Economia da Religião · falhas de governo · mercado matrimonial

Mercado matrimonial coercitivo e a ineficiência do governo

Esta eu vou reproduzir em pequenos trechos. Primeiro, o problema:

Nos últimos seis anos, centenas de adolescentes foram excluídos ou optaram por deixar a colônia de polígamos que fica entre Colorado City, no Arizona, e Hildale, no Utah. O motivo mencionado com mais freqüência para as expulsões é desobediência, mas antigos membros da seita e funcionários dos serviços de Justiça do Estado dizem que o êxodo de homens, meninas são expulsas mais raramente, também corrige imensos desequilíbrios no mercado matrimonial. Membros da seita acreditam que, para chegar à salvação eterna, os homens devam ter cada qual pelo menos três mulheres.

Convenientemente, a tal religião é bem generosa com os membros masculinos. Obviamente, quanto mais homens na colônia, maior a concorrência e, portanto, os incentivos para se expulsar homens da mesma aumentam. É o que você vê acima. Mais um pouco:

Funcionários do Estado de Utah dizem que eles só descobriram quatro anos atrás que havia centenas de meninos da seita rondando pela região, vivendo por conta própria e muitas vezes enfrentando dificuldades. Embora a maioria saiba trabalhar com as mãos e sejam capazes de ganhar a vida no mercado da construção civil, raros deles têm mais de nove anos de educação.

Centenas de menino rondando a região, morando nas ruas…e os burocratas não tinham visto isto? Complicado. Bem, agora vem o lado bem-humorado da história. O chefe da seita – uma variação (dissidência) da igreja mórmon – está preso em:

Jeffs, 51 anos, está preso na cadeia de Purgatory, no sul do Utah, e seu julgamento deve começar em 10 de setembro. Ele está sendo acusado de cumplicidade em estupro, por sua interferência para forçar o casamento entre um de seus primos e uma menina de 14 anos. Além disso, deve enfrentar diversas outras acusações de delitos sexuais no Arizona. Mas seus aliados continuam a controlar a Igreja, dizem antigos membros da seita, e os meninos adolescentes continuam a ser excluídos da comunidade, à força ou por opção.

Reparou o nome da prisão? Pois é. Agora, mais um pouco de Economia. Observamos na história diversas alterações demográficas e tecnológicas que geram mudanças institucionais (ou, o que é a mesma coisa, mudanças na alocação dos direitos de propriedade sobre casamentos, por assim dizer). Lembre-se que, antigamente, era comum, em diversos locais (e sob diferentes culturas) a idéia do “dote matrimonial”.

A notícia, contudo, mostra uma mudança, digamos, artificial. Não se trata de demografia ou de tecnologia. É a crença do sr. Jeffs (ou os seus interesses, vai saber…) que gera mudanças demográficas artificiais (expulsar os garotos é uma “emigração” forçada, algo similar a êxodo dos judeus ao longo da história, embora em menor grau e sob outros motivos).

Ao lançar os meninos no mundo que eram ensinados a olhar com desprezo e desconfiança, o povo da colônia transformou o problema privado deles de criar e sustentar a garotada em um problema das cidades vizinhas. Em resumo: concentrou benefícios e dispersou custos.

Finalmente, há o aspecto engraçado dos funcionários públicos dizerem que não haviam reparado, em um intervalo de quatro anos, em centenas de meninos nas ruas. Se pensarmos que estas expulsões não ocorreram, em sua grande maioria, no quarto ano, esta é uma baita falha de governo. Aliás, uma falha que não causaria inveja aos nossos burocratas.

Um comentário em “Mercado matrimonial coercitivo e a ineficiência do governo

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