Academia

Lições básicas para professores

Via Simon Schwartzman, encontrei um artigo sobre o ensino nas escolas municipais de Belo Horizonte cuja conclusão vale a pena destacar:

A review of classroom conditions suggests that teachers’ opinions of child ability would be better if they would discuss topics with students more frequently and ensure that their students work individually more often. The teachers should spend more time in preparing classes, and more time in teaching. Their students should spend more time in writing and doing mathematics.

The teachers should talk more frequently about their students to their school principal. The teachers should have higher levels of education, obtain a teacher’s credential, and take more training courses over several years.

Thus, the better the teacher, the higher the teacher’s estimate of child ability. Policies to attract, train and maintain better teachers in Brazilian schools are an essential component of policies to increase teachers’ evaluations of child ability, and consequently, of child academic achievement.

Certa vez, numa faculdade mais preocupada com o mimo aos alunos do que com o ensino, arrumaram um tal pedagogo (daí comecei a chamar todos de pedabobos, embora saiba que existem exceções, por força da estatística básica…) para os professores. Claro que só para os professores que tinham alguma pós-graduação no departamento, exceto o chefe (leia-se: mestrado e, para o chefe, doutorado). Por que? Porque estes professores eram “novos”, “muito exigentes” enquanto que os velhos, que mal tinham graduação, claro, eram “sábios” e “experientes”. (*)

O tal pedagogo veio com uns papos muito engraçados sobre o “momento” do ensino, o “momento” do aprendizado e tal. Dicas sobre como chamar a atenção de alunos ou como maximizar o aprendizado, nem de longe. Só um vago papo sobre a filosofia do ensino (acho que filósofos ficariam ofendidos com o papo do sujeito, mas tudo bem) e tal.

Na época, um grande colega – outro professor “novo” e “exigente”, com sua peculiar e conhecida sabedoria, disse, em particular, o seguinte:

“- Professor com didática é o cara que preparar aulas, usa o quadro, tira dúvidas, prepara exercícios, aplica provas individuais, não deixa colar, não chega atrasado, cumpre o horário e evita trabalhos em grupos”.

Obviamente, ele não disse, mas estava claro: “- O sujeito, no mínimo, tem que saber mais que o aluno (ou seja, tem que ter, no mínimo, mestrado)”.

Ao ver o resultado da pesquisa acima eu fico feliz em ver que meu amigo estava – e está – correto. Claro que se gastou um bocado para a realização da pesquisa, mas é bom ver que os dados não contam uma história de pedaBOBEIRA.

Uma coisa é um treinamento sério sobre ensino. Outra é o que fizeram com os professores deste caso.

Claudio
(*) De que adianta ser experiente se você faz tudo errado há anos e ninguém lhe corrige? Resposta preliminar a esta pergunta nos últimos ENADEs, por mais imperfeitos que sejam (e é por isto que a banda podre do ensino acadêmico é contra o ENADE, embora, sim, existam bons argumentos para se criticar este exame. Mas é bom separar o joio do trigo).

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Um comentário em “Lições básicas para professores

  1. A melhor pedagogia é a pressão!

    A pessoa que corre o risco de tomar pau, via de regras, passa a estudar mais do que antes.

    Grande parte do que eu aprendi no mestrado não foi por causa de um professor ensinar bem mas sim dele criar os incentivos (no meu caso foi mais porrete do que cenoura) adequados para que eu, sozinho, estudasse!

    Sofri mas valeu!

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