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Os acadêmicos safados

Um dos economistas mais criativos (e temperamentais, he he he) que conheço é o João Ricardo Faria. Este artigo dele já é antigo (2001), mas é bem útil para quem quer entender melhor o que tenho dito aqui – desde daquele “post” do prof. Sachsida (UCB) sobre imperfeições no critério de avaliação da CAPES.

Em algum momento, no link, pede-se o registro. Mas é gratuito e, neste caso, vale muito a pena. Ah, já me esquecia, um trecho para fazer vontade:

The Consultancy disease is a type of rent seeking behavior in academia, and occurs when scholars spend time searching and working in public and private consultancies. It is shown that the Consultancy disease leads to lower equilibrium levels of academic work. Higher standards for scientific productivity and publications help to fight the disease.

Gostou? Pois é…

Claudio
p.s. é, eu sei. Estou aqui em casa, hoje à noite. Deu uma vontade louca de trabalhar e eu resolvi dar uma rápida saída para uma mini-janta e, bem, cá estou. É a vida. Tem dias que você quer mesmo é trabalhar (espero que a vontade se mantenha até sexta-feira, para meu próprio bem e o dos meus alunos).

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Pergunta curiosa

A Question to Tyler Cowen, Dani Rodrik and Greg Mankiw

I recently asked a person from a developing country (he has an economics PhD from one of your universities and not necessarily a recent graduate) about the values he had learned in the university in terms of public service? He replied he had learned none and he was willing to work for a totalitarian government and it’s ok for him to accept bribes if he were working for the government.

This disturbed me a lot. So I would appreciate if the three professors could elaborate a bit on your blogs the values of integrity that you expect from freshly minted economics PhDs from both of your universities.

Não entendi bem o espanto do blogueiro.

Claudio

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Economia austríaca

Quem me conhece há mais tempo sabe que eu sou simpático a uma abordagem pluralista da economia, ao contrário dos pterodoxos da selva. Por exemplo, acho muito interessante o que os economistas austríacos escrevem. Um deles, importante, é Israel Kirzner, solenemente ignorado em 10 de cada 10 cursos de História do Pensamento Econômico que se ministra neste país de palhaços.

Se você quer saber mais sobre Kirzner, pode começar por este recente texto.

Novamente pensando na academia, dou aqui a chance de ouro: quem já ouviu falar de Kirzner na graduação pode citar o professor e o material lido que eu divulgo aqui. O espaço de comentários, como sempre, está aberto.

Claudio

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Os retornos de escala no Gulag

A Rational Choice Explanation for Stalin’s ‘Great Terror’

VAHE LSKAVYAN
Ohio University – Department of Economics
Economics & Politics, Vol. 19, No. 2, pp. 259-287, July 2007

Abstract:
There is no agreement about the reasons for Stalin’s Great Terror of 1937-1939. This paper argues that the problem faced by Stalin was similar to the standard principal-agent problem: the country was run as one enormous firm with Stalin as the only residual claimant. The monetary incentive structure was inadequate and the threat of mass shirking by the agents was real. A simple model of a principal with two agents is developed to address the problem. Assuming that the agents can observe and can reveal each other’s shirking, it is shown that, under some assumptions, an equilibrium exists with the following strategy profiles: unless someone’s shirking is revealed, the principal is committed to randomly punishing one of the agents with positive probability; an individual agent never shirks and always reveals a co-worker’s shirking. A case study of the period is used to check the plausibility of this hypothesis.

Viu como história econômica pode ser realmente a soma de história com economia, ao contrário da verborragia que vemos por aí?

Claudio

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A primeira boa soneca após uma semana de dor

Os antigos sisos, hoje, parece, resolveram diminuirem significativamente seu poder de dor. Coincidentemente, ontem, eu voltei a ingerir bebidas alcóolicas (um bocado de cervejas, uma dose de sakê e outra de soju).

Eu não vou bancar o bebum e dizer que foi a cerveja, mas, cara…a pulga atrás da orelha…

E, nossa, acabei de dormir os 40 minutos mais bem dormidos dos últimos sete dias.

Claudio
p.s. as doses foram porque me acompanhavam alguns excelentes ex-alunos e ex-quase alunos da Escola de Governo (não citarei nomes para que não fiquem estigmatizados lá por terem confraternizado comigo) e que ou não conheciam ou o sakê ou o soju. Ainda me lembro de meu chefe que não deixava o estagiário pagar a conta. Bom, eu ao menos diminuí a carga da deles. 🙂

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Ainda a sacanagem dos acadêmicos

O Leo comentou sobre aquela história dos professores de economia ruins alocados para outros cursos:

Ora, recursos escassos…vc sabe a historia. Perfeitamente racional. Aloco os melhores na economia e deixo os ruins para os outros cursos. Os outros cursos fazem o mesmo e ficamos nesse equilibrio de m*.

Eu concordo com ele. Entendo que a decisão pode ter um caráter racional, de alocação de recursos. Mas entendo também que há gente que faz alocações usando critérios políticos e, pior ainda, ideológicos, de caso pensado. Saber se foi o critério da escassez ou o político que prevaleceu, claro, é difícil.

Agora, mesmo no caso da escassez, há soluções para o problema que o Leo levantou. O Philipe, por exemplo, tem uma que, inclusive, poupa custos:

Em vez dessa descentralização do ensino introdutório da Economia, sou a favor de uma única disciplina, ministrada por um professor entusiasmado com a teoria e que se disponha a acabar com todos os vieses que os alunos tenham a respeito do mundo que os cercam. Em suma, defendo o modelo dos Estados Unidos, onde o normal é que exista apenas uma disciplina de “Introdução à X”, como o caso do Prof. Mankiw e sua famosa Eco 10. Isso não prejudicaria os alunos de Economia – que continuariam com sua cadeira – e beneficiaria todos aqueles alunos de outros cursos interessados no aprendizado da dismal science.

A solução é simples, não? Mas vamos exercitar meu lado “stigleriano”: por que será que uma solução tão óbvia, minimizadora de custos, nem sempre é adotada?

a) a burocracia da universidade (centralizada no MEC?) é a culpada,
b) o chefe de departamento tem mais problemas de escassez do que pensa,
c) o chefe de departamento é imbecil,
d) o critério não é a escassez, mas sim aquela história de ideologias,
e) outras.

Acho difícil que um sujeito chefe de departamento seja imbecil no que diz respeito a alocar professores (pode ser imbecil em outros aspectos, mas nisto…).

A burocracia, sim, pode ser um problema. Mas eu não descarto também o comportamento ideológico (a anedota me diria que muito provavelmente já vi esta história em duas universidades que usam dinheiro público). Claro, se você tem outras hipóteses (letra “e”), sou todo ouvidos.

Claudio

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Agora existem mais substitutos próximos do que antes

Há gente que pensa que o governo brasileiro deve oferecer mudanças de sexo “gratuitas” (ou seja, pagas com nossos impostos).

Agora, veja bem, eu não tenho nada contra a decisão INDIVIDUAL E PRIVADA do sujeito de mudar seu PRÓPRIO sexo. Mas acharei muito estranho se a decisão do juiz, agora, tranformar-se em política pública. Afinal, mudar de sexo pode ser o desejo de alguns, mas não de todos. Assim como há gente que acha gostoso fumar – e é discriminada (esta é a melhor palavra) – por massiva campanha anti-fumo (exceto, talvez, para índios que “não sabem o que fazem”) – há gente que não acha correto a mudança de sexo.

Mudar de sexo, enfim, é um bem privado ou público? Não me venha com esta de externalidades porque o conceito não ajuda em nada: uns terão “prazer” com a mudança do seu sexo e outros terão ojeriza.

De qualquer forma, não dá para negar: a mudança de sexo cria mais um substituto próximo em certos mercados 🙂

Claudio

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