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A vergonha da riqueza

Somente depois que a “classe mérdia” abriu mão de seu papel na sociedade e abraçou com entusiasmo o papel de proletário bem remunerado é que o tal “brasileiro comum” se viu sem rumo, desorientado.

Concordo com o xará. No Brasil há muita demanda por emprego público. Muita gente quer ser empresário, mas apenas para obter subsídios e favores do governo. E, claro, todo mundo acha que ganhar mal e trabalhar num ambiente onde o passatempo é vigiar o vizinho e falar mal dele para o chefe sabendo que não será demitido, exceto após um loooongo processo administrativo (e olhe lá!).

Igor Taam tocou em um ponto similar outro dia, ao falar da fuga de cérebros.

Note bem: não basta dizer que você, leitor, escapou disto e é um micro-empresário que luta para sobreviver. A culpa dos problemas não está nas pessoas. Digo, elas podem ser más ou boas, mas os incentivos que a lei cria é que ajudam a potencializar suas ações. Que tipo de empresário um país cria, em média? Um não-liberal que busca sempre o apoio do governo dizendo-se “estratégico”? Ou um que se preocupe mais em ser eficiente porque sabe que o governo não o ajudará mais do que já o faz ao manter a lei e a ordem?

O xará tem razão ao apontar o fenômeno. A impressão que tenho é que não é apenas um pesquisador que faz concurso para uma universidade pública hoje em dia. Se apareceu um concurso público, carinha corre para lá, seja ele da área ou não. Nada contra. Mas quando se pensa que o salário dele vem do imposto que eu pago, eu me pergunto sobre o porquê dos concursos públicos estarem sempre na moda. Sempre há uma vaga nova. Sempre há um concurso novo. E quem paga por isto?

Entendeu porque eu disse que a discussão sobre o ajuste fiscal era importante? Todos que estão no governo não se incomodam com isto porque sabem que pagam pouco em relação ao tamanho do gasto público. Mas isto não muda a verdade contábil: todo gasto deve ter sua fonte de receita senão…faliu.

Claudio

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3 comentários em “A vergonha da riqueza

  1. Sem contar aqueles que já passaram num concurso público e uma vez “lá dentro” continuam utilizando seu tempo para estudar para outro concurso, em geral algum para um cargo que pague melhor.

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