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Moral e cívica

Magnus et al, em um artigo não tão recente, diziam:

Cheating is a serious problem in many countries. The cheater gets higher marks than deserved, thus reducing the efficiency of a country’s educational system. In this study, the authors did not ask if and how often the student had cheated, but rather what the student’s opinion was about a cheating situation. They investigated whether attitudes differ among students in Russia, the Netherlands,
Israel, and the United States and conclude that attitudes toward cheating differ considerably between these countries. They offer various explanations of this phenomenon. In addition, they find that the student’s attitude toward cheating depends on the student’s educational level (high school, undergraduate, postgraduate). Finally, they show that the data from the sample can be aggregated in a natural and elegant way, and they suggest a tolerance-of-cheating index for each country.

Se você não sabe, “to cheat” é o que o boboluno chama de “colar”. É engraçado como o boboluno bate palmas para qualquer crítica que você faça à corrupção ao mesmo tempo em que se acha no direito (que, de fato, não tem) de “colar” em provas. Fala mal do deputado que trabalha pouco, mas estuda menos ainda para uma prova. Reclama da falta de justiça e acha que tudo que lhe acontece de ruim é culpa dos outros.

Emergem daí, creio, dois tipos de sociedade. Em ambas, os incentivos funcionam. Mas há uma diferença entre elas. Em uma, a tolerância à corrupção é baixa por formação (os papais e mamães dos carinhas ensinam que é moralmente errado fazer bobagens), o que requer menos uso de incentivos coercitivos. A outra sociedade é caracterizada por menos moralidade (no sentido citado) e, portanto, para atingir o mesmo grau de desenvolvimento, necessita-se de mais incentivos coercitivos.

Exemplifico: para atingir o mesmo grau de prosperidade, em uma sociedade, você precisa de menos policiais armados nas ruas do que na segunda sociedade.

Em outras palavras, você pode obter o mesmo equilíbrio, em ambas os incentivos importam, mas o impacto dos mesmos é diferente por uma variável exógena.

Se você queria morar lá, mas está na selva, tem duas opções: ou tenta mudar a selva, ou foge.

A perda de bem-estar é sempre maior em uma das sociedades. O interessante é ver como muita gente acha ótimo e faz o jogo hipócrita para viver (ou para agradar em busca, obviamente, de favores).

Sempre que olho à minha volta, lembro-me disto.

Claudio

Um comentário em “Moral e cívica

  1. Uma sobrinha americana me disse, certa vez, que em seu país a cola é raríssima, ainda que a fiscalização, por parte dos professores, seja quase inexistente. A explicação, segundo ela, é muito simples: como lá nos EUA prevalece o sistema de mérito, onde as vagas nas melhores universidades, assim como os melhores empregos, dependem quase exclusivamente do desempenho (histórico) escolar de cada um, os estudantes sabem que, se derem cola ao colega ao lado hoje, estarão colocando em risco as melhores oportunidades no futuro, já que o colega de hoje poderá ser o competidor de amanhã.

    Como você mesmo costuma dizer: “tudo é uma questão de incentivos”.

    Um abraço

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