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O papel do governo, em menos de 5 dias

1. Infra-estrutura

Caixa Preta

Mais uma vez, o país está sob o choque de um desastre aéreo.

Fala-se de cerca de 170 mortos.

Vocês vão me desculpar, mas eu não preciso de caixa preta ou laudo técnico.

Sabe-se que ontem houve um acidente com um avião da Pantanal porque a pista, reformada e devolvida para uso há menos de um mês, não recebeu as necessárias ranhuras que garantem maior aderência.

Sabe-se que a INFRAERO, que é quem faz esta liberação, é um verdadeiro antro de corrupção.

Sabe-se que as companhias emergentes do país macomunaram-se com as quadrilhas estabelecidas no poder público.

Sabe-se que é por isso, por este pacto nojento com o que há de mais podre na política nacional, que as companhias aéreas não protestam contra o Governo Federal ou a Infraero, preferindo deixar seus passageiros amargando durante horas nas salas de embarque deste país.

Sabe-se que foi através deste pacto com o que há de mais condenável no poder público que as companhias aéreas emergentes conseguiram enterrar a Varig para abocanhar suas rotas.

Sabe-se que quando a líder da aviação era a Varig e o governo não era petista, não havia apagão nem carnificina de passageiros.

Por isso, enquanto todos ainda esperam a confirmação do número de mortos, deixo aqui o meu laudo: foi assassinato. Assassinato motivado pela ganância, pela corrupção e pelo descaso com a vida.

2. Regulação da propaganda alheia

O caso da pressão oficial para que a Peugeot tirasse do ar a propaganda que fazia referência à ministra Marta Suplicy (Turismo) fica, a cada hora, mais enrolado. E também ridículo.

Em texto publicado no dia 13 no site do Clube de Criação de São Paulo, Jáder Rosseto, da agência Euro RSCG Brasil, lamentava o episódio. Lia-se lá: “Em São Paulo, Jáder Rossetto, que acaba de voltar de Porto Alegre, diz que o melhor a fazer é tocar o barco adiante, já que um pedido do presidente não poderia ser negado.”

Quem acessar agora a mesma página, com data ainda do dia 13, lerá algo ligeiramente diferente: “Em São Paulo, Jáder Rossetto, vp de criação da agência Euro RSCG Brasil, que criou a peça e acaba de voltar de Porto Alegre, diz que o melhor a fazer é tocar o barco adiante. Afinal, um pedido de Brasília não poderia ser negado.”

Como se vê, o “presidente” se tornou algo mais impessoal: “Brasília”. Melhorou? Eu acho que a coisa ficou ainda pior. O que era o mau passo de um homem se tornou uma pressão da burocracia.

Então ficamos assim: “Brasília” agora decide que comercial pode ou não ir ao ar. Lembrando sempre: Rossetto é presidente do Clube de Criação. Descarte-se, pois, que o site tenha distorcido suas palavras iniciais.

Realmente. Só não vaia quem não entende o significado disto tudo. Ou quem não quer saber.

Claudio
p.s. claro, há o “silêncio (cúmplice) dos intelectuais”………

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O Ministro da Defesa não renunciou?

Então teremos que esperar por mais uns 200 acidentes.

Claudio
p.s. aguardo as críticas ao capitalismo (certamente esquecerão os controladores, a lenga-lenga do apagão que dura meses e acusarão os lucros como causa do acidente….quer apostar?)
p.s.2. Guilherme falou tudo: alguém privatize a Infraero antes que haja mais vítimas da administração bolivariana do Brasil…

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Humor

Método de ensino (muito mais revolucionário do que o daquele consultor que faturou uma grana com você a troco de …)

Bem-vindo ao meu mundo, o mundo do ensino de Economia. Ao contrário desta penca de consultores picaretas que abundam por aí, meus conselhos são gratuitos (mais ou menos, você gastou algum tempo lendo isto aqui…para saber mais, aguarde meu livro “Tire a mão da minha lingüiça – um guia para CEO’s com déficit de atenção” (r)).

Bom, um método experimental interessante é este: fazer os alunos escreverem haikus sobre economia. Estudos (quais?) demonstram (como?) que este método pode (pode?) ser bem divertido (para o professor) e para os alunos (até a hora da prova).

De qualquer forma, acho que o valor pedagógico disto é muito baixo. Mas há bons efeitos colaterais: (i) o aluno se diverte (e isto aumenta a avaliação do professor como “um cara legal”); (ii) o professor se diverte, (iii) haiku é poesia e poesia é “bacana” (ajuda a ganhar mulher, se bem que neste caso…), (iv) a turma pode publicar uma pequena coletânea no dia da formatura (ou ler os haikus, para orgulho (?) dos seus pais).

Ok, eu vou ser sincero. Acho que não se aprende muito com isto, mas há um ponto positivo: o sujeito aprende a raciocinar (haiku tem regra, né? Não é igual a poesia da namorada no seu diário, aos 12 anos, sobre o terrível coleguinha de 13 anos que bola não lhe dá), sujeito que faz poesia com o que aprende, no mínimo, passa a gostar um pouco mais do curso que escolheu, por vontade própria, cursar por uns 5 anos de sua vida (isto dá meia década! Meia década, cara! É tempo pacas!).

Claudio
p.s. isto aqui também é genial!

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Academia

A mulherada mora ao lado

This paper uses A-level Information System (ALIS) data to quantify the determinants of the choice between Economics and Business Studies at A-level. These subjects are often perceived as close curriculum options and possible substitutes in the UK. Subject choice is modelled using an underlying latent variable approach. On the basis of a series of counterfactual exercises an overall average grade differential, a measure of their comparative difficulty, is estimated to be 1.3 (old) UCAS points, equivalent to approximately two-thirds of a letter grade, in favour of Business Studies.The estimating equation suggests that a unit increase in the grade differential increases the probability of selecting Business Studies over Economics by approximately 12 percentage points.There is evidence that females are less likely to choose Economics over Business Studies and the more able students, in terms of their average GCSE score and mathematical ability, are more likely to select Economics.There is also some evidence of parental background characteristics and ethnicity exerting significant effects on the choice between these two subjects.

Claudio

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história econômica

Sharecropping (Sistema partilhado)

Imagine que você trabalhe para alguém. Como gostaria de ser remunerado? As pessoas geralmente dizem (ignore nossa natural preguiça) que gostariam de ganhar pelo que acrescentam à produção. Claro que, do lado do patrão, ele só está disposto a te pagar pelo adicional produzido e, mais ainda, ele tem que pesar o quanto você adiciona aos custos. Em resumo, falamos de produtividade marginal (na margem) e custo marginal. No ponto em que sua hora adicional iguala custo e produtividade marginais, pode-se mostrar, o lucro é máximo para o dono da firma.

Ok. Esta é a realidade em vários setores da economia em diversos períodos da história (e, claro, em diversos lugares do mundo). Mas há também outros arranjos contratuais existentes que, à primeira vista, podem parecer estranhos. Este tal “sistema partilhado” é um deles. Vejamos a explicação de David Friedman sobre o assunto:

Sharecropping means that a farmer pays, instead of rent, a fixed percentage of his crop to the owner of the land he farms. It seems an odd and inefficient arrangement. If I must pay half of my crop to my landlord, it only pays me to make investments of labor or capital if the payoff is at least twice the cost. I have, by contract, created an externality of 50 percent.

This raises an obvious puzzle. Sharecropping is a common arrangement, appearing in many different societies at different times in history. If it is inefficient, why does it exist?

Note que, para nós, economistas, é difícil entender porque pessoas normais queimam dinheiro (ou, colocado de outra forma, porque pessoas loucas não queimam dinheiro…). É isto que Friedman pergunta no final do parágrafo acima: “o sistema partilhado, aparentemente, é ineficiente (sob a ótica simples, de quem estudou apenas duas ou três disciplinas básicas de Economia), então, porque ele existe?

A resposta, na verdade, consiste em checar uma parte da pergunta: será que o sistema partilhado era, realmente, ineficiente? Ou será que nós não percebemos alguma peculiaridade do problema?

O “sistema partilhado” é um problema que sempre rende um bocado de discussão em economia, justamente por este seu caráter polêmico, digamos, múltiplo. Bom, uma das explicações para a permanência deste sistema – o próprio David Friedman comenta – é que este arranjo serviria como um seguro. Como assim?

Tomemos um whiske…digo, o caso do meu whiskey favorito:

Vários fazendeiros, porém, preferiam o “sistema partilhado”, em que pagavam a mão-de-obra com parte da colheita em lugar de dinheiro. Esse método diminuía o risco para o dono da terra, crucial agora que se abolira a escravidão. [Sangue e Uísque, A vida e a época de Jack Daniel, Peter Krass, Imago, 2006, p.120]

Em outras palavras, este arranjo pode não ser o que você esperaria, mas ele faz um certo sentido se você pensa no caso de um mundo no qual existe risco (ou “incerteza”, se você não for purista na nomenclatura). Detalhes sobre isto você encontra, por exemplo, no “Varian baby” e no “Varian hard”, as conhecidas versões de graduação e pós das notas de aula do Hal Varian.

Whiskey, contudo, só à noite. E olhe lá.

Claudio

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Dicas para Scilab

Acho que não dei esta dica ainda. Então aí vai: GROCER.

# Grocer Capabilities: most standard econometric capabilities:

– ordinary least squares and various single equation methods (autocorelated models, instrumental variables, non linear least squares, limited dependent variables, robust methods,…)
– specification tests (multicolinearity, autocorelation, heteroskedasticity, normality, predictive failure,…)
– simultaneous equations methods (SUR, two and three stage least squares,…)
– VAR, VECM, VARMA and GARCH estimation
– the Kalman filter and time varying parameters estimation
– unit root tests (ADF, KPSS,…) and cointegration methods (CADF, Johansen,…)
– various business cycle tools: HP, Baxter-King and Christiano-Fitzgerald filters, the Bry-Boschan-Harding-Pagan procedure for the datation of turning points, spectral analysis
– basic panel data estimation: fixed and random effects, between estimation
– numerous time series disaggregation methods: Chow-Lin, Litterman,…

# some more rare -but useful- ones:

– a pc-gets like device, that performs automatic general to specific estimations
– estimation of Markov-switching models
– Bayesian Model Averaging estimation
– a contributions device, that provides contributions of exogenous variables to an endogenous one for any dynamic equation

# a -rough- interface with Excel and unlike Gauss, it deals with true timeseries objects.

Claudio

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microeconomia

Por que R$ 2.25?

O Leo Monasterio, co-fundador deste blog (e hoje em carreira solo…coluna lateral de links fixos, etc) e eu já discutimos, com muita gente que frequenta este blog, aquela história da explicação econômica dos preços “R$ 1.99”.

Bom, sábado tivemos a festa da colônia japonesa e lá se usa o esquema das fichas (você compra fichas de R$ 0.50, R$ 1.00, R$ 2.00, ok?). Antigamente, existiam as fichas de R$ 0.25 e é aí que entra a pergunta do Armando, lá da colônia.

Ele estava na (sacrossanta) barraca de cerveja e eu fui (obviamente) comprar uma cervejota. Saquei R$ 2.50 em fichas. Aí ele, corretamente, perguntou-me: Por que a cerveja custa R$ 2.25?

O fato é que os vendedores tinham as fichas de R$ 0.25 e nós, pobres consumidores, não.

Minha explicação é que deve ter a ver com saldos e trocos das festas anteriores. Alguém decidiu que a menor unidade conta, agora, são R$ 0.50, não mais R$ 0.25 mas como sobraram fichas de festas anteriores (de R$ 0.25), tinha de haver um jeito de se livrar delas.

Mas alguém pode ter uma explicação diferente. Então, como sempre, espaço aberto para sugestões nos comentários.

Claudio

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