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Afinidades não-eletivas

Lembro-me de meu orientador de graduação até hoje. Trabalhei com ele porque era um cara ocupado, que não tinha tempo, e que sempre me ajudava nas horas críticas. Foi também um dos que me incentivaram a fazer mestrado fora do estado.

No mestrado e no doutorado, o orientador foi outro (e com um ótimo co-orientador no doutorado). Mesma coisa: sujeito sempre ocupado, sempre esperando pelo que eu iria entregar. A falta de tempo, neste caso, pode ser algo irritante.

Mas uma coisa em comum eu tive com todos eles, por sorte ou não: afinidades em alguns temas. Se você não tem afinidade com uma pessoa que vai te orientar, porque continuar? Claro, há alguns que pagam o preço porque querem “o orientador”. Algo como: “odeio fulano, mas ele pode me abrir portas”. Não é um relacionamento sincero, é falso e, como todo relacionamento falso, há um risco de você ser descoberto. Alguns correm o risco.

Se não há afinidade, a vida fica bem difícil. A escassez de orientadores é sempre uma desculpa, mas é muito fácil chorar sobre o leite derramado. A competência, neste caso, consiste em não derramar o leite antes, sabendo que ele pode se espalhar pelo chão (você, por assim dizer, antecipa os resultados possíveis).

A afinidade vai além da questão intelectual. Tem gente que, por excesso de egocentrismo, acredita que correções do material entregue são fruto de alguma “perseguição” por parte do professor. Em Economia isto é menos freqüente porque o (bom) aluno aprende rápido a analisar a realidade de forma positiva, não normativa.

Orientar significa indicar o roteiro para que o orientando caminhe, com ou sem pedras e outros obstáculos. Quem tira o tesouro da caverna é o Indiana Jones, não o cara que lhe deu o mapa, certo? Pois o mesmo se aplica à orientação.

É bom sempre ter em mente que o orientador e o orientando iniciam a relação sob forte assimetria informacional (exceto em cursos que têm menos alunos). O orientando deve sinalizar que é competente, ou seja, mostrar que é capaz, como diriam “Fucker & Sucker”, de “mexer este traseiro gordo e tirá-lo da cadeira”. Sem esforço, não há como orientar mais do que uma bússola.

Quem constrói o caminho é o orientando, não o orientador. Saber viver esta relação não é para qualquer um mas, sim, todo mundo aprende. Pelo menos é o que se espera de um indivíduo racional.

Claudio

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