Blogs de economia · Sushi

A garotada manda ver na rede (de computadores)

Sobre o Pedro 756, já falei. Mas vamos a uma rodada de rápida incursão na blogosfera antes de um breve condicionamento físico.

Do Rabiscos, Philipe faz mais um de seus posts agradáveis. Uma coisa que eu gosto nos textos do Philipe é que ele faz algo parecido com o que eu tento fazer quando escrevo. Falo da linguagem direta com o leitor. Você quase consegue vê-lo falando. Larissa Fonseca, minha grande amiga e ex-orientanda, dizia que eu fazia isto nos rascunhos de monografia dela. Cada mensagem minha parecia um diálogo com todos os “PQP” que eu tenho direito. Philipe, isto, creio, é uma virtude nossa. Larissa hoje mora por aí. Você já deve tê-la visto por aí na FCE.

Diego, do Pensando, fala sobre a ineficiência do governo a partir do corte de cabelo numa abordagem bem Freakonomics. Diego é mais recente na rede, mas minha intuição (que, para estas coisas, falha muito pouco) é que ele logo, logo será um economista de primeira linha. A propósito, Diego gostou tanto de ter participado do nosso esforço sushiniano que já nos dedurou para a rede mundial de computadores:

Pra quem gostou do trabalho sobre sushis…

Eis o trabalho pra relembrarem ou para lerem quem ainda nao teve oportunidade

Teremos mais…É só esperar, o jeito Freakonomics de ser parece que agradou algumas pessoas aqui no Brasil. Comentários postivos de alguns professores, estudantes, e pessoas que nada a ver tem com a Economia nos fizeram tentar ir mais longe, surgiram mais alguns temas propostos pelo Alex Castro em seu blog
Então, provavelmente em pouco tempo teremos mais um e-book sobre esses assuntos. São questões microeconomicas pra analisarmos, um grande desafio, que pode ter um fim inesperado, engraçado, ou até óbvio demais. Então foi dada a largada para essa grande empreitada.
Os Freakonomists envolvidos são:
Tomas Kang(ex-UFRGS), Daniela Guimarães, Cristiane Carneiro, Pedro Silva Castro, Pedro Costa, Philipe Maciel, Philipe Berman(colega de bolsa), Diego Baldusco(ùm qualquer ai, achado na rua), Martin Dietrich Brauch, André Carraro, Leonardo Monasterio, Guilherme Stein (colega de bolsa também), Igor Rabelo, Alex Castro, Ari Araujo e Cláudio Shikida (idealizador).

Aguardem, e verão algo surpreendente e bem legal.

Viu aí, leitor(a)? Eu, que sou iconoclasta, agora sou idealizador. Ai, ai, ai…isto não vai acabar bem. Mas deixa eu complementar o que diz o Diego. Este segundo trabalho está em ritmo mais lento. A patota do IBMEC tem semana de provas a partir de segunda-feira e os outros ainda estão tentando ver sobre o que vão escrever.

Da outra vez foi mais fácil, porque a pergunta da Cristiane era uma só e todos se concentraram no mesmo objetivo (ou quase, lembre-se das colaborações do Leo e do André).

blogosfera · Blogs de economia · Humor

Pedro dá audiência?

Nos dias 05 e 07 de setembro, segundo as estatísticas do blog, respectivamente, o post com maior número de visitas, ou melhor, os posts, foram “iPhone e a discriminação de preços” e “Elas gostam dos mais ricos…“.

No cômputo geral, este post engraçadinho sobre as mulheres emplacou uma terceira colocação nos mais visitados.

Concluo: (a) sou bom para escolher convidados para este blog (:)), (b) Pedro dá audiência, (c) Pedro tem mais amigos do que eu.

Academia

IV Seminário de Economia de Belo Horizonte – novamente

Se você leu isto, sabe do que falo. Adiciono mais rapidez à sua inscrição: vá direto para esta página se for aluno do IBMEC.

O único incômodo é que o sujeito que elaborou a página não deixa claro se sua inscrição foi aceita ou não. Você preenche seus dados, envia para o banco de dados dele, mas não sabe se a inscrição foi feita ou não. Por que? Porque há 20 vagas garantidas para cada curso. Após o fechamento delas, você deve concorrer em vagas livres (livres, mas limitadas, entendeu?). Então seria bom que o sistema enviasse uma mensagem de confirmação.

Se você tiver problemas com isto, converse com o coordenador do encontro, o Márcio Salvato. Mas fica aí a dica para todos que já me enviaram mensagens ontem e hoje falando de dificuldades ou dúvidas sobre as inscrições.

bolivarianismo · socialismo real

A triste vida das soviéticas em Cuba

They came from Russia with love to a tropical socialist utopia when the going was good. They were young women romantically drawn to Fidel Castro’s revolution, a breath of fresh air on a distant Caribbean island for those who were disillusioned with Soviet communism. But when the Soviet Union fell apart in 1991, hundreds of Russian women who married Cubans and moved to Cuba were cut off from home and stranded in poverty as the Cuban economy plunged into deep crisis.

Triste, não? Mas existe gente em pior situação.

Academia · Ciência · ciência econômica · economia da economia

A economia da economia

Algumas pessoas que visitam este blog ficam curiosas sobre o tipo de pesquisas que seus autores desenvolvem. Deixe-me falar de uma de nossas agendas de pesquisa (minha e do Ari): a Economia da Economia. Não, você não leu errado. É isto mesmo, “Economia da Economia”. Conheci esta área por causa de conversas com João Ricardo Faria e por causa das pesquisas do Tom Coupé. Aliás, vejamos a definição que este último faz sobre esta agenda de pesquisa:

Economics of Economics is studying the behavior of economists and the characteristics of the economics profession. Maybe this is less wackonomics than the others as it’s mainly of interest to economists. At the other side, some people clearly do not like it. Click here for some evidence of this!

Por que eu gosto disto? Bom, a economia é ciência dos incentivos, por excelência. Nada mais interessante do que observar os incentivos que regem as ações dos próprios economistas. Muita gente reclama que os economistas são “imperialistas” porque desenvolvem modelos para explicar coisas como o crime, o conflito ou decisões políticas. A reclamação tem muito de ciúme dos concorrentes das outras áreas do conhecimento (o mercado das idéias também tem gente que adora criar barreiras à entrada…) e muita injustiça. Afinal, existe a economia da economia. Em outras palavras, somos honestos o suficiente para olharmos para nós mesmos e nossas práticas de trabalho e fazermos um estudo sobre isto.

Mas estudo de que, especificamente? Há vários tópicos interessantes. O mais popular deles – e que causa muita briga boba entre os colegas – é o “ranking”, seja ele de pesquisadores, departamentos de economia ou publicações. Outro bom tópico é o da análise do mercado editorial e suas imperfeições. Talvez o melhor seja eu reproduzir alguns dos títulos dos artigos produzidos pelo Jocka conosco ou com outros autores para você ter uma idéia mais clara do que falo.

The tenure game: Building up academic habits (2008) Japanese Economic Review, forthcoming (with Goncalo Monteiro)

Negatively correlated author seniority and the number of acknowledged people: Name-recognition as a signal of scientific merit? (2008) Journal of Socio-Economics, forthcoming. (with Nathan Berg)

Proliferation of academic journals: Effects on research quantity and quality (2007) Metroeconomica, forthcoming (with Rajeev Goel).

The game academics play: Editors versus authors (2005) Bulletin of Economic Research 57, 1-12.

The international research of academic economists in Brazil: 1999-2006 (2007) Economia Aplicada, forthcoming. (with A. Araujo and C. Shikida)

The citation pattern of Brazilian economists (2007) Estudos Econômicos 37, 151-166. (with A. Araujo and C. Shikida)

Is there a trade-off between domestic and international publications ?(2005) Journal of Socio-Economics 34, 269-280.

Some reflections on incentives for publication: The case of the CAPES’ list of economic journals (2004) Economia Aplicada 8, 791-816.

What type of economist are you: r-strategist or K-strategist ? (2003) Journal of Economic Studies 30, 144-154.

An analysis of rankings of economic journals (2002) Brazilian Journal of Business Economics 2, 95-117.

Rent seeking in academia: The consultancy disease (2001) American Economist 45, 69-74.

The research output of academic economists in Brazil (2000) Economia Aplicada 4, 95-113.

Note bem, leitor. Não é que não exista este tipo de crítica em outras áreas do conhecimento (embora eu não tenha conhecimento de nada similar), mas os artigos acima não se limitam a apontar problemas. Há uma análise de dados, há hipóteses e teorias formuladas, enfim, há uma tentativa de entender o(s) problema(s) que permeiam a produção acadêmica dos próprios economistas.

Sinceramente, acredito que uma História do Pensamento Econômico Brasileiro não pode escrita de forma completa se não abordar problemas como estes que nós, da Economia da Economia, estamos a estudar.

Em outras palavras, a história da ciência econômica no Brasil vai muito além de um livro de história sobre as reuniões que deram origem à ANPEC (existe um interessante nas livrarias, mas não me lembro da referência agora) ou sobre o que pensava José Bonifácio sobre o livre comércio. Estas coisas são importantes, claro, mas ilustram apenas o lado das preferências dos economistas. É importante ver como este discurso (não) se traduz em determinadas práticas. Aí é que a coisa fica bem interessante…

Freakonomics · Sushi

Esqueceram de citar o sushi!

“Discover Your Inner Economist” joins a recent school of books demystifying and popularising economics that began with Steven Landsburg’s “Armchair Economist” in 1993, and conquered the bestseller lists in 2005 with “Freakonomics” by Steven Levitt and Stephen Dubner. It stands apart from its predecessors by making its revelations not so much about the way the world works as about the way we ourselves work (and play) and how we can take practical steps to do both better.

Ao citar vários livros, esqueceram de nos citar. Mas aposto que você, leitor, lembrou do sushi quando leu este trecho!

economia · Marketing · monopólio

iPhone e a discriminação de preços

Cada dia que passa enxergo mais exemplos do que vemos em sala de aula no cotidiano. Quem fala que economia é uma ciência puramente teórico, não sabe a besteira que está falando.

O exemplo de hoje é o caso da Apple, que reduziu ontem (terça) o preço do iPhone em 200 dólares. Por que que adotaram  tal medida? Resposta óbvia: porque esperam lucrar mais com isso. Vamos à explicação. Lembra da sua aula de introdução à micro? Pois bem, a explicação disso tudo está nas palavras do seu professor.

A Apple é monopolista do iPhone. Como não existe substituto (quase) perfeito para o iPhone (o aparelho é fantástico; as fotos são de qualidade altíssima e você navega na internet como se estivesse em um computador; além de ser um celular), a Apple pode escolher o preço que maximizará seu lucro. Mas qual seria esse preço? Se ela escolher um preço muito alto, como fez inicialmente ($599), poucas pessoas iriam comprar o produto. Se escolher um preço muito baixo, muitas pessoas estariam dispostas a pagar um pouco mais pelo produto, e a companhia perderia assim oportunidade de lucrar mais. O que fazer então?

Aham! Aí você lembra do caso do monopolista descriminador de preços: aquele que extrai todo o excedente possível, aquele que seu lucro é  o máximo possível. Mas como que a Apple fez isso?

 

Gráfico - discriminação de preço

Fácil. Ela estabeleceu um preço inicial considerado alto (p1). Aqueles pessoas que “fariam de tudo” por um iPhone foram lá e compraram o aparelho e ficaram muito felizes. A Apple também ($$) (área vermelha, supondo custo =0). Como já se passaram 3 meses após o lançamento, o número de pessoas dispostas a pagar $599 (p1) diminuiu bastante.

Para continuar vendendo bem , a empresa apenas diminui o preço (p2). Com novo preço, muitos novos consumidores irão comprar o produto, pois seu preço de reserva (valor máximo que estão dispostos a pagar por um bem/serviço) é maior ou igual ao novo preço.

Sendo assim, a Apple espera vender mais e extrair um lucro maior (área vermelha + azul) que se adotasse somente um preço e por isso o faz.

Eu disse espera? Sim. Escolhas dos agentes são baseadas em expectativas (racionais), mas isso é assunto para outro post.

Acho que fui claro o suficiente nas explicação. E aí, o que acham?