Por que fiquei surpreso? Não que eu não ache que muita gente queira desbloquer o caro e simpático aparelhinho (eu também não gosto, por exemplo, de DVD’s travados em regiões do mundo). Mas é engraçado ver alguém que demitia pessoas por falhas, digamos, éticas, ser um dos que tentam burlar o padrão de um aparelho produzido por empresários como ele.

No mínimo, engraçado. ^_^

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De licença, mas antes o Congresso da ABPHE!

Queridos leitores, realmente estou tentando terminar a minha tese, logo minhas múltiplas idéias de post se converteram em argumentos da tese ehehe

Mas antes, alguns comentários sobre o congresso da ABPHE em Aracaju. A palestra inicial do professor Fernando Novaes foi o que eu esperava, isto é, empregar modelos é um absurdo em história econômicas e viva as estruturas.

Já a palestra do meu orientador de estágio de doutoramento em Lisboa (Pedro Lains) foi algo. Fez contrafactual e estimou que a “perda” do Brasil para Portugal pós 1808 foi de, no máximo, 3% do PNB português. Moral da história: primeiro os dados, depois o resto!

Na minha mesa só eu apareci e acabei por ser sabatinado! O que o senhor entende por mercado? Como é esta história de regressão? Enfim foi bem divertido! Além disto, os contatos com gente do primeiro escalão da história econômica brasileira e as dicas brilhantes do Renato Marcondes…

No final acabei voltando branco para Porto Alegre, mais gordo (como se come nestes congressos), mas feliz pela troca de informações com diversos pesquisadores e pelos elogios à minha pesquisa de renomados historiadores (Ernest Pijning e Luis Felipe Alencastro).

Fábio

Obs. No translado Aeroporto-Hotel em Aracaju Luiz Felipe Alencastro solta esta: “Fábio tu deve ser o patinho feio da tua turma, mas fica frio pois tu tens 2 ‘ganhadores’ do prêmio nobel e eles nenhum.” Obrigado!

Academia · economia

Ensinando Economia

Eis aqui algo interessante: quantas vezes você não ouviu de seu professor pterodoxo (aquele que odeia Microeconomia, por exemplo) que “isto que estou a ensinar de nada vale porque há muitas nuances no mundo real”? Este é fácil de refutar: qualquer modelo é uma simplificação da realidade. Não tem outro jeito.

Mas há outro argumento muito utilizado e que é, na verdade, uma falácia. Pode-se resumí-lo assim: “o pensamento econômico tem mais nuances do que este simples livro-texto”. Todo pensamento, econômico ou não, tem nuances, obviamente. Estas nuances, muitas vezes, são exceções resultantes de aspectos dos modelos estudados.

Ok, temos exceções à regra. Agora, desde quando uma exceção é sinônimo de refutação? Depende muito do grau de abstração do que se ensina. Por exemplo, uma demanda positivamente inclinada não coloca em risco a lógica econômica, mas a intransitividade de preferências – sob diversas hipóteses simplificadoras – pode colocar os defensores da economia do bem-estar social em sérias dificuldades.

Mas note a diferença de capital intelectual empregado nos dois exemplos acima. Um não exige nem que o aluno use um único neurônio de forma intensiva. Basta olhar uma curva que ele mal entende de onde veio (ainda mais se não aprendeu a equação de Slutsky) e se perguntar sobre se aquele desenho no quadro poderia ser invertido. O outro, por sua vez, exige um grande conhecimento de matemática e da literatura prévia sobre o tema. A diferença, sim, é brutal.

Quando se ensina Economia para gente que nunca teve contato com esta ciência, ou seja, falamos do primeiro curso de Economia na vida do sujeito, é importante que se aprenda princípios básicos. Claro, muitas dúvidas surgem na mente de qualquer um que esteja levando a sério o curso e este é o paradoxo interessante que todo bom aluno de Economia enfrenta: os cursos iniciais são mais difíceis do que os posteriores. Por que? Porque ele aprende algo abstrato sem entender direito de onde vêm os conceitos no princípio e, só depois, ao interiorizar estes conceitos (com muita matemática, claro), é que o sujeito começa a sedimentar melhor a teoria em sua mente além, claro, de continuar aprendendo sobre a intuição (agora mais sofisticada) dos conceitos básicos.

Há aqui uma proposição testável: todo aluno que diz que achou fácil o primeiro curso e difícil os subseqüentes (lecionados nos moldes que expus acima) certamente entendeu menos Economia do que os que dizem o oposto.

Obviamente, esta proposição está sujeita à Crítica de Lucas, se é que você me entende…

bolivarianismo · cinema · gramscianismo · liberalismo · liberdade · libertarianismo · rent-seeking

Metropolis

Existe um filme brilhante de Fritz Lang, o Metropolis. Na época de universitário, como todo mundo na minha idade, eu assisti ao filme. Trata-se de uma obra-prima, certamente. O interessante é que, na época, eu vivia submetido a bons professores e os tradicionais pterodoxos (e os explosivos pterodoxos-bolivarianos). Para minha sorte, havia um amigo, da Filosofia, que era mais crítico de tudo do que qualquer um que conhecia. Hoje ele leciona filosofia em uma universidade federal.

Este meu amigo me ajudava na compreensão destes filmes malucos. Talvez ele tenha sido o responsável por eu gostar dos filmes expressionistas, odiar os franceses e torcer o nariz para o pervertido Pasolini. Ele simplesmente me apresentava aos filmes e eu, seguindo a idéia de experimentar novas formas de expressão cinematográficas, assistia a tudo que via pela frente. E conersávamos muito sobre o que víamos. Foi uma boa época, sem dúvida.
Não quero tirar o prazer de alguém que nunca assistiu nenhum destes filmes (até mesmo Pasolini e Godard), mas Metropolis tem uma mensagem que, na época, combinava com o discurso nazista e que era a acomodação entre os proletários e os burgueses. Meus amigos socialistas achavam isto ruim porque, na verdade, gostariam de ver o pau comer , desde que não os atingisse, claro. Para este povo, a vida é passear de motocicleta escrevendo um diário enquanto se mata um ou outro burguês aqui e acolá.

Ok, há muita polêmica sobre se o final feliz deste filme é apenas uma infeliz coincidência com os desejos de Goebbels, Hitler e a corja toda, ou não. Não vou discutir este etéreo conceito de “pensamentos da época”, mas o fato é que, após receber o convite de Goebbels para trabalhar pelos nazistas, Fritz Lang se mandou para os EUA onde, aliás, filmou o último filme da trilogia de “Dr. Mabuse, o gênio do crime” (e o único falado deles) .

Desde então, toda vez que vejo um discurso de “pacto social”, eu fico desconfiado. Mas mais desconfiado ainda eu fico quando vejo união de sindicatos patronais e de trabalhadores (embora patrões também trabalhem, a esquerda anaeróbica gosta de pensar em si própria como o único amontoado de gente que trabalha) em torno de propostas. Sempre há algum interesse oculto. Por exemplo, nenhum destes sindicatos defende o fim da contribuição sindical, senão que a deseja como algo petrificado em lei. O objetivo, claro, é fazer com que todos pertençam às corporações. Qual a diferença deste discurso para o de Mussolini? Nenhuma. Mas o problema é que quem diz isto é chamado por eles de anti-socialista ou anti-patriota, conforme a tonalidade da madeira que cobre a cara-de-pau do sindicalista.

Ok, falamos um monte de cinema e de cinismo sindical. Agora, isto tudo me veio à mente quando eu vi a que nível podem chegar as relações perigosas entre esta gente.

É preciso um pouco mais de leitura – e eu recomendo Mancur Olson – para se entender as implicações dos efeitos negativos dos sindicatos sobre o desenvolvimento econômico (para o caso do Brasil, veja isto, por exemplo). Mas no caso das relações perigosas, eu me lembro do clássico artigo de Bruce Yandle, sobre batistas e contrabandistas (revisitado e revisado pelo próprio aqui).

Qual é o final disto tudo? Bem, nem toda história tem moral (ou ética, como vimos entre os aliados do sr. da Silva, esta semana, notadamente seu amigo, o sr. Calheiros). Mas o mais importante é que você tenha a chance de, um dia, assistir Metropolis do Lang (veja se consegue a cópia original, em preto e branco, muda, não a que ganhou cores e trilha sonora nos anos 80), o 1984 do Orwell, e tente sair da armadilha mental que é achar que uma ideologia que justifica matança porque “o futuro será melhor para todos” é melhor que a outra que justifica a mesma matança porque “você é de uma raça superior”.

Aliás, pouca gente gosta de admitir (porque realmente é incômodo para quem ama ideologias como estas), mas nazismo e socialismo têm muito em comum (além do fato de Hitler ter importado a idéia dos campos de concentração da URSS) e um bom livro que mostra isto é o The Lost Literature of Socialism, de George Watson. É meio chato de se ler, mas é interessantíssimo. A capa do livro tem as chamadas mais interessantes:

  • The state can make of mankind anything it wants – that sums up ther theories (Tocqueville)
  • Germany takes Schleswig with the right of civilisation over barbarism, of progress against stability (Marx)
  • There is something wrong with a regime that needs a pyramid of corpses every few years (Orwell)
  • How, as a socialist, can you not be an anti-semite? (Hitler)

A combinação é explosiva, certo? Ok, o ponto é óbvio: não se deve tomar escritores humanos como escritores divinos, imunes aos erros da lógica (ou às imoralidades). Talvez aí esteja uma das melhores formas de se defender a liberdade de pensamento. Afinal, é melhor ter várias pessoas errando e acertando do que apenas uma, cujos erros e acertos são impostos a todos por um governo assessorado por um conselho de iluminados que, opa, também são humanos.