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Não li, vou ler, tem que ler!!!

Resumo: O Autor faz o balanço das duas últimas décadas da historiografia institucional da época moderna, verificando até que ponto subsistem hoje os pontos de vista inovadores nos anos 70 sobre uma matriz pluralista e compósita das unidades políticas europeias. Reagindo a posições recentes da historiadora Laura de Mello e Souza (USP) defende que essa matriz política, identificada inicialmente pata a Europa, pode ser estendida à análise política das sociedades coloniais, valorizando – como o vem fazendo largamente a última historiografia do mundo colonial ibérico – a vitalidade política das periferias, bem como a equivosicade e multi-direccionalidade das relações entre a metrópole e as colónias.

O texto completo está AQUI.

Que beleza!!!

Fábio

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Primeiro dia ANPUH

Primeiro dia do XXIV Simpósio Nacional de História (ANPUH) e já se percebe quem é de fora pelo volume de apetrechos ao se vestir. Eu estou neste simpósio temático que é coordenado pelos professores João Fragoso (História UFRJ) e Maria de Fátima Gouvêa (UFF História). A sala desta mesa é no centro 4 corredor C sala 204. Não preciso dizer que a sessão começou com 30 minutos de atraso. Amanhã tem mais e depois da minha apresentação na quarta eu volto com mais vagar.

Fábio

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Divórcio, mulher e a economia

Eis o resumo.

Divorce rates in the U.S. have been falling for the past decade, while female labor force participation rates have been rising. Aggregate data for US states show that in 2000, divorce rates across states are negatively correlated with female labor force participation rates, even after controlling for the variation in the average age of marriage. We connect these two trends in a simple random matching model which starts from the observation that a working woman, because she is paid in cash, has greater flexibility to transfer surplus to her husband than a non-working woman. Under unilateral divorce law, this implies that a marriage with two working partners is more stable with respect to outside offers than a marriage with only one working partner: marriages between working partners break up only if it is efficient to do so, while marriages between a working and nonworking spouse may break up inefficiently. We show that in aggregate there is a predicted inverted U relationship between the divorce rate and fraction of working women.

Claudio
p.s. note que o trabalho ainda é preliminar e incompleto.

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história econômica

Herança Ibérica? Que herança ibérica?

Já ouvi muito sobre esta história de sermos subdesenvolvidos por conta da cultura ibérica. Ouvi muito. Mas falei pouco. Então, aí vai.

1. Cultura ibérica é algo muito vago. Sabemos que os ibéricos sofreram influências dos mouros. Qual cultura é a ibérica? Hoje, portugueses e espanhóis vivem em um mundo muito mais globalizado do que em 1500. Qual é a cultura ibérica?

2. Vários historiadores já destacaram as notáveis diferenças entre portugueses e espanhóis, mesmo na construção dos respectivos impérios. Portanto, nada de conversa sobre heranças “ibéricas”.

Posto isto, ainda assim há o que se perguntar acerca do tal “path dependence” (se é que algum há) que “supostamente” teria influenciado nossa “cultura”. Eu me pergunto: Nagasaki, que sofreu forte influência do catolicismo através, justamente, da presença portuguesa, desenvolveu-se menos que o resto do Japão? E o que dizer da diferença entre Brasil e Angola? Ou Moçambique? Ou São Tomé e Príncipe?

Ok, ninguém disse que o problema era simples, mas ficou claro, espero, que podemos descartar termos imprecisos como esta tal “cultura ibérica” (ou “herança ibérica”). No mínimo, temos que considerar as especificidades portuguesas. E olhe lá.

Há um trecho, aqui, que é notável em termos de “insights” para se pensar isto.

Um império, sem dúvida, que não tinha muito a ver, na sua forma de se estrutura politicamente, com os impérios da tradição clássica europeia, nem com aquele desenvolvido pelos Espanhóis (…). Antes de mais, trata-se, não de um império terrestre, mas de um império oceânico, ou seja, de um império em que o mar já não era um limite, mas antes, o nexo essencial de união dos pontos de apoio na tera firme, o próprio corpo do império. [Hespanha & Santos, Os poderes…In: Mattoso, J. (dir) História de Portugal, vol.4, Editorial Estampa, Lisboa, p.395]

Imagine um modelo econômico que tente explicar isto. Acho que a inspiração inicial que me ocorre é este texto.

Palpites?

Claudio

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Concentração e Diversificação da Pauta de Importações/Exportações Brasileira

Estava passeando pelos dados da UNCTAD e resolvi dar uma olhadinha em alguns indicadores de concentração e diversificação do agregado importações/exportações do nosso país.

No caso do índice de diversificação, valores próximos a 1 indicam maior diferença em relação a média mundial. O índice de concentração é o bom Herfindhal-Hirschman (ou vice-versa).

De 1995 até 2005, o índice de concentração médio foi de 0.088 com um desvio-padrão de apenas 0.002. Para o índice de diversificação, no mesmo período, temos, respectivamente: 0.505, 0.017. O número de produtos envolvidos varia, no período, de 249 até 257, sendo que os menores valores estão nos dois últimos anos. Segundo a UNCTAD, esta última variável se define como:

Item Code: 22
Default Label: Number of products

Notes:
The number of products exported and imported is calculated at three-digit SITC, Revision 3 level; the table includes only those products whose value, when exported or imported, exceeds $ 100’000 or 0.3 per cent of a country’s total exports.

Eu não entendo muito de comércio exterior, mas interessante como as variáveis são regulares (desvio-padrão muito baixo). O mesmo acontece, por exemplo, com a China.

Aparentemente, o comércio mundial não se altera facilmente em 10 anos, em termos da concentração/diversificação. Talvez alguém possa dizer mais sobre estes dados.

Claudio

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história econômica

Incentivos

Diz-nos Armando da Silva Saturnino Monteiro:

In 1494 Portugal and Spain signed the Treaty of Tordesilhas, which divided the unknown world between the two Iberian nations. The agreement enabled Portugal to keep good relations with Spain, assured the security of its land frontier, and thus allowed the application of a greater part of its resources to the sea. [Journal of Military History, v.65, n.1, Jan/2001]

Eis aí um exemplo de segurança jurídica, tratados internacionais e desenvolvimento econômico. Contudo, seria interessante verificar a hipótese de se foi mesmo o tratado o principal responsável pela expansão marítima (ou um dos principais…). A cliometria aguarda por algum interessado.

Claudio

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Comerciais e os chorões

Meu xará está corretíssimo. Impossível não reproduzir tudo o que ele escreve:

Este lamentável episódio da Peugeot mostra como estão enganados aqueles que acreditam que a mera existência de empresas privadas caracteriza um regime livre. Muitos não verão nesse episódio nada demais. Alguns chamarão de paranóico qualquer um que veja nisso sinais graves de intromissão estatal na liberdade de expressão.

Tem uma galerinha por aí, daquele tipo “não sou de esquerda nem de direita, muito pelo contrário” que tem o comportamento daqueles judeus que, com o nazismo batendo à sua porta, achavam que tal monstruosidade era grande demais, complexa demais para acontecer. Coisa de paranóicos. Uma variante do mais comum tipo que se vê por aí: aquele para o qual o que não se compreende, não existe. O semi-culto.

Os paranóicos fugiram e muitos sobreviveram. Os descolados, bem… Isso é história muito conhecida.

Não importa quantos livros você possa enumerar. Não importa quantos autores você consiga citar de cabeça. Se toda essa leitura, em vez de ter aberto sua mente, apenas serviu como uma válvula de escape da realidade, você não difere muito de um espectador do Zorra Total.

Se, depois de tomar conhecimento de tudo que a humanidade já fez de brutal, você insiste em sequer considerar a possibilidade de isso voltar a ocorrer, mesmo quando se depara com sintomas idênticos, toda sua leitura foi tão útil quanto se você tivesse lido Caras.

Um único reparo: talvez “Caras” seja melhor que estes jornais chapa-branca…

Claudio

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Economia do Crime

Drogas: nova base de dados

O que você faz logo que acorda? Eu faço um café, escovo os dentes, assisto a temporada de Sumô e ligo o computador. Sempre faço uma leitura de jornal e/ou uma busca de novos artigos científicos.

De vez em quando eu me esqueço de fazer esta busca e, então, acabo por informar os meus leitores com algum atraso. Mas, veja, este artigo da Ana Kassouf e do Marcelo dos Santos tem uma dica muito boa sobre estatísticas de crimes, dentre outras: a tal SENASP.

Se eu fosse um pesquisador (aluno ou professor, etc) interessado na Economia do Crime (tema principal do Ari, o sumido deste blog), eu daria uma olhadinha lá.

Claudio

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Educação Superior

Para que servem as universidades?

Parte do resumo:

Este estudo tem por objetivo analisar o impacto de características institucionais sobre o desempenho dos alunos no Exame Nacional de Cursos (Provão). Uma amostra de mais de 74.000 alunos das áreas de Administração, Direito e Engenharia Civil que realizaram os exames no ano de 2000 foi analisada. Foram estimados modelos multinível, pois estes dados apresentam uma nítida estrutura hierárquica. Relativamente aos aspectos individuais, verificou-se a existência de um padrão não-linear na relação entre a condição econômica dos alunos e o seu desempenho. A contribuição de níveis superiores de renda sobre o desempenho dos alunos possui um limite, a partir do qual, observam-se, inclusive, impactos negativos. Em relação aos aspectos institucionais, encontraram-se efeitos positivos provenientes da maior qualificação e das melhores condições de trabalho para o corpo docente e da utilização de atividades de pesquisa como estratégia de ensino/aprendizagem.

Minha pergunta principal é: o que acontece quando analisamos apenas os cursos de Ciências Econômicas?

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