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Esnobar

Não gosto de me gabar, mas neste mundo de calúnias e difamações, não posso depender só dos elogios da mamãe ou da vovó, certo? Ao contrário de 103% dos meus alunos, não tenho posses para me manter com uma vida de classe média alta. Além disso, a Juliana Paes ainda não se convenceu do meu potencial como seu parceiro, o que limita minha vida à de um mortal comum, bem longe do Olimpo.

Diferentemente desta vida, eu me canso um bocado e, vou te dizer, nem sempre sou reconhecido. Já troquei umas palavras com a Sulamita (agora sem blog) sobre isto e ela sempre me alfineta com as mensagens amistosas e saudosas que recebe de seus ex-alunos.

É rapaz, moti é mole, mas não parte fácil na boca não (piada apenas para quem já comeu moti na comemoração do Ganjitsu ou seja, na passagem do ano).

Mas de moti em moti eu continuo a puxar papo. Tanto que fui convidado a trabalhar mais – de graça – colaborando com o Renato Drumond em um blog coletivo (não sei se ele desistiu da idéia, mas…) e também no Blogs Coligados.

Ah sim, Drumond é liberal (e eu também) e o pessoal dos Blogs Coligados é um misto de liberais com os conservadores (católicos?). Eu não sou conservador e, após anos de igreja católica brasileira, como bem me esclareceu o Pedro Sette, eu optei por me excomungar (que Deus tenha piedade de certos padrecos).

Então, veja, minha vida não mudou em riqueza financeira. Meu tempo de trabalho é fixo e eu não conseguirei jamais cumprir as expectativas dos dois que me convidaram. Só espero não decepcioná-los tanto. Colaborarei, sim, na medida do possível.

Agora, após anos de brasileiros mal-educados nos grupos de discussão, eu confesso: perdi o gosto por discutir com anônimos mal-educados. Então eu restrinjo minhas eventuais réplicas aos comentários (nem todos, eu sei) deste blog. Ou dos que me comentam lá no Instituto Millenium.

Eu sei o que você está pensando: “pô, o cara vai escrever mais e está esnobando”? Pois é. Mas é que eu fui convidado, cara. Com tanta gente querendo me ver morto ou fora deste país (eu também quero me ver fora deste país: envie-me o dinheiro, por favor), eu fui convidado para alguma coisa. E não é qualquer coisa. É algo muito bacana.

É isto.

Claudio

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A justiça para quem precisa….cadê?

Na selva não há bandidagem pois o Ministério Público Federal parece nao ter o que fazer. O Ministério Público Federal acusa Diogo Mainardi do seguinte crime: preconceito contra os nordestinos. Segundo Mainardi o Ministério Público Federal “quer tomar de mim 200.000 reais. E mais 200.000 reais de cada um dos meus empregadores. Meu crime foi ter escrito numa coluna de VEJA:

José Eduardo Dutra fez carreira como sindicalista da CUT e senador do PT pelo estado de Sergipe. Não sei o que é pior”.

Uma dúvida, se alguém diz [ou constata o fato]: “A América Latina é uma merda, ou, a África é uma merda ao quadrado, ou o Timor Leste é uma merda elevada ao cubo”, o Ministério Público Federal vai processar o indivíduo por preconceito contra os latino-americanos, africanos ou timorenses do leste?

Não precisa ser economista para enxergar o óbvio. Mas, no caso, Selva o é.

A Justiça não curte palavras. Palavras ofendem. Deve ser um delito mais grave do que um mensalão na conta bancária.

Engraçado como a hipocrisia destrói os valores das pessoas no longo prazo. Talvez seja mesmo certo dizer que a selva sempre será selvagem. É como disse o Pedro S. Câmara outro dia (de forma elegante, não como a reproduzo, de memoria): “não é sair do Brasil, mané. É o Brasil sair de você”. Isto sim, é difícil.

Claudio

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CNBB, o preservativo e a Bolsa-Família

“Eu venho do Nordeste e vejo que as pessoas que recebem o Bolsa-Família não querem mais trabalhar e se contentam com o mínimo”, afirmou Pagotto.

Até muito pouco tempo, se um economista falasse isto, seria acusado de ser parte de uma tal “direita anaeróbica”, ou da “burguesia sem coração” (sim, eles existem, mas certos blogueiros os igualam aos que não compartilham de suas visões, no saco dos “outros”). Agora, quem afirma isto é um padre da CNBB, ou seja, um legítimo representante da, retribuo o sempre gentil tratamento descuidado alheio, esquerda brasileira.

Problema? Incentivos. Ninguém quer jogar os pobres na vala comum. Mas ninguém quer que o dinheiro recolhido dos impostos seja usado de maneira ineficiente. Tem gente que nunca entendeu economia e acha que gasto público eficiente é sinônimo de “malvadeza”. Malvadeza é gastar mal o dinheiro dos outros.

Agora que até a CNBB – bastião dos defensores da esquerda (exceto no que diz respeito ao aborto e à camisinha) – reclamou, talvez alguém comece a pensar sobre o assunto. Ou então adotarão soluções idiotas, mas bombásticas.

Vejamos.

Claudio

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(Des)controladores do Sem-Dacta 1

O clima é de apreensão entre os controladores de vôo do Aeroporto Internacional de Salvador, depois que um controlador teve a prisão administrativa decretada no sábado, acusado de transgredir o código disciplinar militar. Outros fatores colaboram com a crise, como o afastamento de outro controlador, que é membro da associação dos profissionais da área, o ambiente de trabalho hostil e a falta de qualificação de alguns dos trabalhadores do setor. “Os passageiros estão correndo riscos”, disse o controlador afastado, que não quis se identificar. “O clima está muito tenso.”

O clima está tenso mesmo. Tão tenso que você não vê uma única foto de um controlador nos jornais. Nem foto de funcionário da ANAC nos aeroportos, ouvindo reclamações, você vê. É, o clima está muito tenso.

Claudio

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Debates?

Em quase todos os países, sobretudo nos de forte tradição intelectual, são comuns os debates de idéias, seja em eventos acadêmicos, como seminários e colóquios temáticos, seja nas páginas de publicações especializadas, como as revistas de cunho científico, seja ainda por meio da grande imprensa. É nessas disputas, querelas, controvérsias ou polêmicas que o público, tanto o perito quanto o leigo, fica informado do conteúdo das idéias em debate bem como sobre a posição dos respectivos contendores ou participantes do exercício.

No Brasil, esse tipo de atividade intelectual parece ser raro, senão inexistente. Não me consta que as revistas acadêmicas mantenham seções de “disputas intelectuais” ou de confrontação de opiniões divergentes. Apenas um dos jornais diários, da capital paulista, mantém uma seção regular de “debate e opinião”, mas ele o faz de uma forma desnecessariamente maniqueista. O objetivo é sempre o de responder a uma determinada questão, colocada pelo próprio jornal, que então procura algum político ou acadêmico que responda pelo “sim” e um outro pelo “não”. Parece claro, entretanto, que o amplo leque de aspectos envolvidos em determinados problemas, geralmente complexos, nem sempre permite responder de modo afirmativo, positiva ou negativamente, à pergunta colocada.

O método é discutível porque o único objetivo é confrontar duas posições, organizadas de forma dicotômica, sem que haja, depois, tentativa de síntese ou a conjugação das propostas apresentadas com vistas a solucionar o problema. Ora, em toda questão de interesse relevante, para a qual se busca uma solução equilibrada, sempre existem aspectos contraditórios que devem ser ponderados em função de um cálculo do menor custo e da maximização de resultados sociais, não em função de uma separação estrita, tipo contra ou a favor, de “soluções” alternativas.

Claudio

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Monopólio estatal cresce, não sem irregularidades

Eu não sei o que você acha disto:

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e o Ministério Público Federal conseguiram bloquear quase R$ 4 milhões envolvidos na transação de venda da Ipiranga aos grupos Brasken, Ultra e Petrobrás – anunciada na segunda-feira. A 1.ª Vara Federal do Rio de Janeiro concedeu uma liminar, no final da noite desta terça-feira, 22, colocando um freio na transação por conta de indícios de que houve informações privilegiadas no processo de venda da empresa. Os nomes dos envolvidos estão sob sigilo de justiça. É a primeira vez no Brasil , que uma liminar bloqueia ações adquiridas com indícios de informações privilegiadas. A CVM tem 90 dias para concluir a investigação. A informação foi confirmada pelo presidente da CVM, Marcelo Trindade.

Mas é a sociedade rent-seeking em ação. Ao leitor mais novo, uma dica sobre o que é rent-seeking.

Claudio

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“Não, não é assim, economista, isto é um valor histórico”

Já ouvi frases como estas muitas vezes. Gente que justifica a exploração alheia com algum fato histórico neandertal que, sabe-se lá porque, é pinçado, floreado e nos é apresentado como um argumento “histórico”. Como se o argumento “histórico” fosse mais “poderoso” que o argumento “econômico”, “filosófico” ou, quiçá, “místico”.

Ok, vamos jogar sob as regras deles. Então, como mostra Rasmusen, devemos ser menos radicais na defesa do monopólio da coerção pelo estado.

Aposto que o próximo será o argumento “específico”. Funciona assim: você não sabe explicar o problema, não quer aceitar uma explicação superior, e apela para o famoso “aqui é diferente, não funciona como no resto do universo”.

A academia já teve uma relação menos problemática entre imbecis e pesquisadores. Hoje, dependendo de onde você está, é um problema argumentar sobre qualquer assunto.

Claudio

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Caos aéreo: uma proposta modesta

Aqui. Como a CPI foi barrada, creio que a sugestão ganha força. Ah, e a proposta pode ser aperfeiçoada.

Compare com a versão original abaixo. Qualquer diferença não foi por mim autorizada.

Caos aéreo: uma proposta modesta

Há algo de interessante em ficar no aeroporto por muito tempo. Você pode observar quem compõe a tal “elite” dos aeroportos. Temos desde políticos de esquerda, líderes sindicais, estudantes, artistas, o padeiro da esquina até seu vizinho médico. Parece-me uma “elite” bem abrangente, não? Todos sofrem com o atraso dos vôos que, desde o acidente do Legacy-Gol, tornou-se subitamente freqüente no Brasil.

Alguns afirmam que há uma “operação padrão” e uma comissão foi criada para verificar o fato, embora tenha sido declarado que o objetivo não seria o de procurar culpados (o que deixa qualquer um perplexo sobre os objetivos de se gastar dinheiro público com investigações). Outros dizem que tudo melhoraria se o controle aéreo mudar de militar para o civil, mas não explicam como isto resolveria o problema do tal “radar” ou do “cindacta-1”. Seria um homem sem uniforme melhor para operar um radar do que um militar? Até onde sabemos, a vestimenta não influi no grau de (in)competência de quem faz o serviço.

Em meio ao tumulto do aeroporto, há invariavelmente dois tipos de opiniões: uns acham que a culpa é da companhia e, outros, que a culpa é do governo. É difícil cobrar das companhias uma perfeição de procedimentos se não possuem informações dos tais controladores. Por outro lado, falhas de administração que se observam são, no mínimo, motivos para levar os funcionários de volta às aulas de pesquisa operacional. De quem é a culpa? Aparentemente, o que se sabe é que a mesma não é dos consumidores. O que fazer?

Aí vai uma sugestão simples: incentivos econômicos. Crie-se uma multa, na forma de devolução de parte do valor da passagem. Não é uma idéia nova, mas talvez o que não tenha sido pensado é sobre quem deve arcar com o ônus da multa. Em minha proposta modesta, o valor do ressarcimento seria dividido entre a ANAC e a companhia aérea. Seria uma média ponderada na qual os pesos seriam definidos pela responsabilidade de cada um. Como medir isto? Há várias formas. Uma opção seria fazer uma pesquisa com os passageiros de cada vôo nos quais haveria uma cédula simples: a culpa é: a) da ANAC, b) da companhia. Votos em branco contariam contra ambos. Um acordo com as companhias de telefonia celular tornaria esta votação barata e de apuração imediata (um placar no aeroporto tornaria pública a divisão do valor da multa, sem necessidade da possível corrupção de se criar outro órgão para fiscalizar a pesquisa…).

Como seriam pagas as contas? No caso da companhia, obviamente, os recursos sairiam da empresa em forma de retorno monetário para os passageiros: um DOC é muito fácil de ser feito hoje. No caso da ANAC, os recursos sairiam de seu orçamento (ou, para facilitar a vida dos burocratas, poderiam ser abatimentos no imposto de renda das pessoas, obviamente com a mesma correção aplicada às parcelas devidas do imposto). Em outras palavras, ambos seriam punidos pelo custo que impõem aos consumidores que compram suas passagens e não descumprem o contrato pagando-as e chegando no aeroporto no horário.

Justiça social é isto: cada um arca com os custos de suas ações e é recompensando por elas. No caso de falhas, a recompensa é negativa. Nada mais justo.

Claudio
p.s. acabo de ler, via Alex, que um controlador foi preso (a CPI não vingou e então, como no ditado, “perde-se os anéis para não se perder os dedos”…)
p.s.2. A próxima discussão que acho interessante é: faz diferença o controle civil do militar? Quais os custos e quais os benefícios da troca? E, afinal, se a culpa é do radar, como a troca melhoraria algo? Adicionalmente: se o salário for o mesmo, fará diferença? Incentivos? Etc?

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