Libertários

Liberal e Libertário

Um comentário surgido em algum dos “posts” abaixo me faz uma pergunta direta: qual a diferença entre liberal e libertário?

Basicamente, liberal é o nome original do povo que hoje é – erroneamente – chamado de neoliberal. Gente que acredita em liberdade não apenas individual, mas econômica. Original, digo, porque europeu.

Nos EUA, no início, a terminologia era a mesma. Ao longo do tempo, contudo, o termo liberal passou a dizer respeito aos social-democratas (o povo do partido democrata norte-americano). E os liberais passaram a a se auto-denominar libertários.

Claro que existem vários libertários diferentes. Gente como Hayek, eu diria, é um “liberal clássico” (ou um “libertário“). Mas há os anarco-capitalistas austríacos (Rothbard e a patota do Mises Institute), os anarco-capitalistas não-necessariamente-austríacos (David Friedman, filho do libertário Milton), os objetivistas (este é um povo que segue as idéias de Ayn Rand com um certo fervor que, creio, é desnecessário) e outros.

Se você está na Europa, o termo é “liberal”. Se está nos EUA, “libertário”.

Agora, “neoliberal” é um termo que, sinceramente, não me diz muita coisa. Acho que o pessoal gosta de se referir ao “Consenso de Washington” como algo “neoliberal”. Mas o Consenso não passa de um receituário (por sinal, interessante) que envolve, sim, um papel para o governo mais forte do que aceitaria um Hayek, um Friedman (ou, menos ainda, um David Friedman).

Mais ou menos, é isto. Será que expliquei razoavelmente bem?

Claudio
p.s. um “conservador”, por exemplo, talvez seja um bom neoliberal, mas não necessariamente um libertário. Exemplo rápido: um sujeito pró-mercado mas que defende proibições a certas formas de sexo é um conservador. Hayek tem um texto bom sobre isto que foi publicado em português há anos e se chama “Porque não sou um conservador”.

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O populismo

La búsqueda del control total del país, normalmente comienza aprovechando la poca credibilidad con la que cuentan los legisladores en América Latina y la necesidad urgente de comenzar a implementar reformas. Normalmente un poder ejecutivo populista logra deshacerse del poder legislativo siguiendo una de dos estrategias:

* Reemplazando el congreso con una asamblea popular. Cuba y Venezuela ya lo han logrado y los gobiernos de Bolivia, Nicaragua y Ecuador se encuentran intentando seguir su ejemplo.

* O gobernando por medio de decretos presidenciales de necesidad y urgencia. Argentina es el ejemplo por excelencia, con un promedio de 4,8 decretos presidenciales firmados por mes desde el año 2003.

Claudio
p.s. e ele fala do Bush…

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How do you explain Brazil’s last elections?

We study whether voters are more likely to “vote out” a corrupt politician than to re-elect him. Specifically, we examine whether they retract their support from political candidates who they think are corrupt by looking at changes in an index of corruption perceptions between the current and the last elections.
Our results suggest that corruption in public office is effectively punished by voters in the same way that good economic conditions are rewarded. Furthermore, our findings support the idea that both the political system and the democratic experience are important determinants of the voters’ reaction and control of corruption: voters react negatively to an increase in corruption in countries with parliamentary systems, and in countries with relatively low levels of democracy; with no perceptible effect in mature democracies and inconclusive evidence in the case of countries with presidential systems.

That’s a question I would like to do to the authors…

Claudio

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Artigos para gordos

Eis dois artigos de Thomas Stratmann sobre o tema “obesidade”. Seguem os “abstracts”.

O primeiro, sobre preços relativos:

Americans have been getting fatter since at least the mid 1980s. To better understand this public health problem, much attention has been devoted to determining the underlying cause of increasing body weights in the U.S. We examine the role of relative food prices in determining an individual’s body mass index, arguing that as healthful foods become more expensive relative to unhealthful foods, individuals substitute to a less healthful diet. Using data from the National Health Interview Survey (NHIS) for the period 1982-1996, we find that individual BMI measures, as well as the likelihood of being overweight or obese, exhibit a statistically significant positive correlation with the prices of healthful relative to unhealthful foods. These results are robust to endogenizing the relative price measure. While the magnitudes of our estimates suggest that relative price changes can only explain about 1 percent of the growth in BMI and the incidence of being overweight or obese over this period, they do provide some measure of how effective fat taxes would be in controlling the obesity epidemic. Our estimates imply, for example, that a 100 percent tax on unhealthful foods could reduce average BMI by about 1 percent, and the same tax could reduce the incidence of being overweight and the incidence of obesity by 2 percent and 1 percent respectively.

O segundo, sobre o impacto do SPA na obesidade:

The health benefits of spas have been hypothesized for centuries. If this hypothesis is correct, spa therapy offers a low cost alternative to more expensive and potentially more invasive medical treatments for ailments such as back pain and arthritis. We use individual-level panel data to isolate the effect of spa therapy on missed work days and hospital visits in Germany. Simple correlations suggest a self-selection bias – spa visits are associated with increased absenteeism and hospitalization. However, when we exploit the longitudinal nature of the data, we find that spa therapy leads to a statistically significant reduction in both absenteeism and hospitalization, though it is not clear if these health benefits justify the cost of spa therapy.

Claudio

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Esta é boa

Agora meus comentários viraram espaço para propaganda. Veja só esta.

Campanha CresceCresce BlogBlog!

O PutsGrilo!com, blog com enorme conteúdo e muito visitado, lança uma super campanha para fazer seu blog crescer cada vez mais. Trata-se do seguinte: Você escreve um post sobre o PutsGrilo!com e me informa comentando na página da campanha (no PutsGrilo!com). Eu farei o mesmo com o seu blog e, assim, ambos cresceremos no ranking do BlogBlogs.com.br e ganharemos links para crescermos também no Google PageRank. Além disso tudo, ainda ganha visitas diretas do link postado em um dos maiores blogs do Brasil. São dois rankings de uma só vez.

Sobre o que escrever? Que tal sobre a campanha?

PS.: Não esqueça de por o link http://www.putsgrilo.com, ok?

Boa sorte e sucesso!

PutsGrilo!com
http://www.putsgrilo.com/campanha-crescecresce-blogblog/

Boa sorte pro sujeito.

Claudio
p.s. não vou comentar lá não. Ando meio cansado de campanhas, embora este “post” tenha um certo ar de paradoxo…

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escolha pública

Ué, não precisávamos de proteção contra os ferozes competidores chineses?

Apesar da valorização do real diante do dólar, as exportações continuam exuberantes, batendo recordes. O saldo comercial foi o terceiro melhor do ano e ultrapassou os US$ 3,8 bilhões. Em 12 meses, medidas por média diária, as importações avançaram 27,3%, mas as exportações não ficaram tão atrás, vêm crescendo a 20,2%.

Se não entendemos direito o que está acontecendo…não deveríamos er menos apressados antes de propormos monstrengos como a tal “política industrial”?

Claudio

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Caos aéreo (UPDATED)

Em 22.03.2007 escrevi em um jornal (que não cuida muito bem dos links que tem):

Caos aéreo: uma proposta modesta

Há algo de interessante em ficar no aeroporto por muito tempo. Você pode observar quem compõe a tal “elite” dos aeroportos. Temos desde políticos de esquerda, líderes sindicais, estudantes, artistas, o padeiro da esquina até seu vizinho médico. Parece-me uma “elite” bem abrangente, não? Todos sofrem com o atraso dos vôos que, desde o acidente do Legacy-Gol, tornou-se subitamente freqüente no Brasil.

Alguns afirmam que há uma “operação padrão” e uma comissão foi criada para verificar o fato, embora tenha sido declarado que o objetivo não seria o de procurar culpados (o que deixa qualquer um perplexo sobre os objetivos de se gastar dinheiro público com investigações). Outros dizem que tudo melhoraria se o controle aéreo mudar de militar para o civil, mas não explicam como isto resolveria o problema do tal “radar” ou do “cindacta-1”. Seria um homem sem uniforme melhor para operar um radar do que um militar? Até onde sabemos, a vestimenta não influi no grau de (in)competência de quem faz o serviço.

Em meio ao tumulto do aeroporto, há invariavelmente dois tipos de opiniões: uns acham que a culpa é da companhia e, outros, que a culpa é do governo. É difícil cobrar das companhias uma perfeição de procedimentos se não possuem informações dos tais controladores. Por outro lado, falhas de administração que se observam são, no mínimo, motivos para levar os funcionários de volta às aulas de pesquisa operacional. De quem é a culpa? Aparentemente, o que se sabe é que a mesma não é dos consumidores. O que fazer?

Aí vai uma sugestão simples: incentivos econômicos. Crie-se uma multa, na forma de devolução de parte do valor da passagem. Não é uma idéia nova, mas talvez o que não tenha sido pensado é sobre quem deve arcar com o ônus da multa. Em minha proposta modesta, o valor do ressarcimento seria dividido entre a ANAC e a companhia aérea. Seria uma média ponderada na qual os pesos seriam definidos pela responsabilidade de cada um. Como medir isto? Há várias formas. Uma opção seria fazer uma pesquisa com os passageiros de cada vôo nos quais haveria uma cédula simples: a culpa é: a) da ANAC, b) da companhia. Votos em branco contariam contra ambos. Um acordo com as companhias de telefonia celular tornaria esta votação barata e de apuração imediata (um placar no aeroporto tornaria pública a divisão do valor da multa, sem necessidade da possível corrupção de se criar outro órgão para fiscalizar a pesquisa…).

Como seriam pagas as contas? No caso da companhia, obviamente, os recursos sairiam da empresa em forma de retorno monetário para os passageiros: um DOC é muito fácil de ser feito hoje. No caso da ANAC, os recursos sairiam de seu orçamento (ou, para facilitar a vida dos burocratas, poderiam ser abatimentos no imposto de renda das pessoas, obviamente com a mesma correção aplicada às parcelas devidas do imposto). Em outras palavras, ambos seriam punidos pelo custo que impõem aos consumidores que compram suas passagens e não descumprem o contrato pagando-as e chegando no aeroporto no horário.

Justiça social é isto: cada um arca com os custos de suas ações e é recompensando por elas. No caso de falhas, a recompensa é negativa. Nada mais justo.

Dado que o governo acha fácil cobrar impostos de sacoleiros (como vimos em um dos “posts” abaixo), dado que os controladores de vôo, em abril, “pediram perdão à sociedade” (google, meu caro!), dado que a crise continua senão ampliada e piorada, eu renovo minha proposta.

Claudio
p.s. Tanto o Davi como o Tambosi citam a reprodução de minha proposta. Por que eu não a alterei em nada? Porque, primeiro, não sou pago para resolver problemas que o Ministério da Defesa (ou algum outro órgão público) tem a obrigação de resolver com meus impostos e, segundo, porque não acho legal que se copiem idéias alheias sem dar o devido crédito (e eu não duvido que muitos burocratas façam isto…e por isto agradeço, mais uma vez, a divulgação do Tambosi e do Davi).

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microeconomia

O mercado funciona (efeito-substituição)

A crise nos aeroportos está ajudando pelo menos um setor ligado à aviação, o de táxi aéreo. De acordo com a Associação Brasileira de Aviação Geral (Abag), o segmento cresceu a taxas superiores a 10% nos últimos dois anos e tende a se manter nesse ritmo em 2007. Nessa expansão estão incluídos tanto o faturamento das empresas de táxi com fretes como com a venda de aeronaves. Esse crescimento contínuo também se deve à estabilidade econômica e ao câmbio, que reduz o preço dos serviços e dos aviões.

Claudio

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Minorias atacadas

Eu, se fosse um destes jornalistas oportunistas, daria este nome para a matéria que acabo de ler. Eis um trecho:

O comerciante da Espaço Liberdade e presidente do Conselho Comunitário do bairro da Liberdade, Nilton Fukui, disse que se sentiu traído com esse episódio. “Estou engajado em informar a comunidade japonesa sobre a lei Cidade Limpa. Há 30 dias tirei excessos de meu anúncio indicativo, que tem agora 2,5 m2, sob orientação dos próprios fiscais. Hoje (ontem) fui multado por eles em frente às câmeras de reportagem. Fiquei sem ação”, disse Fukui. A maior preocupação do comerciante, no entanto, se concentra agora no Festival das Estrelas, conhecido como Tanabata Matsuri, que ocorre nos próximos dias 7 e 8, na Liberdade.

“Não podemos descaracterizar mais o bairro neste momento, quando ocorre o maior evento de comemoração dos 99 anos da imigração japonesa. Não podemos desmontar tudo e deixar o bairro feio em plena festividade. Pedimos a compreensão da Prefeitura”, disse.

Claro, na sequência:

O economista chefe do Instituto de Economia Gastão Vidigal da Associação Comercial de São Paulo, Marcel Solimeo, criticou a postura da Prefeitura, afirmando que “é lamentável um burocrata determinar qual será o novo perfil de um bairro como a Liberdade, que adquiriu, ao longo dos anos, suas características tradicionais”.

Para Solimeo, a Liberdade surgiu espontaneamente e assumiu as características de bairro oriental paulistano, numa feição comum a outros países, como uma evolução natural da concentração populacional típica e do mercado local. “Essa descaracterização é um desrespeito à tradição, que deveria ser preservada, a exemplo do que ocorre em outras nações”, disse.

Aliás, aproveitando a notícia e pensando friamente, eu pergunto: por que não se ensina história da Ásia nas escolas? É importante para o afro-descendente “conhecer suas origens”, certo? E o “nipo-descendente”? O “sino-descendente”? O “coreo-descendente”? Esta minorias não têm direitos? Heim? Heim?

Onde estão os “corajosos” “movimentos sociais” nestas horas?

Moral da história: aprenda a lição, meu caro. Grupo de interesse é grupo de interesse, por mais que tente se dizer um “movimento social”. De social, na maioria das vezes, só tem o discurso.

Claudio

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A tentação fala mais alto

O discurso surrado volta à cena. Talvez nunca tenha saído da mente de seu intérprete mais famoso.

É a nova moda na América Latina: o discurso Michael Moore. Caiu uma árvore na Sibéria? Culpa dos EUA. Morreu a tia da tia da tia do vizinho? em dúvida, culpa dos EUA. Há um problema com a inflação no Afeganistão? Sem dúvida, culpa exclusiva dos EUA.

Quosque tandem, Catilina, abutere patientia nostra?

Claudio

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Pagou, passou (só mesmo na era atual do Brasil para ouvir isto…)

Simon, um dos sociólogos que consigo ler e levar a sério, diz:

Como as taxas de repetência no Brasil parecem estar piorando, começaram a surgir propostas de pagar aos estudantes para que eles melhorem seu desempenho. Assim, a bolsa escola, ao invés de ser paga mensalmente, teria uma parte que ficaria como prêmio no final do ano, para quem passasse.

Os americanos já tentaram isto, e não deu certo. Vejam abaixo a matéria recente do New York Times, distribuida na lista do chileno/americano Gregory Elacqua, que explica por quê.

Se você clicar no link, poderá ler tudo.

Claudio

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