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História do Pensamento Econômico Brasileiro – Novamente

Eis aí que chego em casa cansado e faço homenagens a amigos em textos neste blog. Mas algo me falta. Ah, sim, a boa e velha revisão dos pensamentos do que dizem (ou disseram) alguns economistas que a nova geração de estudantes não conhece muito bem.

Vamos ao trecho de hoje. Falando sobre o Plano Cruzado:

O choque é heterodoxo porque está baseado em congelamento de preços, em medidas administrativas (ao invés de medidas de mercado) para combater a inflação. (…) É também heterodoxo porque não deverá provocar recessão.

Este aí é mais fácil de adivinhar? Vejamos o que dizem os leitores. Quem deu este palpite na época do Plano Cruzado?

Claudio

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O dito Fábio

Introdução – Preferências e Restrição Orçamentária

Conheci o Fábio por acaso. Um dia me chamaram para trabalhar num órgão público. Lá estava ele. Sujeito novo, de idéias espirituais bem esquisitonas (ele diz o mesmo de mim, eu sei), cujo papo era só Economia.

Você veja bem, leitor, como são as coisas. Este imbecil aqui já estava cansado de procurar sujeitos que gostavam de Economia. O conjunto, excelente, mas pequeno, teve um grande acréscimo com o Fábio.

Equilíbrio Parcial – Dá a conta aí que dividimos

O melhor mesmo era o “happy hour” das sextas-feiras nas quais dividíamos a carne de sol com mandioca enquanto ele tomava umas duas latinhas de “sprite” e eu me contentava com duas garrafas de Antarctica (Original, claro). E ainda levava ele para o outro lado da cidade.

Falamos mal de muita gente ali. E também falamos de muitas questões importantes: o sentido da vida, eram os deuses astronautas, a origem do universo, por que o Ari não faz a barba, etc.

Foram bons papos. Aí, sua ganância racional falou mais alto e ele ouviu o canto da sereia. Pimba! No dia seguinte, eis que ele está em São Paulo, divertindo-se um bocado com um outro conhecido meu, o “eu-só-leio-Thomas-Sargent-e-econometria”, Márcio Laurini.

Equilíbrio Geral e o Colapso do Tempo Histórico numa pedra de gelo (bom nome para um livro idiota)

Pensando bem, Belo Horizonte não é nenhum paraíso.

O Laurini provocou e eu tive de acusar o golpe. Mas há um preço a ser pago: Fábio não encontra carne de sol com mandioca em São Paulo. Eu sei. Eu morei lá. Eu fiquei um ano e meio sem raciocinar direito dada a inexistência do prato sagrado em Sampa. Ao voltar para BH era motivo de chacota entre os amigos: de 1994 até 1999 eu só pedia isto em bares. Cheguei ao ponto de pedir uma porção só para mim enquanto os outros pediam porções diversas.

Rogo a minha praga bem-humorada em forma de teorema, o Teorema de Vai atrás:

Seja f: K -> R um Fábio contínuo, K compacto. Então Fábio atinge seu máximo de carne de sol e seu mínimo em K. E K é vazio.

Prova: Vai procurar a carne de sol na esquina, vai. He, he, he.

Claudio
p.s. Tá, eu sacaneei. É o Teorema de Weierstrass.
p.s.2. Da próxima vez, provarei a inexistência de carne de sol com mandioca em São Paulo em espaços de Hilbert, com múltiplos equilíbrios, probabilidades sub-aditivas, indivíduos de vida infinita (e côncavos), firmas em estruturas de mercado endógenas com empresários e trabalhadores com diferentes graus de aversão ao risco, mas caolhos. Se não forem caolhos, o teorema fica comprometido.

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Se todo mundo fizesse o mesmo

Eu conheci pouca gente com Economia na veia (não é na “véia”, “véio”, é na veia!). Poderia citar alguns nomes, mas eles sabem quem são (e os que não sabem, ha ha ha, continuarão sem saber). Agora, veja o caso do Davi, ex-aluno do Leo Monasterio (o mesmo co-fundador deste blog e hiper-ativo economista, atualmente em Londres nos aporrinhando com idéias geniais): o sujeito teve uma idéia simples e bacana.

Se cada estudante de Economia fizesse o mesmo, ficaria patente o quanto há de charlatanismo por aí, em conversas informais de boteco.

Pois eu não fui professor do Davi, é verdade. Mas eu digo para você o seguinte, leitor(a): eis aí um cara com Economia na veia.

Claudio

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Por que me orgulho de mim mesmo (e dos meus amigos)?

Porque recebo elogio de gente qualificada.

Claudio
p.s. e o Fábio, um dos mais talentosos de sua geração, citado pelo “canalha” do Márcio Laurini (o mesmo que mexe com estas coisas de Finanças que Maria da Conceição Tavares tanto despreza, como você, leitor, constatou em dois textos deste blog).
p.s.2. Laurini, é brincadeira, tá? É brincadeira… 🙂

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U(x,y) = Min{x/a, y/b}

Eu falei mais cedo da curva de demanda linear, lembra? Pois é. Agora veja mais este comentário da série: “por que usar tal especificação funcional”?

Our economy consists of equal numbers of two types of agents, odd and even, who produce and consume two types of goods: red and blue. Both agent types have Leontief preferences over r units of red and b units of blue:

Uodd = min{r, 3b}
Ueven = min {2r, b}

We chose Leontief preferences in part for the relative ease in inducing the preferences for subjects. Such preferences reduce the cognitive processing load for subjects because they do not have to reference tables, functions, calculators, or indifference maps. This, we think, facilitates their focus on the task of discovering how to maximize earnings.

Sim, é o artigo que citei anteriormente.

Bacana, né?

Claudio

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É, mas não é. Então é, mas continua não sendo. Tá bom?

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, confirmou que o governo estuda a possibilidade de elevar o limite de endividamento dos Estados, porém se colocou contrário à medida. “Mas eu quero deixar claro que o governo não cogita flexibilizar a Lei de Responsabilidade Fiscal”, ressaltou. “Qualquer coisa que for feita será dentro do âmbito da Lei de Responsabilidade Fiscal.”

Hã? Como é? Alguém pode me explicar?

Claudio

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P(Q) = a – bQ

O livro de Economia Industrial de Oz Shy é um dos melhores que existem por aí. Ele usa sempre a demanda linear para tirar os principais resultados para um aluno de nível intermediário, sem sofisticar, por exemplo, no nível de um Tirole (o famoso “Industrial Organization” editado pela MIT Press, mesma editora do livro de Shy).

Uma vez meu amigo Marcus fez esta observação e eu nunca pensei muito sobre o assunto. Até agora. Estava relendo um texto sobre fusões e Jogos e encontrei uma boa justificativa para se usar o modelo linearizado da demanda. Pelo menos em termos de simulações, dizem os autores:

Linear demand will yield the lowest and thus most conservative estimates of the price increase and is therefore the best guide for the prudent competition authority that wants to avoid errors of type I. [Postema, Bas et alii, “Costs and Benefits of Merger Control: An Applied Game Theoretic Perspective”, Kyklos, v.59, n.1, 2006, p.90]

Para quem trabalha com a parte empírica da economia, é importante se ter este tipo de cuidado com estimativas, ainda mais se você está a obter um resultado relativo a uma fusão de empresas para, digamos, uma autoridade antitruste.

Também é interessante notar como estimativas feitas por lobistas podem variar um bocado conforme o sistema de demanda que você impõe na modelagem. Isto só nos faz pensar o quanto um funcionário de um órgão antitruste tem que saber sobre Organização Industrial e Economia, de forma geral.

Interessante esta justificativa de Postema et alii. Eu nunca havia pensado nisto. Mais outras justificativas para o uso de curvas de demanda lineares?

Claudio

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A tal abstração maluca e desmiolada em equilíbrios múltiplos no tempo histórico

Vou citar novamente para explicar depois:

O que se vê atualmente é uma formalização crescente, de forma abstrata, da “teoria da escolha pura”, não tem nem Economia aplicada, nem interpretação. (…) Os neo-walrasianos estão até hoje procurando o modelo de ciclo. ‘É, mas dá bolhas’. Claro que dá bolhas, se você tem um modelo walrasiano de equilíbrio geral e introduz expectativas racionais com informação incompleta ou ‘incerta’ e aparece especulação. Mas aquilo explica o que? Nada! Isso só serve nos modelos de aplicação matemática ao mercado financeiro, que são modelos especulativos puros. Quem está trabalhando nisso, por exemplo, é aquele menino [nota de rodapé 11: Refere-se a José Alexandre Scheinkmann, nascido no RJ, atual chefe do Departamento de Economia da Universidade de Chicago] que está lá em Chicago (…)”. [Conversas com Economistas Brasileiros, 1996, Editora 34, p.135]

Ok, é um trecho pródigo em exclamações e aspas, certo? Pois é. Compare com a serenidade e seriedade deste “inútil” Márcio Laurini.

Este artigo, que vai sair no handbook of financial econometrics, explica de forma extremamente didática, mas ao mesmo tempo rigorosa, como aplicar metodologias de Markov Chain Monte Carlo em modelos de tempo contínuo usados em Finanças. O artigo não introduz nenhuma contribuição nova, mas é um excelente guia para aplicação destas metodologias em finanças. Não sabe o que é MCMC ? é bom aprender, senão logo logo você estará fora do jogo …

Ou seja, Laurini, como eu sei, é um cruel enganador. Cruel porque usa a matemática para uma abstração louca e enganador porque diz que a crueldade serve para algo.

Este Laurini! Bem, mas eu, ainda assim, fico com ele.

Claudio

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Câmbio

Trecho:

O câmbio “valorizado” tornou-se novamente um grande problema. A repetição é perturbadora, pois sugere recorrência. Como explicar? Será que não aprendemos, ou será algo que escapa ao controle das autoridades?

Existem pelo menos 4 hipóteses para explicar o câmbio valorizado: A) Trata-se de artificialismo, ou populismo devido a atos e omissões do Banco Central; B) Trata-se de excessivo de conservadorismo na fixação dos juros decorrente de condições fiscais precárias; C) Trata-se de circunstâncias excepcionalmente favoráveis na economia global; e D) Trata-se de decorrência natural de melhores fundamentos na economia, portanto, não é circunstancial, mas tendencial.

Não é fácil escolher sua hipótese favorita, ou combinação delas, cartas para a redação. Note-se que eram as mesmas 4 hipóteses cogitadas quando se discutia a o episódio anterior de valorização cambial em 1993-99, sendo que, naqueles dias, os economistas hoje no governo defendiam ardentemente a hipótese A, davam alguma relevância para B e C, e descartavam D como explicação “chapa branca”.

Leia o resto do artigo.

Claudio

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Teste de hipóteses: seu professor é viesado?

Existem dois tipos de anarquismo, grosso modo. Um é o “esquerdista” e tem como representantes Kropotkin, Bakunin dentre outros. Outro é “libertário”, com gente como Max Stirner, Murray Rothbard, Lysander Spooner.

Seu professor é viesado se só te ensina um deles. Após a globalização, na qual um mané marca um protesto contra a OMC com outro mané de um continente distante, só mesmo a má fé para explicar a ausência de conhecimento de bibliografia “alternativa”.

Depois, eu é que não sou pluralista. Boa piada.

Claudio

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O caso da marinha privada

Alex Tabarrok com um artigo interessante:

Privateers—private ships licensed to carry out warfare—helped win the American Revolution and the War of 1812 but fell into disuse after the federal government made it hard to monitor their performance. Like the government’s use of private military companies in today’s hotspots, privateering was an instance of the “contracting out” of security services, not the full privatization of security, and thus operated in the context of incentives and constraints established by the government.

O uso de navios privados não é um caso único na história. Basta ver o contraste entre a marinha das Províncias Unidas (os Países Baixos da época) e a de Portugal nos idos dos séculos XVI e XVII. Um tema interessante que é citado nos livros de Jan Glete sobre a construção dos Estados Modernos e sua relação com a marinha (recentemente vi um artigo interessante publicado sobre isto…salvei em algum lugar, mas não tenho a referência). Enfim, eu gosto do tema, mas é difícil ver alguém interessado em estudar estas instituições específicas aqui na selva. Quem tiver interesse, escreva-me. Sou todo ouvidos para idéias sobre este tema.

Claudio

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BRIC: a derrota da democracia em três deles?

Pelo menos no caso do “B” e do “R”, isto é o que parece para Vargas Llosa, o filho:

There are differences of degree and the contexts vary, but Russia and Latin America are the products of histories dominated by the absence of civil rights and property rights. In Russia, all land belonged to the czar or the nobility until the 19th century; peasants—the majority of the population—were beholden to the state or to private landlords. Then the communists replaced the czar. The absence of a liberal tradition doomed the transition to liberal democracy and the market economy in the 1990s—thence Putin’s Russia. In Latin America, the republics of the 19th century preserved the oligarchic structure of the colony. In the 20th century, they mostly experimented with populist democracy and military dictatorship, a less perfect type of tyranny than Russia’s communist system—which explains the emergence of what Vorozheykina calls a “more vibrant civil society” in Latin America.

Claudio

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Desastres naturais e instituições

Natural-disaster relief management succeeds or fails on the basis of the managers’ ability to gather, evaluate, and act on decentralized, informal knowledge of logistics, local needs, and changing circumstances. The case of the Hurricane Katrina relief effort suggests that commercial and non-profit networks are inherently better suited for grappling with the “knowledge problem” than are central government bureaucracies such as the Federal Emergency Management Agency.

Claudio

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Virginia Tech

Virginia Tech (Blacksburg), Columbine (Colorado), Polytechnique (Canada), Dunblane (Scotland), Jonesboro (Arkansas), Nickel Mines (Pennsylvania), and Dawson College (Canada). What do these tragic mass killings of students and school children have in common? The answer is not obvious.

What is obvious, to those of us who look beyond the headlines, is that mass killings were rare when guns were easily available, but have increased as guns have become more controlled.

Leia o resto.

Claudio

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Os curdos

Trecho:

With Sunni and Shiite Arabs locked in a bloody sectarian war, Iraq’s Kurds are promoting their interests through an influence-buying campaign in the United States that includes airing nationwide television advertisements, hiring powerful Washington lobbyists and playing parts of the U.S. government against each other. A former car mechanic who happens to be the son of Iraq’s president is at the center of Kurdish efforts to cultivate support for their semi-independent enclave, but the cast of Kurdish proponents also includes evangelical Christians, Israeli operatives and Republican political consultants.

In the past year, the Kurds have spent more than $3 million to retain lobbyists and set up a diplomatic office in Washington. They are cultivating grass-roots advocates among supporters of President Bush’s war policy and evangelicals who believe that many key figures in the Bible lived in Kurdistan. And they are seeking to build an emotional bond with ordinary Americans, like those forged by Israel and Taiwan, by running commercials on national cable news channels to assert that even as Iraq teeters toward a full-blown civil war, one corner of the country, at least, has fulfilled the Bush administration’s ambition of a peaceful, democratic, pro-Western beachhead in the Middle East.

Claudio

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