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E o padrão-ouro?

Eis um artigo interessante.

The classical gold standard has long been associated with long-run price stability. But short-run price variability led critics of the gold standard to propose reforms that look much like modern versions of price path targeting. This paper uses a dynamic stochastic general equilibrium model to examine price dynamics under alternative policy regimes. In the model, a pure inflation target provides more short-run price stability than does the gold standard and, although it introduces a unit root into the price level, it leads to as much long-term price stability as does the gold standard for horizons shorter than 20 years. Relative to these regimes, Fisher’s compensated dollar (or pure price path targeting) reduces inflation uncertainty by an order of magnitude at all horizons. A Taylor rule with its relatively large weight on output leads to large uncertainty about inflation at long horizons. This long-run inflation uncertainty can be largely eliminated by introducing an additional response to the deviation of the price level from a desired path.

Aparentemente, metas de inflação são melhores que o padrão-ouro. Mas, veja bem (outro dia vi o Leo perguntar sobre isto), numa época em que não havia metas de inflação, creio, o padrão-ouro levava a uma maior estabilidade.

Ok, provoquei. O comentário do Leo – em algum blog (não me lembro mesmo) – dizia respeito a uma pergunta mais genérica do tipo: “o mundo era melhor (em que sentido?) sob o padrão-ouro”?

De qualquer forma, eis um bom artigo para se discutir o tema.

Claudio

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Resposta para o Leo

Ok, Leo me citou e eu não posso deixar de notar que ele tem um ponto bom, muito bom: o que importam são os incentivos.

Se o Leo voltar ao meu texto verá que eu não discordo disto. Na verdade, eu tento analisar um problema prévio de formação do capital humano de quem deveria ser empreendedor. Se você ensina errado, o sujeito já tem uma restrição. Este ponto ele não comentou. Provavelmente concorda comigo. Além disso, concordo que posso ter sobreestimado meu pessimismo com a amostra (realmente pequena?) do estudo da FIRJAN. De certa forma, eu e ele concordamos que há incentivos negativos à expansão do empreendedorismo no Brasil.

Agora, o Leo gosta desta história de “path dependence” (de vez em quando você o pega falando de darwinismo e tal) e, como eu, tem dificuldade de aceitar o argumento “cultural”.

Mas, sim, eu falei disto no “post”.

E, sim, sou o primeiro a alertar os meus alunos para o problema da sempre fácil saída de jogar a culpa na “cultura” (“é a cultura”!). Mas isto é em um nível básico, no qual o aluno tem que, primeiro, entender que deve exaurir as possibilidades de explicações econômicas para, após muita cabeçada (e eventualmente muitas descobertas), pensar no tema.

Se o Leo acredita em “path dependence”, porque acha difícil acreditar em restrições ao empreendedorismo brasileiro? Ele dirá que não é bem assim, mas eu acho que a definição de empreendedorismo está em jogo aqui. Eu não vejo “rent-seeking” como empreendedorismo, ele sim. Se for uma questão definicional, estamos de acordo com uma simples mudança. Afinal, uma mentalidade “rent-seeking” é simplesmente fruto de restrições institucionais (e algo mais, Leo? Heim?) e falamos a mesma língua.

Além disso, uma mentalidade anti-capitalista pode ser pensada como ideologia (Higgs! Higgs! Higgs!) que, mesmo que não possamos modelá-la a contento (até hoje nunca vi uma modelagem disto a contento…nem a de Higgs em “Crisis and the Leviathan”), não quer dizer que ela não exista. E aí temos que discutir se ideologia é restrição ou é “cultura”.

Ainda penso no assunto.

Claudio

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Haikai do Engel

Trabalhos apresentados hoje.
Nuvens cinzas no céu para alguns.
As folhas de cerejeira ao vento…
…um copo de chá.

Como se percebe deste profundo e incompreensível haikai (sem respeito algum à métrica do haikai, já que pós-moderno, pós-contemporâneo e pós-pós), ainda estou a ler parte dos trabalhos entregues hoje após a maratona de Econometria e Teoria dos Preços feita durante a manhã.

Uma das lições positivas é que muita gente vai aprender, goste ou não, a usar “não rejeitar”, ao invés de “aceitar”. Aliás, isto é algo que Leo Monasterio sempre trombeteia (trombeteia? Cara, isto deve ser tonitroante) em meus ouvidos. Há mais de 9 anos.

Claudio

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E agora?

O Fato

Suponha que você ache que microcrédito é uma forma de estimular o empreendedorismo no país. Agora, e se você descobre que a maior parte das pessoas deseja estabilidade, não correr riscos. No que se transformará o microcrédito? Em uma enganação. Estar-se-á gerando uma nação de rent-seekers, não de profit-seekers.

Os universitários do Estado do Rio têm medo de arriscar no mundo empresarial. Pesquisa da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), realizada com 1.795 jovens no último ano de graduação, apontou que 63,5% procuram a estabilidade do concurso público, enquanto apenas 6,5% declararam ter coragem para montar seu próprio negócio.

Eis o fato e há muito o que dizer sobre o tema. Mas prefiro fazer uma rápida reflexão, bem pessoal, sobre o assunto. Segue abaixo.

A pergunta e uma resposta rápida

Por que muitos cursos de Economia não dão conta disto? Primeiro porque muitos acadêmicos se dedicam a uma – inacreditável, mas é verdade – pregação ideológica pelo marxismo/socialismo/ambientalismo/bolivarianismo. Assim, não sobra tempo para ensinar. Quando sobra, os seus aliados passam 104% do tempo a papagaiar que “a economia neoclássica é limitada e não dá conta da realidade” ou que “microeconomia é uma droga, o bom é ler Marx”.

Pode-se pensar nos cursos de Administração, mas aí também existe a laranja podre. Há algum tempo vi um acadêmico da área reclamar do “excesso de matemática” em Finanças. Como se Finanças fosse um misto de decorar leis e regras de bolso. Pode ser que tenha sido assim na época dele, em que o país era uma selva mesozóica, mas tão mesozóica, que o governo teve que criar o antigo IBMEC para desenvolver o mercado de capitais (estes empresários nunca foram muito empreendedores mesmo…deixaram o governo fazer isto para eles…).

Moral da história: quantos ensinam os alunos de negócios a sobreviverem no mundo dos negócios?

Ok, há uma mudança, ainda tímida. Pterodátilos que sempre condenaram as “finanças de Chicago” (ou “finanças neoclássicas”) agora se voltam, quase de joelhos, aos alunos, oferecendo cursos de finanças sem nunca terem aberto um livro-texto avançado sobre o tema. Por sorte, há novos recém-doutores preenchendo os espaços deixados por anos de infertilidade intencionalmente gerada por estes outros “doutores”.

Afinal, hoje, com a globalização à vista, dinossauros não sobrevivem. Ou se adaptam, ou morrem. Claro, fósseis natimortos (ou semi-vivos, sei lá) podem eventualmente ser encontrados e podem, também, ter sua existência prolongada por seus amiguinhos citados acima e os burocratas que buscam regulamentar (thanks, Mussolini!) as profissões criando a república dos sindicatos.

Conclusão

Não há muito o que concluir. Acho que disse o que pensava aí em cima. Bem sei onde estão as restrições institucionais para que um microcrédito funcione. Agora, não tem jeito. Só sujeito que gosta de arriscar, arrisca. Se isto significa que somente pessoas com maiores níveis de riqueza fazem isto (porque possuem menor aversão ao risco), não há solução: jamais veremos empresário pobre. Então, há que se remover as barreiras institucionais, mas há que se pensar também no porquê da mentalidade do brasileiro ser tão anti-empreendedora. Afinal, os mesmos ricos estão entre os que buscam a segurança confortável do setor público ao invés de inovarem (e provavelmente têm maior chance de serem aprovados em concursos públicos).

Se a Firjan confia na própria pesquisa e realmente está muito preocupada com os resultados, tem duas saídas: a) fecha o boteco, b) faz algo a respeito (e aí tem que repensar o próprio papel do sindicato numa economia de mercado).

Claudio

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Coase vs. Pigou

Although businesses—especially utilities involved in the SO2 market—might initially prefer a carbon market, the price stability promised by carbon taxes should eventually win most companies over. Taxpayers can be brought on board if carbon taxes are used, for instance, to reduce their payroll tax burdens. “The great political advantage of carbon taxes is that they raise large revenues which governments can use to reduce other unpopular and more distorting taxes, or finance popular spending programs,” says Robert Shapiro, who served as undersecretary of commerce for economic affairs under President Clinton and is now a private consultant. As for establishing precise limits on emissions, taxes can be adjusted over time to achieve whatever limits policymakers decide best balance the costs of climate change with the benefits of economic progress. Nordhaus suggests that the optimal carbon tax trajectory, balancing costs and benefits, would start with a tax of about $17 per ton, rising to $84 in 2050 and $270 in 2100. Economist Paul Portney, former president of the Resources for the Future think tank and now dean of Arizona University’s Eller College of Management, proposes starting with a $5-per-ton tax on carbon and raising it by $5 per ton every other year. The first year would raise $9 billion in revenues for the Treasury, rising to $25 billion by 2010 and $75 billion by 2020. A $25-per-ton carbon tax translates into a 5 percent increase in average electricity rates and a boost of about 6 cents per gallon of gasoline.

Claudio

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