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iPhone e a discriminação de preços II

Falei sobre a discriminação de preços e iPhone alguns dias atrás.

Hoje, no blog Economist’s View, encontrei esse post.

Não é que ele falou basicamente a mesma coisa?!

economia da economia

A Economia dos Economistas

Conversamos sobre isto ontem, né? Pois olha o que temos aqui:

“Is Peer Review in Decline?”
NBER Working Paper No. W13272

Contact:  GLENN ELLISON
Massachusetts Institute of Technology (MIT) –
Department of Economics, National Bureau of
Economic Research (NBER)
Email:  
gellison@mit.edu
Auth-Page:  
http://ssrn.com/author=21500

Full Text:  http://ssrn.com/abstract=1002051

ABSTRACT: Over the past decade there has been a decline in the
fraction of papers in top economics journals written by
economists from the highest-ranked economics departments. This
paper documents this fact and uses additional data on
publications and citations to assess various potential
explanations. Several observations are consistent with the
hypothesis that the Internet improves the ability of high-profile
authors to disseminate their research without going through the
traditional peer-review process.

Bacana, né?

Academia

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Recomendo fortemente:

The Ronald Coase Institute
First Asia Workshop on Institutional Analysis
January 5-10, 2008 Singapore

Co-sponsored by the Lee Kuan Yew School of Public Policy/
Asia Competitiveness Institute,
National University of Singapore
Apply by September 30, 2007

Attend this inaugural workshop in Asia to
· Learn more about institutional analysis
· Present your current research and receive comments from established scholars
· Become part of a worldwide network of institutional scholars.

Who is eligible?
· Postdoctoral social scientists – early in their careers
· Advanced graduate students – in economics, political science, and other social sciences
· Scholars from developing/transitional countries in Asia are particularly invited to apply.
Participants will be selected on the basis of their research abstracts. Admission is strictly limited,
and the pace is intense. Participants must attend all sessions and give as well as receive feedback.

As a participant, you will
Hear
established scholars discuss their strategies to formulate research questions, design
projects, and draw important and practical conclusions.
Make two presentations of your own research
(1) in a small group, receiving faculty guidance
(2) after revisions, to the entire workshop, with discussion following.
Network through close, informal contacts with faculty and workshop alumni from
50 countries who have an enduring interest in institutional analysis.

How to apply (deadline September 30, 2007)
E-mail an abstract – 350 words maximum – of a current research project of yours, plus
a one-page curriculum vitae, to workshop2008sg@coase.org. Work already published
is not eligible.

At the top of your abstract, list the title, your name, and the number of words in the abstract.
Any co-authors must be listed here.

On your one-page CV, list your current professional status and the academic degrees you have
received, with university, year, and field of study. Also include your citizenship, date of birth,
and country of residence. Give as references the names, e-mail addresses, and telephone numbers
of two scholars familiar with you and your work.

As e-mail subject line, use Application for 2008 Singapore Workshop. Please attach your
abstract and CV as Microsoft Word files, using filenames yyy abstract.doc and yyy cv.doc
where yyy is your surname.

Abstracts will be judged on the clarity and importance of the research question, and on their institutional focus. Please do not submit any longer documents, as they will not be read.

Costs
The cost of the workshop – tuition and meals – is $2395 USD. This does not include hotel accommodations or travel expenses.

Some fellowships will be awarded competitively to scholars from developing and transitional countries, for tuition, meals, and hotel accommodations. If you wish to be considered for a fellowship, you must state that in your application. Tuition and meal costs for participants who are Singaporeans, Singapore permanent residents, or faculty members of Singapore universities will be covered through the sponsors.

At the close of the workshop, participants may submit papers based on their workshop projects
to the Lee Kuan Yew School of Public Policy, to be considered for publication in a special volume
produced by the School.

Consulte este endereço para detalhes.

culinária · curiosidades · empreendedorismo · Sushi

E por falar em sushi…

A Claudia Midori, do Comidinhas, ficou intrigada com a pergunta sobre o sushi e eu a respondi, lá mesmo nos comentários. Mas aí eu fiquei com vontade de ler mais o blog das duas jornalistas. Afinal, elas estão em Hong Kong agora e a comida chinesa, sempre desconfiei, deve ser mais diversificada do que parece.

Eis que achei isto:

Ontem fui na Kee Wah Bakery para comprar os deliciosos egg rolls, mas fui em vao. Nada de egg rolls. A cidade inteira esta tomada de mooncakes. Mooncake para todos os lados. Ontem provei um no City Super, tirei ate umas fotinhos, mas colocarei no blog quando voltar.

Os bolinhos cabem na palma da mao, sao fofos, de diversos recheios e para todos os bolsos. Os bolinhos sao caros, alguns absurdamente caros. Ja vi bolinhos com precos exorbitantes, digno de uma viagem a Lua, rs! Cada um pode sair por 20 dolares!

Engracado o preco do bolinho… os chineses comem ele para trazer fortuna, mas gastam rios de dinheiro comprando os mooncakes. Tudo bem, no Natal o peru tambem fica mais caro, mas os bolinhos sao absurdamente caros!

O mais bonitinho dos bolinhos eh que todos tem escrito em mandarim fortuna e vida longa. No hotel que estou hospedada tem mooncake por HK$ 148 (US$ 21)! Pelo preco, poderia ate ter folha de ouro, mas eh farinha, gema e acucar, mais nada.

Curiosidade, a reporter chinesa explicou para mim que na China – nao entendi o periodo, mas eh remoto – os bolinhos eram usados para envio de mensagens secretas entre membros de grupos rivais.

Aí está um bom exemplo para se entender oferta e demanda. Como pode um bolinho que só tem farinha, gema e açúcar ser tão caro? Simples: basta haver gente que esteja disposto a pagar o preço que pedem. É como um jogador de futebol: o Romário e eu também somos apenas água e carne (e provavelmente o fígado dele é melhor que o meu). Mas para tê-lo em um time, pagam muito mais do que eu apenas sonharia em pedir (e, bem, não sou o melhor jogador de futebol já visto…).

E note também a interessante história dos bolinhos no final do texto. Isto é que é economia de escopo: o mesmo bolinho gera dois bens (serviços) distintos. Você engana a fome e ainda manda um recado sacana para um inimigo.

Eis aí uma idéia para quem tem restaurante e grana para fazer bolinhos personalizados (garanto que dá dinheiro). Crie o seguinte serviço: biscoito da sorte com recado. O cara chega, vê uma menina interessante, e manda um biscoito da sorte para ela. Claro que você cobra por este serviço porque tem escrever o bilhetinho e colocá-lo dentro do biscoito.

Você ainda poderia sofisticar mais – e cobrar mais, claro – elaborando biscoitos da sorte personalizados e vendendo-os para os clientes mais chatos (aqueles que gostam de arriscar alto). Eu, por exemplo, tenho certeza que receberia um biscoito em formato de coração, com uma mensagem pedindo por uma tórrida noite de amor, enviado pela Angelina Jolie. ^_^

Estas idéias de recadinhos sempre funcionam em bares badalados mas lembre-se que, naqueles filmes antigões, sempre tem um Bogart no balcão recebendo olhares e/ou oferecendo bebidas coloridas para a Gilda da vez.

Humor

Frases que eu gostaria de ter dito

De uma leitora do Janer Cristaldo:

A propósito do artigo sobre transtorno bipolar, da Suécia, Déia me fala de outra praga, o DDA, e de uma terapia alternativa:

Querido, é Distúrbio de Déficit de Atencão!!!
Meu filho me perguntou se este fosse o caso dele uns três anos atrás, tentando justificar notas baixas no colégio, respondi que não se preocupasse porque eu usaria a terapia VIP: Várias e Intensivas Punições. Ficou curado na hora!
Não sei mais o que podem inventar…

Beijocas.

O negrito é por minha conta.

Corrupção · falhas de governo

Quem regulará o regulador?

O ministro de Assuntos Internos do Japão, Hiroya Massouda, responsável pela supervisão das declarações de bens e rendimentos dos políticos e dos partidos, admitiu neste sábado que deixou de declarar ao Estado US$ 8.600 em 2003, devido a um erro contábil.

Eis a notícia completa. É o que sempre digo: eu também gostaria de acreditar que conseguimos nove políticos éticos para cada safado. Mas é mais fácil pensar em incentivos adequados do que tentar modificar o caráter do sujeito. Pelo menos no curto prazo.

macroeconomia · multiplicador keynesiano · Teoria econômica

Y = C + I + G

Guilherme fez um texto interessante sobre o multiplicador keynesiano. Reproduzo um trecho, com o link.

Um exemplo de uma teoria que se tornou um mito foi a idéia do “Multiplicador Keynesiano”. O leitor deste blog provavelmente já conhece essa teoria. O “gasto”, seja de consumo ou investimento, geraria um “efeito dominó” por toda a economia que teria um impacto maior sobre a renda do que o volume de gasto incial. Por trás disso, existe a idéia de que o gasto de uma pessoa é a renda de outra. Se um indivíduo tem 100 reais e gasta 80 na padaria, poupando os 20 reais restantes, o padeiro, passaria a ter 80 reais, que dos quais pouparia 16 reais e gastaria 64 no açougue, por exemplo. O açogueiro, por sua vez, poupa 12,8 e gasta 51,2 no alfaiate e assim sucessivamente. Diz-se que nessa situação o multiplicador é 5, ou seja, um gasto inicial de 100 causará um aumento na renda de 500 reais.

Essa idéia sempre me incomodou. Como que simplesmente gastar irá fazer a sua renda aumentar? Se pensarmos no nível do indivíduo, esse argumento parece uma tolice sem tamanho. Se eu quero aumentar meu poder aquisitivo (aumentar minha renda), eu tenho três opções: a primeira é arranjar um emprego que pague mais, ou seja, eu preciso realizar uma atividade na qual eu tenho um desempenho melhor. Uma atividade onde sou mais produtivo. A segunda opção seria a de poupar parte da minha renda e emprestá-la para alguém. Eu não preciso emprestar diretamente, pois posso fazê-lo através de um banco. Fazendo isso, no futuro, eu possuirei um poder aquisitivo maior. A terceira alternativa para aumentar meu poder aquisitivo é me endividar. Se eu quero consumir agora, eu posso pedir emprestado o dinheiro de alguém que está poupando. Essas são as únicas maneiras de aumentar minha renda. Nenhuma delas envolve “gasto”.

Eis aí uma boa pergunta. Eu também aprendi que este multiplicador era algo que funcionava e, quando fui para a matéria que tratava do Desenvolvimento Econômico…bem…o professor, um daqueles raivosos pterodoxos, disse, com todas as letras, que o modelo de Solow era uma bobagem porque neoclássico. Então, após mais alguns anos, sofrendo muito no mestrado e no doutorado, eu finalmente pude aprender sobre o Desenvolvimento. E aí, eu olhava para aquela propensão marginal a poupar e ficava pensando: mas como é que pode isto ser bom no longo prazo se é ruim no curto? Quem, em sã consciência, pouparia?

A explicação do Guilherme tem toda a cara de crítica austríaca (ele gosta destas coisas, rs rs), aliás, lembra muito as tentativas de Roger Garrison de trabalhar o modelo keynesiano básico com a idéia dos estágios de produção de Hayek (eis aí um livro realmente interessante de se ler, Time and Money).

Entretanto, não é preciso ser austríaco para se sentir incomodado com o multiplicador keynesiano. O que me parece um grande problema desta versão keynesiana de livro-texto é a falta de microfundamentação. Se você já tiver visto o livro (avançado) de Economia Monetária do Carl Walsh, verá lá o modelo IS-LM de Bernanke e Blinder. Se não me falha a memória, lá, o modelo ganha microfundamentação e a explicação do modelo tem muito mais sentido econômico. Quando Bernanke e Blinder recriam o IS-LM, incorporam o canal de crédito que permite ao banqueiro privado pensar em termos de custo de oportunidade entre diversos tipos de empréstimo.

É interessante e difícil pensar neste tipo de problema porque, sim, o multiplicador existe se as relações propostas por Keynes existem tal como ele as formulou, ou seja, é uma simples contabilidade de agregados. Mas basta pensar que a teoria precisa de especificação do comportamento dos agentes – para fazer sentido – e o multiplicador passa a fazer menos sentido.

Mais ainda: se você não sabe, digamos, como é tomada a decisão individual de poupar ou não (a boa e velha Equação de Slutsky…), você não sabe se o multiplicador calculado com os dados ultra-agregados realmente impacta a realidade no montante previsto.

Este texto do Guilherme me deu vontade de parar um pouco hoje e pensar em uma resposta crítica não-austríaca ao multiplicador. Bom texto, Guilherme. Talvez tenha aberto um debate interessante com os keynesianos fundamentalistas, com gente mais séria, mas não austríaca, e com nosso próprio aprendizado. Aliás, este é o maior inimigo de cada um: ele mesmo.