Ultraman: mercado desperdiçado

Antes do Ultraman houve a série “Ultra Q”, mais parecida com um “Twilight Zone” (“Além da Imaginação”) japonês. Eu bem que gostaria de ver mais destes episódios. Onde estão os empresários do setor para produzirem uma caixa de DVDs do Ultraman?

Não me venha com o papo da pirataria. Aposto que milhares de internautas da minha idade adorariam ter uma coleção como esta, original, em casa.

Claudio

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A gangue de Porto Alegre

Eis mais um bom diálogo entre Philipe, Guilherme e Kang, nosso Pulgasari tropical.

Olha, deixa eu dizer uma coisa. Alguns anos de minha vida eu passei em Porto Alegre e uma das maiores diversões minhas era contar piadas de gaúcho por lá. É claro que há os mal-humorados (isto é abundante em Porto Alegre, veja só quantos anos um certo partido dominou a prefeitura….você não esperaria algo diferente, né?), mas há também muita gente bem-humorada.

Deixando de lado as piadas, há algumas curiosidades bacanas sobre minha vida em Porto Alegre. Vejamos se consigo enumerá-las.

1. Quando cheguei a Porto Alegre para o início do meu doutorado, um dos recém-aprovados no mestrado me abordou e disse: “você! Graças às suas aulas online, eu estudei melhor para Economia Internacional”.

É o seguinte: na época, eu lecionava uma das matérias que considero mais chatas em Economia (a dita cuja citada) e, para facilitar minha vida e a dos alunos, eu colocava o esquema da aula em minha página pessoal. Nenhum aluno meu parece ter feito uso disto, mas, em Porto Alegre, alguns alunos da UFRGS fizeram bom proveito disto. Lembro, agora, do que disse o André Greve (do blog “As Quintas”) outro dia: por causa da internet, tenho alunos em todo o país…

2. A blogosfera de economia, por parte de alunos, parece ter começado mesmo lá, com o Rabiscos (Philipe e Guilherme), enquanto que centros como RJ ou SP pareciam apresentar apenas blogs como diários pessoais mesmo. Aliás, a blogosfera nacional é pobre em discussões mais técnica, o que não é estranho se você examinar que tipo de livro mais se vende “nestepaís”. Creio que o Rabiscos foi o primeiro blog que ganhou link aqui, como blog nacional de economia. Depois foi o As Quintas.

3. O André Carraro e o Leo Monasterio, gaúchos ou não (no caso, o Leo não é gaúcho), estão localizados no Rio Grande do Sul. Fábio Pesavento, aliás, também está.

4. Naquela época, a do meu doutorado, outra apostila minha, a (super-básica) introdução ao EVIEWS, também era conhecida do pessoal de lá (mas não é exclusividade deles, já tive notícia de alunos em outros rincões do país que a usaram).

5. Quando o gaúcho não é bairrista/regionalista (troque “gaúcho” por “mineiro” e você terá exatamente a mesma opinião de minha parte), o sujeito é agradável, com um bom papo. Conheci muita gente assim lá. Regionalismo pode ser algo muito bizarro. Uma vez, se não me engano, o Leo ouviu um programa de rádio no qual o sujeito reclamava de trocas comerciais entre o RS….e o resto do país. Algo absurdo, não me lembro bem, que realmente só faz sentido se você é destes que acredita que produtos típicos de uma região (o que é uma região?) são aqueles que são exclusivamente produzidos com insumos apenas da mesma região (e olhe lá!).

Enfim, é bom ver a gangue de Porto Alegre sempre na internet, colaborando para a disseminação da boa Ciência Econômica.

Claudio

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Time do blog recebe reforço significativo

Como o leitor deve ter notado, temos aqui mais um colaborador: Fábio Pesavento. Fábio é um destes prodígios que surgem, de vez em quando, na academia. Sua área de pesquisa é história econômica.

O Renato Colistete, outro da área, também havia me prometido participar esporadicamente aqui, mas o “esporadicamente” dele parece mais longo que justificativa de político pego com a cueca cheia: não termina nunca!

Fábio, seja bem-vindo!

Claudio

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99,9% Path Dependence.

“Tão luminosos princípios de Economia Política que ninguém ousará contestar, por serem evidentes, induzirão sem dúvida aos Senhores Reis de Portugal a acabarem com a liberdade de feirantes vagabundos [vendedores ambulantes, mascates], nacionais e estrangeiros, que se aplicam a vender pelas casas e ruas tecidos que tinham mercado permanente em lojas fixas de varejo nesta praça. Havendo o favor prestável ao comércio não podia ser nunca transcendente aos feirantes sem fundos e sem créditos tal atividade. (…) da falta de convenientes vendas [das lojas fixas] resulta a falta de ganhos. O déficit destes [lojas fixas] desanima as especulações, sem estas não se dilata o comércio, conseqüentemente, restringe-se o crédito.”

Onde eu encontrei este trecho?
a. O Globo
b. Estadão
c. Diário Oficial de SP [via MSN]
d. Arquivo Nacional do Rio de Janeiro

PS1: Fico lisonjeado com o convite, obrigado!
PS2: Douglass North alterou minha visão de mundo (esta eu fico devendo ao mestre Shikida, valeu!!) Bem, no trecho acima, a sua interpretação para o atraso da América Latina fecha, pois “assumimos” a matriz institucional ibérica e não a anglo-saxônica > 99,9% path dependence. Não concordo com “99,9% path dependence” mas, às vezes, lendo uma pilha de documentos de época…

Fábio

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Nunca antes na história deste país…

O Brasil é o país com a maior carga de burocracia do mundo, divulgou o Relatório Internacional de Empresas (IBR), realizado pela Grant Thornton International. Com 60% dos votos, o Brasil aparece como o líder do ranking quando o assunto é o excesso de burocracia e regulamentos como a maior fonte de frustração entre as empresas pesquisadas no globo.Em seguida estão a Rússia (59%), Polônia (55%) e Grécia (52%).

Esta notícia merecia ter uma “classificação indicatória” (ou algo assim), não? Olha o risco que é para as crianças…

Claudio

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O que são movimentos sociais?

O que são movimentos sociais? São petistas vestindo alguma sigla em defesa dos “oprimidos”. O palácio estala os dedos, e lá estão elas para aplaudir Lula.

Reinaldo Azevedo não poderia estar mais correto. Se bem que há reparos. Há também o PSTU, o PCO, o PC do B, etc. E há, claro, gente nestes movimentos que não concorda com o aparelhamento, mas não se manifesta, ou por medo da gangue, ou porque é meio sem ação, assim, de nascença.

Mas nunca vi um resumo tão bom quanto este do Reinaldo, o que é lamentável porque, em outros países, os ditos “democráticos”, os movimentos abrangem uma gama maior de pontos-de-vista. Aqui no Brasil, se aparece uma ONG que defende os princípios de uma sociedade aberta, é atacada por militantes (acadêmicos ou não) que a acusam de “neoliberal” (eles nunca são “comunistas”), a serviço de Washington (elas nunca recebem dinheiro da Via Campesina, Cuba ou fundações estrangeiras), retrógradas (elas nunca defendem a socialização dos meios de produção), aliadas de ditadores (elas nunca se lembram de que apóiam com entusiasmo quase erótico os governos de Castro ou Kim Jong Il), etc.

Estes são os “movimentos sociais” no Brasil. Em sua esmagadora maioria, claro. Afinal, há sempre alguma exceção…

Com sua pregação de que não existe indivíduo porque, vagamente, somos “seres políticos”, incentivam o comportamento irresponsável (se não há indivíduo, não há responsabilidade individual), a ética de duas caras (ei, quem pintou a cara e foi às ruas contra Collor e……….Renan Calheiros, Sarney e afins?), o discurso do “é tudo igual” (é, mas quem diz isto também é igual, não é?). Ao final, o que você tem é simplesmente a preparação – intencional ou não – do terreno para proto-ditadores, usando como bucha de canhão, claro, o bom e velho povão.

Claudio

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Para que servem os jornalistas?

Reproduzo o que diz o Leo:

Por que o jornalismo econômico é tão ruim no Brasil?

By Leonardo Monasterio

O jornalismo econômico deveria tornar acessível ao leitor comum o que os economistas dizem. Apenas isso. Nada de formular suas próprias teses, muito menos fazer lobby.
Por que o jornalismo econômico feito no Brasil é tão ruim?

Minhas hipóteses:

1- A bizarra lei que exige o diploma de jornalista afasta os economistas com vocação jornalística;

2- Quem disse que o leitor quer boas análises econômicas? Revistas de fofoca e livros com teses conspiratórias vendem mais do que interpretações mais sensatas, monótonas e corretas. Os jornalistas só dão aquilo que os leitores querem;

3- Ora, o jornalismo é corresponde com o nível de desenvolvimento do Brasil. Ou seja, o Luis Nassif boliviano deve ser ainda pior do que o brasileiro; já seu correspondente suíço deve ser bem melhor. Não se precisa de maiores explicações;

4- A longa instabilidade induziu um interesse excessivo por macroeconomia no leitor comum. No Brasil, ao contrário de outros países, todo pasquim apresenta a cotação do dólar. Isso não acontece nos outros países. Com isso, a qualidade do leitor mediano piorou e induziu a piora na qualidade do jornalismo econômico.

Vocês concordam?

Comentários e palpites lá no blog do Leo, ok?

Claudio

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Quanto custa um parlamentozinho como o nosso?

Congresso brasileiro é o que mais pesa no bolso da população, em comparação com Parlamentos de onze países

O Congresso brasileiro é o mais caro por habitante, segundo levantamento da Transparência Brasil sobre os Orçamentos do Legislativo federal em 11 outros países. Apenas o Congresso dos Estados Unidos é mais caro que o brasileiro, mas ainda assim pesa menos no bolso de cada cidadão do país.

A pesquisa da Transparência Brasil comparou o orçamento do Congresso brasileiro com os da Alemanha, Argentina, Canadá, Chile, Espanha, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Itália, México e Portugal.

Em 2007, o Brasil destinou para a manutenção do mandato de cada um de seus 594 parlamentares federais quase quatro vezes a média do gasto dos parlamentos europeus e do canadense. Pelos padrões europeus de gasto parlamentar, o orçamento do Congresso brasileiro – equivalente a R$11.545,04 por minuto – poderia manter o mandato de 2.556 integrantes.

Se for levado em conta o custo absoluto do Congresso brasileiro por habitante (R$ 32,49), ele seria o terceiro mais caro do mundo, atrás do italiano (R$ 64,46) e do francês (R$ 34,00). O Brasil fica mais caro, porém, se for calculado o peso desse custo no bolso de cada habitante por duas medidas importantes para comparar economias nacionais – o salário mínimo e o PIB per capita. No Brasil, gasta-se dez vezes, em relação ao salário mínimo, o que se gasta na Alemanha ou no Reino Unido. Comparado ao PIB per capita, o gasto nacional é mais de oito vezes maior que o espanhol.

O mandato de cada parlamentar brasileiro custa hoje 2.068 salários mínimos – mais que o dobro do que ocorre no México, segundo colocado entre os países pesquisados, e 37 vezes o gasto proporcional ao salário mínimo registrado na Espanha.

Embora não tenham sido levantados neste estudo os custos diretos do mandato – salário, benefícios, assessores e verbas indenizatórias –, é possível comparar os gastos verificados na Câmara dos Deputados (R$ 101 mil mensais) aos da Câmara dos Comuns britânica (R$ 600 mil por ano). Cada parlamentar brasileiro consome mais do que o dobro de um
parlamentar de um país em que a renda per capita e o custo de vida são
muito superiores aos do Brasil.

Mesmo se não houvesse Senado – a Casa mais cara do mundo por membro, segundo o levantamento –, o Brasil ainda teria um dos Legislativos mais caros existentes. O Orçamento de um Congresso unicameral seria menor que o do Parlamento italiano, o terceiro da lista.

“O presente levantamento reforça a percepção de que os integrantes das Casas legislativas brasileiras perderam a noção de proporção entre o que fazem e o país em que vivem”, escreveu o diretor executivo da Transparência Brasil, Claudio Weber Abramo, na apresentação do trabalho.

O levantamento pode ser baixado da internet no endereço:

http://www.transparencia.org.br/docs/parlamentos.pdf

Estão de parabéns o Marcelo Soares e todo o pessoal da Transparência.

Claudio

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Em 1950…

“Um banco central criado nesse clima, com diretores nomeados por critérios políticos, incapazes de resistir à pressão inflacionária do Govêrno só serve para desmoralizar a instituição”. [p.273]

Sabe quem disse isto, em 1950? Gudin, em seus “Princípios de Economia Monetária”, editora Agir (5a edição, 1965).

Não é incrível como muita gente ainda não aprendeu o óbvio?

Claudio

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