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Em quem eu não vou votar

O cinismo, a desfaçatez, a trapaça política assumem dimensões inéditas. O Brasil já teve o “rouba, mas faz” — mas ainda não havia conjugado esses dois verbos na primeira pessoa: “Roubo, mas faço”. O Brasil já teve gente sem nenhuma vergonha no poder. Os sem-vergonhas, no entanto, tinham vergonha de não ter vergonha. Hoje, a sem-vergonhice se jacta de sua esperteza, é vista como ato de resistência. Antes, acuados por denúncias, muitos inocentes, talvez por isso mesmo, se deixavam intimidar. Hoje, os culpados, flagrados, saem acusando, com o dedo em riste. Olhem o caso da divulgação das fotos da dinheirama. Submetida a investigação ao descarado e confesso interesse eleitoral, o ministro Tarso Genro não se vexa de vir a público para denunciar uma conspiração dos adversários.

Meus amigos e parentes que me desculpem, mas não voto em golpista. E não adianta dizer que tem amigo que foi preso e torturado há 30 anos atrás. Se o cara preso e torturado, hoje, apóia uma prática contra a qual lutou (sanguessuga, dossiês, etc), na minha opinião, ele está mal na fita.

Vejo com simpatia gente como Gabeira que não teve problemas em reconhecer erros do passado. Não se gaba de seus erros (como o de não continuar os estudos, no caso de outros candidatos), mas sim os assume e corrige sua postura. Certo. É assim que funciona.

A eleição, para valer, tem três candidatos da franquia “PT”, um do PSDB. É só centro-esquerda e esquerda. Não há, como nunca houve, um candidato da direita, tal como todo mundo a entende (um sujeito que defende o liberalismo econômico). Não vi debates e propostas sobre um Estado menor, por um federalismo diferente, a favor do fim da convocação obrigatória de jovens para as Forças Armadas. Também não vi gente defendendo liberdades individuais ou discutindo seriamente o papel da responsabilidade individual (alguns me dizem que este é um tema “exótico”, coisa de americanos. Mas na hora de importar uma filosofia alemã do século XIX, o socialismo, eles dizem que o argumento não vale…).

Aliás, sabe o que é responsabilidade social no país? É não ter culpados (“a culpa é da sociedade ou da herança maldita, eu não sabia de nada”…). Se houvesse ênfase em responsabilidade individual, mais gente estaria na cadeia.

Assim, o voto é secreto e eu não vou declarar o meu. A cada dia que passa, acho que declarar voto na América Latina é pedir para ser perseguido. O que diz o Itamaraty ou o presidente sobre o que Chávez faz na Venezuela com a famosa lista de opositores que ele usa para perseguições? Nada. E quem anda esnobando a amizade com o caudilho não sou eu. É um dos candidatos a presidente. Entenderam? Ele é quem manda, não eu. Ele é quem manda na PF e na ABIN, não eu. Ele é quem tem ministros, não eu, que só pago impostos.

Mas eu creio que o menos pior que posso fazer, dentro deste cabresto eleitoral que é o voto obrigatório, é brigar por um segundo turno.

Claudio

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Eleições


Fonte: Mises.org

Sob o título “O Brasil é louco ou é só o sistema?”, o diário nova-iorquino faz referência a um conhecido trocadilho que liga o Brasil à palavra “nuts”, que, dependendo do contexto, pode ser lida como louco ou como uma generalização para alimentos como castanhas. O jornal, que é uma das fontes de informação financeira e econômica mais respeitadas no globo, afirma que especialistas estão fazendo apostas para saber se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva poderá ganhar a eleição no primeiro turno.

Citando a frase “corrupção é um efeito comum do intervencionismo”, de Ludwig von Mises, um dos representantes do Liberalismo, o editorial do WSJ pondera que “Lula pode bem ser inocente, como ele alega, de qualquer envolvimento nos escândalos gravitando em torno do seu partido. Mas também é verdade que, se a corrupção o pegou de surpresa, ele tem apenas a sua própria política para culpar”.

Leia tudo.

Claudio

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Eleições 2006

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Contraste com:

Só para reiterar. Não é verdade que Lula recuou na última hora. Toda as medidas, inclusive as de seu aparato de segurança, que não são improvisadas, tinham sido tomadas para que ele fosse ao comício em São Bernardo, onde nasceu politicamente. A idéia também é passar um recado: entre o que as “elites” esperariam dele — ir ao debate — e cair nos braços do “seu” povo, ele ficou com a segunda opção.

Quem pautou quem? Este portal Terra…

Claudio

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A economia ficou mais teórica?

Não. Opa, eu errei? Não, não errei. O que seu colega anti-economista bradou aos sete ventos sobre a economia ser “muito teórica” é um erro?

Sinto muito. Depois deste estudo, não tem como reclamar.

Moral da história: estude estatística antes de repetir chavões publicados em colunecas de jornalecos ou em livretinhos de fanáticos.

Claudio
p.s. aí vai o abstract:

We compile the list of articles published in major refereed economics journals during the last 35 years that have received more than 500 citations. We document major shifts in the mode of contribution and in the importance of different sub-fields: Theory loses out to empirical work, and micro and macro give way to growth and development in the 1990s. While we do not witness any decline in the primacy of production in the United States over the period, the concentration of institutions within the U.S. hosting and training authors of the highly-cited articles has declined substantially.

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NASCAR

A aula terminou mais cedo. Sobrou um aluno, destes que trabalha durante o dia e tem pouco tempo à noite. Acabou de verificar que sua base de dados não servia para sua pergunta.

Aí vimos que tínhamos meia hora. Google, né? Moral da história, achamos algo que lhe serve a contento.

Automobile Safety Regulation and the Incentive to Drive Recklessly: Evidence from NASCAR

Abstract: When safety regulation makes automobiles safer, drivers may drive more recklessly, creating partially or completely offsetting effects on the overall level of safety. Evidence of these offsetting effects has been hard to find, however, primarily because of the aggregate nature of accident data. In this paper we explore how changes in the safety of automobiles used in NASCAR has altered the incentive of drivers to drive recklessly. This unique data set allows more accurate and objective measurement of the necessary variables to test for these effects at a micro-level. Our results strongly support the presence of these offsetting behavioral effects.

Nada que a vontade de trabalho de dois não resolva, huh?

Claudio

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