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Bem público

Vi, numa comunidade do Orkut, que alguns alunos de uma faculdade estão preocupados com assaltos e danos (arranhões) a seus carros. Há duas propostas de solução: i. pede-se à coordenação do curso seguranças privados e ii. propõe-se a criação de uma “milícia anti-flanelinha”.

Há dois problemas óbvios nas propostas. Primeiro, seguranças privados não legislam sobre todos os quarteirões nos quais os alunos param seus carros. Em outras palavras, os alunos deveriam aproveitar a chance para reclamarem aos responsáveis pela segurança pública (o governo) da falta de segurança. Além disso, existe o problema de se saber até onde vai a jurisdição de um serviço de segurança privado (o dono da barbearia não vai pagar pelo seu carro na esquina, cara…). Neste caso, somente máfias cuidam de territórios tão vastos quanto um bairro. Bom, não queremos máfias, certo? Já estamos falando de uma, a dos flanelinhas.

Por outro lado, a milícia é algo claramente ilegal. Alguém poderá dizer que a própria figura do “flanelinha” é ilegal, o que está correto. Novamente, deve-se pensar no que fazem os representantes eleitos e os burocratas a respeito do problema.

Pode-se dizer que o custo de se pagar o flanelinha é menor do que o de se cobrar mais segurança. Entretanto, o cálculo mais correto é o do valor presente descontado. Neste caso, a pressão sobre os burocratas pode resultar em um custo menor do que o de pagar para o flanelinha.

Sempre pagar ao flanelinha e esquecer o Estado é uma opção economicamente válida se você não paga impostos. Ou então você paga para não usar, o que é algo bobo de se fazer.

Obviamente, recorrer a violência é moralmente incorreto e até mesmo ilegal (embora o flanelinha seja, em si, ilegal, criar outra ilegalidade não resolve o problema do ponto de vista moral).

Soluções de mercado para este caso? O ideal seria ter mais estacionamentos, mas isto demora, é coisa de longo prazo. O uso privado da violência – “milícias” – é algo fora de cogitação, meninos, por favor. A pressão sobre as autoridades (em quem você votou? cadê seu deputado, seu prefeito?) é o melhor caminho.

Talvez os próprios alunos pudessem usar seu expertise – a consultoria júnior – para buscar meios de resolver isto. Por exemplo, através da contratação de um serviço de segurança privado próprio.

Comentários?

Claudio

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7 comentários em “Bem público

  1. Caro Prof. Shikida,

    A opcao “milicia” nao deve ser descartada assim tao facilmente.

    Aqui no Japao, outro dia, um grupo de sumotoris (lutadores de sumo) passou a fazer rondas noturnas em um bairro de Tokyo para reduzir a criminalidade. Munidos de apito e radios (vulgo walkie-talkie), voluntariamente passeavam pelas ruas a noite e inibiam assim a criminalidade.

    Se os estudantes se organizassem para fazer ronda noturna, certamente teria um efeito inibidor a criminalidade. Talvez a escolha racional dos assaltantes seja mudar para outra faculdade onde nao existam rondas noturnas, afinal de contas, ladrao tambem tem medo, nao?

    A proposta e boa. Nada de sair com porretes e armas. Basta fazer barulho e comunicar algo suspeito a policia para aumentar o risco dos ladroes e mudar seu comportamento.

    Nao?

    Abraco,
    Renato Orozco

  2. talvez o termo milícia esteja pouco claro

    eu entendo milícia como um grupo armado

    o que vc citou (apesar de arte marcial ser tecnicamente arma branca, e alguns mestres no brail registram suas mãos como armas brancas) é um sistema de vigilância, que é bem popular em bairros nos EUA, e certamente não é ilegal se vc portar rádios e apitos.

  3. Cara, vocês mudaram toda a discussão. Faz o dever de casa: entra no orkut e olha o que se está discutindo. Nada contra grupos legais. Mas o termo milícia, no sentido original, tá explicadinho na comunidade.

  4. Bom, aqui perto tem um cursinho. Eles não tem um estacionamento, isso significa que todos os alunos são obrigados a estacionar na rua, ocupando uns três quarteirões em volta do prédio. Seus carros ficam lá até quase meia noite, o que começou a atrair ladrões e flanelinhas.

    Bom, o que o cursinho fez? Contratou alguns seguranças (desarmados) apenas para ficar nas esquinas e circulando pela área. Funcionou perfeitamente. Os flanelinhas e os ladrões desapareceram. Hoje apenas dois seguranças marcam presença, fazendo o trabalho “educativo” de manutenção da coisa.

  5. acho que houve um engano

    se vc olhar com cuidado, vai ver que eu estou me referindo aos sumotoris (comentário abaixo do meu)

    agora se os alunos estão propondo de sair tacando fogo em índios, ops, flanelinhas, aí é outra história

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