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Uma pergunta que certamente uma curiosa intelectual (no bom sentido) far-me-ia…

Aposto que Sulamita vai me perguntar sobre isto (ela, como boa curiosa, sempre faz isto…).

Bom, é o seguinte, parece que um dos blogueiros do “Division of Labour” vai se casar. Errar, claro é humano. Economistas também casam.

O gráfico abaixo mostra o que chamamos de “curvas de indiferença” para o blogueiro que pretende se casar. Os eixos ilustram as diferentes quantidades de duas mercadorias. Agora, uma mercadoria, para qualquer consumidor, pode lhe agradar ou não, além de não lhe causar qualquer impacto em termos de “satisfação”. Em economês, podem ser bens, males ou neutros.

E aí? O que isto quer dizer (perguntaria Sulamita). Comecemos com o exemplo mais comum, o que está no gráfico abaixo:


Fonte: David Friedman.

Um bem é aquele que, quanto mais tenho dele, mais satisfação tenho. Logo, se tenho dois bens (um no eixo vertical e outro no horizontal) e considero que a pessoa pode me dizer quanto de satisfação deriva de diferentes combinações destes bens, tenho o que um economista chama de função de utilidade (ou satisfação, ou bem-estar, etc). Esta função pode ser vista em dois momentos, por assim dizer. Primeiro, posso me perguntar o seguinte: se o nível de satisfação é constante, como um consumidor que se vê diante de dois bens, mapeia suas preferências.

Ora, se são dois bens, e se a satisfação é constante, um aumento na quantidade de um bem deve ser compensada pela diminuição na quantidade do outro bem. Obtém-se, assim, uma curva, a curva de “indiferença” que ilustra diferentes quantidades dos dois bens para os quais a utilidade é constante. Mais ainda, neste caso, em que temos dois bens, esta curva é negativamente inclinada (veja o gráfico acima).

Por outro lado, é verdade que este consumidor poderia estar em outro nível de satisfação constante. Um nível maior. No caso de dois bens, esta curva de indiferença (com um nível de satisfação maior do que o anterior) só pode estar…à direita da curva de indiferença inicial. Por que? Porque o consumidor se satisfaz sempre com mais quantidades de ambos os bens.

Mas este não é o caso do economista quase-casado. E aí?

Bem, poderíamos ter outro caso, um em que o consumidor se depara com um bem e um mal. Veja o gráfico à direita na primeira linha do conjunto de gráficos abaixo:


Fonte: Claro, David Friedman.

Neste caso, digamos, o bem no eixo horizontal é um bem e aquele cujas quantidades se medem no eixo vertical é um mal. Pense por exemplo em um homem heterossexual. Quanto mais homens ele vê (um mal), mais mulheres (bem) precisa ver para compensar o mal-estar gerado pelos homens. Daí as curvas de indiferença serem positivamente inclinadas. Novamente, quanto mais mulheres ele vê, mais feliz fica e as curvas de indiferença apresentam maior nível de satisfação quando se caminha para a direita.

Novamente, não é o caso do gráfico de Ed. Então, vamos lá, o que o gráfico de Ed nos mostra? Pense um pouco antes de prosseguir.

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Generosidade de Paulo Roberto Almeida (não sou tão bom assim, mas, ah, raios, joga fora a falsa modéstia, Cláudio!)

O mais prolífico diplomata (espero não ter trocado prolífico por profílico ou algo similar…) que conheço é generoso comigo. Senão vejamos (note como Paulo falou um bocado antes de, então, premiar-me com três pontos ao invés de um…):

Antes, contudo, uma confissão e a promessa de pagamento de direitos autorais: tirei a idéia e a inspiração desta auto-entrevista do meu amigo Claudio Shikida, um economista promissor das Gerais, dedicado, como eu, às lides didáticas e acadêmicas (eu, a muitas outras mais, nas horas vagas e menos vagas), terrivelmente angustiado, como eu, com os des(a)tinos econômicos do Brasil, ele, contudo, bem mais jovem do que eu e com mais tempo, portanto, para corrigir as coisas erradas de que sempre nos arrependemos mais tarde, coisas que nos fizeram perder tempo, desviar o foco de atenção do trabalho principal (que alguém precisa me dizer qual seria), enfim, coisas que nos dão remorso depois, por termos calculado mal o custo-oportunidade do nosso raro (e caro) capital intelectual, deixando-o suportar as traças da preguiça e as trapaças da sorte. O importante, contudo, é ter paixão com aquilo e naquilo de que nos ocupamos, deixando-nos envolver (e absorver) pelos encargos do momento, mesmo os menos importantes…

Não precisava, Paulo, não precisava. Estou num dia muito ruim hoje. Este achado até que me animou um bocado (já é a segunda vez que você faz isto, heim?)…

Ah, o link original (não o encontrei em seu texto) é este.

Agora, veja como PRA é muito mais sério do que CDS…

PRA:

O que o faz pensar que sua vida foi útil, para si mesmo, para a familia e os demais?

Pelo meu critério, pretendo (mas ainda não consegui) deixar o mundo melhor do que o que encontrei, ou o que me foi dado. Existe falso altruísmo nisso? Talvez, mas essa é a minha maneira de conseguir prestígio e reconhecimento, o que pode ser uma forma de egoismo, também. Em todo caso, como não enriqueci às custas de ninguém – nunca pretendi, aliás, ficar rico no sentido material do termo –, nem tentei conseguir posições de mando praticando a usual arte da hipocrisia (que é comum nos políticos), acredito que fui útil no sentido mais banal do termo: pratiquei mais o bem do que o mal, mais contribui para o enriquecimento moral da humanidade do que agreguei aos elementos de egoísmo ou de individualismo excessivos que caracterizam as sociedades, em todas as épocas.
Minha família talvez tenha outro julgamento quanto ao meu desempenho como pai, companheiro, orientador, mas espero não ter decepcionado a maior parte das pessoas que me cercam. Não vou encomendar pesquisas para recolher a opinião dos demais, mas uma consulta informal quanto à minha imagem talvez não fosse de todo descabida.

Eu:

OC – Sentido da vida?! Você já o descobriu??? Conta prá gente!!

CDS – O sentido da vida consiste na existência alheia.

OC – Que bonito!

CDS – É!! Quem eu iria sacanear se não existissem os outros? Eu poderia fazer piadas sobre mim mesmo, mas não teria graça. Sou esquizofrênico, tenho múltiplas personalidades, mas todas já se conhecem. No início as piadas tinham alguma graça mas, depois, todas as personalidades já se conheciam (acho que foi por volta dos 2 meses de vida, se não me falha a memória)… então não dava para sacanear mais uma às custas das outras e vice-versa. Foi então que descobri o sentido da vida e o porquê de a humanidade ter de existir: para que eu possa sacanaeá-la falando mal, ironizando, satirizando. Este é o sentido da vida.

Paulo Roberto é generoso. Eu, como sempre, nunca me dei bem com o campo literário. Mas eu tentei, com certeza. E continuarei a tentar…para o desespero de muitos.

Claudio

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Quem pesquisa o que?

Este saiu na Kyklos, v.59, 2006.

Which Countries are Studied Most by Economists? An Examination of the Regional Distribution of Economic Research – Michael D. Robinson, James E. Hartley, and Patricia Higino Schneider

Olha o resumo:

This paper examines the distribution of economic research as catalogued in the Journal of Economic Literature across countries of the world and attempts to explain those patterns. We report the number of articles published on each country and estimate a series of regressions to understand this pattern.We find that measures of a country’s size (physical and economic), connections with the outside world and data availability explain much of the pattern of research.We also find that tourism receipts, whether English is an official language, and thenumber of economic research institutions are significantly correlatedwith the amount of research done on a country.After controlling for all the variables, we find only three regions (all in Africa) with significantly less research published by economists in Journal of Economic Literature cataloged articles than North America.

Claudio

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Se os operadores fossem norte-americanos, eles estariam sem passaportes agora

O país está, realmente, refém…de uma administração sofrível.

O ministro da Defesa disse que os problemas dos equipamentos estão sendo investigados. “É uma coisa que acontece, não acontecia, há anos, mas acontece”, disse Pires, que não acredita em ação criminosa. O comandante da Aeronáutica, por sua vez, reconheceu que os problemas poderão prosseguir nesta quarta-feira, como conseqüência dos atrasos de ontem. Mas informou que as prioridades nas decolagens serão definidas pelas empresas aéreas.

Ao explicar o problema ocorrido nesta terça-feira nos equipamentos de comunicação, que impediram que o Cindacta-1 falasse com as aeronaves, provocando uma paralisação completa do sistema aéreo, o brigadeiro Bueno explicou que o sistema caiu, o equipamento parou de funcionar e, depois, houve uma falha na ligação entre o equipamento e o back up dele, que deveria entrar em operação com a paralisação do primeiro.

Ok, nada contra o gasto público ser remanejado. Mas tem gente que não gosta de “remanejar” e sim de “aumentar o montante”. E, vem cá, o Gol caiu, as investigações mostraram que o problema não partiu de algum mau comportamento dos pilotos do Legacy e, poucos dias depois, começou a greve dos controladores.

Difícil, né?

Mas problemas com o setor são a marca do governo atual. Ou você não se lembra disto?

Claudio

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