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As galinhas e sua saúde

Deu na BBC:


Pesquisadores do Instituto Roslin, perto de Edimburgo, disseram que criaram cinco gerações de aves que podem produzir altos níveis das proteínas.

De acordo com o diretor do instituto, Harry Griffin, uma das vantagens desse tipo de produção seria oferecer uma alternativa mais barata aos medicamentos tradicionais.

Ok, podem ser mais baratos, certo? Em termos.

“As galinhas podem produzir em grandes quantidades, de forma barata e, na realidade, o único material necessário para esse sistema de produção é ração para aves”, disse Griffin.

Os cientistas estão trabalhando no projeto há sete anos, mas podem ser necessários outros cinco até que as proteínas possam ser testadas em humanos e dez anos até o desenvolvimento de uma versão comercial do remédio.

Até lá, não é possível saber se as proteínas, desenvolvidas nas claras dos ovos, vão funcionar na prática.

Bem, em Organização Industrial os (quase-)economistas aprendem algo chamado “a data esperada da descoberta” (dados os investimentos em inovação). Supondo que os ovos citados sejam parte do investimento na descoberta do tal remédio temos que, no caso em que haja apenas uma firma investindo nesta inovação (*):

ET(1) = 1/a, a = probabilidade de que a descoberta ocorra em uma determinada data.

Se a = 1/2, ET(1) = 2 (ou seja, ocorre no 2o período. Se você mede anualmente, trata-se do segundo ano).

Com duas firmas, a fórmula fica:

ET(2) = 1/[a(2-a)]

É fácil ver que ET(2) < ET(1).

É sempre bom – do ponto-de-vista do bem-estar social – ter mais de uma firma investindo em inovação? Bem, depende. Não existe uma resposta única, mas sim várias respostas dependendo dos parâmetros do modelo. A dica é: “corrida pela inovação” ou, em inglês, “innovation race”. Procure por estes termos que você descobrirá mais coisas interessantes sobre o tema.

Afinal, este é o modelo mais simples, com tempo discreto e outras simplificações adequadas ao entendimento do aluno de graduação, mas não tão razoáveis na análise de problemas mais complexos.

Até lá, fico com o peito de frango como refeição mesmo.

Claudio
(*) O modelo supõe que cada firma invista $R em um laboratório (inovação) que tem a probabilidade “a” de descobrir a tecnologia que lhe gerará $V de lucros, se a firma for a única descobridora, $V/2 se ambas descobrem e, claro, $0 se nenhuma descobre. Veja Shy, O. “Industrial Organization”, MIT Pres para maiores detalhes.

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