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Final de um dia

Quando fazemos o nosso trabalho pensando que podemos morrer hoje, não podemos deixar de sentir que nossa tarefa se torna, de repente, radiosa de vida e de significado. [Mishima, Y. “O Hagakure”, Rocco, 1987, p.35]

Acho que todos nós sentimos a tristeza quando não terminamos um bom trabalho, cientes de que podemos morrer no instante seguinte.

Claudio

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O pai dos pobres, os pobres, e o economista sueco

A primeira resistência à idéia do governo federal de editar uma medida provisória (MP) permitindo a utilização de recursos do Fundo de Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) para garantir o refinanciamento de dívida agrícola veio do ministro do Trabalho, Carlos Lupi. Ele admitiu na tarde desta segunda-feira, 9, recuar na assinatura da MP.

O deputado Luiz Carlos Heinze (PP-RS) disse que o ministro teria cobrado mais explicações sobre o processo para o refinanciamento como condições para dar o aval à utilização do FAT para a operação, que irá criar o Fundo de Recebíveis do Agronegócio (FRA), em um valor estimado de R$ 2,2 bilhões. O FRA seria o instrumento usado para equacionar as dívidas dos produtores rurais com o setor privado desde a safra de 2004/2005. Essa dívida alcança hoje cerca de R$ 4 bilhões.

O pai dos pobres e a mãe dos ricos… é a mesma pessoa? Notícia toda aqui.

Veja, esta discussão sobre pegar recursos do setor X e jogar no Y porque, “afinal, é tudo do governo”, não é uma discussão fácil. Acho que foi Wicksell o primeiro a reclamar desta desvinculação. Não me lembro bem, mas creio que o argumento passa por aqui.

Claudio

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Computadores e educação

Uma vez eu ouvi alguém (com importante cargo no sistema educacional brasileiro) dizer: “- Nossos alunos, hoje, sabem usar a internet”.

Ao mesmo tempo, eu me defrontava com alunos que não conseguiam fazer uma única busca no “Altavista” (lembra dele?) e, no máximo, com seus erros de português, tateavam no tal “Cadê”.

Vive-se em um mundo onde, sim, um sujeito pode ser ultra-habilidoso porque jogou muito em coisas como o “Playstation”, mas não necessariamente entende conceitos abstratos que não possa, literalmente, visualizar.

O sociólogo Simon Schwartzman, em seu blog, tem trazido esta discussão sobre tecnologia e ensino, especificamente no caso de computadores na escola.

Há pontos bem difíceis e interessantes nestas discussões. Pense-se, por exemplo, na discussão de como fazer um experimnto controlado em um caso destes. Como medir o efetivo ganho (ou perda) gerada pelo uso dos computadores na escola.

Não é nenhum mistério para mim que a resposta não seja óbvia. Antes, andávamos de charrete e, hoje, temos metrô. Nem por isto a selva ficou menos selvagem (moral e tecnologia não necessariamente andam juntas como o provam as notícias sobre fraudes cometidas por “hackers”). Um computador pode sofisticar a cura do câncer? Talvez. Mas como medir o quanto, de fato, é melhoria no capital humano do cara (esqueça o ponto moral, este não depende do computador…) pelo uso do computador? Quanto é devido a outros fatores?

Sim, é uma pergunta importante porque muita gente, com pressa (ou atendendo a demandas de grupos de interesses), não pensa nos custos e nos benefícios de uma política como esta. Pode não ser um problema (no curto prazo) numa economia na qual o governo tenha uma folga no orçamento. Mas no caso do Brasil, todo cuidado é pouco.

Na verdade, há outras perguntas interessantes e que sempre, creio, dependem de incentivos externos: não adianta querer ensinar o sujeito a trabalhar no computador se ele quer ver televisão. E isto tem a ver com a impaciência do sujeito e o problema de maximização que ele deseja resolver.

Enfim, o negócio é ler o blog do Simon.

Claudio

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A oposição e a situação

O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, enfrentou nesta segunda-feira, 9, em Fortaleza, um barulhento protesto contra o aborto. Liderado pelo presidente da Frente Parlamentar contra o aborto, deputado federal Luiz Bassuma (PT-BA), o protesto reuniu cerca de 100 pessoas, no ginásio poliesportivo da Parangaba, na periferia de Fortaleza, onde o ministro lançava programas de promoção à saúde, ainda em comemoração ao Dia Mundial da Saúde, ocorrido no último sábado, 7.

Sem entrar no mérito do aborto em si, a notícia acima acaba sendo bem irônica. Como se diz por aí, “oposição se faz em casa”.

Claudio

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O governo e o setor privado

One of Okinawa’s premier resorts is being moved from a combined Prefecture-private enterprise operation and being sold to a commercial company.

The Busena Cape resort, part of Nago City, is home to Busena Terrace Hotel, Summit Hall, a golf course and other recreational facilities. The Prefecture, Nago City and a private company headed by Dr. Mikio Higa have operated the facilities and businesses, but that is ending this month.

The Kokuba Group takes over April 1st, replacing the existing structure. The prefecture, which is ending the enterprise relationship, has been trying to get out from under the project since 2002. The Busena Resort was built in 1990, and has been the centerpiece of northern Okinawa resort development. The prefecture spent ¥3.2 billion of its budget to build it.

Negrito por minha conta, original aqui.

Claudio

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Um ponto fora da curva faz verão?

“Eu quero dizer que finalmente os nossos aeroportos estão tranqüilos numa demonstração de que uma relação honesta e sincera entre governo e a sociedade brasileira e os controladores permitiu que o bom senso reinasse no nosso meio. Estou feliz com isso”, afirmou o presidente.

“Finalmente os nossos aeroportos estão tranqüilos” não bate muito com as notícias de que há problemas técnicos, defasagem de equipamentos, preparo precário de alguns controladores.

Afinal, não há uma escassez de verbas para o setor? Eu me lembro de ler um manifesto dos grevistas falando horrores dos recursos que Brasília bloqueava.

Agora, um dia, dois, de tranqüilidade, em meio a isto tudo, querem me fazer crer, é sinal de que não há mais problemas?

Meio demais, não?

Claudio

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