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Irracionalidade Racional, o Mito da Eficiência da Democracia e uma Observação sobre a UCB

I. Overture

Quando eu li o “Mito do Fracasso da Democracia” (numa tradução algo sofrível), anos atrás, eu o fiz por causa do Byran Caplan. Depois, Caplan prosseguiu no desenvolvimento de sua tese da irracionalidade racional e eu fui ler outras coisas.

Pois aí eu abro meu computador, passeio pelo Google Reader e encontro isto. Nada mais interessante. Aliás, os textos do debate parecem estar disponíveis para leitura (UPDATE: veja isto também).

II. Andante ma no troppo (ou algo assim)

Mudando um pouco de assunto, ontem eu apresentei um artigo escrito com o Ari e o Jocka lá na UCB. Eu não conhecia a UCB, nunca havia visto o Adolfo Sachsida pessoalmente e, em resumo, eu digo o seguinte: os professores da pós são muito simpáticos e o debate que tivemos foi muito bacana. No meio da discussão, claro, tentei jogar uma piada mas, como sempre, ninguém me entendeu (o que nos leva a pensar sobre dois erros: “erro tipo I”- meu humor é muito sofisticado, mas ninguém entende; e “erro tipo II” – meu humor é muito ruim, mas todo mundo gosta).

O artigo, para quem (ainda) não sabe, tem lá um ranking de produtividade dos departamentos de economia brasileiros (não todos, apenas os que têm pós-graduação strictu sensu). A UCB ficou bem no ranking e, após as bem-humoradas colocações do Adolfo sobre meu potencial de criar inimigos com este artigo, concluí que há uma hipótese testável adicional: somente seremos convidados para expor o artigo nos departamentos melhores colocados. ^_^

Ah sim, a piada. A piadinha me foi dita pela primeira vez pelo meu ex-orientador, o Ronald Hillbrecht. Trata-se de uma paródia, por assim dizer, de um antigo texto inacreditavelmente celebrado pela pterodoxia nacional, o “Produção de Mercadorias por Meio de Mercadorias”, de um tal Sraffa. A piada, no contexto da produção acadêmica de artigos, é falar que existe uma função de produção de artigos que é a “Produção de Artigos por Meio de Artigos”. Claro, só entende a piada quem foi aluno de gente pterodoxa (aqueles que passam metade de suas aulas dizendo que o que ensinam não presta para nada, exceto quando a tonalidade política do item exposto lhes é favorável), o que, creio, não é o caso da S.W.A.T. que leciona na UCB.

Por falar no Adolfo e por falar em pterodoxia, eis um teste simples para você saber se existe ou não doutrinação pterodoxa em seu curso: cheque o que é efetivamente lecionado no total das cadeiras que normalmente tratam da História do Pensamento Econômico. Se elas não ultrapassam Marx, então há apenas as seguintes possibilidades: (i) seu professor é um ignorante e nunca estudou nada além do século XIX (e olhe lá), (ii) seu professor conseguiu transformar um curso de 60 horas em algo incrivelmente monótono, (iii) seu professor é, sim, um pterodoxo doutrinador.

Na verdade, eu acho que são somente duas possibilidades, mas eu concedo o benefício da preguiça (a hipótese (ii)) como opção entre a ignorância e a doutrinação deslavada.

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