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Esquerda, direita, idéias e atraso

Muita gente na blogosfera nunca conseguiu falar mais profundamente sobre o dilema binário “esquerda-direita”. Reinaldo Azevedo, se não cumpriu a tarefa (e não o fez), pelo menos foi mais longe.

A imprensa nacional não consegue ir muito longe, mesmo em seus cadernos de “cultura” (se é que um jornalista deste caderno é melhor, intelectualmente, do que o do caderno policial, o que não acho). Digo, longe em relação à vulgata marxista – aquela que Stalin disseminou no mundo e que levou muita gente para a cadeia (tanta tortura por tão pouca qualificação intelectual…). Nos ensinamentos da Academia de Ciências de Moscou, a esquerda era algo que ultrapassava a simples taxionomia para representar algo moralmente defensável. Sem falar na bobagem da dialética sempre no esquema “tese-antítese-síntese”, com exemplos quase paulofreirianos que fariam Hegel saltar da tumba com uma pistola na mão, enraivecido.

Ocorre que, independente disto, o problema é relevante. Idéias erradas podem levar a políticas públicas desastrosas, como a História nos mostra (e.g. Vietnã, Coréia do Norte, Cuba, Brasil, ditaduras africanas e momentos da história de países desenvolvidos como Alemanha ou Japão). Já falei disto aqui, quando citei a “armadilha das idéias”, de Caplan.

Talvez alguns destes alunos do Ari, em Desenvolvimento Econômico, queira chacoalhar seu “traseiro gordo” na cadeira e escrever algum artigo sobre este problema. O problema da incorporação das idéias nos modelos de crescimento é, sim, desafiador. Mas não é porque é difícil que é irrelevante. Apenas dá mais trabalho.

Como dica, eis o trecho seguinte, tirado do link citado.

Thus, the least pleasant places in the world to live normally have three features in common: First, low economic growth; second, policies that discourage growth; and third, resistance to the idea that other policies would be better. I have a theory to explain this curious combination.3 Imagine that the three variables I just named—growth, policy, and ideas—capture the essence of a country’s economic/political situation. Then suppose that three “laws of motion” govern this system. The first two are almost true by definition:

1. Good ideas cause good policies.
2. Good policies cause good growth.

The third law is much less intuitive:

3. Good growth causes good ideas.

The third law only dawned on me when I was studying the public’s beliefs about economics,4 and noticed that income growth seems to increase economic literacy, even though income level does not. In other words, poor people whose income is rising—like recent immigrants—have more than the average amount of economic sense; rich people whose income is falling—like the Kennedy family—have less.

Incomoda ler isto, não incomoda? Que tal tentar ir além? Convite feito. Aguardo resumos dos textos no futuro para divulgação. 🙂

Claudio
p.s. idéias são tão importantes que o PCC agora sequestra por “protesto social”. Os repórteres da Globo estão nas mãos do grupo terrorista brasileiro por pura ideologia. Pode não ser claro que eles apóiem este ou aquele candidato, mas é fácil ver que são contra alguns políticos específicos. E a segurança nacional dorme eternamente em berço esplêndido (no Haiti).

4 comentários em “Esquerda, direita, idéias e atraso

  1. há de se ter cuidado na análise…

    o que o PCC quer? o PCC quer reivindicar os direitos dos presos pq tem um cunho político e social ou o PCC é uma organização criminosa que está querendo apoio dos presidiários para suas ações?

    complicado

  2. “Aquele era um período de exceção, havia uma ditadura militar, que torturava e assassinava. Hoje existem criminosos que buscam ganhar dinheiro para o fortalecimento de uma organização que visa a prática de crimes”. Paulo Pimenta, PT-RS.

    Complicado mesmo.

  3. É interessante. Quando lançamos a idéia do Excelências, choveram protestos, especialmente das redondezas do petismo. Acharam que a idéia era dar pau no petê e aliviar a barra dos tucanos. Mas os critérios de inclusão de informações são muito claros – tão claros que podem ser cobrados, caso as informações sobre algum político estejam abaixo deles. A viseira ideológica que reduz tudo ao gre-nal (de ambos os lados, porque antipetistas também fazem acusações à Transparência Brasil por “pegar leve” com o governo) impede muita gente boa de perceber pra que servem critérios claros. É triste, enfim.

  4. sua base é tao boa que , quando completa, nossa estagiaria vai trabalhar para testar umas hipoteses. Iniciativa louvavel e – talvez nao intencionalmente à primeira vista – de muita utilidade para estudos de economia politica.

    claudio

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