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Tora-san (off-topic)



A moçada da “crítica cultural” pouco fala da série Otoko wa tsurai yo que todo mundo que, um dia, freqüentou os cinemas – hoje desaparecidos – da Liberdade, em Sampa, ainda se lembra. Digo, todo mundo da minha idade.

Bem, aqui está um excelente resumo. A produtora era a Shochiku que também produziu alguns belos filmes de Ozu (com a não menos bela e radiante Setsuko Hara na foto acima).

Pois é, todos sentimos falta de Tora-san, não é? O mercado nacional nunca fez jus aos filmes dele mas você pode importá-los com legenda em inglês direto de lojas online da Ásia.

É isto aí. Um dia eu faço uma sessão de cinema aqui em casa e assistiremos todos a um dos divertidos filmes do bom e velho caixeiro viajante, Tora-san, com suas sempre divertidas e ingênuas aberturas.

Claudio

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Insegurança Jurídica e o Pensamento Político Brasileiro

Não seria excessivo pensar-se na instauração de um equilíbrio financeiro dinâmico, abolindo-se a rígida partilha de competências em nível constitucional. Tanto o poder de tributar, quando o de lançar empréstimos públicos seriam atribuídos e revistos periodicamente pelo Congresso Nacional (…). [Fábio Konder Comparato, Um Quadro Institucional para o Desenvolvimento Democrático, In: Jaguaribe, H., Iglésias, F. ; Santos, Wanderley G. dos, Chacon, V. & Comparato, F.K. “Brasil Sociedade Democrática”, José Olympio Editora, RJ, 1985]

Já imaginou a idéia exposta acima efetivamente adotada? Ainda bem que Kydland & Prescott ganharam o Nobel de 2004 explicando, dentre outras, que a idéia acima não é algo que se deva considerar seriamente.

Em 1985, no Brasil, pelo visto, insegurança jurídica não era algo a ser discutido. A demora em se pensar isto longe do foco ideológico tem um preço e nós sabemos o quão alto ele pode ser.

Claudio

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História do Pensamento Econômico Brasileiro – Mais um trecho para testar o conhecimento do leitor – Final

Ok, duas tentativas: Leo (Zeo, só faltou ele se chamar de Neo, no bom espírito Matrix) e Thomas Kang.

Quem escreveu o trecho foi…Maria da Conceição Tavares, em “O Sistema Financeiro Brasileiro e o Ciclo de Expansão Recente”, p.135. Trata-se de um capítulo de uma coletânea de autores heterodoxos em dois volumes chamada “Desenvolvimento Capitalista no Brasil”. No caso, é o volume 2, editado pela Brasiliense em 1983.

Claro, a mesma autora que usou o raciocínio perfeitamente racional da equação de Fisher no trecho citado é a mesma que escreveu:

O que se vê atualmente é uma formalização crescente, de forma abstrata, da “teoria da escolha pura”, não tem nem Economia aplicada, nem interpretação. (…) Os neo-walrasianos estão até hoje procurando o modelo de ciclo. ‘É, mas dá bolhas’. Claro que dá bolhas, se você tem um modelo walrasiano de equilíbrio geral e introduz expectativas racionais com informação incompleta ou ‘incerta’ e aparece especulação. Mas aquilo explica o que? Nada! Isso só serve nos modelos de aplicação matemática ao mercado financeiro, que são modelos especulativos puros. Quem está trabalhando nisso, por exemplo, é aquele menino [nota de rodapé 11: Refere-se a José Alexandre Scheinkmann, nascido no RJ, atual chefe do Departamento de Economia da Universidade de Chicago] que está lá em Chicago (…)”. [Conversas com Economistas Brasileiros, 1996, Editora 34, p.135]

Como são as coisas, heim? E este povo do mercado financeiro achando que está fazendo grandes coisas. He, he, he.

Claudio

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História do Pensamento Econômico Brasileiro – Mais um trecho para testar o conhecimento do leitor

Aqui vai outro trecho, para o deleite dos leitores deste blog que curtem História do Pensamento Econômico Brasileiro. A pergunta é: quem foi o precursor da revolução das expectativas racionais no Brasil? Para tentar buscar alguém que tenha escrito algo sobre o tema, deparei-me com mais um dos surrados livros de minha não menos surrada biblioteca particular. E de lá veio o trecho seguinte:

Isto porque, ao estimar a rentabilidade de qualquer aplicação financeira, os agentes calculam uma taxa de inflação futura, em geral superior à inflação corrente.

Note como o uso de “inflação futura” tem muito mais a ver com Muth do que com as expectativas adaptativas de Friedman. Não é um bom trecho para se ilustrar a efetiva racionalidade dos agentes econômicos? Pois bem, novamente, a resposta virá após sugestões dos leitores. Apenas o Leo não conta, ok gente?

Claudio

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História do Pensamento Econômico Brasileiro – Parte II

O trecho citado em um dos “posts” anteriores é de autoria de…Guido Mantega e Maria Morais em “Tendências Recentes do Capitalismo Brasileiro”, página 85 do livro cujo título é: “Acumulação Monopolista e Crises no Brasil”, Editora Paz & Terra, 1979, com prefácio de ninguém mais, ninguém menos que…FHC, sim, ele mesmo.

Para não deixar o leitor deste blog na vontade, aqui vai outro trecho dos mesmo autores:

Independentemente das considerações acerca das vantagens ou desvantagens dos novos laços da dependência, não se pode fechar os olhos para essas mudanças que, inevitavelmente, afetarão não apenas as relações externas, como também a luta de classes dentro do país, indissoluvelmente ligada à questão do imperialismo. [p.94-5]

Se FHC diz “esqueçam o que eu escrevi” e é criticado pelos jornalistas, bem, não preciso comentar…aliás, o irônico é que o prefácio do livro é do presidente não-liberal (social-democrata).

Vamos continuar a série “História do Pensamento Econômico Brasileiro” com mais trechos que, diria o locutor de rádio, são tirados “do fundo do baú”.

Claudio

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Você tem o direito de mudar de sexo, mas tem o mesmo direito de não dizer isto a alguém?

Mudança de sexo tem de ser averbada no registro civil. O entendimento é da 3ª Turma do Superior Tribunal de Justiça, que analisou recurso do Ministério Público do Rio Grande do Sul contra decisão do Tribunal de Justiça gaúcho. A segunda instância determinou que não fosse publicada no registro a condição transexual da parte.

A primeira instância acolheu o pedido para que fosse feita a notificação do registro civil, além da mudança de sexo do feminino para o masculino. O Ministério Público apelou para que não fosse publicada a condição de transexual.

O ministro Carlos Alberto Menezes Direito, relator, não acolheu o pedido. Considerou que esconder a condição caracterizaria agressão à verdade. “Trata-se de registro imperativo e com essa qualidade é que se não pode impedir que a modificação da natureza sexual fique assentada para o reconhecimento do direito do autor”, afirmou o ministro.

Cortar o bilau pode. Agora, começar a namorar o amigo do amigo do amigo e não contar para ele seria algo moralmente correto? Legalmente, pelo visto, não.

A mudança de sexo gera uma externalidade se envolve relacionamento com alguém, certo?

Claudio

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História do Pensamento Econômico Brasileiro – Parte I

Quem foi que escreveu:

“E os intelectuais orgânicos, como diria Gramsci, dessa nova proposta de dominação burguesa, atualizam-se com as últimas novidades políticas do capitalismo avançado e já andam de braços dados com os Severo Gomes e os Bardella, dourando a pílula do capitalismo ‘mais humano’. O progressismo da ‘ala rebelde’ da grande burguesia nacional vem ganhando adeptos tanto nos meios empresariais como no interior do braço armado do Estado, ou seja, as Forças Armadas”.

Palpites? Darei a resposta após os palpites dos leitores. Sem palpite, sem resposta. Tente a sorte.

Claudio

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Uma análise da política externa latino-americana

Trecho:

As a political model, Chavism is strongly based on nationalism, so that, Bush or no Bush, its legitimacy requires a growing anti-Americanism. Venezuela, Bolivia, Ecuador and Nicaragua have opted for this pattern of international assertion, which also includes statist economic policies that demonize foreign investment.

At the same time, these governments practice a diplomacy inspired by one idea: America’s post-Iraq hegemony is fragile, thus making profitable a policy of confrontation aimed at weakening the enemy. This explains the bizarre de facto alliance between Venezuela, Iran and Belarus, and Venezuela’s failed candidacy for a seat on the United Nations Security Council. Indeed, this vision of international relations clearly rests on building influence through military power.

E o texto todo está…aqui.

Claudio

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O Brasil não é igual ao Japão

Veja, leitor, como é cruel este povo japonês. Ao invés de legalizar a pirataria como alguns prefeitos brasileiros (e fechar os olhos para os eventuais prejuízos dos mesmos legalizados quando de batidas da Polícia Federal), o governo japonês pega no pé da moçada quando o assunto é pirataria.

Daí você me pergunta: pô, Claudio, tem demanda, deixa os caras, né?

Uma pena, claro. Se alguns babões fortemente influentes nas políticas promovidas pelo governo (não pelo mercado, claro) parassem com esta história histérica de que a economia não pode se abrir porque haverá um desastre ambiental, um caos social, com a descida dos criminosos das favelas destruindo as belas praias do Rio de Janeiro, poderíamos ter a importação de produtos que hoje só são oferecidos por estes comerciantes ilegais.

Ajudá-los a se legalizar é uma coisa. Mas de que adianta você dizer para o sujeito que ele pode se legalizar mas não pode importar o mesmo produto porque alguém disse que, naquele caso, o setor nacional é “estratégico” e, portanto, as tarifas de importação não podem ser menores (ou iguais a zero)?

Ninguém se lembra da segunda etapa, não é? O papo é sempre: “legaliza que dá certo”. Lamentável.

Claudio

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A velha história…

“O Ministério Público quer trazer para o nosso direito processual a mesma forma de atuação do promotor público americano, que mantém em seu gabinete o policial que corre atrás das provas para instruir os julgamentos, bem distante da nossa realidade e do nosso direito”, reagiu Amaury De Rosis Portugal, presidente do Sindicato dos Delegados da Polícia Federal em São Paulo. “Isso é bonito para assistirmos em filmes policiais americanos, mas não na realidade da nossa lei constitucional e processual.”

“Nossas especificidades” requerem medidas tão distintas assim do resto da humanidade? Vamos lá, eu não nego que a função dos procuradores, no Brasil, ainda é pouco clara e concordo com o diagnóstico de que há muito poder em suas mãos (mas sou leigo, posso estar enganado). De qualquer forma, é fato que um procurador é um ser humano e, portanto, pode estar maximizando sua fama e não necessariamente a busca pela Justiça. Afinal, vimos nos oito anos do governo FHC como alguns procuradores atuavam de maneira tão livre que até destruiram provas, como no caso da fita cassete envolvida numa discussão sobre votação no Congresso.

Dito isto, vejamos o outro lado da moeda. Que papo é este de que “nossa realidade” está sendo “vitimada” pelo “imperialismo” dos procuradores? Instituições são feitas de regras formas e informais, como nos ensinou North, certo? Ok que a parte formal mude pouco (mas nem tanto), mas a informal pode mudar um bocado porque envolve variáveis fora de nosso controle. Tal como a cultura – que não existe em isolamento – as instituições existem em diferentes formatos no mundo e podem, sim, mudar conforme os interesses em jogo.

Da mesma forma que procuradores têm interesses próprios, delegados também os possuem. Mais ainda, nada garante que os interesses estejam alinhados – e aí entra o problema do “design” de uma medida como a que se propõe.

Instituições existentes cumprem alguma função, não necessariamente maximizadora de bem-estar social, mas certamente maximizadora de algo, como nos lembra Yoram Barzel (há um livro dele, acho que o nome é “The Theory of State”, em que você encontra um desenvolvimento não-algébrico, mas logicamente encadeado, deste argumento). Em resumo: alguém ganha com o “status quo”.

Quem se beneficia do arcabouço institucional atual? Quem se beneficia do novo arcabouço proposto? E, finalmente, será que a população ganha mais do que perde com isto tudo?

Claudio
p.s. talvez haja uma proposição sobre mudanças na parte formal ou informal das instituições. Algo como: grupos de interesse buscam mudar mais a parte formal quando a sociedade possui forte consenso sobre a parte informal e vice-versa. E, diz-me a intuição precária das nove da manhã, isto pode ter a ver com tipo de (sub)desenvolvimento observado no país.

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A lei e o que os economistas recomendam?

Dois artigos de Shavell. Este aqui e este outro.

Se tiver problemas em ver os links, aí vão as dicas para busca:

1. Deterrence and Enforcement of Laws: A Model of Optimal Incapacitation – Steven Shavell – The American Economic Review, Vol. 77, No. 2, Papers and Proceedings of the Ninety-Ninth Annual Meeting of the American Economic Association. (May, 1987), pp. 107-110.

2. The Economic Theory of Public Enforcement of Law – A. Mitchell Polinsky; Steven Shavell – Journal of Economic Literature, Vol. 38, No. 1. (Mar., 2000), pp. 45-76.

Claudio

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Susan Athey e a Medalha John Bates Clark

Eis um resumo dos trabalhos da premiada com a medalha.

Trecho:

I blogged recently about complementarities among organizational form, technology, and market conditions. Athey and Stern’s paper tackles the problem of measuring complementarities among organizational practices. If particular practices occur in clusters (as modeled, for example, by Holmstrom and Milgrom, 1994), it is difficult to estimate the marginal impact of adopting any particular practice. Moreover, the endogeneity of the decision to adopt individual practices makes it difficult to judge whether practices are in fact complementary (i.e., performance enhancing). Athey and Stern develop a method for identifying complementarities by constructing “activity-specific instruments” that control for unobserved heterogeneity. The proposed approach, which jointly estimates the adoption decision and the productivity effect of organizational practices, is becoming increasingly influential in the empirical literature on organizational design.

Claudio

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Os ancestrais do otimismo quanto ao congelamento de preços

“Não há, portanto, como escapar da conclusão que um controle eficaz dos preços requer muito mais que uma intervenção governamental esporádica nos mecanismos de mercado. Ele exige um controle mais amplo dos fatores que condicionam as decisões sobre a produção, ou seja, uma intervenção direta nas empresas ou, pelo menos, a criação de empresas dirigidas por representantes do governo e que concorram, nos mercados considerados de importância essencial, com as privadas.[Paul Singer, A Crise do “Milagre”, 1976, p.149]

Em resumo: congelamento de preços e socialismo são irmãos siameses, senão parentes de primeiro grau.

Eis a proposta socialista (hoje renomeada, quero crer, para “economia solidária”) nos anos 70. Isto é para o leitor aprender que houve uma época obscura em que alguns achavam que a solução para combater a inflação era o socialismo, a despeito do que se verificava no mundo.

Leo, não direi que vai ao prêmio Eço, mas voltarei a coletar algumas citações “históricas” aqui esporadicamnte. Acho legal mostrar aos novos estudantes o que escreveram certos autores que, de quando em vez, algum seguidor fanático tenta elevar à condição divina.

Aprendi com meus professores (de esquerda) que o bom era ser iconoclasta. Nunca entendi porque mudaram de idéia após chegarem ao poder, primeiro em prefeituras, depois em governos estaduais e, claro, no governo federal. Digo, até entendo, mas aí tenho que aceitá-los como seres humanos, falíveis, além de egoístas e racionais. Pensando bem, é fácil entender…

Claudio

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Colaborem

Eu já usei um texto do Luis Fernando Verissimo na prova de Economia Internacional. Os alunos ganhavam pontos pelo número de erros que encontravam. Havia muitos pontos a serem ganhos.
Confesso que tenho um prazer mórbido em ler besteira. Assim, resolvi criar o I Prêmio Eço de Ignorânça Econômica.

As regras são as seguintes:
– Só valem opiniões publicadas na imprensa;
– Os critérios de premiação são arbitrários, pessoais e inquestionáveis;
– Não existe prêmio, a não ser a minha admiração e gratidão a quem enviar o link.

Pensei em considerar alguns usual suspects como hors concours, mas, ao menos na primeira versão, é melhor deixar aberto a todos. As contribuições podem ser enviadas para o e-mail: leonardo.monasterio.spam (arroba)gmail.com.

Já houve uma indicação, do Alexandre Schwartzmann, e, penso eu, muitos bons alunos de Economia conseguem distingüir um bom de um mau texto. Leo, com isto, colabora com a educação, digo, alfabetização econômica com muito bom humor.

Chega de ouvir porcaria. Meu ouvido não é privada, né? Nem o seu.

Claudio

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