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Por que as faculdades privadas enfrentam problemas com pesquisa (e porque esta pergunta é ruim para entender o problema)?

Algumas pessoas acham que o fato de não vivermos no mundo ideal é sinônimo de que o mundo real é que tem problemas. Veja o caso da discussão sobre faculdades privadas e públicas.

Muitas vezes ouço aquele bordão: “faculdades privadas produzem menos pesquisa do que as públicas. Logo, isto é uma prova de que são inferiores (em termos de pesquisa), o que prova que o mercado não funciona”.

Errado. E é fácil ver o porquê. O mercado é um processo interativo. A partir dos erros e acertos ele se ajusta. Ninguém disse que ele se ajusta automaticamente, claro. Agora veja o que diz o artigo abaixo:

Unraveling the Academic Productivity of Economists: The Opportunity Costs of Teaching and Service

Susan Washburn Taylor,Blakely Fox Fender,and Kimberly Gladden Burke

This study investigates the relationships among research productivity, teaching, and service on the basis of individual-specific information involving approximately 715 academic economists. Responding to an online survey, these economists provided information regarding their teaching and service commitments as well as personal and institutional information. The publication record of each respondent was then obtained from EconLit. Together, these data constitute a rich field for the systematic study of research productivity. Results of a Tobit analysis reveal much about the nature of research productivity, underscoring, for instance, the importance of gender, coauthorship, presentations at conferences, and peers who publish. Among the more important findings from this analysis is that both teaching and service commitments have a significantly negative impact on the research productivity of academic economists. These relations hold across types of academic employer, though to varying degrees. Taken together, the results provide interesting insights into the roles of academic scholars, teachers, and colleagues.

Southern Economic Journal 2006, 72(4), 846–859

Bom, em resumo, o velho dito: “incentivos importam”. Como não existe censura na academia norte-americana (olha o mercado funcionando), alguém possivelmente incomodado com o problema da pesquisa (ou que deseja ficar mais tempo fora de sala de aula, à toa mesmo), argumentou de forma coerente, cientificamente, que existe um impacto negativo sobre a pesquisa de uma instituição se você “soca” os professores em sala de aula.

Mais ainda, não se trata do argumento pseudo-científico do “amigo do amigo meu que conhece…”. Trata-se de um estudo amplo, onde se buscou um padrão entre as observações coletadas. E o artigo foi publicado.

A partir daí começa o debate. É o mercado funcionando, com a troca de idéias e pesquisas. Eventualmente, alguém, chamado “governo” poderia interromper este debate e impor uma solução. Não acho, pelo que vejo, que isto funcionaria.

Enfim, conclui-se que o problema não está nas faculdades privadas ou públicas. Está nos incentivos que seus administradores criam para gerar pesquisa, ensino (em sala de aula) e outras coisas. Os mais criativos conseguirão unir estes objetivos com menores custos e melhores resultados. Os outros, claro, fracassarão.

Eis a essência do mercado.

Claudio

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