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Uma política externa libertária?

In his 2007 essay What’s Left?, Nick Cohen wonders how it is that many on the political left have lost their souls, at least on the defining matter of human rights. Why is it that a left faced with the collapse of socialism and the triumph of market economies, which at one time stood against fascism in defense of the individual, should now find itself excusing parties and regimes of the far-right, “as long as they are anti-Western”?

The question is well posed, but it would be useful to bring our own libertarian brethren into the discussion. Why is it that libertarians, for whom the benchmark of political, economic and social behavior is the individual, and American libertarians in particular, find so little to say about the defense of the individual in foreign affairs? Why is it that those who have reminded us of this lacuna, those who first imposed the human rights and democracy agenda on foreign policy thinking, are mainly figures of the left? Not surprisingly, given the rightward drift described by Cohen, some of these gadflies have since turned into exiles of the left.

O artigo vale a leitura e seu acesso a ele está aqui (como não existe o verbo “acessar” e “aceder” não é lá muito famoso, eu tenho sempre que exercer certa criatividade para me expressar nestes casos…)

Eis uma questão que desafia o pensamento libertário: como justificar uma política externa de tons libertários? Em “Anarchy and the Law”, recém-adquirido por este paleo-liberal, há uma discussão interessante sobre o tema, na forma de vários artigos – alguns eu já li, outros (ainda) não, etc – compilados pelo organizador do livro, Ed Stringham. Ed ficou famoso há um ano, na rede brasileira por um estudo no qual criticava a regulamentação ao consumo de álcool.

À imprensa brasileira, obviamente, pouco interessa trazer a discussão libertária para cá. Atrapalha a vida de certos apaniguados – e influentes – formadores de opinião, além de ser mais trabalhosa (para o jornalista) do que tentar mostrar uma certa polêmica na sociedade norte-americana traduzindo algum “release” mastigado da Reuters ou de outras agências. Prefere-se uma discussão com gente que vai desde Michael Moore (bottom) até Ed Stringham (top), para mostrar que lá, nos EUA, não existe “pensamento único”.

Supostamente, “pensamento único” é algo como o tal “neoliberalismo” no imaginário destes jornalistas e de muitos leitores (inclusive da blogosfera). Ao contrário do que pensam os brasileiros que nunca viveram nos EUA ou que nunca passaram mais de uns meses lá, em regime intenso de trabalho, a sociedade norte-americana (sim, a dos EUA) nunca foi caracterizada por algum tipo de “pensamento único”. É só olhar para qualquer área do conhecimento produzido lá nos últimos, digamos, 50 anos, e você tem desde Jim Jarmusch até Steven Spielberg. Ginsburg, Groucho Marx, Gore Vidal (ok, este fugiu), Susan Sontag, Milton Friedman, Ayn Rand, Noam Chomsky, etc.

Tentar dizer que há uma – lá vamos nós – “fissura no tecido social” dos EUA a cada edição dominical do jornal pode “dar barato” na mente da galerinha da era Xuxa, mas oculta uma dicussão que interessa muito mais aos brasileiros: há algo diferente do pensamento socialista, social-democrático, anarquista (de esquerda), comunista nos jornais, na TV ou mesmo entre os ideólogos acadêmicos?

Alguém se lembra do “História da Inteligência Brasileira” de Wilson Martins? Onde está o pensamento liberal no Brasil? Existe, sim, uma linha conservadora, mas nada que se aproxime das acusações que sofre (a de ser liberal, no sentido libertário). Já tratei deste tema em outras ocasiões, por exemplo, aqui e aqui.

Enfim, há muito o que se discutir…

Claudio

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Um comentário em “Uma política externa libertária?

  1. Concordo plenamente. E, de minha parte, o que chamo por aqui de “pensamento único” (falta de pensamento)é exatamente o que as “esquerdas” cucarachas tentam neste continente perdido. E depois dizem que perdida é África.
    Qual a diferença, por exemplo, entre um Mugabe e um Chávez – ou um LUla?

    Abs.

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