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A FIESP e a CPMF

Na carta quinzenal enviada para os assinantes esta semana, Jorge Vianna Monteiro analisou esta história da FIESP pedir pelo fim da CPMF. A pergunta é bem simples: “vão abrir mão dos subsídios que pedem também”?

Subsídios, o povo da FIESP e companhia sabe muito bem, não caem do céu.

E tem gente que acha que a FIESP é o símbolo do capitalismo liberal. Faltou estudar um pouco mais na faculdade…

Claudio

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Economia da filosofia oriental

“…uma vez, um rapaz jovem e forte aproximou-se do meu carro parado no semáforo e pediu-me um peso. Eu lhe respondi: ‘Dou-lhe vinte pesos se você me der seu dedo’. ‘Meu dedo?’ – respondeu surpreso – ‘como vou lhe dar meu dedo?’ ‘Bom’ – lhe disse – ‘dou-lhe cem pesos se me der a mão’. ‘Mas nem louco…’- respondeu o rapaz. ‘Então lhe dou cinco mil pesos por seu braço…’- insisti na oferta e frente à surpresa do jovem, expliquei-lhe: ‘Você tem uma fortuna, dê-se conta, por que não a usa em vez de andar pedindo?’ [Masafumi Sakanashi, Aikido – o desafio do conflito, Editora Pensamento, 2003, p.74]

Eis aí um bom exemplo de como fazer uma pessoa perceber o próprio valor, pelo menos no que tange ao seu próprio capital não-intelectual.

Se o sujeito seguiu o conselho do mestre Sakanashi é algo que não sei: ele não relata mais do que o citado no livro.

Agora, você não precisa ser um mendigo para perceber isto. Um aluno que se senta em sua sala, olha para o quadro e nada vê, da mesma forma, subutiliza seus olhos, sua mente, etc. Todos temos uma boa fortuna em termos físicos (veja o quanto um seguro cobre se você ficar, digamos, cego), mas nem todos fazemos o uso mais eficiente dela por motivos outros.

Claudio

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Alex Castro nos elogia

O Alex Castro nos sobreestima na questão do sushi.

Eu não o chamei porque achei que ele não toparia participar de um e-book amador e gratuito, dado que já faz um bom sucesso com sua excelente produção literária (confira no blog dele os livros…).

Fiquei sem graça, mas sei que ele não ficou (muito) bravo comigo. 🙂

Aos co-autores: ser elogiado pelo Alex é algo que se deve considerar com carinho, ok?

Ah sim, ele quer mais desta brincadeira. Olha as sugestões dele:

* Por que no Brasil as lojas embrulham qualquer produto pra presente na hora e sem custo adicional, e nos EUA você tem que pagar por isso e, em geral, ir para outro balcão lá longe, se deslocar e ter algum trabalho?

* Por que os restaurantes americanos oferecem água de graça como cortesia ao cliente, e os brasileiros, não?

* Por que o expresso está matando o cafezinho coado, que costumava ser oferecido de graça em qualquer estabelecimento comercial, não apenas Sushi Leblonrestaurantes?

* Por que no Brasil a conta dos restaurantes só vem quando você pede, e nos EUA, ela chega junto com o prato, ou pouco depois, mesmo sem ter sido pedida? (Eu sempre me sinto um pouco como se estivesse sendo expulso do restaurante.)

* Por que os fabricantes não dão logo as impressoras de graça e cobram apenas pelos cartuchos? (Eu tenho um amigo que compra aquela Lexmark mais barata que já vem com dois cartuchos e, quando acabam, ele dá a impressora e compra outra.)

* Por que os preços americanos nunca incluem os impostos e os brasileiros, sempre? (Nos EUA, se o preço marcado é US$1, o preço que você terá que pagar é US$1 mais os impostos, em geral entre 5% e 20%)

* Por que não existe no Brasil o conceito (ou o hábito) do take-out food, tão comum nos EUA? (Ou seja, o sujeito está em casa, liga pro restaurante, faz o pedido, pega o carro, passa lá e pega a comida. Pra mim, isso não faz nenhum sentido, mas quando falo isso pra algum americano, ele me arregala um olhão enorme.) Sushi

* Por que, no Brasil, as embalagens só diminuem enquanto que nos EUA elas só aumentam? (Meu iogurte brasileiro preferido acabou de passar de 100g pra 90g, o meu americano é vendido numa embalagem de 900g.)

* Por que só existe restaurante a quilo (que eu saiba) no Brasil?

Por fim, talvez a minha dúvida mais importante:

* Por que as companhias aéreas não vendem os lugares mais desconfortáveis mais baratos e os lugares mais confortáveis, mais caros? Ou, em outras palavras, você pagaria 20% a mais para não ter ninguém do seu lado? Ou 20% a menos para sentar na cadeira da saída de emergência, que não reclina?

Claudio

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Finalmente, o que todos leitores deste blog aguardavam…

Lembra da pergunta da minha monitora? Lembra que falei que íamos ter algo bacana? Pois é. Eu não sou nenhum escritor e nem famoso (como, em ambos os casos, é o Alex Castro, do LLL). Mas eis que também tenho um livro cheio de co-autores para divulgar. Seu nome: “Tudo o que você sempre quis saber sobre a multa nos sushis que sobraram no rodízio…mas não tinha coragem de perguntar ao amigo economista”.

O que eu penso disto está no prefácio e no posfácio da coletânea. Estou orgulhoso de ter conseguido juntar tanta gente boa da blogosfera em um único lugar, com um debate interessante.

Boa leitura.

Claudio
p.s. Sim, continuamos a pensar no tema e agradecemos quaisquer comentários.

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A carga tributária vai aumentar….vai sim…

Um levantamento parcial feito pela Fundação Justiça e Democracia, ligado ao partido oposicionista Primeiro Justiça, mostra que os projetos de Chávez no exterior somam US$ 37,5 bilhões, valor significativamente maior do que as reservas internacionais da Venezuela, que fecharam anteontem em US$ 27,1 bilhões.

A essência do bolivarianismo – do qual muitos em Brasília secretamente admiram – está aí: palavras demais, lógica contábil de menos.

Claudio

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Xenófobos e ufanistas encaram seus próprios medos (após lerem e entenderem o que se segue)

Tenho para mim que o povo brasileiro simplesmente perdeu a noção da realidade. Abaixo vou colocar 4 afirmações, todas consideradas como verdadeiras pela maior parte da população, e as comento em sequência.

1) Brasileiro é o melhor povo do mundo.
Que tal montarmos um ranking sobre a bondade dos povos? Critério: o povo mais bondoso do mundo é aquele que vê uma única criança abandonada na rua, passando frio e fome, e fica extremamente indignado. O segundo melhor povo do mundo é aquele que, para atingir o mesmo nível de indignação, precisa ver duas crianças abandonadas na rua. O terceiro melhor povo é aquele que necessita ver três crianças abandonadas para atingir o mesmo grau de indignação. E assim por diante. Quantas crianças passando fome o brasileiro precisa ver para ficar indignado? Alguém se arrisca a dizer que o povo brasileiro está no topo desse ranking? Comparado a outros povos, alguém se arrisca a dizer que o povo brasileiro está entre os mais caridosos? Ou entre os que mais prestam serviço voluntário? Ou entre os que mais doam recursos para os pobres (não vale contar imposto)? Então, por que é que temos a mania de dizer que brasileiro é o melhor povo do mundo?

2) O Brasil é o melhor país do mundo.
Pegue 10 índices diferentes que medem a qualidade de vida em um país. Em NENHUM deles o Brasil estará entre os 10 melhores países do mundo. Pegue 10 índices diferentes que ranqueiam os piores países do mundo para se morar; tenho para mim que o Brasil irá aparecer entre os 10 piores países do mundo em pelo menos um desses rankings. De onde veio esse mito que o Brasil é o melhor país do mundo?

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Claudio

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História do Pensamento Econômico

Socrates e a arte gerencial (tudo que sei…é que nada sei?)

Aqui vai o link para o texto citado abaixo.

Socrates on Management: An Analysis of Xenophon’s Oeconomicus

GEORGE BRAGUES
University of Guelph-Humber June 2007

Abstract:
Socrates is said to have brought philosophy down from the heavens to the earth and is thereby recognized as the founder of Western moral and political philosophy. But in launching this subject, did the 5th century BC Greek philosopher also inaugurate the study of management and business ethics? Our answer is yes.

Socrates’ inquiry into management, featured in Xenophon’s Oeconomicus, contains valuable insights still relevant to the contemporary world. In that foundational work of Western economic thought, Socrates is portrayed attempting to expound the science and art of management to an eager student. He develops this topic, in no small part, by actively seeking out a successful practitioner, engaging him in conversation and probing him with questions.

The Socratic perspective brought to light holds that business cannot be separated from social responsibility and ought to be oriented around a conception of profit that goes beyond monetary figures and embraces the satisfaction of rationally grounded human wants. Socrates also insists that management is a respectable calling which both men and women can legitimately pursue. A good manager, too, is defined by a functionally relevant set of virtues with a view to personal flourishing and moral excellence. Ethical conduct comes to sight as a core component of management.

Claudio

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Bens Públicos

Ontem fui a uma festa de uns alunos. Outros professores prometeram ir e, no final, não foram. Fui o único. Desse eu um vexame por lá, a faculdade estaria frita (e os alunos me adorariam por anos, claro).

A festa foi ótima e, na volta, eu passei pelas boas rodovias estaduais ou federais, sei lá. Em determinado trecho, por não ter visto um buraco, eu rasguei um pneu e perdi duas calotas. Nada sério. Consegui ir até um motel e, com a ajuda do vigia, trocamos o pneu. Claro que não é o que se faz no motel, mas quem disse que sou um cara normal?

De qualquer forma, aí vai a pergunta para os adoradores de Moloch, aqueles que acham que o mercado é o culpado até da queda de uma árvore na Sibéria: a estrada é gerida pelo Estado. Onde estava o telefone do Estado para eu ligar? Quando o Estado vai me ressarcir?

Fosse uma estrada privada, com pedágio e tudo o mais, eu poderia até cair em um buraco similar, mas a terrível ganância dos empresários ter-me-ia feito um favor, não é?

Para cobrar, o Estado é bem eficiente. Até pela internet você faz o imposto de renda. Mas quando é para cobrar, não há um portal da internet tão bacana, não é? Vai ver a tecnologia para se fazer uma cobrança via internet é muiiiiiiiiiiiito diferente da que se usa para se fazer um pagamento.

Da mesma forma, não existe um meio rápido de ser ressarcido pelo bom e velho Moloch (que, dizem, é raquítico, o que é uma outra piada da burocracia deste governo…nunca antes na história deste país ri tanto das bobagens que ouço).

Claudio

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