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Análise Pós-Moderna do(s) Desequilíbrio(s) do Economista dito Pterodoxo e/ou Generalista que não consegue ler um único livro-texto de capa a capa

A criação da economia profissional no Brasil, entretanto, não era uma simples questão de implantação de um currículo moderno. Havia problemas culturais e institucionais mais amplos que dificultavam o desenvolvimento das ciências sociais no Brasil. As tradições intelectuais do Brasil e de outros países latino-americanos gravitavam em torno do pensador, um homem que se orgulhava de sua vasta cultura e que rejeitava a especialização. Esse pensador, com freqüência, com a mesma facilidade que escrevia sobre sociologia e política contemporâneas, escrevia também sobre literatura e, seus estudos, muitas vezes, cruzavam fronteiras interdisciplinares. (…) o fato é que os autores que tratavam de questões sociais geralmente escreviam sem qualquer referência a estudos monográficos, os quais, na Romênia, eram citados já antes da Primeira Guerra (…). Os juízos do ensaista brasileiro tendiam a ser definitivos e eram tratados de forma histórica.

(…)

Esse fato se deve principalmente a que, no Brasil, o número de estudantes universitários era reduzido, em comparação com as oportunidades de emprego na advocacia, no jornalismo e no serviço público.

(…)

Uma razão sociológica para a persistência da tradição do pensador é que raramente as instituições acadêmicas brasileiras voltavam-se para a pesquisa.

O trecho acima é de Joseph L. Love, “A Construção do Terceiro Mundo”, Paz & Terra, 1998, p.350-1

Fatos a se destacar:

1. A origem da verborragia inconseqüente de certa “intelectualidade” brasileira (inclusive a de muitos economistas selvagens);

2. A persistência da arrogância de certos “intelectuais” (economistas inclusos. O capítulo de onde tirei o trecho, aliás, chama-se “Do corporativismo à economia”) que acham que pesquisar dados ou artigos é algo equivalente ao “nhônhô” sujar as mãos com trabalho de “nego”. Neste ponto, até o autoritário sociólogo Oliveira Vianna, pelo menos, buscava se atualizar com as leituras da academia estrangeira.

3. A incrível atualidade disto tudo. Parece que não mudou nada. Bom, vamos ser justos, melhorou, mas a persistência dos “affairs” entre imprensa e estes “intelectuais” é notável. Análises econômicas inconsistentes – mas recheadas de belas palavras (“setores ESTRATÉGICOS”, “ministro BLINDADO”, “desenvolvimento SOCIALMENTE SUSTENTÁVEL”, para ficar nos menos piores exemplos – fazem a cabeça da meninada que ainda acha extremamente doloroso sentar e estudar mais de uma hora para uma disciplina da faculdade.

Ah, claro, a comparação com a Romênia… É que Love está a falar das origens corporativistas de certo pensamento econômico da era em que o fascismo/socialismo namorava com intelectuais não-liberais em todo o mundo.

Claudio

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Excelente análise da economia política brasileira

Jorge Vianna Monteiro, em mais uma boa carta.

Jorge estará lançando seu último livro em breve:

Aproveito a oportunidade para comunicar o lançamento de meu livro “*Como Funciona o Governo: Escolhas Públicas na Democracia Representativa*” (Editora FGV) e convidá-lo para o lançamento: em Porto Alegre (próximo dia 17, ao meio dia) no stand do Instituto Liberdade, no XX Fórum da Liberdade, a se realizar em instalações da PUCRS; no Rio de Janeiro, no dia 9 de Maio, às 19:30, na Livraria
Argumento, no Leblon.

Em ambas as ocasiões estarei presente para autógrafos. Se puder, apareça em uam dessas ocasiões … ou quem sabe, em ambas.

Claudio

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Você já leu isto antes

O lobby dos prefeitos do Estado do Rio de Janeiro, principais beneficiários das transferências atuais de royalties, conseguiu impor a retirada da proposta de revisão dos critérios de partilha desses recursos da pauta de reivindicações dos municípios que será entregue nesta terça-feira, 10, ao presidente Lula.

Você já viu isto antes, né? Lembra? O capítulo 8 deste livro.

Claudio

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Desenvolvimento

Se este é um país onde as pessoas acham que nossa única diferença com relação aos desenvolvimentos é a falta de uma usina atômica ou de um super-computador, considere isto:

1. Você tem fichários de quatro furos no país todo. Experimente encontrar um único furador de quatro furos. Com sorte, encontrará um, nacional, que não é funcional como os importados chineses (eu achei um) que o aluno pode carregar na pasta.

Como é possível, digamos, “ter o papel, mas não a tesoura”?

2. Você tem alunos que desejam estudar em qualquer lugar fora de casa. Por que não existem, aqui, os “bookholders” de US$ 5.00 que existem há mais de 50 anos nos EUA? Queremos mesmo facilitar a vida do sujeito que quer estudar?

3. O Enoch fala de algumas pastas baratas e simples, boas para organizar documentos. Custou a achar por aqui.

Eu não sei se é a tal carga tributária, a burocracia ou a falta de um “capital empreendedor” mesmo. Mas eu sei que desenvolvimento não é sinônimo de bomba nuclear. Nestas pequenas coisas é que você nota o quanto um trabalhador ou um empresário brasileiro tem dificuldades para se organizar em nível micro, ali, na mesa dele, no escritório.

Claudio

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Educação

Esta semana eu comecei este blog falando de computadores e ensino. Nestas buscas, acaba-se por encontrar alguns textos afins, embora não necessariamente sobre o tema específico. Este, cujos trechos reproduzo e comento abaixo, é uma excelente análise da educação brasileira.

Primeiro, uma escola que vende pato e entrega boi é aquela que não cumpre com suas obrigações:

E quanto ao envolvimento da família do estudante de escola pública e também da sociedade no ensino público: você acha que o envolvimento é fraco, que deveria ser maior, ou que não, que isso deve ser questão de governo?

Eu acho que a ajuda que uma família humilde, com baixo nível de instrução, pode fornecer é muito pouca. A criança dessa família é decididamente desfavorecida. Então, as crianças que têm pais com mais condições de se envolver na escola acabam aumentando sua vantagem em relação a essas outras crianças. Por isso, acho que a escola deveria ela mesma arcar com a responsabilidade de ensinar.

Certíssimo ele. Escola que cria milhares de conselhos com famílias, trabalhadores, estudantes, comunidades eclesiais de base, Via Campesina, sindicatos do ABC, etc, para educar, não educa. Faz proselitismo.

E agora, um notável exemplo de análise econômica bem feita por um não-economista:

A universalização do ensino causou redução da qualidade?

Sim, mas enfim, a educação pública não soube responder ao incremento de alunos. Então, desculpe bater na mesma tecla, o aumento por si só só teria significado se aumentasse também a qualificação dos professores.

Outro bom ponto. Vale para todo o sistema educacional. Vejo, novamente, como é importante pensar no ensino básico. Você tem um ensino básico ruim – de forma geral – no país. Então você prioriza o ensino universitário. Logo, mais vagas para alunos universitários. As universidades mais antigas se beneficiam da fama – justificada ou não – e recebem os melhores alunos (principalmente se não existe mensalidade). Quem nunca passaria nesta faculdade, agora passa em outras. É natural que a universalização do ensino tenha este efeito: a qualidade cai quando existe universalização porque os menos eficientes entram no mercado (universitário).

Solução?

Apenas uma: melhorar a qualidade do insumo que chega à faculdade das escolas.

Aqui um ponto no qual eu tenho apenas uma pequena discordância:

Então como corrigir essa impressão generalizada que temos de que a escola pública é ruim?

No fundo, para a classe média, a idéia é a de que o preço que eles pagam na escola particular de alguma forma garante a qualidade de ensino dos seus filhos. Além do mais, isso os coloca numa posição de exigir. O que nem sei se é muito bom para os alunos, que se sentem também como empregadores. Para mudar essa impressão seria preciso simplesmente que os pais que tivessem a impressão de que, pagando o que estão pagando, estão comprando para seus filhos uma educação que, na opinião comum, não é a melhor, que é inferior à educação da escola pública. Como isso poderia acontecer? Não acredito que possamos fazer campanha de promoção do ensino público. Acho que, no dia em que os melhores professores escolherem a escola pública porque tem um mínimo de qualidade salarial para competir com as escolas privadas, aqueles pais de classe média que não querem segregar seus filhos vão transferi-los para a escola pública. Porque a escola privada, mesmo que seja excelente, tem um déficit social, ou seja, ela não proporciona a experiência que a escola pública proporcionaria, de conviver durante os anos de escolaridade com diversos níveis sociais. Isso acrescenta à experiência pessoa e social de cada um.

Não acho que a estrutura de incentivos do setor público seja suficientemente convincente para um professor trocar uma escola privada por um “quase-sindicato” público, no qual a greve é uma constante. Mas há um ponto interessante em sua argumentação: o desenvolvimento da tolerância com pessoas de outras classes sociais.

Contardo Calligaris é psicanalista, se não me falha a memória.

Claudio

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Bem público para estudantes de Ciências Econômicas e demais leitores do livro de Microeconomia de Hal R. Varian

Capítulo 12

Há dois pequenos erros no cap.12 de Varian, na 7a edição (2a tiragem). Não sei se isto ocorre em edições anteriores.

1. Na página 234, primeiro parágrafo, do final para cima, 3a linha, fala-se de “cientistas espaciais” de Wall Street. O original em inglês fala, de fato, de “rocket scientists”, mas a tradução literal está errada. “Rocket Scientists”, no contexto da frase significa “Cientistas muito bons”, “Cientistas brilhantes”. Além disso, Nasa não é Wall Street, não é?

2. Na página 240, no final da página, de baixo para cima, contando a equação, na 4a linha, diz-se: Seja B a probabilidade….. No lugar de B, coloque-se a letra grega “pi”.

Claudio
p.s. UPDATED: o Márcio Laurini acaba de me dizer que o “rocket scientists” é um termo usado. Ok, então, o melhor, seria usar aspas. Não é um livro de Finanças e é o primeiro contato do aluno com o tema. Eu faria um rodapé, mas acho que aspas já está de bom tamanho.

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A velha história da amnésia

An economics professor at Charleston Southern University, Parish was the go-to guy for business leaders, local reporters, and people with a little money to invest. He provided advice, analysis and — through several investment companies — a great way to get rich. Except for one problem: According to a suit filed by the Securities and Exchange Commission last week, the reports that investors received were false and the money invested — about $134 million — is almost all gone. As SEC investigators attempted to question Parish, he claimed to be suffering from amnesia and checked himself into a hospital, so he has not commented on the mess, leaving investors and investigators very much in the dark.

Não é só aqui que o sujeito rouba e diz que tem amnésia.

Claudio

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Será que ela pagou sua mensalidade da faculdade em dia? Ou era aluna de universidade pública? Who cares?

Procurada no Rio Grande do Sul pela acusação de aplicar golpes de até R$ 3 milhões contra cinco empresas e uma universidade, a estudante Rosinara Schutz da Silva, 22, foi presa na manhã de ontem num flat de luxo dos Jardins (bairro nobre na Zona Sul de São Paulo).

Segundo a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, a estudante fazia parte de uma quadrilha de estelionatários que aplicava golpes passando-se por agentes da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) – empresa pública vinculada ao Ministério da Ciência e Tecnologia encarregada de financiar pesquisas em empresas e universidades.

Tá certo que estudante não é santo, mas não precisa exagerar.

Claudio

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