burocracia · Economia Brasileira · economia política · escolha pública · falácias econômicas · finanças públicas

A tragédia do discurso oficial

O que você pensaria se Delfim Netto, nos bons anos de chumbo, diante da proposta da oposição de lhe cortar receitas de tributos, dissesse que isto prejudicaria os programas sociais? Eu sei o que você pensaria. Palavras como “chantagista”, “mentiroso”, “falso”, “safado” e outras que bloqueariam este blog em bons lares deste país estariam sambando em sua mente.

Mas, e se os tempos forem outros?

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que seria trágico para o País se a renovação da CPMF não for aprovada pelo Congresso Nacional. “Teríamos de desativar programas como o Bolsa Família e reduzir o superávit primário. A emenda 29 (que estipula a destinação de recursos para a Saúde) teria de ser discutida”, afirmou Mantega.

Trágico, não?

ciência econômica · economia · matemática em economia

Matemática em Economia

The moral of the story is that if you are smart enough to be a Nobel-prize winning economist maybe you can do without the math, but the rest of us mere mortals cannot. We need the math to make sure that we think straight–to ensure that our conclusions follow from our premises and that we haven’t left loose ends hanging in our argument.In other words, we use math not because we are smart, but because we are not smart enough.

Quem disse isto? Dani Rodrik, um economista que fala coisas bem estranhas sobre o Brasil, mas sabe muito bem por onde passa o ensino de Economia.

Deveríamos imprimir o trecho acima em ouro e pregar na entrada da faculdade. Digo, de todas as faculdades. Inevitavelmente eu imagino quanta gente não suficientemente inteligente eu conheço e que se acha o máximo. Há hordas de gente assim nos bancos escolares e, claro, também no corpo do(c)ente de várias faculdades…

p.s. Note que o convidado Pedro também falou sobre isto aí abaixo. Isto é que é sintonia 🙂

Uncategorized

Elas gostam dos mais ricos e eles das mais belas?

Como sou o convidado da semana, devo contribuir né?!

Hoje, saiu a seguinte notícia no G1:

Ciência prova: eles buscam belas; elas, ricos

A notícia se baseia num experimento feito pela Universidade de Indiana que analisou o comportamento de 26 homens e 21 mulheres.

Espera aí: também não achou estranho a manchete? Seria correto afirmar que a ciência prova que os homens buscam as mais belas e as mulheres os mais estáveis financeiramente numa amostra tão pequena? Será que os resultados se manteriam estáveis com uma amostra maior e diferente? Qual o nível de significância?

Não vi o estudo original, mas por que não divulgaram? Acho que forçaram a barra, apesar de achar que o resultado encontrado foi óbvio (rsrs).

microeconomia · monopólio · regulação

Poder de monopólio

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) rejeitou hoje a proposta de acordo do shopping Iguatemi pela qual este eliminaria uma das duas cláusulas dos contratos que mantém com lojistas como forma de superar disputas com outros shoppings de São Paulo. Uma das cláusulas que desagradam os concorrentes é a de exclusividade total do lojista com o Iguatemi, e a outra é a exigência de que o empresário não abra nenhuma loja da mesma rede em um raio de dois quilômetros de distância do shopping.

Leia mais aqui.

Como você pode ver, aquela história do livro-texto sobre a existência de substitutos próximos e a relação disto com a definição prática de monopólio não é papo furado.

Agora, só para pensar: se o sujeito abre uma loja no shopping, porque abriria uma outra em menos de dois quilômetros? Talvez a discriminação de preços seja atrativa, mas o que me deixa pensativo são os dois quilômetros. Por que não três quilômetros? Comentários?

Uncategorized

Imposto sobre quem não paga outros impostos e outras anedotas…

Inovação faz parte da História do Pensamento Econômico Brasileiro, correção monetária, inflação sem causa e efeito, são agora acompanhas por essa idéia de termos um imposto que incide sobre aqueles que não pagam outros tributos. O Ministro Mantega descobriu a forma de como eliminar o sonegador dentro da finança pública.

CPMF parece ser o imposto único sobre sonegador.

 André

Economia Internacional · Política fiscal · Política monetária

Pergunta para você, estudante de Economia

As notícias nos EUA e no Brasil parecem sair de mundos distintos. Nos EUA, o ambiente de crise financeira está tornando os economistas cada vez mais preocupados com o risco de recessão (ou pelo menos desaceleração). No Brasil, na contramão, o governo baseia seu orçamento em receitas cada vez maiores, para financiar gastos crescentes. E o 3º Congresso do PT, partido do governo, em vez de delinear as reformas que considera necessárias para sustentar um crescimento sustentado, prioriza a revisão do que deu certo no passado: a privatização da Companhia Vale do Rio Doce. Será possível conciliar esses dois mundos no futuro? Provavelmente, não, mesmo que o Brasil não seja afetado por uma eventual desaceleração da economia norte-americana.

A pergunta é do Ilan. Serei justo. O presidente da Silva elogiou o falecido ditador Vargas outro dia. Não é de hoje que ele elogia ditadores (mas Pinochet, coitado, não aparece nunca em seus discursos, vai ver tem ditadura boa e ruim…). Na verdade, há muito mais tempo, ainda no primeiro mandato, ele elogiou Geisel.

A impressão que dá é que os antigos críticos do regime militar estão seguindo o mesmo caminho dos gestores da economia da época dos choques do petróleo. Vá lá que os bancos centrais, graças às teorias econômicas atuais (que os mesmos antigos críticos – atuais gestors – repudiavam), hoje são melhores na gestão econômica. Mas isto pode não ser suficiente…

economia da defesa

O tigre, o dragão…e a formiga

A julgar por esta matéria, o futuro de Taiwan não é nada bonito. A propósito, existe uma área da economia chamada “Economia da Defesa” que é bem interessante. Se você gosta, traduza o termo para o inglês e google it! Taiwan e a China continental são apenas exemplos de amostras para testes de hipóteses nesta vasta área que engloba desde alianças militares até os impactos econômicos do terrorismo.

Lembrete 1: Ah sim, vejamos se o firewall da faculdade vai me atrapalhar hoje.

Lembrete 2: Notaram que temos um convidado aqui, esta semana?

Economia Brasileira · Federalismo · Libertários · política brasileira

Abstrações e sua realidade: escolha antes que o marketing político escolha por você

Costumo dizer que às vezes tenho vontade de socraticamente parar as pessoas na rua e perguntar: “E se o Brasil perdesse a Amazônia, que diferença isso faria na sua vida?” Porque eu não consigo pensar em nenhuma. Exceto que se algum povo menos burocrático a ocupasse talvez eu pudesse comprar alguns produtos novos. Essa postura em relação à Amazônia é só um sintoma de um condicionamento geral muito fácil de observar aqui: o brasileiro, por mais pobre e impotente que seja, sempre discute qualquer assunto do ponto de vista do governante, nunca do governado. É o que eu chamo “mentalidade imperial”. Se você vai escrever um poema, fazer um espetáculo de dança ou mesmo fritar uns pastéis é tudo pelo Brasil, é sempre em função de um suposto projeto de país. E ninguém parece perceber que nada faria mais bem ao Brasil do que parar de tratá-lo como um projeto e começar a tratá-lo como um dado. O Brasil não é um sonho. É um aglomerado político de cidades. A famosa “realidade” não é necessariamente desdentada; realidade é o que quer que esteja à sua volta. É melhor fritar um bom pastel porque ele é um bem, e não porque o bom pastel é bom para o Brasil. Ele é bom para quem vai comê-lo e bom para o artista que o fez. Não existe nenhuma maneira de um aglomerado político se beneficiar de um pastel.

Eu me impressiono com o Pedro Sette desde 1997 ou 1998, quando me enviou – a pedido meu – alguns exemplares impressos de “O Indivíduo”. Havia um post dele que não encontrei no qual ele disse sua frase (para mim, célebre): “não adianta sair do Brasil. Você tem é que tirar o Brasil de dentro de você” (ou algo assim).

O trecho acima, na minha opinião, tem o mesmo sentido geral. E me faz pensar um pouco sobre estes problemas de sempre: onde estão os eleitores com suas caras pintadas? Se eles não agem porque há um dilema de ação coletiva, quem é que comandou e resolveu o dilema nos anos 90?

A galera do Partido Libertário e do Partido Federalista, ambos nascentes, deveriam pensar nisto. Se seus organizadores desejam seguir uma linha liberal-libertária, precisam nos dizer como resolverão o problema que o dilema gera para seus prováveis membros. Ou, melhor ainda, precisam resolvê-los. Ok, aqui a discussão fica mais confusa e abstrata, mas era só para os liberais que estarão em Brasília no final do ano pensem no assunto. Principalmente o povo mais jovem.

blogosfera · Blogs de economia

Convidado da Semana – Homo Econometricum

Olá para todos. Durante essa semana, estarei postando algumas coisas aqui também. Shikida me fez o convite e não pude refutar.

Para quem não me conhece, meu nome é Pedro, sou aluno do Ibmec-MG e atualmente estou de intercâmbio na Universidade de Arkansas. Mesmo com a correria que estou aqui, tentarei contribuir o máximo.

Para mais informações, visitem meu blog.

Até.

educação · irracionalidade racional · microeconomia · sinalização

Educação, sinalização e a resposta de Caplan a Kling

Outro dia eu coloquei aqui um link para o post  do Arnold Kling para Caplan, no qual se perguntava a este último sobre educação, sinalização e a famosa irracionalidade racional. Eis a resposta do Caplan. Reproduzo, abaixo, parte do texto:

1. Steve Miller and I have a paper where we examine the extent to which the tendency of education to “make people think like economists” is actually a disguised effect of IQ. We find that at least one-third of the apparent effect of education should actually be attributed to IQ. So while there is something to Arnold’s concerns, there is still plenty of room for education to matter.

2. You might object that it will be extremely costly to significantly raise the average education levels of people with average or lower IQ. I’m sympathetic, but this ignores a cheaper, more realistic alternative: Revising the curriculum to emphasize subjects, like economics, with large political externalities.

3. Just because education is largely signaling, it does not follow that students are not learning anything! The point, rather, is that students are not learning job skills. I don’t deny that students learn history in school; I just deny that knowledge of history makes people (historians aside) into measurably better workers.

Ok, é o bastante para este tema.

Uncategorized

Laptop de 200 reais resolve?

Eis algo interessante. Agora, vamos lá. Quem é o público-alvo? Provavelmente o pessoal de baixa renda. Este pessoal, geralmente, tem problemas com o capital humano próprio, já que muito burocrata defende o lobby das universidades públicas e não tanto a questão do ensino básico.

A tristeza será ver um sujeito semi-analfabeto tentando usar o laptop. Computador em sala, como já discutiu cansativamente o Simon Schwartzman, não é a solução (aliás, ele também tem um outro belo texto, aqui).

Claro que acho bacana um laptop baratinho, mas não sei se uma vara de pescar funciona se o cara não souber o que fazer com ela.

desestatização da moeda · economia monetária · hayek

A desestatização da moeda

Diz um comentarista neste blog:

Professor Claudio,

como não tenho um e-mail para te enviar enviar essa questão, escrevo aqui então.

A questão é: Sou estudante de direito, e tenho que apresentar a monografia de direito, que será a respeito da emissão privada de dinheiro, como quer Hayek, desestatização do dinheiro.

Até aí tudo bem, salvo um problema: o professor que orienta o projeto de monografia (que não é o que me orientará na monografia em si) é completamente cético quanto à isso. Acredito eu que tenha ele boas intenções, mas não coopera muito.

Assim, em toda aula de TCC tenho que mover uma montanha para prosseguir no projeto. Mas não irei desisitir de forma alguma.

Gostaria de saber o seguinte: como não tem ninguem que realmente me oriente (que conheça o assunto), será que poderia tirar contigo algumas dúvidas que porventura apareçam pelo caminho?

Mesmo que não concorde com o tema da emissão privada, a visão de um economista ajudaria em muito, pois os que existem há muito tempo se renderam ao pensamento keynesiano e não quero perder meu tempo com eles.

Abraços, Guilherme.

Primeiro, Guilherme, obrigado. Eu gostaria de ter o tempo necessário para ajudá-lo mas não posso prometer muito. Entretanto, eu acho que você tem um tema interessante em mãos. Primeiro, você precisa da bibliografia. Quem são os caras? Sem dúvida, o começo de tudo é com Hayek. Mas há George Selgin e Lawrence White que você não pode deixar de ler. De jeito nenhum.

Bom, dito isto, há alguns pontos que podem te ajudar. Você precisa entender um pouco sobre moeda, lastro e moeda fiduciária. Ben McCallum tem um livro de Economia Monetária de nível intermediário-avançado, em inglês (procure por Benneth McCallum) em que, em um dos capítulos, ele resume o padrão ouro que é muito importante para você entender o princípio da Lei de Gresham (quando existem padrões bimetálicos) que é importante para você (talvez seja até o calcanhar de Aquiles desta teoria). Vá anotando estes conceitos aí. A outra coisa importante é a discussão acerca dos currency boards que tem muito a (de)ver à esta idéia do Hayek.

Aliás, eis aqui uma observação para alunos de Economia. Em uma época, um amigo meu, o Emanuel, lecionava Economia Monetária e mostrou o texto do Hayek (na verdade, mostrou uma citação do Hayek em uma apostila que fiz, que resumia o modelo do padrão-ouro do Barro, tal como didaticamente exposto por McCallum). Aí um aluno apressado – sempre há um assim – soltou algo como: “- Ah, mas por que estudar isto? Isto não existe. Não serve para nada”.

O erro do aluno é achar que a realidade só se entende…com a realidade. Como ir à Lua em um foguete se você não entende de Física? E, cá entre nós, quer algo mais abstrato que Física? Só a Matemática. E como fazer Física sem Matemática?

Pois é. A mesma coisa se aplica neste caso. O que, aparentemente, não parece servir para nada pode ser importante para você amanhã. Você sequer sabe o que pensará daqui há um segundo. Por que é que devo acreditar que você é esperto o bastante para entender economia sem recorrer a um único conceito teórico?

Mas voltemos à pergunta do Guilherme. Guilherme, minha área, hoje em dia, não é mais a Economia Monetária. Mas, no seu lugar, eu começaria com o material/autores que te indiquei. O que conheço de “desestatização da moeda” é o que está em Hayek e mais as referências acima. Procure por textos de Selgin e White e você, sem dúvida, encontrará material interessante. Não sei se posso te ajudar muito por causa do tempo que é, realmente, escasso. De qualquer forma, é um tema interessante e é provável que mais gente apareça aqui para comentar e, quem sabe, ajudar-te?

Espero ter ajudado um pouco.

microeconomia

As famosas expectativas

A preocupação com mudanças nas regras de concessão de aposentadorias por tempo de contribuição está motivando mais trabalhadores a pedir o benefício assim que completam o tempo mínimo exigido, mesmo que isso implique no recebimento de pouco mais da metade do benefício integral calculado. O receio de alterações na lei aumentou o movimento nos sindicatos por parte de associados que querem fazer o cálculo do tempo de serviço e verificar se já é possível entrar com o pedido. A idade média de quem se aposenta, que aumentou de 2000 a 2004, de 52,02 anos para 53,52 anos, agora está em declínio – caiu para 53,40 anos em 2005 e 53,33 anos em 2006.

Quem foi que disse que expectativas não são importantes? E quem foi que disse que agentes não são racionais? Alguém aí vai me dizer que a reação dos funcionários no trecho acima é “cultural”? Faz parte do “jeito brasileiro de ser”? É “irracional”?

Difícil, né? É economia pura.

blogosfera

Firewall, redes que não funcionam…e uma boa notícia

O IBMEC tem um firewall tão bom – e problemas de rede interessantes – que passei o dia entre tentar obter um acesso à internet e, ao mesmo tempo, pedir para liberarem o acesso a este blog. Por algum motivo estranho, a página fica meio feiosa na rede do IBMEC, mas é a vida. Não posso resolver problemas que não da minha alçada.

A boa notícia é que, durante esta semana, Homo Econometricum é nosso convidado no blog.