Repete comigo: lucro. Doeu?

Quem sai da faculdade hoje com uma boa idéia na cabeça e pensando em tornar-se um empreendedor, formar sua empresa e fazer fortuna pode começar a se desiludir ouvindo conselhos já clássicos: no Brasil o caminho mais seguro para uma vida sem sobressaltos sempre foi um emprego público, ou talvez um bom casamento. Outro, mais arriscado, é um empreendimento apoiado pelo governo. Mas, como essas prebendas não existem mais em quantidade suficiente, o nosso jovem empreendedor, ao insistir nessa vocação, terá de enfrentar um ambiente hostil, impostos e juros elevados, competidores na informalidade e falta de apoio até no plano subjetivo: que valor se dá ao empreendedor no Brasil? Ele é a chave do progresso, mas parece pairar sobre ele, por causa de velhas concepções, uma névoa de desconfiança, como se ganhar dinheiro criando empresas fosse “privatizar” indevidamente o progresso, função supostamente precípua do Estado.

Sérgio Lewin, presidente do IL-RS, outro dia, contou a seguinte fábula. Ovos e bacon são obtidos pela sociedade entre a galinha e o porco. A galinha põe os ovos e o porco corta na própria carne. O porco, sem conotação pejorativa (que alguns adorariam na porta do sindicato), é o empresário, o que corta na própria carne. Seja empresário e saberá o que é correr riscos, creio, é um dos vários temas para discussão que surgem desta fábula.

Fala comigo, leitor: “lucro”. Dói tanto assim? Você sente náusea? Fica enjoado? Tenta de novo. Se se sentir mal, pense no que dizem os políticos. E depois tente formar seu próprio pensamento sobre o tema.

Dói muito ouvir que o empresário não é sempre o vilão da história, né? E também dói ouvir que o trabalhador pode ser um culpado. Ou uma vítima, não do porco, mas do governo. Dói, né? Mas, veja só, pode ser que você esteja errado. De qualquer forma, leia o texto.

Claudio

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O Gene da Ética

What magic is there in embryonic stem cells to make some scientists so economical with the truth and some science journals so credulous? Only a few months after the disgraceful Korean stem cell scandal, another scientist has again announced a breakthrough, and has again been denounced as a liar.

Last week a Massachusetts company declared that it had mastered a technique for creating “ethical” embryonic stem cells which could break the logjam in America’s stem cell politics. The world’s leading science journal, Nature, rushed the news into its on-line express edition. Since stem cells could become the key medical platform for the 21st century, finding a way to harvest the most versatile variety without destroying human embryos would have been a major coup. And this is the way Advanced Cell Technology described its work in a press release.

Pois é, se você se sentiu provocado, leia o resto e descubra porque digo, parafraseando Coase, que “cientistas possuem objetivos, não a ciência”. Discutia com um aluno isto, hoje. Carl Sagan, neste sentido, parece muito inocente em sua fé na ciência.

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Vai encarar?

III Seminário de Economia de Belo Horizonte

LOCAL

Escola de Governo – FJP
Av. Brasil, 674
Belo Horizonte – MG

Ibmec – Minas Gerais
Rua Paraíba, 330
Belo Horizonte – MG

PROGRAMAÇÃO

13/09/2006 – Quarta Feira

Local: IBMEC MG

19h – 19h30min – Abertura

* Mesa de abertura do seminário

19h30min – 21h – Conferência de Abertura

* Rogério Furquim Werneck (PUC / RJ): “A Importância da Agenda Fiscal”

14/09/2006 – Quinta Feira

Local: IBMEC MG

08h30min – 10h – Conferência

* Ricardo Brito (IBMEC / SP): “The Macroeconomic Effects of Inflation Targeting in Latin America”

10h30min – 11h15min – Apresentação de Trabalho

* Hilton Notini (EPGE / FGV): “Empirical Evidence on Real Convergence Across Brazilian States”

11h15min – 12h – Apresentação de Trabalho

* Fábio Augusto Reis Gomes (EG / FJP): “A Welfare Analysis of Economic Fluctuations in South America”

14h – 15h30min – Conferência

* Juliano Assunção (PUC / RJ): “Burocracia, Carga tributária, Informalidade e Investimento”

16h – 16h45min – Apresentação de Trabalho

* Cláudio Burian Wanderley (CEES / FJP): “Emancipações Municipais em Minas Gerais: Estimativa de Impactos Sociais”

16h45min – 17h30min – Apresentação de Trabalho

* Mauro Sudano (IBMEC / MG): “Determinantes Macro e Microeconômicos de Remessas de Lucros e Dividendos de Investimento Estrangeiro Direto no Brasil”

15/09/2006 – Sexta Feira

Local: Escola de Governo / FJP

8h30min – 9h15 min – Apresentação de Trabalho

* Raimundo de Sousa Leal Filho (EG / FJP): “Matriz de Probabilidade de Transição por Estimador de Núcleo para as Rendas Relativas das Micro-Regiões de Minas Gerais”

9h15min – 10h – Apresentação de Trabalho

* Márcio Antônio Salvato (PUC Minas): “Disparidades Regionais em Minas Gerais”

10h30min – 12h – Conferência

* Armando Castelar Pinheiro (IPEA): “Uma Agenda de Reformas para a Economia Brasileira”

12h – 12h15min – Encerramento do Seminário

Claudio

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O pensamento não-convencional e a ciência

Lembra da citação do Ali Kamel que fiz ontem? Pois é. Veja só esta.

A few years ago, a book by William Bowen and Derek Bok paraded various statistics that they interpreted as proving the success of policies of preferential admission of blacks to colleges and universities.

A chorus of praise for this study was heard throughout the media and echoed in academia and among liberal politicians. The study was later cited in a landmark Supreme Court decision on affirmative action.

Not everyone thought this was a great study, however — or even an adequate study. But no one was allowed access to the raw data on which the Bowen and Bok study was based. So no one else could run the numbers for themselves and reach their own conclusions.

Those who sought such data included Harvard professor Stephen Thernstrom, whose long and distinguished record of scholarship included being one of the creators of the Harvard Encyclopedia of American Ethnic Groups. He was refused access to the data.

Viu, né? Thomas Sowell, que é contra as quotas, narra um caso no qual um grande defensor das quotas não conseguiu acesso aos dados de um artigo escrito por outros defensores de quotas.

Periódicos científicos de Economia geralmente pedem que os autores lhes enviem os dados para que os pareceristas se divirtam um pouco: é o tal pensamento convencional, de que fala Ali Kamel. Envolve lógica, estatística e honestidade intelectual.

O que não é isto é chamado de “pensamento não-convencional”.

Claudio

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Rent-Seeking Society – Versão Brasil

Vocês já leram em algum lugar a crítica de que o ProUni era mera transferência de recursos públicos na veia de mantenedoras privadas de faculdades que são autênticas espeluncas? Sim, aqui e no Primeira Leitura. Pois é. A Folha acaba de provar isso na edição desta segunda. Nada menos de 237 cursos considerados insuficientes pelo próprio governo estão cadastradas no ProUni.

Leia o resto aqui. Há evidências do que diz Reinaldo?

Claudio

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Falou tudo

“Com freqüência, porém, dizem que minhas afirmações são fruto do que chamam de pensamento convencional. E eu concordo: de fato, chego a essas conclusões usando apenas o raciocínio lógico. É justamente a falta do ensamento convencional que embaça o debate”. [Ali Kamel, “Não somos racistas, p.69]

Comecei a ler e aposto que um bocado de gente já vai acusá-lo de anti-lula e direitoso sem nem entender o argumento. Kamel é um dos poucos jornalistas que eu recomendo: ele lê estatísticas e busca interpretá-las. Outros jornalistas torcem muito a realidade. O livro em questão é leitura obrigatória para quem deseja entender o problema das quotas raciais sem cair no pensamento “não convencional” da ignorância nacional.

Claudio

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Já venho falando que existem coisas interessantes começando a serem feitas por cientistas políticos brasileiros!

Economic Fundamentals, Financial Markets, and Voting Preferences: The
1994, 1998, and 2002 Brazilian Presidential Elections

This article explores the relationship between macroeconomic indicators, financial markets, and voting intentions in the 1994, 1998, and 2002 Brazilian Presidential elections. Several hypotheses concerning the relationship between economic performance and politics were tested using a data set containing aggregate measures of self-reported preferences for the Presidential candidates and economic indicators (inflation, unemployment, exchange rate, C-Bond spread, and the São Paulo Stock Exchange Index). The first hypothesis refers to the potential simultaneity between economic indicators and voting intentions. Other hypotheses relate to the varied impact of different economic indicators on the intention to vote for a specific Presidential candidate as opposed to others. The results indicate that retrospective voting, based on the performance of economic fundamentals and not the financial market, predominates in Brazil.

Ari

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Bom trabalho, Otávio

Minha semana começou muito mal, mas o Otávio me ajuda a alegrá-la com sua monografia de graduação.

Esta monografia tem por objetivo de encontrar as relações existentes entre educação e corrupção. Em um primeiro momento, foi realizada uma ligeira revisão dos mais importantes trabalhos teóricos e empíricos sobre a visão econômica da corrupção. Logo após, através de regressões utilizando dados de painel, durante o período de 1997 e 2005 e com uma amostra de 104 países de todo o mundo, estimou-se os efeitos de cinco variáveis de educação no Índice de Corrupção Percebida. Concluindo que quanto mais alto o nível de educação maior seria a corrupção, variáveis que representam o nível de burocracia institucional foram testadas para se corroborar a hipótese proposta durante o texto: o problema de corrupção não está na educação e sim nas instituições.

Claro, a “culpa” do André Carraro, o orientador do menino, é visível aqui.

Desejo boa formatura e que faça ANPEC, Otávio.

Claudio
p.s. Thanks, Leo (licenciado), pelo envio da mesma. É uma alegria em dias tão ruins como os que tenho passado.

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A Justiça tarda, mas não falha

O juiz Percival Nogueira, do TRE de São Paulo, julgou a ação movida pelo PT contra a Transparência Brasil. Eles misturavam o projeto EXCELÊNCIAS com o manifesto “Não Vote em Mensaleiro” e queriam a retirada do material do ar. O partido perdeu, como era de se esperar. Esta foi a defesa apresentada.

O juiz apenas fez reparo a uma expressão usada pelo mestre Abramo em seu manifesto: chamar candidato de animal, não pode. A Transparência Brasil vai recorrer – o qualificativo foi usado no contexto dos nomes que a Polícia Federal dá às suas operações.

Acompanhe o processo e leia o despacho no site do TRE.

Aliás, não percam O Globo neste domingo. A manchete é baseada em dados do EXCELÊNCIAS. Que, por sinal, deve chegar aos dois milhões de visitas a perfis amanhã.

Escrito por Marcelo Soares às 19h20

Marcelo Soares mantém o excelente Excelências que tanto incomoda os truculentos defensores da ditadu…digo…alguns políticos. O mundo gira, os lusitanos rodam.

Claudio

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