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POF, POF, amiguinho

Ontem eu passei o dia todo com o Betão planejando um bom estudo dos dados da POF. Hoje foi o Ari que me deu um auxílio impagável no Stata.

Há tempos não me sentia tão bem comigo mesmo.

Agora, o povo do IBGE podia organizar melhor os documentos. Há uma riqueza de dados lá, mas as explicações, em muitos dos documentos, nem sempre casam com os questionários. Nada que um sujeito medianamente inteligente não perceba após uma tarde examinando os dados (note bem, amiguinho preguiçoso: 1/365 tardes é um número notavelmente pequeno).

Bacana esta tal de POF. Comprei do meu bolso, não foi tão cara, e me parece uma excelente fonte de dados.

Claudio

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A (falta) de educação dos adolescentes?

Pedro Sette tem uma tese sobre a educação e os adolescentes. Em resumo:

…quero dizer que acredito que a maior parte dos jovens que não estejam passando fome preferirão um ideal de excelência moral a possibilidades financeiras, e que isso é amplamente demonstrado pelo sucesso que idéias revolucionárias têm entre eles.

Não sei se compro a idéia de que o jovem bem de vida (o extremo oposto ao caso que ele analisa) não prefere um ideal de excelência moral às possibilidades financeiras. Talvez ele esteja certo na observação empírica (nunca, mas nunca mesmo, vi um jovem bem de vida adolescente usando, sei lá, uma camisa com uma estampa do Hayek, por exemplo), mas será que o mecanismo de compensação mental é este?

Se for assim, em média, ricos estão se lixando para valores morais, o que pode não ser verdade em qualquer lugar.

Bom, ele não tinha pretensão de fazer uma tese, mas só para ter o prazer de refletir com alguém que faz intervenções inteligentes na rede há quase dez anos.

Claudio

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A indefinição dos direitos de propriedade e sua vida

Quem é o responsável pela crise?

Anac se isenta de culpa em crise e mostra confiança na FAB

São os controladores? O radar? A FAB? O governo LLUULLAA? O ministro? Não sei. Mas a ANAC já disse que não tem nada, absolutamente, a ver com isto.

Direitos de propriedade indefinidos ou direitos de propriedade definidos mas escamoteados? Eis a questão.

Claudio

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Mercados para água

Rising urban and environmental demand for water has created growing pressure to re-allocate water from traditional agricultural uses. The evolution of water markets has been more complicated than those for other resources. In this paper, we first explain these differences by examining water rights and regulatory issues. Second, we place our research in the context of the economics literature on water marketing. Third, we present new, comprehensive data on prices and the extent, nature, and timing of water transfers across 12 western states from 1987-2005. We find that prices are higher for agriculture-to-urban trades versus within-agriculture trades, in part, reflecting the differences in marginal values between the two uses. Prices for urban use are also growing relative to agricultural use. Markets are responding in that the number of agriculture-to-urban transactions is rising, whereas the number of agriculture-to-agriculture transfers is not. Further, there is a shift from using short-term leases to using multi-year leases of water and permanent sales of water rights. This pattern underscores the need to consider the amounts of water obligated over time, rather than examining only annual flows in assessing the quantities of water traded as is the common practice in the literature. Considering water obligated over time, termed committed water, we find significantly more is transferred and the direction of trading is different than if the focus is on annual flows. Finally, the data reveal considerable variation in water trading across the states.

Clique no resumo acima para saber mais.

Claudio

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Moral e cívica

Magnus et al, em um artigo não tão recente, diziam:

Cheating is a serious problem in many countries. The cheater gets higher marks than deserved, thus reducing the efficiency of a country’s educational system. In this study, the authors did not ask if and how often the student had cheated, but rather what the student’s opinion was about a cheating situation. They investigated whether attitudes differ among students in Russia, the Netherlands,
Israel, and the United States and conclude that attitudes toward cheating differ considerably between these countries. They offer various explanations of this phenomenon. In addition, they find that the student’s attitude toward cheating depends on the student’s educational level (high school, undergraduate, postgraduate). Finally, they show that the data from the sample can be aggregated in a natural and elegant way, and they suggest a tolerance-of-cheating index for each country.

Se você não sabe, “to cheat” é o que o boboluno chama de “colar”. É engraçado como o boboluno bate palmas para qualquer crítica que você faça à corrupção ao mesmo tempo em que se acha no direito (que, de fato, não tem) de “colar” em provas. Fala mal do deputado que trabalha pouco, mas estuda menos ainda para uma prova. Reclama da falta de justiça e acha que tudo que lhe acontece de ruim é culpa dos outros.

Emergem daí, creio, dois tipos de sociedade. Em ambas, os incentivos funcionam. Mas há uma diferença entre elas. Em uma, a tolerância à corrupção é baixa por formação (os papais e mamães dos carinhas ensinam que é moralmente errado fazer bobagens), o que requer menos uso de incentivos coercitivos. A outra sociedade é caracterizada por menos moralidade (no sentido citado) e, portanto, para atingir o mesmo grau de desenvolvimento, necessita-se de mais incentivos coercitivos.

Exemplifico: para atingir o mesmo grau de prosperidade, em uma sociedade, você precisa de menos policiais armados nas ruas do que na segunda sociedade.

Em outras palavras, você pode obter o mesmo equilíbrio, em ambas os incentivos importam, mas o impacto dos mesmos é diferente por uma variável exógena.

Se você queria morar lá, mas está na selva, tem duas opções: ou tenta mudar a selva, ou foge.

A perda de bem-estar é sempre maior em uma das sociedades. O interessante é ver como muita gente acha ótimo e faz o jogo hipócrita para viver (ou para agradar em busca, obviamente, de favores).

Sempre que olho à minha volta, lembro-me disto.

Claudio

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Duas perguntas

‘Modelo do BC não reflete a realidade’

1. Como se aprende em Filosofia da Ciência, um modelo nunca reflete mesmo a realidade.

2. Além disso, quem disse que o seu modelo é melhor que o dele?

Duas perguntas a se fazer. A primeira, só para ver se o sujeito não assistiu todas as aulas. A segunda, claro, faz todo o sentido. Senão fica fácil falar mal dos outros.

Claro, pode ser que a frase tenha sido mal construída, mas a piada é irresistível.

Claudio

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