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Jornalismo Econômico – A aula que você não teve (parte II)

Na aula inicial, indiquei alguns textos que ajudam a esclarecer os termos de um debate que é geralmente tratado de forma errada – por maldade pura, creia-me, ou por inocência. Agora que você já refletiu sobre “rent-seeking” e “profit-seeking” e já se questionou sobre o que alguns de seus colegas jornalistas “cabeça-de-papagaio” repetem sempre com alguma arrogância (senão, já viu, né? Perdem as consultorias. Consultor tem que bancar o John Wayne, senão não lhe compram os relatórios…), vamos continuar em nosso estudo.

O tema de hoje é a diferença entre “economistas ortodoxos” e “economistas heterodoxos”. A primeira coisa que deve ficar clara é que muito jornalista (e colunista) brasileiro tem um problema com o inglês. Não, não é que não conseguem ler o texto. Alguns até escorregam nisto, mas fazem suas aulas particulares por fora. O problema é a contextualização dos textos.

Vejamos.

Tome-se Joseph Stiglitz, um crítico do livre mercado. É um heterodoxo? Não. E James Buchanan, outro Nobelista, que inovou ao aplicar o ferramental econômico ao estudo das decisões políticas? Lá, isto é considerado “heterodoxia”. E aqui? Bem, primeiro ponto para reflexão…

Mas há mais, muito mais. A heterodoxia nacional não é tão plural ou diversa quanto dizem alguns. Por exemplo, não existe um número significativo de economistas austríacos por aqui. Claro que há um preconceito ideológico que, não sendo o único, é um dos fatores explicativos desta estranha característica da academia tupiniquim.

O que é, afinal de contas, um economista ortodoxo? Ou um heterodoxo. Para você, jornalista amigo, que sempre achou estar na vanguarda do debate, questionando até o sexo dos anjos, eis um debate que você pode acompanhar melhor se ler gente mais séria como Tyler Cowen, Dani Rodrik, Arnold Kling ou Peter Boettke. Mas isto não basta. Tem que evitar a viseira ideológica (muitas vezes não se percebe que se está usando esta péssima arma anti-intelecto) e também entender, primeiramente, o debate. No exemplo acima, mostrei que esta questão é tratada de forma errônea, muitas vezes com as bençãos de alguns heterodoxos, para se sentirem psicologicamente mais seguros no mercado de trabalho nacional e também por jornalistas que não desejam aprofundar muito no que dizem entender.

Claudio

Um comentário em “Jornalismo Econômico – A aula que você não teve (parte II)

  1. Estou aguardando as próximas aulas. Sugiro que você seja mais direto e diga, por exemplo, quem é quem no Brasil. Digo, quais economistas adotam quais “linhas”, quais pertencem a tais e tais “escolas”. Por exemplo: Keynes foi um neoclássico? Austríacos e mainstream se diferem apenas na abordagem metodológica? e por aí vai.
    abs

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