Google black

Mark Ontkush escreveu um artigo sobre a economia que poderia ser feita se a página do Google possuísse um fundo preto em vez de branco.

Levando em conta a altíssima popularidade do site, seriam economizados, segundo os cálculos de Mark, cerca de 750 megawatts/hora por ano.

Em resposta ao post, o Google criou uma versão toda escura do seu search engine chamada Blackle.com , que funciona exatamente igual à versão original mas consome menos energia.

Fábio

ps. Dica da minha amiga Martha Daisson Hameister.

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A importância das instituições: um exemplo real e atual

Em outra oportunidade eu já falei sobre o quão inútil pode ser o microcrédito se não se cuida, primeiramente, das instituições.

Mesmo assim, como o leitor mais antigo deste blog sabe, eu mantenho um pequeno investimento na África, através do Kiva.

Recentemente, contudo, o empreendedor (leia o texto e veja o que é ser empreendedor em um país realmente pobre) teve problemas com a falta de instituições ou, mais especificamnte, com a falta de definição de direitos de propriedade sobre a água. Para entender melhor o que isto significa, leia o trecho abaixo.

I met with Ousmane last week to discuss the progress of his business. There has been an unfortunate turn of events. All of the produce in Ousmane’s garden has died as a result of a problem with the water supply.

Ousmane has owned a sizable piece of land since his father left it to him after his death. It was always Ousmane’s desire to farm this land, but water has always been an issue. They have two wells on the property, but because the land is only 100m or so from a creek that runs into the ocean, the well water is too salty to farm with.

Some years ago a Belgium man moved to Boucotte. He began to construct running water for the town of Boucotte. The people were very happy since this was an amenity many of them wanted and the Belgium man was going to provide it for free. Once the pumped water was constructed, Ousmane could farm his land. A large tap was constructed in the center of his farmland, and he was able to water his garden with relative ease. He applied for a received a SEM loan to buy the needed products for his garden. The garden flourished under these conditions.

After a few months of receiving pumped water free of charge, things changed. The Belgium man told the people that the water was no longer free. He began to bill them. But the monthly bills were extraordinarily high, as high as $150 dollars per month. This is more that a monthly salary for some people and of course they could not pay the bill. When the people couldn’t pay, the Belgium man shut down the water supply. Without the running water, Ousmane’s garden could not be maintained, and all of the produce died.

Ousmane was really sad and angry to tell me this story. He showed me numerous photos of his garden when it was flourishing, and it was a sea of rich green produce. He grew all types of vegetables. Now the land has a polar opposite look: it is one large barren patch of land. It is quite sad to see how the land looked before and how it looks now.

Se o link funcionar, você verá que eu, como investidor, fiz a mesmíssima observação que havia feito em meu pequeno artigo no Instituto Millenium ao pessoal do Kiva.

O problema do Ousmane é justamente a indefinição dos direitos de propriedade sobre um insumo essencial para sua horta: a água.

Eis aqui um exemplo muito útil para se aprender sobre o tema. Mais útil ainda porque: (i) envolve um pouco da minha grana (o que me incentiva a ficar atento ao que o tomador de empréstimos faz), (ii) mostra que gente muito pobre pode ser empreendedor e não necessariamente depende de paternalismo (o cara paga os empréstimos, esta é minha segunda experiência com o Kiva, na África), (iii) mostra que direitos de propriedade/instituições são, sim, muito importantes (embora todo mundo veja isto em sala de aula, nem sempre percebe a importância do problema).

Eu espero que Ousmane consiga me pagar o empréstimo e, adicionalmente, também espero que o pessoal do Kiva perceba que a importância das instituições PRECEDE o microcrédito. Talvez nem todas as instituições sejam prévias a um empréstimo, claro, mas as que permeiam a simples garantia do pagamento, sim. É o caso: o Kiva fará com que ele me pague (a chance é alta), mas quem fará com que os direitos de propriedade sobre a água sejam bem definidos?

Note como a última questão serve para pensarmos em outros problemas institucionais. Alguns pediriam um ditador para resolver o problema. Outros prefeririam uma solução mais democrática, sob a lei e, claro, isto nos levaria à discussão sobre o que é a lei, algo muito bem esclarecido, há séculos, por Bastiat.

Claudio
p.s. Sim, eu acho bacana, se você tiver uns 50 dólares sobrando, aplicar no Kiva. Adicionalmente, eu me sinto ótimo só de saber que nÃo há um único burocrata do governo no comando da transferência de recursos do meu bolso para Ousmane.

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Aula de Econometria

O André Carraro, nosso co-blogueiro, tem ensinado Econometria para a rapaziada. Parei na página dele por acaso e encontrei um exemplo bem engraçado de regressão múltipla. Vá até o item 15 da página para entender melhor…

Claudio
p.s. ah sim, é uma boa página para quem vai estudar econometria este semestre.

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A tal imprensa e os tais torcedores políticos

E o oportunismo petista não tem limites. Notem que, quando a informação lhes convém, não há reparos quanto à Veja. Mas quando a revista critica o governo, daí então passa a ser golpista. Se a matéria desta semana dissesse que a culpa pelo acidente é do governo, seria atirada na vala comum do golpismo.

Aliás, esse discurso de golpismo é muito interessante. Coleguinhas chapa-branca de hoje reclamam dos que criticam o governo – papel de toda imprensa que se preze. Para os bajuladores de agora, os críticos querem dar um golpe no apedeuta. Engraçado isso. Quer dizer que eles podiam desancar o FHC, todo santo dia, toda santa semana, mas agora não se pode fazer o mesmo com o Luis Inércio?

Hoje, qualquer crítica ao governo é interpretada como tentativa de golpe; é preconceito contra o metalúrgico pobre que veio do Nordeste; é preconceito contra os nordestinos, e blá, blá, blá. A grande mídia é “golpista”. Já as “cartas” e “caros” fazem jornalismo “independente”. Só eles têm o direito de fazer oposição, são a reserva moral “deffepaiff”. É de chorar de rir.

Este vai na íntegra porque já cansei de ouvir, de gente que “torce” para o governo (não é politização não, cara. É quase uma religião misturada com futebol) me encher a paciência porque a tal Veja seria isto ou aquilo. Claro, a tal Carta Capital ou é citada com simpatia ou como sinônimo de imparcialidade pelas mesmíssimas pessoas.

Eu não assino nem uma, nem outra. Mas acho que o Ph Ácido foi ao ponto aqui: tem gente muito hipócrita perto da nossa convivência. De certa forma, este texto me faz pensar sobre a importância da “retórica” na economia, ainda que indiretamente.

Obrigado, Ph. Você me deu uma oportunidade única de catarse.

Claudio
p.s. mais aqui.

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Educação das minhas filhas

Se eu tivesse filhas, como as educaria? Certamente eu as incentivaria a assistir Facts of Life comigo. Sempre achei a série excelente para abordar assuntos polêmicos mostrando a importância das responsabilidades individuais. Pelo mesmo motivo, jamais usaria Diff’erent Strokes, que tem tudo aquilo de horroroso no pensamento fascista moderno, o “politicamente correto”. Até a maneira de passar boas mensagens (como a tolerância racial, talvez a única razoavelmente ensinada neste seriado) é prejudicada por seu maniqueísmo.

Bem, é minha opinião. O pai é (ou seria) você. Você decide (*).

Claudio
(*) Note como deixei a você a responsabilidade de educar seu filho, ao contrário de alguns pedabobos brasileiros e os governos bolivarianos da atualidade.

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Próximo domingo… (off-topic e auto-promoção indecente)

Para quem não sabe, domingo que vem estarei neste evento da seção brasileira da Kyodo Minyou.

Traduzo: a Kyodo Minyou é uma sociedade de músicas folclóricas japonesas e sua seccional brasileira fará seu décimo-nono campeonato no próximo domingo. Os portais de descendentes, sempre jovens, nunca (ou quase nunca) noticiam estes eventos. Embora seja ótimo ouvir a meninada cantar estes j-pop’s e enka (alguns poucos), é raro ver alguém se arriscar na música folclórica (minyou). Uma pena.

De qualquer forma, novamente, estarei com meu repertório tradicional (mas, na próxima vez, ahá, eu vou tentar algo diferente…).

Claudio
p.s. é midi, seu sei, mas dá uma idéia da música. Uma letra menor (a que eu normalmente canto) está aqui.

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Decisões pessoais para 2007 (agora?)

Digo, para o segundo semestre de 2007.

1. Voltei a estudar japonês (recordar é sofrer…he he he).
2. Sim, em breve, mais empenho físico.
3. Intimar o Leo Monasterio a me ensinar Econometria Espacial (ok, vou só pedir umas referências para ele).
4. Insistir nas três metas acima.

頑張ります!!

Claudio
p.s. você não instalou seu teclado japonês da Microsoft, né?

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Há políticos que falam asneiras e há os outros

‘Do we need to wait until 2009 to permit 100 per cent foreign-owned education ventures to operate in the country? Meanwhile, developing a qualified labour force is Vietnam’s main task,’ he said.

Quem disse isto? O Ministro da Indústria e Planejamento…do Vietnã.

Só fica selvagem quem quer.

Claudio

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Jornalismo Econômico – A aula que você não teve (parte III)

A aula de hoje é rápida. Leia o trecho abaixo (o link original tá abaixo do textinho) e preste atenção ao trecho em negrito.

In the latest EconTalk, I talk with David Henderson about whether it’s reasonable to presume that economists agree on various issues such as the minimum wage, trade, the causes of growth or the sources of inflation. I used to agree with David that in the area of microeconomics, there is much more consensus than in macroeconomics. Lately, I’m not so sure. At the end of the conversation, I raise the issue of incentives. As the market for talking economists has expanded, I believe that economists do more talking and that the reward for taking polemical stands has increased.

Grifos meus, texto do Russel Roberts.

Percebeu o problema potencial? Quanto maior a demanda por “cabeças de papagaio”, maior a quantidade de “blaboseira” porque nem sempre a qualidade acompanha a quantidade.

Na verdade, esta lição mostra que os incentivos podem aumentar o número de economistas entrevistados picaretas. Se o jornalista e/ou o (tele)espectador não entendem muito de economia, então o potencial de enganação por parte do dito cujo é amplificado.

Aí você me pergunta: quem é picareta? Quem não é? Eu não vou apontar bruxas aqui, mas não é difícil descobrir. Assim como há jornalistas mal treinados em economia, há economistas mal intencionados que não querem informar, mas sim lucrar com a entrega de um produto ligeiramente (?) diferente do que eu e você esperamos…

Claudio
p.s. Dica: faça uma pesquisa estatística bacana, com questionários, usando os emails dos economistas acadêmicos mais produtivos do país. Não consulte o Lattes (acredite: um membro destas comissões do MEC me disse que há muita gente sendo questionada por informações muito erradas no Lattes..coisa feia…), consulte o econlit. Dá uma boa dissertação/tese em economia ou em jornalismo econômico. Pergunte-lhes sobre o jornalismo econômico no Brasil, etc, etc.

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Quanto vale um charutão? Pergunte a George Stigler

George Stigler é um falecido – e sagaz – economista que me ensinou mais com seus livros do que muita pterodoxia na faculdade. Uma das lições que ficaram na história do pensamento econômico (aposto que seu professor não ensina nada dele, né?) é a tal “teoria da captura”.

Em resumo, Stigler desconfiava da captura das agências reguladoras pelos regulados. Tanto isto é importante que qualquer agência séria (sob um governo sério) tem várias restrições sobre os “presentes” que os reguladores podem ganhar dos regulados (sejam eles dois bezerros, uma Land Rover ou algo similar).

Aí, depois desta rápida aulinha, eu vou no blog da Tia Cris e leio:

“A conselheira Denise Abreu, por exemplo, é irmã de Olten Ayres de Abreu Júnior. O que faz Olten? Adivinhou quem respondeu que ele presta serviços à TAM — que se mobilizou, diga-se, em favor da nomeação de irmã. Josef Barat, também diretor da Anac, é dono da Planam Consult, empresa privada que já prestou consultoria à TAM e à Gol.”

É o tipo da coisa que não me alegra, embora Stigler possa estar rindo de mim lá no céu.

Claudio

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