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Mais uma (ah, cansei…) evidência de que indivíduos são racionais

O desembardor José Ricardo de Siqueira Regueira disse que acusados de crimes de corrupção não deveriam ser presos. A declaração foi dada durante a coletiva de imprensa que concedeu, na manhã desta quinta-feira, na sede da Justiça Federal do Rio de Janeiro, para esclarecer as acusações feitas pela Polícia Federal na Operação Furacão. O desembargador negou todas as acusações e criticou a atuação da Polícia Federal.

Façamos aqui aqueles exercícios “criativos” de pensar “de forma criativa”, como dizem os alguns autores de livros de auto-ajuda:

i. A Polícia Federal deve ser criticada sim. Afinal, ela, agora, usa eventos importantes para ameaçar fazer greve. Imagine quantos corruptos poderão fugir e queimar documentos neste período?

Não é por nada não, mas se meu avô vivo fosse, teria sugestões mais eficazes do que uma simples cadeia para gente que acha que corrupção é meio de vida legítimo. Ainda bem que não está vivo. Se estivesse, acho que faria outras sugestões como…

ii. Forcas, cadeira elétrica, execução sumária.

Gente violenta, claro, a gente prende. Gente safada, no tempo do meu avô (e antes do Estatudo do Pivete e do Ladrão Adolescente, para destacar o lado obscuro da coisa), levava uma boa surra. Mas as opções acima são excelentes do “pontodevistasocial”: geram empregos para executores, multiplicadores keynesianos para a indústria bélica….

Pensando bem, eu acho que realmente não precisa de prisão, he he he.

Claudio

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Quer ganhar uma grana?

Você não precisa ser cidadão norte-americano para concorrer a este prêmio.

Essay Contest

Apply Now! Deadline: May 11, 2007. If you are looking for information on our 2006 Essay Contest Winners, click here.

Does economic freedom help explain why the standard of living improves in some countries and declines in others?

Despite an overall rise in global standards of living during the last century, conditions have not improved equally in every country. One country’s policies and institutions may improve the well being of its people, while another country’s policies and institutions lead to decline.

In the last 10 years, The Index of Economic Freedom has emerged as a powerful tool to analyze these patterns of poverty and prosperity. In attempt to better understand why some flourish while others fail, the Index analyzes countries based on ten different types of freedom (Business Freedom, Trade Freedom, Fiscal Freedom, Freedom from Government, Monetary Freedom, Investment Freedom, Financial Freedom, Property Rights, Freedom From Corruption, and Labor Freedom).

Your task is the following. In 600 – 2500 words:

Pick two countries — one where there has been a significant rise in living standards and one that has struggled to develop. Some examples may be South Korea and North Korea, Taiwan and China, Chile and Bolivia, or Botswana and Zimbabwe.

Use the Index of Economic Freedom as a launching point to research your two countries. Analyze how policies and institutions have affected the living standards in each country. Based on your research, argue for or against a role for economic freedom in the path to more opportunity and prosperity.

Winning essays will: 1) Apply or show an understanding of Economic Freedom and its relationship to your countries’ policies, institutions, and standard of living, and 2) display your own unique, strong and creative voice.

First Prize: $2000, Second Prize: $1250, Third Prize: $750
Honorable Mention (4): $250
Authors of the top 30 essays will receive a free book.

Submission Deadline: 11:59 P.M. EST on Friday, May 11, 2007!
For further details, requirements, and guidelines, be sure to read the Essay Contest FAQ.

To help you get started researching your countries policies and institutions, here is a shortlist of resources:

* 2007 Index of Economic Freedom (free registration, book available as pdf)
* CIA World Factbook
* Economic Freedom of the World Report (includes Economic Freedom of North America and Economic Freedom of the Arab World)
* IMF Country Page
* World Bank Development Data & Statistics

Se alguém quiser meu apoio, já o tem. Basta fazer o texto em inglês. Conheço muito estudante capaz que facilmente faria um excelente trabalho.

Claudio

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John Stuart Mill e Mr. Postman: a racionalidade em um contexto mais detalhado

I. Construtivismo e Racionalidade Ecológica

O texto se chama “Constructivist and Ecological Rationality in Economics”. O autor é Vernon Smith, um dos mais interessantes pensadores de nossa área na galeria dos Prêmio Nobel. A publicação se deu na “American Economic Review”, vol.93, n.1, Jun/2003.

Agora que você já sabe de onde veio o alimento deste pequeno texto, vamos lá. A diferença entre os dois tipos de racionalidade vem, na verdade, de um texto anterior, muito interessante, do Hayek que, por algum motivo, Smith não cita (provavelmente porque Hayek é muito repetitivo). Puxo da memória e acho que o nome é “Individualism: true and false”. Quem tiver a referência certa, envie por obséquio.

A discussão é muito interessante e Smith está na fronteira da pesquisa para que possamos conhecer mais sobre a racionalidade, em termos evolutivos mesmo. Gente que critica o “homem econômico” no Brasil, geralmente, fica numa retórica idiota. Eu diria que Smith faz uma crítica muito mais consistente e séria (sem as eternas “isto não serve para nada”, “Kalecki é mais sexy”, e outras baboseiras).

II. E o carteiro?

Mas eu prometi uma dica sobre origem dos monopólios públicos de entrega de cartas. Todo mundo sabe, digo, todo mundo que já estudou o conceito de bens públicos, que uma carta é um bem privado. E aí, claro, a pergunta é: “por que isto é feito pelo governo, na maior parte do mundo, também na maior parte do tempo”?

Em uma nota de rodapé deste texto – que vai bem além da discussão sobre seus telegramas, claro – fala-se de John Stuart Mill. Acho que vale uma tradução livre aqui. Aí vou eu:

Para Mill era claro o desperdício representado pela existência de duas empresas de transporte de cartas na mesma estrada. Ele (Mill) foi o pai intelectual do monopólio governamental deste serviço nos EUA e no mundo, de sua resistência à inovação, sua queda em face da onda de privatizações verificada em alguns países e do surgimento de substitutos superiores em outros. Mill não poderia imaginar que seria eficiente conectar duas cidades por duas estradas de ferro (“railroads”) paralelas. Mill morreu em 1873. Eu conjecturaria que, por esta época, ou logo depois, pessoas com nível de educação médio teriam enriquecido construindo as primeiras estradas de ferro paralelas.

Aliás, as estradas paralelas estão aqui.

Mas, uma vez que o argumento de Mill seja aceito, é difícil reverter os monopólios (interesses contrariados reagem rapidamente às tentativas de mudanças, certo?) estabelecidos.

A conclusão é que alguém, no caso Mill, por imaginar que o ser humano seria incapaz de criar (a racionalidade ecológica) uma solução para um problema (o transporte de cartas), usou a racionalidade no sentido construtivista (soluções devem ser conscientemente construídas pela razão humana). A visão é bem cartesiana. Bem, eu não sou filósofo, mas o leitor pode ter momentos de intenso prazer intelectual lendo este texto de Vernon Smith. O irônico é ver Mill como um destes “engenheiros sociais” que tanto fazem mal à fama dos economistas…

III. Mill, o carteiro e uma busca parcialmente concluída

Achar esta pista para entender as modernas instituições públicas que governam o transporte de correspondências me deixa muito feliz. Foram anos de indagação, com muitos palpites interessantes de alguns alunos e muitos pontos sem lógica de outros. E, ao final, uma parte da história está contada. A culpa foi do John Stuart Mill.

O interessante talvez seja, para quem curte estas histórias, pensar em como o uso de uma ou outra racionalidade (a cartesiana/construtivista e a hayekiana/ecológica), ao longo do tempo, gera instituições mais ou menos eficientes do ponto de vista social. Lembre-se: este ponto de vista é compatível com mercados prósperos. Da mesma economia experimental – que deu o Nobel a Vernon Smith – vêm alguns resultados interessantíssimos, um deles o de que mercados e cooperação social são, sim, compatíveis.

Mais notável ainda é o resultado de que mercados funcionam mesmo que os indivíduos não sejam economicamente racionais. Smith cita os resultados de Gode & Suner (2003) e eu repito:

Thus, agents who are not rational constructivist profit maximizers, and use no learning or updating algorithms, achieve most of the possible social gains from trade using the institution. Does this example illustrate in a small way those “super-individual structures within which individuals found great opportunities…(and that)..could take account of more factual circumstances that individuals could perceive, and in consequence…is in some respects superior to, or ‘wiser’ than, human reason…? (Hayek, 1988, pp.77,75)

Artigos como este, de Vernon Smith, mostram-me o quão longe uma boa agenda de pesquisa pode alcançar. E também o quão desinformadas, idiotas ou ingênuas são muitas das observações que ouço por aí. Claro, conclui-se que alguns amigos meus são muito mais inteligentes do que a média, se você pensa de outro ângulo.

Claudio

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Instituições formais e informais

Nestes dias escrevi aí para baixo:

“… talvez haja uma proposição sobre mudanças na parte formal ou informal das instituições. Algo como: grupos de interesse buscam mudar mais a parte formal quando a sociedade possui forte consenso sobre a parte informal e vice-versa. E, diz-me a intuição precária das nove da manhã, isto pode ter a ver com tipo de (sub)desenvolvimento observado no país.”

E não é que Vernon Smith fala algo parecido no texto que ora leio?

“Formal rules that are incompatible with informal rules will be modified or eliminated; those that are compatible will persist. Hence, at any time slice in history, both must necessarily be observed across all socioeconomic experiments”. [AER, June/2003]

Acho que não é tão difícil aceitar o que ele diz. Mas achei interessante o fato de eu achar a mesma dúvida em um texto que peguei para ler por outros motivos. Deve ser porque minhas preferências não mudam, certo?

Claudio

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Por que o correio – que oferta um bem privado – é produzido pelo Estado?

Sempre me fiz esta pergunta e também aos alunos. Nunca obtive resposta…até hoje de manhã. Estava esperando um aluno para discutir a monografia dele e, enquanto isto, lia um texto do Vernon Smith que, aliás, é muito, mas muito interessante.

Bem, mais tarde eu respondo a pergunta acima.

Claudio

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Comentários ao nosso artigo

Tivemos gentis comentários aqui e na blogosfera ao nosso “working paper”, como já citei nestes dias. Antes de prosseguir, em nome dos autores, nosso muitíssimo obrigado.

Alguns dos comentários nos falam de publicar um artigo mais sucinto, em jornal, sobre o tema. Somos cinco autores e nem todos com o mesmo custo de oportunidade do tempo. Eu, claro, simpatizo com a idéia. Mas também concordo com o Leo que, em correspondência privada, disse-me:

Entendo o Renato. No mundo perfeito, esse seria a função dos jornalistas economicos, pois eles teriam a vantagem absoluta nisso. Apesar de – na verdade – eles não terem eu prefiro ficar na minha vantagem comparativa.

É para se pensar. Lembro-me de ler “Caos” de James Gleick, nos anos 80/90. Gleick é um jornalista especializado em ciência. O livro é até bem tranqüilo de ler (sempre assumo que eu é que sou ruim de Física), mas nunca vi um único livro de algum jornalista econômico no mesmo nível.

Aliás, outro dia, li um jornalista reclamar que fulano ou beltrano era um economista na torre de marfim porque o mandava ler livros para entender. Ora, se sua especialidade é jornalismo econômico, o mínimo que se deve fazer é ler livros da área mesmo.

Há uma tênue e perigosa linha que separa o caroneiro – o jornalista que monta em suas costas e quer que você faça tudo para ele – e o jornalismos científico sério, bem-intencionado, mas de pouca bagagem.

Sei que extrapolo o que o Leo disse e sei que os leitores deste blog já sabem que eu sou um entusiasta de artigos na mídia. Mas eu também penso que é importante lembrar dos benefícios da divisão do trabalho.

Claudio
p.s. Sim, eu acho que um artigo-resumo pode surgir nestes dias. O Ari estava empenhado nisto, embora com escasso tempo disponível.

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Meu argumento, versão socialista, contra as tarifas de importação

O leitor “ph-ácido” (que tem um excelente blog) me perguntou sobre a questão das tarifas de importação. Mais ou menos em resumo, ele diz: “ok, Claudio, eu também não quero exageros, mas o que fazer sobre as mudanças causadas pela globalização em setores específicos”?

Esta pergunta merece uma boa análise (resposta). Mas não custa, antes, lembrar que a defesa que o aumento das tarifas de importação é “enganador”, senão “cínico” pois, segundo Guido Mantega e Maria Moraes, em “Acumulação Monopolista e Crises no Brasil”, Paz e Terra, 1979, p.102-3:

Para estabilizar a dominação capitalista os “empresários-de-vanguarda” sabem que é preciso dotá-lo de maior legitimidade, o que significa engajar boa parte da população em um projeto de desenvolvimento que, pelo menos na superfície, vise o bem-estar social. (…)

A história tem provado que é preciso muita cautela com as propostas democráticas vindas de cima. Cumpre lembrar que não existe nenhum compromisso entre capitalismo e democracia e que o regime predileto da burguesia é aquele que lhe garanta maior capacidade de acumulação.

(…)

É verdade, também, que os tempos são outros: não apenas no tocante às forças sociais em presença no cenário nacional como relativamente à nova conjuntura internacional (…). Isto sem falar do inegável avanço da forças populares e democráticas em países do continente latino-americano.

Resumindo: mesmo com o avanço das forças “populares e democráticas” (Morales, Castro, Chàvez), está na cara que o capitalismo será sempre incompatível com a democracia e, assim, os empresários (do setor têxtil, digamos) só querem saber de seus lucros e pedem aumento de tarifas visando sua acumulação, dourando a pílula venenosa com um discurso social de preservação de empregos.

Quem escreveu isto, agora, faz o oposto. Eu sei. E eu não acho que ele seja irracional (ou não-racional). Não há sinais de que queime dinheiro ou de que esteja alucinado. É algo perfeitamente compatível com os modelos de Escolha Pública. O que ele maximiza é algo a se pensar, mas é perfeitamente tratável com modelos matemáticos, apesar da crítica de alguns desavisados.

Minha dica? Eu leria “Polticized Economies” de Robert B. Ekelund e Robert D. Tollison para começar. O Selva Brasilis (outro blog excelente) tem bons argumentos para justificar a racionalidade destas ações (um exemplo-pista para o leitor aqui).

Obviamente, a análise não-neoclássica é incapaz de explicar isto.

Claudio

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