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Pesquisas que eu gostaria de ter feito

Os coreanos o chamam de soju, os japoneses, de shochu. E eu chamo de uma boa bebida. Agora, o prof. Hajime Nakano é que fez o que eu gostaria de fazer. Escreveu: “The future Strategy in the Shochu Industry”.

Se alguém tiver os dados sul-coreanos ou japoneses do maravilhoso setor da economia que produz soju (shochu), pode me enviar que eu prometo estudá-los sem botar a boca em um único copo de soju ou shochu. 🙂

Claudio

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Mais anarquia

Peter Leeson tem um texto novinho, novinho.

O resumo:

This paper investigates the internal governance institutions of violent criminal enterprise by examining the law, economics, and organization of pirates. To e¤ectively organize their banditry, pirates required mechanisms to prevent internal predation, minimize crew con‡ict, and maximize piratical pro…t. I argue that pirates devised two institutions for this purpose. First, I analyze the system of piratical checks and balances that crews used to constrain captain predation. Second, I examine how pirates used democratic constitutions to minimize con‡ict and create piratical law and order. Remarkably, pirates adopted both of these institutions before the United States or England. Pirate governance created su¢ cient order and cooperation to make pirates one of the most sophisticated and successful criminal organizations in history.

Não sei não, mas este artigo tem um jeitão que, creio, agradaria o Fábio Pesavento… 🙂

Claudio

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Ainda sobre a crise

Você não precisa ser austríaco para explicar a crise.

Claro, o interessante é saber qual teoria gera proposições testáveis (sim, austríacos modernos usam econometria, como se pode notar nos mais recentes números da famosa Review of Austrian Economics, a despeito de alguns mais raivosos…) e o que os testes nos dizem sobre as teorias.

Independente de tudo, o “post” acima “linkado” vale a leitura. Há uma boa resenha de teorias sobre o tema. Aposto que muito jornalista espertinho vai plagiar e não vai citar a fonte (será?).

A propósito, eu me lembrei que um bom crítico dos austríacos é Bryan Caplan. Atualmente, eu me pergunto sobre porque um austríaco não aceitaria substituir o conceito de “ignorância radical” pela “caplaniana” irracionalidade racional…

Claudio
p.s. nada contra jornalistas não-espertinhos, mas já não é de hoje que ouço boatos de jornalistas brasileiros que fazem isto. Se verdadeiros, claro, lamentável e feio, muito feio.

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Finalmente mais um economista austríaco?

Um comentário sobre meu “post” acerca da explicação austríaca dos ciclos econômicos ficou bem interessante. O autor é o Joel Pinheiro, que não conheço, mas já descobri que estuda Economia.

Eu agradeço a explicação e ele provavelmente já sabe o que penso da economia austríaca. De qualquer forma, é mais um para conversar sobre estes assuntos heréticos que pterodoxos fingem não existir.

Obrigado, Joel, pela visita. E volte sempre.

Claudio

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Mais sobre a crise

Eu continuo cético quanto à explicação austríaca da crise, mas reconheço: Guilherme fez a mais correta interpretação da crise, do ponto de vista teórico desta escola.

Mas eu senti falta de uma conexão maior com os gráficos e com a situação em si.

Claudio
p.s. nada contra padres que cantam mal. Mas com microfone, na rua, no domingo à noite? Paciência. É a CNBB me enchendo a paciência até onde moro…

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Eis uma discussão interessante: ordem espontânea

Seu professor de História do Pensamento Econômico já lhe contou sobre Hayek? Não? Que pena…você está fora de um dos debates mais interessantes com ligações novo-institucionais, sociológicas e econômicas.

Ok, eu te dou uma mãozinha. Leia isto aqui e assista isto. Claro, também é muito legal ler o “The Future and its Enemies” da Virginia Postrel que, eu, Claudio, vejo como uma releitura muito interessante das idéias de Hayek. Não vá para cama sem ele (o livro, não a Virginia, embora ela seja bem interessante :)).

Claudio

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História do Pensamento Econômico Brasileiro – A macroecoomia sem microfundamentos

Sobre o “I Programa de Metas” (o Plano de Metas de JK):

Ora, embora o plano não seja um simples somatório de projetos isolados, exprime-se e analisa-se, afinal, em projetos, como o organismo vivo que se analisa em tecidos. Mas, o I Programa de Metas introduziu nova dimensão no trabalho de racionalização de nossa econômia [sic], na medida que, tentando articular os diversos programas setoriais, por um lado exigia a generalização da técnica de projetamento, sua aplicação a tôdas as atividades e, por outro, permitindo, pela homogeneização que daí resultava, a soma, ainda que apenas aproximada, do custo de todos os empreendimentos e a análise dêsse custo em seus principais componentes, suscitava de maneira clara e inequívoca problemas que exorbitam da micro-economia, porque são problemas macro-econômicos, concernentes às estruturas da oferta e da procura, ao balanço de pagamentos, ao equilíbrio entre o setor público e o setor privado, ao equilíbrio entre a oferta e a procura globais e ao equilíbrio entre produção intermédia e final“. [Ignácio Rangel, “Recursos Ociosos na Economia Nacional, ISEB, 1960, p.29]

O trecho em itálico é por minha conta. O hermetismo do português poético (e bem escrito, exceto pelo erro de impressão, mesmo para a época, destacado: “econômia”) de Rangel gera uma imensa confusão: como é que custo-benefício de um projeto “exorbita” da microeconomia? Impossível. Tentativas de desprezar o custo-benefício em prol, sei lá, do tal balanço de pagamentos é que podem gerar distorções terríveis na economia (inclusive, inflação).

Por falar em inflação, o que Rangel dizia a respeito? Durante o Plano de Metas, nada. Absolutamente nada. E não me culpem.

“A questão inflacionária não teve espaço nas análises de Rangel até o ano de 1962. Quando finalmente se manifestou a respeito (…) fê-lo, como nos outros assuntos, de forma independente e divergente das correntes de pensamento que debatiam a questão”. [R. Bielschowsky, Pensamento Econômico Brasileiro, PNPE/IPEA, 1988, p.275]

Entendeu? Depois de gerada a herança inflacionária que, com algum pessimismo, derrubaria o regime democrático em 1964, Rangel começou a pensar no problema. Pisou na bola, cara. Agora, se sua originalidade e independência são sinônimos de alguma teoria inovadora que ajudaria a estabalizar a inflação nunca saberemos porque este mérito ficou para os criadores do Plano Real, após décadas de fracassados testes pterodoxos.

Rangel, como tantos outros, fez história em uma época em que economistas eram escassos no país. Como tal, deve ser estudado, mas não idolatrado. Eu sei que você sabe disto, mas é possível encontrar acadêmicos por aí que não se contentam em citar um sujeito sem idolatrá-lo (o caso mais comum é Celso Furtado cujos erros resistem mesmo após a singela, mas excelente dissertação de mestrado de Simão Silber, lá nos anos 80 que, dentre outras coisas, mostrou muitos erros na análise do dito cujo).

Outro dia um aluno fez piada com isto porque elogiei o talento literário do Furtado. “Pela primeira vez você fala bem dele”. Não é verdade. Minha crítica é bem específica, tal como o elogio. E nada têm a ver com o fato do sujeito gostar ou não de Ulysses Guimarães ou do presidente da Silva.

Pois aí está. Com exceção do livro do Bielschowsky, é difícil encontrar estudos sérios sobre o pensamento econômico brasileiro. Acho que Gustavo Franco tem alguns artigos – muito bons – sobre o tema. Mas não vejo mais nada. O restante que já vi é pura idolatria doutrinal, coisa que interessa mais aos sicofantas do que aos cientistas.

Claudio

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Anarco-capitalismo

Uma conversa interessante entre Peter Leeson, Dani Rodrik, Bruce Benson e Randall Holcombe sobre o tema está ocorrendo estes dias, aqui.

A discussão sobre instituições mais interessante que eu penso ser também a mais liberadora de criatividade é esta sobre sistemas sociais que funcionam (em tese ou não) sob uma quase inexistência de governo. Comecei a gostar do tema na época do mestrado, com esta história de federalismo e, desde então, não parei de ler sobre o tema.

Claudio

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A temível e terrível crise mundial

Uma vez um amigo me disse a seguinte piada: este tal de Ernst Mandel não pode ver uma árvore cair na Sibéria que já fala de crise do capitalismo.

Mandel realmente não é lá estas coisas e nem toda árvore que cai gera crise no capitalismo. Mais ainda, definir o que seja “crise” não é algo trivial. Mas o interessante é se perguntar sobre o papel das instituições em uma crise (dado que se tenha um consenso mínimo sobre o significado tanto de “crise” como de “instituições”).

Uma instituição obviamente importante neste caso é o FED, o banco central americano. Agora, há muita gente falando sobre a crise por aí, mas quantos dele são suficientemente capacitados como William Poole ou Anna Schwartz para tratar do tema? Este número do Cato Journal tem discussões bem oportunas sobre a tal crise.

Claudio

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A ética na política e a fome tributária

O trecho:

A proposta de prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) poderá se tornar um importante componente do processo de julgamento do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Como não tem maioria confortável no Senado para aprovar o texto, o governo sabe que precisará de Renan para garantir a renovação da CPMF. E, para ajudar nessa votação, Renan quer a ajuda efetiva do Palácio do Planalto para preservar seu mandato e tentar se sustentar na presidência do Senado.

Um interlocutor de Renan lembra que, enquanto a CPMF não for aprovada, o governo não pode se dar ao luxo de fazer qualquer movimento brusco que possa lhe custar votos dentro da base aliada. Apesar de enfraquecido politicamente, Renan ainda exerce influência política sobre uma parte razoável da bancada do PMDB – que integra a base governista -, incluindo o próprio líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR). E por ser uma proposta de emenda constitucional, a CPMF demanda um apoio elevado – 49 dos 81 senadores em dois turnos de votação.

A notícia está aqui.

Por que eu resolvi colocar esta notícia? Pelo seu efeito didático-pedagógico interdisciplinar. Vamos lá:

i. Jornalismo – Muitos blogueiros bolivarianos e/ou simpatizantes da esquerda anaeróbica curtem muito a idéia de um “conselhão” para “vigiar” o que se publica na imprensa. O argumento tem sempre um tom de pregação batista contra bebidas alcóolicas nos EUA de Jack Daniel, mas sabemos que se fosse para proteger nossas criancinhas das más notícias, teríamos de cortar toda a seção de política de todos os jornais, proibir a Voz do Brasil de transmitir, etc. Ou seja, um governo que faz o que faz ainda tem a audácia de querer criar critérios de censura (com outro nome como “classificação indicativa”) ou mesmo mudar o horário do “Adult Swim”? Deveriam se olhar no espelho (se bem que, no caso, muitos não encontrariam a própria imagem, se é que você me entende).

ii. Sociologia – Milovan Djilas, nos anos de Guerra Fria, escreveu “A Nova Classe” e, posteriormente, “Além da Nova Classe”, livros que seu professor de História certamente (não) comentou com você naquelas aulas sobre o período. Ainda que sejam cadernos escritos no cárcere, o pessoal – que adora ler Gramsci com o mesmo fetiche do “grande teórico que escreve no cantinho vago do Carandiru – sempre dá um jeito de falar sobre temas como este: burocracia, classes sociais, totalitarismo. E aí eu me pergunto: que interesses estão por trás de tamanha maluquice que é apoiar o dito senador por conta de recursos? Deve ter muito sociólogo com dor de cabeça por aí.

iii. Economia – Ok, você queria saber mais sobre Escolha Pública (um dos nossos “teaching assistants” me comentou exatamente isto, na sexta-feira passada). Bem, aí está. A pergunta clássica é se “arrecadação é gerada para que se possa gastar” ou se “gasta-se e depois se arrecada (o famoso “entrega a conta pro imbecil do eleitor) para se manter o orçamento em ordem”. A primeira vez que eu vi isto aplicado (testado econometricamente) foi na tese de doutorado do Fernando Zanella, “How Brazil fell behind” (disponível na biblioteca do IBMEC-MG), embora a idéia não lhe seja original. Eu cito o Zanella aqui e não outros estudos mais sofisticados por causa da importância deste trabalho para a compreensão da História Econômica do Brasil, já que ele fala dos primórdios da república. Escolha Pública aparece aqui por conta da consideração teórica de que existem motivos individuais por trás de um apoio tão esclarecedor como este ao senador. Não que os interesses não possam estar desalinhados, não que não existam grupos de interesse. Mancur Olson nos mostrou que os incentivos podem ser tais que grupos de interesse superam suas divergências internas sem apelar para categorias teóricas esotéricas (sem possibilidade de refutação empírica) ou outras teorias exóticas.

O senador pode até não cair, mas a relação entre o apoio político, o bem-estar social (onde, no meio dissso tudo, está o desejo de satisfazer algum eleitor mediano? Só no “wishful thinking” de militantes fanáticos…) e a carga tributária está clara.

Mais alguns pontos interessantes para reflexão: i. até que ponto ideologia é apenas um discurso para enganar palhaços (= eleitores), ii. será que orçamentos equilibrados são sempre obtidos através de gastos excessivos que, posteriormente, são cobertos com receitas?, iii. empresários “rent-seekers” adoram subsídios e, portanto, são um potencial de apoio para este comportamento do governo, iv. o mesmo se pode dizer de ONGs e grupos como o MST, enfim, gente que se esforça apenas x% para se manter porque o governo lhe financia (1-x)%. Como eles se comportam nestes casos? De fato são a favor de um estado mais eficiente?

Cada um destes itens, pode acreditar, dá quase uma pesquisa. E aí, volto àquela história dos acadêmicos e de sua safadeza: até que ponto esta história de usar critérios políticos para alocar gastos não faz com que os acadêmicos se comportem de maneira rent-seeker, não pesquisando o que poderiam pesquisar com medo de perderem seus recursos do governo? Não acho que este seja um problema muito sério, mas toda vez que ouço alguém falar de “controle social” de alguma coisa, fica claro que é aí que o perigo mora. Veja, por exemplo, o caso dos sociólogos americanos que citei outro dia, num “post”: tradicionalmente estes caras – tal como seus conterrâneos selvagens – adoram falar mal dos economistas por causa desta nossa hipótese de que indivíduos são racionais e maximizam utilidade dada a restrição, etc. Muitos deles fazem aquele discurso do “controle social”, como se uma reunião de condomínio fosse melhor para sua vida bucal do que você mesmo decidindo se compra mais um tubo de pasta dental ou mais uma escova de dente. O discurso é jóia, bonito, mas na hora em que os pagadores de impostos dos EUA resolveram dar pitaco (e até restringir) nos temas de suas pesquisas, os caras ficaram irritados. Quer politizar a ciência, paga-se o preço.

Aqui no Brasil, os eleitores nem sempre percebem que pagam qualquer conta que se lhes mostre e também não percebem muito claramente esta falácia do “controle social de XX”, onde XX = qualquer atividade na mira de um maluco qualquer com poder de fazer leis. Ou não percebe, ou sabe que a chance de ser encarcerado por dispersar custos e acumular benefícios é muito baixa neste país (talvez possamos dizer que “nunca antes na história deste país” esta chance foi tão baixa).

Tem razão o Fábio Pesavento: temos que entender as instituições deste país e sua relação com o desenvolvimento econômico. E, acrescento, os acadêmicos devem fazer isto de forma séria. Depois eu volto a discutir sobre a relação entre fundos públicos e pesquisa e temas afins. Por agora, já basta desmascarar parte dos motivos que levaram alguns intelectuais brasileiros a um certo “silêncio dos intelectuais”. Esta elite que sabe ler e escrever é engraçada: adora que se gaste muito no ensino superior e só admite gastos maiores no ensino básico se houver mais emprego para seus amigos doutrinadores e/ou um currículo cuja doutrina lhes seja favorável.

Ah sim, há exceções, mas é óbvio que eu sei disto, ok?

Claudio

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