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Duke dribla MTV e goleia

Eu não consigo imaginar o que se passa na cabeça de quem bolou o tal anúncio que o Duke – corretamente – critica.

Gente, a MTV realmente está na contramão…

Claudio
p.s. outra boa crítica da Nariz Gelado.
p.s.2. Selva também foi ao ponto.

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Exercício contrafactual possível?

Dizem os autores de economia brasileira que nem tudo é testável por falta de dados. Por exemplo, Sérgio Bessermann Viana, na “Ordem do Progresso”, ao comentar o reajuste salarial de 100% de Vargas, diz que:

O temor dos opositores da medida era que o reajuste provocasse reajustes salariais reais em toda a pirâmide salarial. Não há dados suficientes para testar a hipótese. É provável, contudo, que o aumento de 216% do salário mínimo em 1952 tenha feito com que ele recuperasse o papel de sinalizador para os demais níveis salariais, que tinha perdido após nove anos sem sofrer qualquer reajuste. [A ordem do progresso, 1990, Duas tentativas de estabilização: 191-1954, p.145]

Note que o mesmo Bessermann, em outro livro, afirma que:

…o percentual necessário para a recomposição do pico do reajuste anterior era de cerca de 53%. [Economia Brasileira Contemporânea, 2005, “O Pós-guerra”, S.Bessermann Viana e André Villela, p.35]

Eu me pergunto, basicamente, o seguinte: que dados não existem? Além disso, se não é possível fazer um teste com regressão, é possível fazer algum outro tipo de teste? Fica a sugestão para os colegas.

Claudio

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Transparência Brasil cumpre importante função social: sugerir!

Marcelo Soares, em mensagem coletiva, mandou-me esta excelente mensagem:

Sobre a eleição para a Mesa da Câmara

A eleição da Mesa Diretora da Câmara dos Deputados, e em particular de sua Presidência, oferece uma oportunidade importante para começar a recuperar a integridade dessa instituição, gravemente ferida na legislatura que se encerra.

Candidatos que se apresentam à Presidência da Casa não falam apenas a seus pares, mas a todo o país. Não se trata de um pleito que interesse apenas aos deputados. Da mesma forma que acontece em qualquer eleição, é exigível de candidatos que exibam seus programas e os discutam publicamente.

Entre as atitudes que se espera da liderança da Câmara dos Deputados, parte das quais expressas pelo chamado “Grupo dos Trinta”, formado por parlamentares preocupados com os rumos da Casa, estão:

* Explicitação de compromisso público de que não se dará espaço para a retomada da tentativa de aumentar os salários dos parlamentares além da inflação (aproximadamente 5,69% pelo IPCA). Observe-se que, de acordo com estimativa da ONG Contas Abertas, cada deputado federal já custa mensalmente cerca de R$ 100 mil. Isso é mais de 80% superior ao que custa um membro do Parlamento britânico, por exemplo. E observe-se que não apenas a Grã-Bretanha tem renda per capita muito mais elevada do que o Brasil como lá o custo de vida é muito mais alto.
* Redução das verbas de gabinete e das verbas indenizatórias, de modo a cortar substancialmente (por exemplo, em 50%) o dispêndio total incorrido pela média dos parlamentares.
* Publicação, no sítio de Internet da Casa, e na página correspondente a cada deputado, de todos os gastos incorridos diretamente por ele, a exemplo do que já se faz com as verbas indenizatórias.
* Publicação, da mesma forma, dos nomes, funções, CPFs e locais de trabalho de todas as pessoas empregadas em gabinetes de deputados federais.
* Na atuação política, o presidente da Câmara dos Deputados precisa reforçar o papel independente do Legislativo em relação ao Executivo, de forma a cumprir em sua integralidade o seu mandato constitucional, que inclui a fiscalização daquele poder.
* Introdução, na Lei de Diretrizes Orçamentárias para 2008, de dispositivo proibindo o Executivo de contingenciar verbas decorrentes de emendas parlamentares. Derrubada de presumível veto presidencial a um tal artigo.
* Instituição de mecanismos permanentes de avaliação de programas governamentais no âmbito de cada Comissão e divulgação sistemática de indicadores decorrentes desse acompanhamento. Vinculação da peça orçamentária aos resultados desses indicadores.
* Tomar as medidas necessárias para dar fim ao voto secreto no Plenário.

São Paulo, 9 de janeiro de 2007

Claudio

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Falhas de governo – como subdesenvolver o Nordeste

Eis o nosso valoroso governo, na era colonial, “lutando” pelos direitos das minorias, dos oprimidos e, numa linguagem moderna, “preservando o meio ambiente”:

Desde 1665 havia proibições para que se fizessem secar as águas salgadas, no Brasil, a fim de se obter o sal, em vista dos prejuízos que isso causava às marinhas de Setúbal, da Alverca e da Figueira. Essas proibições se tornaram mais positivas pela carta régia de 28 de fevereiro de 1690, determinando o rei que, por haver Jaques Granato arrematado o contrato do sal para o Brasil, ficava aqui vedado absolutamente a fatura dêle e o aproveitar-se até do que a natureza produzisse, coalhando-o em salinas ou lagoas. [Garcia, Rodolfo, “Ensaio sobre a História Política e Administrativa do Brasil (1500-1810), José Olympio, 1956, p.221]

Jaques Granato deve ter ficado rico.

Claudio

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Thomas Sargent e o Brasil

Mais antiguidades interessantes:

Em sua “Carta Aberta ao Ministro da Fazenda”, em 26.01.1986, Thomas Sargent dizia ao ministro brasileiro:

O senhor (ou um de seus sucessores) terá que levar a efeito pelo menos uma (e, provavelmente, mais de uma) destas medidas: redução drástica das compras governamentais, elevação drástica da carga tributária, ou não pagamento de parcela substancial da dívida governamental interna e externa. [A Tragédia do Cruzado, Folha de São Paulo, 1987, p.51]

Thomas Sargent já dizia…

Claudio
p.s. profeticamente, ele escreveu: “ou um de seus sucessores”.

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Minutos de sabedoria by Persio Arida

Sabedoria I: Déficit Público é, sim, importante

O argumento do tipo ‘o déficit público não tem importância, nós precisamos aumentar o papel do Estado na economia’ é um contra-senso absoluto! Tem importância, sim! Quanto menor o déficit e quanto menores os gastos do governo, melhora a distribuição de renda! Por exemplo: o governo vai fazer um hospital. Nada mais meritório. Só que, como o país está em déficit, esse hospital é financiado via emissão de moeda. Isso gera inflação, e quem paga são os trabalhadores. Foi feito algo de interesse do trabalhador, só que quem pagou foram os próprios trabalhadores.

Sabedoria II: Déficit Público gera desemprego?

Já o argumento de que cortar o déficit público gera desemprego pode ser rebatido assim: se você desincha a máquina governamental, isso gera desemprego. Só que o custo daquelas pessoas que foram desempregadas não existe mais e o governo não precisa mais emitir moeda. Isso faz com que diminua a inflação. Isso faz com que os salários das outras pessoas aumente. Quando aumenta o salário das outras pessoas, a economia se desenvolve. E dá capacidade de absorção daquelas pessoas que estão desempregadas. Aquelas pessoas que estão a mais no governo estão sendo sustentadas via inflação, que é um imposto sobre todo o resto dos trabalhadores.

Sabedoria III: Outra Reforma Agrária é possível

Vamos supor que eu vou fazer uma reforma agrária. Chego lá e desaproprio as terras dos proprietários rurais. Eu digo: isso é um absurdo. Por que é um absurdo? Vão dizer: Persio é contra a reforma agrária, Persio é conservador. Mas de onde vem o dinheiro para desapropriar as terras? Se o governo tem déficit, o dinheiro vem de emissão, gera inflação, e inflação quem paga são os trabalhadores. Claro, porque o capital está defendido. Em outras palavras: pra beneficiar os trabalhadores rurais, a reforma agrária penaliza todos os outros trabalhadores. (…) Pra fazer reforma agrária, o conceito nunca é desapropriação. O conceito é taxação proporcional ao tamanho da terra. O sujeito que tiver uma terra produtiva e consegue ter um imenso latifúndio, paga imposto e estamos conversados. O sujeito que tiver uma terra improdutiva, vai ter que vender. E aí o preço da terra baixa. E a reforma agrária é feita por mecanismo de mercado. Dentro do governo eu falava: sou contra, inclusive contra a existência do Ministério da Reforma Agrária, não tem que fazer reforma agrária, é só fazer a taxação correta…

Tudo isto em um outro livro antigo perdido em minha mini-biblioteca: “Os Pais do Plano Cruzado Contam Por que não deu certo”, depoimentos a Alex Solnik, LP&M Editora, 1987. O livro tem também conversas com André Lara Resende, Dilson Funaro, Sayad e Belluzzo.

Mas o que me impressiona é a clareza do Persio. Hoje não temos mais a inflação da época, mas os argumentos dele permanecem atuais e, particularmente, eu nunca vi um estudo de custo-benefício para uma proposta alternativa de reforma agrária. Eis algo que os liberais brasileiros, até onde sei, nunca fizeram. Falha séria. E não só dos liberais. Outros críticos da reforma agrária também não passaram perto do importante alerta do Persio. Novamente: alguém poderia ter feito o cálculo de custo-benefício (ou o contrafactual) desta proposta dele.

Para os alunos de Economia: tentem explicar, através de um modelo IS-LM-BP, o raciocínio do segundo ponto do Persio.

Claudio

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Perguntar não ofende

Todo historiador brasileiro diz que o governo Dutra era economicamente ortodoxo porque adotava uma política monetária voltada para o combate à inflação e uma política fiscal contracionista.

Ok.

Mas ninguém me explica como uma política monetária era instrumento de uma entidade semi-privada como o Banco do Brasil. Não vale dizer que não existiam bancos centrais porque, bem pertinho da gente, o FED já estava fazendo história.

Meu ponto é simples: para mim, um governo realmente liberal (ou liberal-conservador, embora este seja um termo inapropriado…) deveria, primeiro, tirar das mãos de um banco semi-privado a autoridade sobre a emissão de moeda para, depois, fazer política monetária.

Alguém sabe a resposta para esta pergunta? Será que passa por algum tipo de explicação a la rent-seeking?

Claudio

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Why we don’t have a market like this one?

This is the W10, the smallest valued coin in South Korea. I mean, its face value is low, but:

“W10 marketing” is a popular trend, playing on the notion of the coin’s insignificant value. At a barbecue restaurant in Uijeongbu, Gyeonggi province, the W10 coin stars in its own promotional event. When a customer orders a bottle of Soju, or Korean liquor, a W10 coin is placed on a bottle. This bottle and several more are covered — if the customer chooses the one with the coin, he wins the bottle or some appetizers for free.

Claudio

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Acabou a moleza (para os sul-coreanos)

If you think you can beat traffic cameras by simply slowing down as you pass them, you’d better watch out. This year you may be racking up fines and demerits thanks to new “sectional” speed traps. More advanced than cameras that focus on one narrow spot, the new system can monitor an area from 3 to 7 km. The National Police Agency Monday announced that the systems will be tested this June in several areas, including Seohaean Expressway, Seohae Grand Bridge (7.5km), Jukryung Tunnel (4.6km) on Jungang Expressway, and Dunnae Tunnel (3.3km) on Yeongdong Expressway. More systems will be installed across the nation next year.

Claudio

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Government’s failures – Portuguese style

In one of his letters to D. Fernando José de Portugal, Governor and Captain General of the Captainship of Bahia, dated October 1st, 17983, D. Rodrigo affirmed that in Brazil, and principally in its upcountry, “cultivators of the land are oppressed and agriculture is discouraged by molestations” He was referring to the obligation of the landowners to surrender their slaves for royal services. In his understanding, the prices paid for the goods by the Royal Finance Ministry should be the same current price. Further, he argued that a more severe law should be enacted to prevent the escape of Afro-Brazilian slaves to Montevideo. He defended the stimulation of exports of distilled spirits to African ports, and demonstrated the benefits of establishing a public square in the main Brazilian cities.

Olha aí a história que não me deixa mentir.

Claudio

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