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Corrupção

Ontem e hoje, com dois colegas e uma turma, acabei por discutir a tal corrupção. Há algo que me incomoda no tema: eu não consigo explicá-lo (o que me deixa feliz é que os (s)ociólogos e amigos não estão na frente…).

E o tema é muito, mas muito importante. Bem, eis uma tentativa de botar mais cimento entre os tijolos da explicação.

Claudio

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Você gosta mesmo de sua esposa (seu marido)?

Eis o resumo do texto de García, Molina e Navarro.

This paper models interdependences between spouses. To that end, it estimates income satisfaction in a collective family model framework using a sample of seven EU countries. The IV Hausman-Taylor estimator has been selected in the majority of countries, and it appears that those of Southern Europe (Greece, Portugal and Spain) are the only countries where both husbands’ and wives’ income satisfaction are significantly and positively affected by their spouses’ wages and non-wage incomes, thus indicating a particular way of life characterized by mutual cooperation and income sharing between spouses.

Às vezes, uma base de dados original e uma mente criativa aliada à disciplina do método científico são mais importantes do que mil “networkings”.

Claudio

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O que é um juiz?

Pense no significado original da profissão de juiz. Pelo menos, é como os próprios juízes gostam de se dizerem: pessoas estudadas e imparciais, acima das partes em disputa. Gente com conhecimento e discernimento.

Ok, há juízes e juízes. Quando você lê (mais) uma notícia como esta, você se pergunta: juízes se importam com a lei para si tanto quanto se preocupam com a lei para outrem?

A OAB nacional e a seccional fluminense levaram ao Conselho Nacional de Justiça pedido de providências para que seja investigado o último concurso para magistratura no Rio de Janeiro, aplicado pelo Tribunal de Justiça fluminense. A Ordem alega que houve fraudes nas provas.

O pedido foi apresentado com base em suspeitas de vazamento de gabaritos da prova, da qual participaram 1,8 mil candidatos. Para o presidente da OAB-RJ, Wadih Damous, se for comprovada, a fraude é bastante grave, já que o Judiciário é justamente o órgão que julga os atos ilícitos em todos os exames.

A OAB cita como exemplo de ilegalidade o teste feito pela candidata Denise Pieri Nunes que, ao responder a uma questão da prova, teria reproduzido integralmente o gabarito elaborado pela banca examinadora do concurso. Também foram apontadas suspeitas de beneficiamento de parentes de juízes do TJ. Dos 24 aprovados para o cargo, pelo menos sete possuem parentesco com atuais desembargadores do tribunal, segundo a OAB.

Triste isto.

Claudio

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Depois de destruir a hierarquia na Aeronáutica

“Dividir para conquistar”, é o lema.

Veja:

Vamos dar dinheiro para o rearmamento e vamos construir Angra 3.

Que coincidência incrível este “timing”, não?

De qualquer forma, mexer com hierarquia de instituições é sempre um problema. Como disse um jurista (coloquei o trecho do artigo ontem, eu acho), o presidente é o comandante supremo das Forças Armadas. Se há precedente para quebras de hierarquia, um golpe seria legítimo, certo?

Ninguém disse que haverá um golpe. Longe disto. Está-se dizendo o óbvio: o ato que se pretende legal pode, um dia, voltar a legalidade contra o agente.

Claudio

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A economia política do mercado de carbono

The 1990 legislation differed from what economists might have wanted in two respects. First, there was no attempt at a cost-benefit analysis to determine the optimum level of reduction of sulphur dioxide emissions – and in a sense fortunately so. Cost-benefit analyses of contentious issues tend simply to become mired in controversy, because they often pivot on factors that can be only estimated, not measured. (In analyses of global climate change, for example, the dominant factor is typically the choice of ‘discount rate’, which determines how future costs and benefits are translated into present-day values. There has already been fierce technical dispute over the Stern Review’s choice of a low discount rate, and thus high present-day values.) A ten-million-ton reduction in sulphur dioxide emissions was roughly consistent with the science of acid rain, and it was also a memorable round number which the economists involved simply accepted.

Second, when economists such as Dales proposed emissions trading they assumed that governments would sell allowances. Instead, nearly all the sulphur allowances were given away free of charge to the utility companies that operated power stations, in amounts roughly (but, as discussed below, not exactly) proportional to the calorific value of the fuel they burned in the baseline years 1985-87. Any economist can readily tell you why ‘grandfathering’ – as this is called – isn’t always the optimum way of proceeding. It entrenches incumbents, because of the cost advantage they enjoy over newcomers who have to pay for their allowances. Indeed, if an industry can see ‘grandfathering’ coming, there’s an incentive to increase a polluting activity in order to achieve a larger allocation. In respect to carbon, there are suspicions that new coal-fired power stations are currently being built in the US in part for this very reason.

Claudio (via Bayesian Heresy)

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O modo bolivariano de vida é tão bom…

North Korean diplomats stationed overseas are reportedly refusing an order to send their children home, according to South Korean media.

…que nenhum dos meus alunos se manifestou favoravelmente a um estágio de férias na Venezuela, na Bolívia, em Cuba ou mesmo na Coréia do Norte.

Já alguns conhecidos professores falam maravilhas destes “paraísos”, mas não largam mão de seu passaporte brasileiro.

Esta dos diplomatas me lembra o famoso “voting-with-the-feet” (levante seu traseiro gordo e procure no Google, pal :))…

Claudio

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Por que ninguém processa o causador dos distúrbios?

O Procon de São Paulo está diante de um impasse. Desde novembro, data do primeiro apagão aéreo, o órgão registrou 100 reclamações de consumidores insatisfeitos com grandes companhias aéreas, como TAM e Varig.

Os passageiros procuraram o órgão na esperança de conseguirem um acordo de indenização, que até agora não saiu. “É uma ironia, mas hoje essas mesmas empresas estão tentando um acordo com o governo para serem ressarcidas dos prejuízos da greve dos controladores de vôo”, diz Roberto Pfeiffer, diretor da Fundação Procon.

Em algum momento, os prejudicados pela greve dos controladores e pela (in)eficiência da ANAC/Ministério da Defesa terão que perceber que estão sendo bem parciais nas ações: falta o principal causador dos distúrbios. Tanto é assim, que as empresas já estão, como diz a própria notícia, fazendo o óbvio: pressionando o principal causador para se ressarcir.

Deve haver um fundamento legal para isto (algo do tipo: “ah, mas segundo o parágrafo XX da lei YY, você deve processar o setor privado, neste caso porque….”) e leis podem ser bem estranhas. Eu sempre me lembro dos tribunais nazistas e de sua “justiça”, aprovada pelo governo eleito pelo povo alemão em 1933. Funcionou, mas não era socialmente eficiente pois o governo, naquele caso, já nasceu chutando o balde de boa parte de seus eleitores.

Todos os governos fazem isto, em maior ou menor grau. O negócio é nascer em um país do segundo tipo ou aguentar e tentar mudar marginalmente o inferno, no primeiro caso.

Claudio

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Mais notícias estranhas

Morales admitiu em fevereiro que já existia então um “profundo debate” entre os advogados do governo para analisar como nacionalizar a telefônica, adquirida parcialmente em 1996 pela italiana Stet, que depois vendeu sua participação a Telecom.

Além disso, no relatório que entregou ao Congresso ao completar seu primeiro ano na Presidência, Morales antecipou que em 2007 nacionalizará as companhias mistas nas quais ficar comprovado que houve corrupção ou descumprimento de investimentos prometidos.

1. Se fosse uma empresa brasileira, ele colocaria o exército em suas dependências. Para uma italiana, não?

2. Vem cá, no caso do gás ele tinha uma desculpa – estranha, mas tudo bem – de que era um recurso natural, que os índios isso e aquilo. Mas…uma empresa telefônica?

3. “Profundo debate” entre “advogados do governo”? Isto é o que eu chamo de “debate profundo com a sociedade”, no caso, com a OABB (Organização dos Advogados Bolivarianos da Bolívia).

Ainda bem que eu moro no Chile. Opa, eu não moro no Chile!

Claudio

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Notícias estranhas

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou nesta noite, em uma reunião com os ministros Waldir Pires, da Defesa, e Dilma Rousseff, da Casa Civil, e com o comandante da Aeronáutica, Junito Saito, a adoção de medidas para garantir o retorno a plena normalidade das operações de tráfego aéreo brasileiro.

Lula designou o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, para continuar as negociações com os controladores de vôo, informou a assessoria de imprensa do Planalto. Nesta terça-feira, 3, Paulo Bernardo receberá os controladores de vôo para tratar da edição de uma medida provisória retirando a função da carreira militar. Este foi um dos pontos negociados pelo próprio Paulo Bernardo com os controladores de vôo no auge da crise, na última sexta-feira.

O presidente e os ministros fizeram um balanço da situação nos aeroportos. “O Brasil não pode ficar refém de movimentos irresponsáveis como este”, disse Lula, referindo-se à paralisação dos controladores de vôo, segundo informações da assessoria do presidente.

Acho que perdi algo. Se juntarmos os trechos nos quais apliquei uma “negritadazinha”, então eu concluo que irresponsáveis têm mais direito a negociações do que os responsáveis. É o famoso perdão das dívidas para quem não paga enquanto os outros são cobrados pontualmente.

Qualquer aluno iniciante em Teoria dos Jogos sabe qual o resultado disto. Mas, claro, tem que ser um bom estudante e eu não sei se há muitos na cúpula do governo que entendam bem as conseqüências de suas estratégias neste jogo na qual o tempo da população é bem pouco considerado.

Claudio

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Sabedoria e lógica elementar

Ainda do Cláudio Humberto:

Jurista condena Lula por quebra de disciplina

A decisão do presidente Lula [desautorizando o comandante da Aeronáutica a punir os controladores de vôo amotinados] foi um atentado contra as Forças Armadas brasileiras”. A afirmação foi feita hoje pelo presidente da Academia Brasileira de Direito Constitucional, Flávio Pansieri. Segundo ele, “a hierarquia é uma instituição relevante dentro das Forças Armadas e não pode ser disposta como foi, sob pena de desnaturação do sistema”. Para Pansieri, o presidente Lula deve lembrar que ele é o comandante-em-chefe das Forças Armadas e o sistema militar precisa preservar o comando e isto tem extrema importância para a manutenção da soberania nacional. “Quem sabe no futuro os comandados possam imaginar que não devem mais respeito também ao Presidente da República, que é o seu chefe supremo”, concluiu Flavio Pansieri.

Negrito por minha conta.

Claudio

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Jornalistas de bom e mau humor

Cláudio Humberto:

Mais uma vez, Lula se diz ‘traído’
O presidente Lula é o mais forte candidato ao troféu Tiradentes de 2007. Em pronunciamento em rede de rádio e TV, nesta terça-feira, mais uma vez ele dirá que foi “traído” pelos controladores,. Como foi traído pelos “aloprados”, traído pelos “mensaleiros”… Urge encontrar o “Ricardão”.

Guilherme Fiúza:

Sofá novo

Depois de assanhar os militares com sua melhor causa incendiária desde a grande noite do regime de 64, o governo Lula continua dando show na crise do apagão aéreo.

Desautorizou a cadeia de comando, baixou a cabeça aos amotinados, instituiu a bagunça definitiva no setor e agora parte para o grand finale, que é também sua grande especialidade: criar mais um órgão na administração pública.

O governo que ficará conhecido como o primeiro a ter um ministro da pesca – provavelmente para dar emprego aos robalos – agora terá um novo órgão para controlar a aviação civil. É fantástico. Na completa ausência de noção administrativa, cria-se mais um puxadinho na máquina pública e tudo ficará bem.

Pena que dessa vez não se possa lançar o nome de Marta Suplicy para o novo posto de comando, porque ela já está empregada. De qualquer forma, o PT e o PMDB podem ir começando a preparar suas listas. A festa do grande cabide de Lula não tem fim.

Já era tempo mesmo de tirar esse sofá da sala da Aeronáutica. O ministro da Defesa, Waldir Pires, tem demonstrado fartamente a vocação civil para o controle aéreo. Vai ser interessante acompanhar as trapalhadas recomeçarem do zero sobre o sofá novo. De tédio não se morre.

Pensando bem, estão ambos de bom humor.

Claudio

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