Uncategorized

Rent-seeking e crescimento na América Latina

Eis um artigo que vale a leitura.

Vamos ao resumo:

Drawing on previously unused objective institutional data, we provide evidence for the causal link between rent-seeking behavior and democracy in Uruguay, a country where both rent-seeking behavior and political shifts have varied widely in the last 80 years, but where ethnolinguistic heterogeneity and income inequality have remained historically low. The latter helps better identify some “pure” political interactions and how they are linked with rent-seeking outcomes. We find that the presence and duration of democratic regimes appear to have been conducive to a decrease in rent-seeking actions in Uruguay, although the reduction in rent seeking does not appear to have had a bearing on the quality of democratic regime in the country. While the duration of democratic regime may impact rent-seeking behavior, rent seeking also displays a causal link to democratic duration.

O título fala de América Latina, mas a ênfase é no Uruguai? De qualquer forma, bom para se pensar. Algo que parece interessante é esta relação entre democracia e “rent-seeking”. Em resumo: prática democrática diminui rent-seeking. Isto é compatível com as recentes pesquisas em Economia Política de Allan Drazen sobre ciclos políticos que, um dia, o prof. Octávio Amorim Neto me mostrou entre um almoço e uma palestra (ou algo assim).

Claudio
p.s. veja também este artigo.

Continue lendo “Rent-seeking e crescimento na América Latina”

Uncategorized

Reflexões sobre os interesses dos acadêmicos auto-interessados

Nesta semana o leitor deste blog acompanhou meus comentários sobre questões levantadas pelo prof. Adolfo Sachsida em seu blog (basta dar uma olhada nesta página) sobre imperfeições na avalição dos centros de pós-graduação pela CAPES.

Adicionei dois outros itens ao debate: o problema de economia política que envolve os critérios ad hoc em algumas avaliações e, por outro lado, a falta de seriedade em alguns processos de avaliação nos cursos de graduação.

Sobre este último, gostaria de mostrar outro exemplo. Já de muito tempo ouço histórias que envolvem grandes universidades, ou seja, nas quais professores de economia são alocados não apenas no próprio curso (e nos tradicionais companheiros “Contabilidade” e “Administração”), mas também entre cursos, digamos, periféricos (e.g. matérias optativas em cursos de Computação, ou mesmo as poucas disciplinas de economia em outros cursos).

A história, ou melhor, a anedota – verdadeira em muitos casos – é que professores que são menos entusiasmados com a Teoria Econômica são alocados para estes cursos. Note bem: você só terá uma ou duas chances de ensinar conceitos básicos como “custo de oportunidade”, “vantagem comparativa” ou mesmo “oferta e demanda” para um sujeito de outro curso e, mesmo assim, envia para lá um professor desanimado, que não gosta do curso ou, sei lá, que está brigado com o chefe de departamento por questões ideológicas.

Resultado: um desastre. Cria-se a impressão de que economia é um curso vago, mal fundamentado cientificamente (quem pior que o professor para destruir a imagem do curso?), e assim por diante.

Há reclamações muito pertinentes de alunos de Direito ou de Filosofia (para lembrar alguns casos) que chamam a atenção para o caráter doutrinário de certos cursos (em termos ideológicos). Ou para o descuido verborrágico absoluto.

Eis aí uma questão que vale a pena discutir. É sobre o estelionato educacional que estamos falando. Estelionato, muitas vezes, consciente, com fins bem pouco nobres por parte de certos indivíduos…

Claudio

Continue lendo “Reflexões sobre os interesses dos acadêmicos auto-interessados”

Uncategorized

A vida para um estudante de economia (ou professor de economia) pobre, mas digno

Eis como fazer pesquisas acadêmicas sem perder a dignidade. Primeiro, use o Openoffice para gerar documentos e planilhas. Bancos de dados também podem ser manipulados neste programa. Se quer fazer regressões, use o EasyReg. Se precisa de alguma coisa mais avançada para cálculos numéricos, talvez seja o caso de usar o Scilab. Um pouco de cálculos analíticos pode ser feito com o Maxima.

Veja bem, a única coisa que você precisa é que alguém faça o “download” destes programas para você (se a universidade pública não consegue lhe proporcionar este serviço, então é o caso de implodí-la mesmo). Ou você mesmo faz isto, ou vai a uma LanHouse.

O fato é que, com as dicas que dei aí em cima, você não tem nenhum motivo para dizer que não consegue pesquisar e publicar artigos. Antes que os desavisados me venham com: “mas tenho que enviar o arquivo em formato Word”, note que o OpenOffice faz isto.

Quem me conhece sabe que sempre olho com muita desconfiança estes programas livres mas, ao mesmo tempo, tenho promovido a divulgação do EasyReg há quase 5 anos e tenho procurado verificar a eficácia destes programas. Charles Pilger e Márcio Laurini ajudaram a me mostrar que não existe almoço grátis, mesmo neste caso (o que, obviamente, diminui minha desconfiança quanto a estes programas supostamente gratuitos).

A única coisa que te impede agora, meu caro, é a (de)formação acdêmica, caso você tenha professores de má qualidade. Mesmo este empecilho pode ser vencido se você for perseverante na qualidade de seus trabalhos.

Boa sorte!

Claudio

Continue lendo “A vida para um estudante de economia (ou professor de economia) pobre, mas digno”

Uncategorized

Pergunta difícil – Os dez livros (que viraram doze) que mais me influenciaram em economia

Claudio, aceita uma sugestão de post?

Se possível, gostaria que você listasse os 10(a quantidade é apenas sugestiva)livros mais interessantes na área de economia que você leu nos últimos 10 anos(idem para o tempo).

Agradeceria muito se o fiz[e]sse.

Pergunta do Renato. Bom, temos Ari, André, Fábio e eu. Vou tentar responder a minha parte, apenas listando os livros. Se der, faço um comentário rápido.

1. Principles of Econometrics, Henri Theil – A mais elegante demonstração do BLUE que um então aluno de graduação já tinha visto.

2. Public Choice II, Dennis Mueller – A melhor coletânea de textos que desafiaram o consenso que eu carregava da aliança pterodoxa, desde minha graduação. Além disso, desmistificou e/ou alterou a visão ingênua que eu tinha do planejamento (vinda da ala séria da faculdade). Através dele eu chegaria na Lógica da Ação Coletiva (Mancur Olson) e no Calculus of Consent de Buchanan & Tullock.

3. The Armchair Economist, Steven Landsburg – Nunca terminei de ler. Mas mudou minha forma de ver e ensinar a Economia, tornando-me um Freakonomist 10 anos antes do livro de Levitt.

4. História Econômica do Brasil, Mircea Buescu – As instituições, na prática colonial, através das cartas de Duarte Coelho. Ler este livro me mostrou que história econômica já era séria no Brasil, apesar da mediocridade que tentaram me ensinar.

5. Teoria Microeconômica, Mário H. Simonsen – Uma obra de arte. Ao mesmo tempo um dos mais avançados livros da época e um compêndio de História do Pensamento Econômico.

6. Microeconomic Analysis, Hal R. Varian – Não poderia deixar de citar o livro que me mostrou o que realmente era a matemática por trás da microeconomia.

7. The Dark Side of the Force, Jack Hirshleifer – As aulas com o prof. Hirshleifer me levaram a este livro que me mostrou como pensar o conflito de forma rigorosa, ou seja, com teoria, e, além disso, obter interessantes proposições testáveis (como o “paradoxo do poder”).

8. Monetary Theory and Policy, Carl Walsh – Mostrou-me que Macroeconomia poderia existir como tema de estudo interessante. As aulas do prof. Affonso C. Pastore, se em livro fossem convertidas, seriam citadas aqui em lugar do livro do Walsh…disputa difícil, até porque ambos sejam bem diferentes em sua abordagem da economia monetária.

9. Hidden Order, David Friedman – Na mesma linha de Landsburg, outro livro que me fez um Freakonomista precoce. David Friedman me influenciou muito mais pelo seu “The Machinery of Freedom – a guide to radical capitalism”, com o qual tive, realmente, que repensar minhas noções de funcionamento do mercado. Sem ele, eu entenderia 95% menos do que Hayek disse (e olha que ainda entendo pouco).

10. Quantitative Economic Theory, Hans Brems – Conheci o livro graças ao João R. Faria e até hoje procuro fazer algo minimamente parecido com Brems no que diz respeito à elegância na modelagem teórica. Nada complicado, nenhum espaço de Hilbert e, entretanto, tudo que é essencial para se modelar um problema está lá. Um compêndio de artigos. Do mesmo autor, altamente recomendável é seu “Pionnering Economic Theory 1630-1980 – A reestatement”. Se você lê estes dois livros, não tem como não enlouquecer de amores pela Ciência Econômica.

11. Politicized Economies, Robert Ekelund & Robert Tollison – Este livro mostrou-me como a intuição microeconômica e as instituições poderiam estar juntas em uma análise histórica. Minha maior inveja na vida (ou uma das maiores) é não ter feito análise similar a dos autores (ainda) sobre o mercantilismo brasileiro.

12. Analytical Methods in Economics, Akira Takayama – Um dos livros que mais me ajudou a entender sistemas de equações diferenciais básicos. Além disso, é o único que usa kanjis (ideogramas chineses) para explicar convexidade e concavidade que já vi…inclusive mostrando que os ideogramas não são, em si, côncavos ou convexos o que, obviamente, é de uma ironia notável (e que muito me agrada).

É muito difícil responder uma pergunta como esta do Renato. Primeiro, a gente sempre pode se esquecer de um ou outro livro. Além disso, certamente eu gostaria de falar de mais livros ou de ampliar o escopo da análise para incluir livros libertários ou mesmo romances (neste caso, “The Fountainhead” da Ayn Rand, ainda que eu não seja um objetivista, é um livro que, de alguma forma, também marcou um bocado minha vida e minha visão da economia.

Agradeço a honra da lembrança para citar livros que me marcaram e convido os co-blogueiros (e eventuais visitantes do blog) a fazerem sua própria lista.

Claudio

Continue lendo “Pergunta difícil – Os dez livros (que viraram doze) que mais me influenciaram em economia”