Economia Brasileira · falácias econômicas · grupos de interesse · liberalismo · propaganda política · rent-seeking · subsídios · tamanho do governo

Quem é a favor de mais arrecadação gosta de subsídios?

O Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) defendeu que o governo aproveite o espaço fiscal obtido com a elevação da arrecadação para adotar medidas de estímulo ao crescimento econômico. Pelos cálculos do Iedi, essa folga representa 2% do Produto Interno Bruto (PIB) – 1,1 ponto com o aumento da carga tributária e 0,9 ponto pela redução dos gastos com juros.

Leia mais sobre a proposta do IEDI aqui. Aproveite e leia novamente o que o Adolfo disse ontem. Outro dia eu mesmo comentei aqui uma das últimas cartas quinzenais do Jorge Vianna Monteiro na qual ele expressava – corretamente – sua desconfiança da tal campanha da FIESP contra a CPMF. Se é contra a CPMF, é contra subsídios? Se é, então, sim, leitor, pode ser que seja um liberal. Mas se acha que subsídio é bom, não é liberal, embora o povo da esquerda insista em lançar esta confusão na mente de seus eleitores.

Faz parte do discurso dos não-liberais acusar seus inimigos de liberais (como o faz, descaradamente, há mais de 50 anos, a esquerda) ou de comunistas (como o faz, descaradamente, há quase tanto tempo quanto, os grupos de interesse de empresários).

Já ouviu falar da sociedade rent-seeking? Pois o Brasil é um exemplo que se encaixaria em qualquer livro-texto sobre o tema.

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Academia

IV Seminário de Economia de Belo Horizonte

O IV Seminário de Economia de Belo Horizonte começa em breve. Sobre as inscrições: cada faculdade (IBMEC, PUC e EG) tem 20 vagas garantidas para cada instituição. As inscrições – para estas vagas – são feitas mediante login e senha que você obtém com o pessoal responsável pela comunicação/marketing de sua instituição (no caso do IBMEC, o pessoal que sabe disto fica ali no quarto andar, o povo bacana do marketing/comunicação. Meninas legais. Fale com elas porque elas já têm o login e a senha).

No caso do IBMEC, a decisão da direção da faculdade é que cabe a cada professor decidir se libera ou não seus alunos para o Seminário. Se o seu professor não te disse nada, pergunte-lhe sobre sua decisão. No meu caso (e no do Ari), as turmas sob nossa responsabilidade estão liberadas para irem ao Seminário. Eu gostaria muito que todos pudessem desfrutar deste momento de ebulição do conhecimento, deste contato com a pesquisa avançada, mas infelizmente isto não será possível.

Mas, independente disto, você pode ler os artigos dos palestrantes. Isto é útil, inclusive, para os que pretendem ir ao Seminário (para preparar melhor suas perguntas). Cheque a programação: eles já estão (quase todos) disponíveis para download.

Pessoalmente, fico feliz em rever alguns velhos amigos: Marcelão, Carlão (que também está com um curso interessante, na mesma semana, sobre política monetária e bancos centrais que, lamentavelmente, pelos horários, não poderei freqüentar), Fábio Gomes e Cadu .

Recomendo fortemente a abertura (Naércio) e o encerramento (Fábio Giambiagi), pela importância de ambos na formação do pensamento econômico brasileiro contemporâneo, notadamente no que tange à crítica responsável das políticas públicas.

Claro, há também o Fausto, o Rai, o Ari e o Renato, cujos artigos prometem.

Este ano, a coordenação ficou a cargo do meu amigo Márcio Salvato, cuja competência e seriedade são por mim conhecidas há mais de 15 anos. Creio que será mais um sucesso.

apagão aéreo · Economia Brasileira · economia da defesa · rent-seeking

Complexo Industrial-Militar terá licitações “flexibilizadas”

Lembra do que falei ontem, sobre o complexo industrial-militar brasileiro? Pois é. Hoje eu leio que:

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, disse ontem que o governo vai flexibilizar a Lei de Licitações para beneficiar as empresas brasileiras na compra de materiais, equipamentos e insumos bélicos para Exército, Marinha e Aeronáutica.

Isto dá uma pá de boas perguntas: (a) por que o setor de Defesa sim e o de Educação não?, (b) que interesses ganham com este aumento do gasto público?, (c) qual a justificativa teórica para se dizer que um tanque é mais bem público do que um remédio?, (d) como funciona a lei de licitações e quais os motivos de ela ser tão (pouco) flexível? Não vale culpar o governo já que é o próprio governo que está a flexibilizá-la agora (opa, olha a dica aí…).

Interessante que o novo ministro – celebrado porque iria resolver o problema da falha governamental no setor aéreo – seja notícia, agora, quase que exclusivamente por causa destas suas ações no ramo militar.

microeconomia

Philipe e sua tia soviética ou “A Microeconomia da Infância Aguada do Philipe”

Philipe, que hoje comemora seu aniversário em um local bem familiar, está remoendo as memórias sobre sua (arquetípica) tia. Algo neste post dá a impressão de que ele quer ganhar chocolate de aniversário. Duvida? Então me acompanhe na leitura da parte central do texto:

A sua tia Dória também é campeã nisso. Aliás, uso ‘tia Dória’ em sentido lato, como um arquétipo. Você já vai entender.

Um dia, tia Dória (que, repitamos, é um arquétipo) resolve fazer um bolo de chocolate. Para simplificar, vamos dizer que ela vai usar o equivalente a cinco reais de chocolate e cinco reais de biscoitos para fazer o bolo. Somando-se tudo, temos que o bolo custará dez reais.

Nesse momento, o Philipe começa a pensar: “Bom, eu ficaria muito feliz só de comer, junto com os outros primos, o chocolate e os biscoitos usados para fazer o tal bolo”.

Aí tia Dória começa a fazer a massa, colocar na forma, etc. O resultado? Um bolo que vale, digamos, oito reais. Menos do que o valor do chocolate e dos biscoitos utilizados.

Nesse momento Philipe começa a se mortificar e a pensar: “Pois é, todo mundo teria ficado mais feliz se, em vez de cozinhar, ela simplesmente desse o chocolate e os biscoitos para a gente. O bolo nem é tão bom assim.”

O fato é que, no exemplo, temos a transformação de dez reais de insumos em um produto que vale apenas oito reais.

O exemplo é grosseiro, mas já passei muitas vezes por coisa semelhante. E, como criança, era complicado ficar aguado com chocolate para comer um bolo mais ou menos depois.

Interessante, geralmente essas receitas “sumidouro de valor” incluem chocolate. Aparentemente, chocolate é uma coisa muito boa de se comer puro, mas que perde o valor quando misturada a outras coisas.

Talvez a explicação de porque tal prática ocorre passa pelo fato de que tia Dória fica muito feliz em cozinhar para os sobrinhos. Se ela deriva do ato satisfação que vale, digamos, quatro reais, o bem estar social aumenta.

O Philipe, claro, não entende só de bolo, mas também de sushi. De qualquer forma, eis um bom exemplo de aplicação microeconômica à sua (aguada) infância.
A tia, na opinião do Philipe, diminui o valor do chocolate quando faz o bolo. A tia, em sua própria opinião, faz o oposto. Então, por que é que o Philipe come o bolo? Não é porque se sinta satisfeito. É porque algum chocolate é melhor que nenhum ou, em bom economês: “melhor ficar em equilíbrio sobre esta curva de indiferença do que ficar em um equilíbrio com nível de utilidade menor”.

Talvez o Philipe seja um cara que, no aniversário, não queira uma stripper saindo de dentro de um bolo, mas sim de uma barra gigante de Chokito. Eu, claro, prefiro a primeira opção.

Humor

Como o BigMac ajudou o meio ambiente

A Japanese government website crashed Wednesday as people raced to take up an offer of a half-price McDonald’s hamburger in exchange for pledging to fight global warming. The Japanese unit of the US burger giant Tuesday offered a Big Mac for 150 yen (1.3 dollars), about half the normal price, to anyone demonstrating a commitment to preventing climate change.

People were asked to check up to 39 boxes on a form they could download from the environment ministry’s website, each listing a way of reducing carbon dioxide emissions blamed for global warming.

“We started seeing a rise in access yesterday and it surged this morning. We are now trying to restore the system,” said Kenji Someno, who heads the ministry’s Lifestyle Policy Office.

It was the ministry’s first system crash following a corporate offer related to environmental efforts.

A notícia completa está aqui.

Academia · falhas de governo · Finanças · rent-seeking

Fazer ou não um mestrado? (e uma pergunta)

O Márcio Laurini tem algo útil para você, leitor que está em um curso de graduação e está exatamente com esta dúvida. Vejamos um trecho do que ele diz:

Uma pergunta comum de alunos de fim de graduação é se eles devem sair da graduação direto para um mestrado ou trabalhar um pouco e depois fazer o mestrado. Creio que a resposta disso é bem mais difícil do que parece.

O caso mais simples é quando o aluno que seguir a carreira acadêmica – mestrado e depois doutorado. Em geral neste caso quase sempre a melhor escolha é emendar direto o mestrado/doutorado. Os custos de oportunidade são bem menores e o pique é bem maior. Não creio que haja muita polêmica quanto a isso.

Mas se a área de atuação for finanças e o mestrado for um mestrado acadêmico no Brasil talvez a melhor escolha seja trabalhar um tempo no mercado financeiro e depois iniciar o mestrado. O grande problema é que de forma geral os mestrados em economiano Brasil tem poucas matérias de finanças, e neste caso o aluno vai estar quase sempre por sua conta para aprender finanças.

Bom, você pode ler o resto aqui.

Contudo, eu tenho uma pergunta. Se este país é tão “neoliberal” ou cheio de “invidualistas direitosos” assim, o mais esperado seria que observássemos uma centena de mestrados acadêmicos com ênfase em Finanças – e com uma tradição de anos e anos de formação de profissionais para o mercado financeiro. Você poderia se perguntar sobre o porquê de não termos uma grande faculdade privada, desde a época do Império, lucrando com isto.

Sobre a história do ensino superior no Brasil eu não sei muito. Certa vez, eu arranhei algumas pistas sobre o caso específico dos cursos de graduação em Economia, graças a uma dica de leitura do Gustavo Franco. Outra pista está em minhas lembranças do que li na versão romanceada da vida do Barão/Visconde de Mauá, aquela do Jorge Caldeira. Junto as duas partes e percebo, pelo menos, o quanto a obesidade estatal – atualmente em moda no Brasil – pode ter influenciado para esta tibieza dos mestrados em Finanças que observamos hoje.

Talvez o pessoal de História Econômica que gosta deste papo de path dependence (provoquei o co-blogueiro Fábio Pesavento…pela chamada e pelo link) tenha algo a dizer a respeito.

Independente da minha pergunta, sim, eu acho que você deve considerar o que diz o Márcio. Acho que por uma falha de governo, deu-se muita ênfase em mestrados acadêmicos para formar economistas governamentais. Até que isto seja corrigido, a solução second best é a que ele aponta: ter alguma experiência ou tentar um mestrado profissional.

Se o mercado conseguirá fazer isto sob a tutela de um MEC com a visão ideológica atual é outro problema. Aliás, sobre este outro problema já discutimos aqui, em um diálogo com o Adolfo Sachsida, lembra? Não? Então veja isto, isto, isto e, finalmente, o início  de tudo.

Academia · economia

Lançado o desafio

Sabe este texto do Alexandre que eu citei hoje? Olha aí embaixo. Achou? Pois é. Antes de nossa rede sair do ar (agora estou em casa, graças a Deus…), lancei o seguinte desafio a um aluno: você é capaz de escrever um texto tão bacana quanto este? Eu acho que ele consegue, mas o mais importante é ele perceber que ele tem o potencial e que pode transformá-lo em um bom texto.

Meu ponto é que talentos latentes só florescem quando há uma quebra de barreiras na cabeça do sujeito. E eu acho que o aluno citado não demorará a escrever algo interessante. Não será, provavelmente, um texto tão bacana quanto o do Alexandre mas, ei, você não começou sua vida como fruto de um ovo e um girino?

Chato mesmo é ler os textos do Alexandre (Schwartzman) e continuar imaginando sobre os motivos de eu não escrever tão bem quanto ele.

Academia · brasil · esquerda · falácias econômicas

Desabafo de um aluno sério

Após meu ingresso na universidade como estudante de economia, muitas idéias que habitavam minha cabeça foram sendo substituídas, algumas foram sendo remoldadas e outras foram nascendo. Como a maioria dos jovens colegiais, tinha a vontade de mudar o mundo, alterar a situação dos famintos, dar cobertores aos que passam frio. No entanto, aos poucos fui percebendo que, mesmo sempre tendo boas intenções, os meios que defendia para alcançar esses nobres objetivos eram equivocados. Simples e fáceis de se botar em prática, mas equivocados.

Continue a ler até o final.

Philipe, não fique triste não. Todos nós já passamos por isto. A diferença, como você observa no final do texto, encontra-se na conservação do caráter de alguns e em seu abandono, por outros.

economia · Libertários

O dia da divisão do trabalho

Eis uma sugestão interessante:

If all we cared about was labor, the potter would only use his hands, the plumber would take apart his tools, and the farmer would destroy his tractor. It is important to remember that labor is a means to an end, not an end itself. It is the division of labor that creates specialization and improves efficiency and productivity, which therefore leads to greater prosperity for all.

Thus, if we truly want a holiday to celebrate labor, let’s make Labor Day something different — “Division of Labor Day.”

Claudio