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A economia da economia

Algumas pessoas que visitam este blog ficam curiosas sobre o tipo de pesquisas que seus autores desenvolvem. Deixe-me falar de uma de nossas agendas de pesquisa (minha e do Ari): a Economia da Economia. Não, você não leu errado. É isto mesmo, “Economia da Economia”. Conheci esta área por causa de conversas com João Ricardo Faria e por causa das pesquisas do Tom Coupé. Aliás, vejamos a definição que este último faz sobre esta agenda de pesquisa:

Economics of Economics is studying the behavior of economists and the characteristics of the economics profession. Maybe this is less wackonomics than the others as it’s mainly of interest to economists. At the other side, some people clearly do not like it. Click here for some evidence of this!

Por que eu gosto disto? Bom, a economia é ciência dos incentivos, por excelência. Nada mais interessante do que observar os incentivos que regem as ações dos próprios economistas. Muita gente reclama que os economistas são “imperialistas” porque desenvolvem modelos para explicar coisas como o crime, o conflito ou decisões políticas. A reclamação tem muito de ciúme dos concorrentes das outras áreas do conhecimento (o mercado das idéias também tem gente que adora criar barreiras à entrada…) e muita injustiça. Afinal, existe a economia da economia. Em outras palavras, somos honestos o suficiente para olharmos para nós mesmos e nossas práticas de trabalho e fazermos um estudo sobre isto.

Mas estudo de que, especificamente? Há vários tópicos interessantes. O mais popular deles – e que causa muita briga boba entre os colegas – é o “ranking”, seja ele de pesquisadores, departamentos de economia ou publicações. Outro bom tópico é o da análise do mercado editorial e suas imperfeições. Talvez o melhor seja eu reproduzir alguns dos títulos dos artigos produzidos pelo Jocka conosco ou com outros autores para você ter uma idéia mais clara do que falo.

The tenure game: Building up academic habits (2008) Japanese Economic Review, forthcoming (with Goncalo Monteiro)

Negatively correlated author seniority and the number of acknowledged people: Name-recognition as a signal of scientific merit? (2008) Journal of Socio-Economics, forthcoming. (with Nathan Berg)

Proliferation of academic journals: Effects on research quantity and quality (2007) Metroeconomica, forthcoming (with Rajeev Goel).

The game academics play: Editors versus authors (2005) Bulletin of Economic Research 57, 1-12.

The international research of academic economists in Brazil: 1999-2006 (2007) Economia Aplicada, forthcoming. (with A. Araujo and C. Shikida)

The citation pattern of Brazilian economists (2007) Estudos Econômicos 37, 151-166. (with A. Araujo and C. Shikida)

Is there a trade-off between domestic and international publications ?(2005) Journal of Socio-Economics 34, 269-280.

Some reflections on incentives for publication: The case of the CAPES’ list of economic journals (2004) Economia Aplicada 8, 791-816.

What type of economist are you: r-strategist or K-strategist ? (2003) Journal of Economic Studies 30, 144-154.

An analysis of rankings of economic journals (2002) Brazilian Journal of Business Economics 2, 95-117.

Rent seeking in academia: The consultancy disease (2001) American Economist 45, 69-74.

The research output of academic economists in Brazil (2000) Economia Aplicada 4, 95-113.

Note bem, leitor. Não é que não exista este tipo de crítica em outras áreas do conhecimento (embora eu não tenha conhecimento de nada similar), mas os artigos acima não se limitam a apontar problemas. Há uma análise de dados, há hipóteses e teorias formuladas, enfim, há uma tentativa de entender o(s) problema(s) que permeiam a produção acadêmica dos próprios economistas.

Sinceramente, acredito que uma História do Pensamento Econômico Brasileiro não pode escrita de forma completa se não abordar problemas como estes que nós, da Economia da Economia, estamos a estudar.

Em outras palavras, a história da ciência econômica no Brasil vai muito além de um livro de história sobre as reuniões que deram origem à ANPEC (existe um interessante nas livrarias, mas não me lembro da referência agora) ou sobre o que pensava José Bonifácio sobre o livre comércio. Estas coisas são importantes, claro, mas ilustram apenas o lado das preferências dos economistas. É importante ver como este discurso (não) se traduz em determinadas práticas. Aí é que a coisa fica bem interessante…

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