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Artigos novos…

O problema da desconfiança recíproca

Robert D. Cooter, University of California, Berkeley
Hans-Bernd Schäfer, University of Hamburg, Germany
Luciano Benetti Timm, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul

SUGGESTED CITATION:
Robert D. Cooter, Hans-Bernd Schäfer, and Luciano Benetti Timm (2006) “O problema da desconfiança recíproca”, The Latin American and Caribbean Journal of Legal Studies: Vol. 1: No. 1, Article 8.

O artigo é bacana? Olha, tem Robert Cooter, então a chance de ser um bom artigo é alta. E note a co-autoria com um brasileiro. Ou seja, a Economia do Direito anda rompendo barreiras…

Claudio

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Pegar no pé de carioca

Ubiratan Iorio é um economista carioca. Como tal, é um bom contador de piadas. Pessoalmente é um excelente papo (apesar de ser economista) e, atualmente, publica artigos no JB, acho que semanalmente.

Ubiratan não é só isso. Atualmente ele é um economista austríaco. Não, ele não renunciou à sua descendência italiana e nem fala alemão. Ele é adepto de uma corrente heterodoxa (pouco explorada no Brasil, mas cada vez mais presente na academia selvagem) que pode ser compreendida, por exemplo, se você tem acesso à página da SDAE.

Há tempos não falo com o Ubiratan, mas, hoje, encontrei um artigo dele na biblioteca. Chama-se “Cheques sem Fundos: Uma Abordagem Teórica” (Revista Brasileira do Mercado de Capitais, v.10, n.29, pp.5-23, jan/mar 1984). O artigo tem tudo que um austríaco não gosta: (a) modelo microeconômico (neoclássico, he he he) e econometria.

Como carioca é muito bom na piada, hoje quero homenagear o Ubiratan com uma. Em resumo: eu te peguei, cara! 🙂

Claudio
p.s. vamos ver se o Ubiratan passa por aqui. 🙂
p.s.2. o artigo vale a leitura. Muito bom e provavelmente um dos primeiros artigos aplicando Becker no Brasil que devem ter sido publicados aqui. Se é citado? Bem, nossa academia é bem imperfeita…

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Análise econômica elementar de boa qualidade

No Brasil, a formação bruta de capital fixo guarda uma correlação positiva elevada com as importações. Portanto, reduzir o custo das importações significa reduzir o custo do capital, estimulando os investimentos. O benefício derivado do aumento das exportações não é a geração de elevados superávits comerciais e nas contas correntes, mas sim o aumento das importações. Há mais de 200 anos, Adam Smith demonstrou o erro da visão mercantilista, ao explicar que a riqueza das nações deriva de sua capacidade de produzir mais eficientemente e não da acumulação de reservas internacionais e de superávits comerciais. O Brasil deveria perseguir o aumento das importações, baixando seus custos, mas caminhamos na direção oposta, com a incidência do PIS e da Cofins sobre as importações. A visão míope de buscar receitas para elevar os gastos públicos elevou o custo das importações, reforçando o nosso viés “mercantilista”, em vez de contribuir para o aumento dos investimentos e da produtividade. Por outro lado, ao intervir para sustentar o real impedimos a queda mais rápida da inflação, o que conduz a taxas reais de juros mais elevadas, desestimulando investimentos e reforçando a valorização do real, quer porque atraímos mais capitais de curto prazo, quer porque impedimos o crescimento econômico e o aumento das importações.

Clique no link e leia tudo. Excelente texto.

Claudio

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Por que fazer previsões econômicas é sempre complicado?

Eis um outro motivo para ser cauteloso quanto às previsões que os jornalistas tentam arrancar de nós, os economistas. Por que outro motivo? Porque quando não insistem por um número qualquer (deve ser um fetiche), tentam obter especulações que, sim, são sempre complicadas. Volto ao passado e encontro várias destas por aí.

Claudio
p.s. a previsão mais fácil ainda é a pessimista: tudo não funciona e é uma droga…

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Reunião do “board” (“bórd”)

Em uma reunião da igreja em São Paulo, o bispo Romualdo Panceiro agrediu verbalmente o ex-pastor por não ter atingido a meta financeira. Diante de outros colegas e de sua esposa, Santos foi chamando de “burro, perturbado, vagabundo, preguiçoso, canalha, endemoniado, almofadinha, derrotado e acomodado”. Alguns dias depois, ele foi dispensado do quadro de funcionários da igreja.

Já pensou se você tivesse um chefe assim? Ponto positivo: não rolou palavrão.

Claudio

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Etanol, cartel e outras perguntas

Na Assembléia de Governadores do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), o presidente da instituição, Luis Alberto Moreno, anunciou na segunda-feira, 19, plano conjunto do banco, Brasil e Estados Unidos de criar, ainda este ano, um fundo de investimento para o financiar projetos de biocombustíveis, que sirva também para estimular o desenvolvimento do mercado de etanol. “É importante que a produção cresça, pois é a única forma de o combustível se tornar commodity.”

A notícia completa está aqui.

Eu pergunto a você: existe cartel na distribuição do álcool combustível? E o mercado de etanol? Estes empréstimos são condicionados à manutenção de algum grau de concorrência mínimo?

Ah sim, em discussões sobre a história do cartel em BH, mais uma informação: a Petrobrás comprou a Ipiranga. Em outras palavras, há mais um efeito de aumento de preços agora.

O problema fica mais interessante, não?

Claudio
p.s. claro que não estou a dizer que os empréstimos devessem ser condidicionados, mas se há uma preocupação tão grande no governo com os cartéis, eu esperaria ouvir mais deste tipo de assunto da parte dos burocratas.

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Uma média explica tudo?

A primeira pesquisa da Agência Nacional do Petróleo (ANP) depois do aumento generalizado do preço da gasolina nos postos de Belo Horizonte, mostra que 35% dos visitados na semana passada vendiam o combustível com valor idêntico: R$ 2,499. A pesquisa foi feita de domingo a sábado passado. A situação fica ainda pior quando os milésimos de real são eliminados. Considerando todos os postos que vendiam gasolina a R$ 2,49, o percentual de postos com valores iguais sobe para 56,7%, num universo de 178 estabelecimentos pesquisados pela ANP. O reajuste está sob investigação do Ministério Público, que procura provas para saber se houve combinação de preços, ou seja, se há indícios de formação de cartel.

Em apenas uma semana, os donos de postos quase dobraram sua margem de lucro sobre a venda de gasolina, conforme a pesquisa da ANP. O valor médio passou de R$ 0,187 (entre 4 e 10 deste mês) para R$ 0,352 na semana passada. Esse aumento, de R$ 0,165, não pode ser atribuído a uma alta no custo de compra do combustível nas distribuidoras, já que o próprio levantamento da agência mostra variação de apenas R$ 0,01 na nota fiscal no período. Por causa dessa recomposição de lucro, o preço médio da gasolina vendida ao consumidor de BH subiu R$ 0,173 em média, passando de R$ 2,304 para R$ 2,477.

Para ilustrar o problema, vejamos um gráfico com o que seria o preço real da gasolina:

gasolina.jpg

I. Observações teóricas

Bem, aqui temos que pensar um pouco antes de comerçamos a condenar os donos de postos de gasolina. Aprende-se em economia que preços idênticos não necessariamente caracterizam um cartel. Além disso, quem é meu aluno – e também aluno de gente melhor do que eu na cadeira de “Teoria dos Jogos” ou de “Concorrência Imperfeita” – sabe também que uma manifestação empírica do modelo de concorrência perfeita não depende da existência de “muitas” firmas. Isto é coisa de livro de Microeconomia antigo.

Também sabemos, por outro lado, que saber se existe ou não práticas de cartel entre firmas é algo que não depende apenas da observação de certa homogeneidade (média mais ou menos constante com pouca variância) nos preços. Se fosse assim, sorveterias de Belo Horizonte e donos de carrinhos de cachorro quente seriam os maiores praticantes deste jogo chamado cartel.

II. Fatores exógenos

Claro que há antecedentes importantes a serem considerados. Há algum tempo, um oficial da lei foi assassinado ao investigar – farei como a imprensa ultra-cautelosa agora – o “suposto” cartel na cidade. Só que existem dois boatos: i. ele morreu porque realmente foi assassinado pelos donos de cartéis e ii. ele morreu porque cobrou um suborno muito elevado e ameaçava aventar uma falsa hipótese de comportamento de cartel para a mídia. De qualquer forma, o fato deve ser considerado em qualquer análise econômica do setor em Belo Horizonte.

III. Como saber, empiricamente, se há cartel?

Uma outra pergunta importante é saber como extrair informações dos dados para se afirmar algo acerca do grau do poder de monopólio das firmas de um setor. O pessoal do NECTAR tem feito algum trabalho nesta direção, através do uso da Nova Economia Industrial Empírica. Uma de minhas turmas deste semestre terá uma chance – talvez única – de estudar isto neste semestre. Quase metade dos textos que apresentarão em seminários da cadeira tratam deste tema. Claro que, neste caso, quem estuda mais o texto aprende mais (e é melhor avaliado). Se você tem um professor interessado e gosta do tema, eu recomendo fortemente uma pesquisa (os últimos encontros da ANPEC têm vários artigos aplicados com esta metodologia).

IV. Conclusão: economia sem teoria não serve para nada

Não existe análise econômica decente sem teoria. Não existe teste da teoria sem dados e nem desenvolvimentos teóricos sem alterações do mundo real. Isto é óbvio, claro. A existência de uma média de preços estável pode ser ou não sinal de que há cartel. É bom que investigações como esta sejam feitas, utilizando-se o que há de melhor em termos científicos.

Muitos se admiram com programas como CSI justamente porque o uso de tecnologia acurada permite resolver crimes com menos injustiça. Da mesma forma, aqueles que investigam problemas da realidade econômica não podem fazê-lo de forma menos imprecisa se não usarem o que há de melhor em técnicas.

É como disse outro dia: “econometria é igual a sapato: você não diz que “não gosta de sapatos”. Você os usa. O mesmo vale para a econometria, o equilíbrio geral computável, a economia experimental, etc.

Claudio

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Opa

Apesar de a Aeronáutica e controladores de tráfego negarem que os atrasos estejam sendo causados por uma greve branca, a exemplo da que aconteceu no fim de 2006, a categoria voltou a pressionar o governo para retirar o controle de vôo das mãos dos militares. Amanhã, representantes dos controladores se reúnem com o ministro da Defesa para cobrar maior agilidade no processo de desmilitarização do setor, a criação de uma carreira e melhores salários.

A pergunta é: se a culpa é do Cindacta-1 ou de algum outro aparato eletro-eletrônico de mesmo nome, como a simples transferência do comando de um indivíduo racional e maximizador de uniforme para outro indivíduo racional e maximizador filiado a um sindicato específico melhoraria a situação?

Eu não entendi a lógica ou tem algo a mais para ser considerado? Bom, já vi que a Infraero é generosa, mas não com o setor. Hummm…

Claudio

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Dicionário barulhento

Eis aí a tecnologia em avanço.

Só não use o dicionário no cinema senão:

a) em um país civilizado, você será reeprendido por alguém e, com vergonha, vai deixá-lo em casa.

b) na selva, alguém faz uma lei inócua a respeito e todos jogam a culpa no governo se há descumprimento da mesma. Cria-se o caos, debates com (s)ociólogos, economistas e sambistas sobre o tema, jornalecos publicam cadernos inteiros sobre o tema e, bem, enquanto isto, alguns continuam a esvaziar os bolsos das pessoas (via carga tributária) para algum fim estrambótico.

Claudio

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