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Faça o que eu digo, não faça o que eu faço (como defender meu direito ao monopólio)

Então você lê no jornal isto:

O Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST) também criticou a expansão da indústria da cana na América Latina e a aproximação entre Brasil e Estados Unidos na produção de etanol.

Você lê isto e pensa: “Então é isto, o MST está preocupado com o meio ambiente ou com este incentivo ao uso do etanol”.

Bom, aí você descobre que pesquisadores apontam para o biocombustível como fonte de sustentabilidade de assentamentos. Você pensa: “hum, tudo bem, mas devem ser pesquisadores neoliberais”.

Curioso, você explora mais um pouco, enfrenta a dificuldade de se achar links (na política, a falta de informação é que é poder, se é que você me entende), e percebe que, na verdade, há interesses econômicos poderosos por trás deste discurso anti-etanol.

“A agricultura camponesa, em hipótese alguma, pode se transformar em propriedade de produção apenas de biodiesel. Tem que estar inserida, porque é uma fonte de renda e uma atividade que vai estar em disputa no planeta. Mas hoje, se sabe que a imensa maioria dos alimentos produzidos vem das pequenas propriedades, da agricultura familiar. Deixando de ser isso, se descaracteriza, e perde força inclusive política no enfrentamento contra o latifúndio”, explica o engenheiro agrônomo, Alexandre Borscheid. Por isso, ele alerta: “A pequena propriedade de economia familiar não tem como viabilizar sua sustentação se for no modelo de monocultura. É fundamental construir sistemas integrados que possam produzir biocombustível e alimentos”.

Eu não estranharia se um jornalista descobrisse incentivos do governo à produção de biocombustível em assentamentos do dito movimento. O movimento do Jornalistas Sem Pauta pode se divertir à vontade.

Então, na verdade, o problema não é o etanol, mas sim quem vai lucrar com isto. Esqueça o discurso dos mentirosos sobre os malefícios do etanol neste caso. O que está em jogo é uma disputa econômica para saber quem terá o maior poder de monopólio: o trio Castro-Chavez-MST ou a aliança Bush-Lula.

Claudio

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Pedagogias e modismos: um estudo de caso

The PBL approach to medical education has been widely adopted and has spawned great interest in evaluating its effectiveness. Available evidence, although methodologically flawed, offers little support for the superiority of PBL over traditional curricula. Given the current emphasis on evidence-based practice, PBL’s explosion in popularity needs to be explained. We postulate that PBL may have been successfully disseminated because it meets the criteria for diffusion of innovations rather than meeting requirements of evidence-based practice. We need to articulate undergraduate education goals in such a way that outcomes can be measured in a robust manner. Additionally, alternatives to the PBL and traditional undergraduate educational experience should be actively explored.

Nem tudo são flores, né?

Claudio

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Maioridade penal

Um forte interessado no conservadorismo (manutenção do “status quo”) é aquele que usa crianças e adolescentes como massa de manobra.

Não digo que é o único interessado (há os juristas sérios que também discordam ou não da redução da maioridade, claro) mas é bom lembrar que há mais interesses envolvidos no debate do que o inocente e belo desejo de se proteger o “ser humano”.

Claudio

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A bucha de canhão (massa de manobra) e o político em nova roupagem

Tirou a camisa e colocou o paletó. Daí em diante, tudo mudou, pelo menos no discurso, quando lhe convém.

Eis a política nua e crua. Isto é “participação política” na prática: um ensaio de hipocrisias, mentiras e de “movimentos estratégicos” (= mentir para conseguir o que quer e depois, sabe-se lá o que…). Quanto mais isto no mundo, menos mercados, menos liberdade.

É preciso entender do que se trata a política antes de falar bobagens sobre “o horror econômico”.

Ah, sim. Não se trata de acusar o adversário político e sua ideologia. Todos os animais políticos são culpados.

Claudio

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Dialogando com surdos

Este depoimento só reforça minha crença na inutilidade do “debate democrático” (ou “debates em salas de bate-papo”) como meios minimamente eficazes de se aumentar o capital intelectual das pessoas.

Fico com Robin Hanson e suas hipóteses sobre discussões e viés (ele tá sempre no blog de Oxford, aquele na coluna lateral à direita, acho que no “Overcoming bias”).

Claudio

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Manchetes

* Rice nomeia crítico da guerra do Iraque como assessor

* Iraq Rebuilding Critic Joins State Dept.

* Rice Picks Neocon Champion of Iraq War as Counselor

Jornalistas e suas manchetes estranhas.

Claudio
p.s. uma busca pelo nome de Cohen na AEI quase não retorna mais que três ou quatro artigos. Este povo anda com muito medo de certos Think Tanks (e se esquece de outros, muito mais perigosos…). Alguém sabe mais sobre Cohen?

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