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Por que não sou um bolivariano?

Cláudio (o outro xará) fez seu auto-biográfico “Por que não sou…” aqui.

Há uma certa festa na blogosfera não-bolivariana sobre esta discussão (na outra parte da blogosfera a discussão morre antes de começar com desculpas bem esfarrapadas) de ser ou não ser.

Eu não sei o que sou – até porque não assinei, ao nascer, nenhum documento garantindo monopólio de minhas opiniões sobre o mundo. Mas eu sei o que eu não sou e porque não sou. Eu não sou simpático porque não abro mão do meu direito de dizer que algo está errado quando está errado (sim, na minha opinião).

É bom estar próximo de não-bolivarianos como o Pedro Sette Câmara (que, ao contrário deste que vos escreve, não se excomungou), os Cláudios (ambos xarás, sempre citados aqui) e todos os outros que sempre você vê por aqui, sejam eles liberais ou conservadores.

Mas não vale apelar. Apelou, perdeu.

Claudio
p.s. um dia eu escrevo sobre minha definição idiotológica, mas será no meu clássico de Auto-ajuda para empreendedores bobos: “Tire a mão da minha linguiça” (R) direitos reservados.
p.s.2. eventualmente crio um blog literário com este título e começo a escrever. Alex Castro certamente pode me dar uns bons conselhos (vou precisar porque escrevo mal e ele não).

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Ari ficará feliz, ceteris paribus

Rapid price drops have boosted sales of large-sized LCD-TVs, prompting market researcher iSuppli to increase its forecast for panel shipments this year.

iSuppli on Tuesday raised its forecast by 3% to 75.2 million LCD-TVs, which is 42.7% higher than the 52.7 million units sold last year. The research firm in the fourth quarter of last year had predicted shipments of 72.9 million units for 2007.

While the growth is impressive, it marks a slowdown compared to 2006, when shipments soared 95.8 % from 2005. Nevertheless, iSuppli expects shipments of LCD-TVs to exceed 100 million units in 2008, and reach 171.6 million unites by 2011.

Quem gosta de Microeconomia, como o Ari, vai gostar disto. Ou será que ele gostará disto porque tá doido para comprar uma destas?

Claudio

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Nada mais correto

… (não é à toa que costumo dizer que “a Educação Matemática está para a Matemática assim como a Educação Física está para a Física”).

Se o chefe do departamento de Física é formado em Educação com ênfase em Física, o que você acha que aconteceria?

Pode escolher a dimensão: a) produção científica de Física, b) alocação de professores de Física, c) trade-off entre pesquisa e ensino.

Já que o xará começou, vamos lá: palpites?

Claudio

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Na hora de se mostrar bolivariano, o latino-americano tem sangue de barata

Bush tenta tranquilizar mexicanos sobre imigração.

Ao ser obrigado a ouvir e ler tanta bobagem nos jornais, rádios e TV, alguém poderia dizer: “ora, um latino-americano (um termo ruim, eu sei, já o certo é: “brasileiro”, “argentino”, etc, tal como a diferença entre “estadunidense” e “norte-americano”…ou alguém quer ser confundido com Maradona?) só pode estar orgulhoso de suas raízes bolivarianas. Quem, filho de Mercedes Sosa e dos ditadores astecas, em sã consciência, iria querer migrar para os EUA?

Pois é, mas Bush está a tranquilizar os mexicanos porque os mesmos estão preocupados em NÃO mais poderem migrar para os EUA (não, você não está lendo nada errado: é “EUA”, não “Cuba” ou “Venezuela”).

Ou seja, os mexicanos querem ter o direito de tentar sua vida no país arqui-inimigo dos governos bolivarianos (Cuba e Venezuela) e aliados (escolha o seu e coloque-o aqui). Só pode ser culpa do neoliberalismo.

Eu morro de rir com esta blogosfera não-liberal: (quase) todos eles moram no Brasil e adoram uma viagem para Miami e, na hora de emigrar, não há um que assuma que prefere New York a Caracas.

Não é divertido?

Claudio
p.s. para não falar que me esqueci dos bolivarianos nipônicos, aí vai algo sobre eles (e, claro, estes aqui são bolivarianos mas não sabem).

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O governo e sua privacidade

Big Brother (mas não aquele)

A revista The Economist desta semana publica um alentado artigo sobre a possibilidade de cruzar dados para focar melhor políticas públicas, buscando assim uma maior eficiência delas. A revista menciona diversas experiências já existentes ao redor do mundo.

Mencionei de passagem essa possibilidade ao falar sobre fraudes no Bolsa-Família (“Gente carente”, 22.fev). Mas o artigo inglês desenvolve bem melhor o assunto. Inclusive nas questões filosóficas que ele levanta:

Dr Paul Henman, da Universidade de Queensland, que já escreveu muito sobre o assunto, levanta uma objeção de natureza mais filosófica ao uso do garimpo de dados por parte do governo: que a tecnologia comece a transformar a própria natureza dos governos, e que com isso a população seja vista como uma coleção de subpopulações com diferentes perfis de risco – baseados em fatores como educação, saúde, origem étnica, gênero e daí por diante – ao invés de ser vista como um só corpo social. Sua preocupação é que isso mine a coesão social. “Um princípio-chave em democracias liberais é que todos somos pares e iguais perante a lei”, ele diz. Mas para proponentes da tecnologia, tal segmentação é o centro da questão: políticas públicas, tal qual ofertas especiais de supermercado, são muitas vezes voltadas para grupos – e, quanto mais puderem ser focadas, melhor.

Reproduzo esta direto do Marcelo Soares. Talvez seja o único jornalista brasileiro atualmente alerta para a questão (novamente, aplausos para ele).

O militante mediano, este que acha que todos são neoliberais, exceto seus amigos que trabalham no governo, é o típico fascinado pela tecnologia dadas as possibilidades de “engenharia social”. Aquele clima de marxismo (“Marx gostava de matemática e o socialismo dele é científico, logo…”) lhe dá o conforto (supostamente) teórico para perseguir esta meta.

Quantos não torcem o nariz para gente boba como eu quando nos ouvem criticar a “engenharia social”? Um monte de gente. O pessoal mais bem situado da sociedade (os meninos ricos de nosso tempo) acham que “iPod e o resto não pode”. Acostumados, muitas vezes, a um governo que afaga seus pais empresários com propostas de indecoroso “rent-seeking”, pensam que a vida é assim mesmo e que os incentivos nunca mudarão: empreendedorismo é sinônimo de puxar o você-sabe-o-que do burocrata.

Ledo engano.

Os incentivos só não mudarão se alguém não o fizer. No Brasil, contudo, parece que o eleitor mediano se cansou e deixou nas mãos do militante mediano fazer a mudança dos incentivos. Por isto é que você tem “super-receita”, um renovado discurso bolivariano, e corrupção em um nível que não parece ceder. E tudo isto num país onde as leis são detalhadas até níveis cômicos. “Mais estatísticas, a qualquer custo”, é o que dizem (não sei porque alguém no governo teria melhor tecnologia no uso de estatísticas do que eu, mas, enfim…)

A engenharia social é perigosa e enquanto aqueles que percebem isto não resolverem fazer algo a respeito, o destino de todos estará nas mãos de gente como o militante mediano.

Isto é uma das características da selva: a falta de capacidade para discutir a engenharia social e seus perigos antes de passar uma leizinha que, pretende-se, resolve tudo.

Claudio
p.s. estatísticas são ótimas e essenciais. Mas não reconhecer o risco de seu uso para diminuir as liberdades das pessoas em sociedades com as instituições como as do Brasil (e a “elite pensante” que vê liberais embaixo da mesa o tempo todo) é um descuido perigoso.
p.s.2. eis algo interessante relacionado à privacidade. Aliás, quem tem “blog secreto” (anônimo), não nega: adora uma liberdadezinha individual…

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O bolivariano, o espelho e a cara de pau

A mais recente pesquisa de opinião pública realizada pela Fundação Perseu Abramo, ligada ao PT, trouxe aos integrantes do partido motivos de preocupação. A má notícia é que, aos olhos da população, o partido ainda vive o dilema da crise ética e terá trabalho se quiser deixar para trás as marcas dos escândalos do mensalão e do “dossiê Vedoin”.

Quando a pergunta é qual partido tem mais políticos corruptos, os resultados são ruins como há um ano: o PT aparece na dianteira, com 30% das citações. Em segundo lugar está o grupo dos que não sabem, com 21%, e em terceiro lugar os que responderam “todos”.

Em março do ano passado, 27% dos entrevistados apontaram o PT como o partido com mais corruptos. As entrevistas foram realizadas entre 24 e 27 de novembro e os resultados foram apresentados ao Diretório Nacional do partido no mês passado. A partir da próxima semana, as informações estarão disponíveis no site da fundação ( http://www.fpabramo.org.br ).

“O PT conseguiu reafirmar seu enraizamento social e o compromisso com os pobres, mas ainda há um déficit na prestação de contas à sociedade em relação às denúncias de corrupção”, avalia Gustavo Venturi, coordenador da pesquisa e diretor da Criterium, responsável pela pesquisa.

Os números mostram que o mensalão foi decisivo para manchar a imagem do partido, mas a crise do dossiê Vedoin reforçou o efeito negativo.

Reflexão – Para o ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro, as associações do PT à corrupção são transitórias e devem desaparecer nos próximos dois ou três anos. “Mas se acharmos que, porque o governo deu respostas, o PT está absolvido, será um equívoco”, ressalva. (AE)

É, a coisa tá feia para alguns.

Claudio

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