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Um banner vale mais do que mil palavras (ou balas)

Direto da ONG “Movimento Viva Brasil”. Goste-se ou não da ONG, a frase foi dita pelo boliviano-brasileiro, líder do PCC.

O que é preocupante é uma informação que não sei se é correta: “No Brasil, gastou-se um valor maior com o referendo popular acerca das armas, no ano passado, do que toda a verba anual destinada para o Fundo Nacional de Segurança Pública” que também está na página da ONG.

Se bem que não sei se este fundo representa a totalidade dos gastos no setor. Alguém pode me ajudar?

Claudio

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Vamos estudar mais economia?

Este divertido – e realista – texto do nosso filisteu faz-me pensar: por que as pessoas aprendem e não entendem? Ou será o contrário? Ou falta mesmo bom senso? Oferta e demanda, como ele diz, não é coisa que se pode abolir. É como negar o sexo anotado na Certidão de Nascimento. Meu filho, tem pingolim, é homem, mesmo que não goste de mulher.

E ponto.

Claudio, cansado.

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Contra a violência, seriedade, não baboseiras

Sardenberg está corretíssimo.

Real da segurança

Quinta-feira, 18 de Maio de 2006
por Carlos Alberto Sardenberg

O Globo, 18 de maio de 2006

Quando o Brasil liquidou a inflação, em 1994, com o Plano Real, o país estava “fora da curva”. A inflação, praga mundial nos anos 70, já havia sido eliminada em toda parte. Eram amplamente conhecidos os mecanismos de propagação da alta de preços e os modos de combatê-los.

O Plano Real teve sua originalidade — como a bela sacada da URV — mas o que fez diferença foi a combinação de fatores políticos. A saber:

* a oportunidade dada por um surto inflacionário que incomodava as pessoas e mostrava o fracasso dos sucessivos governos;
* um presidente fraco precisando de realizações e que, por isso, entregou tudo nas mãos do ministro da Fazenda;
* o aproveitamento dessa situação por uma liderança (FHC) que soube reunir as cabeças certas para fazer e implementar o plano;
* os resultados imediatos que trouxeram forte apoio da população.

A condição prévia mais importante foi a definição do ponto de vista de que inflação é coisa grave e ruim e precisava ser debelada a qualquer custo. Isso significou enfrentar as teses segundo as quais o Brasil era um país diferente, tolerante com a inflação.

Eis o que nos falta hoje: um Plano Real da segurança pública. Algumas condições estão dadas, como a oportunidade. O que aconteceu em São Paulo desperta o sentimento de urgência. Mas o presidente Lula não é fraco, de modo que é ele quem precisa assumir a liderança do plano. Terá ele o objetivo correto e a disposição de fazer isso no momento em que tenta a reeleição?

O objetivo está dado. Em português claro: baixar a repressão. Não é apenas chamar a polícia, mas estabelecer as condições legais e institucionais (verbas e pessoal), no Executivo e no Judiciário, na União e nos estados, para uma repressão eficaz ao crime organizado.

A população quer isso, como está fartamente indicado em pesquisas de opinião. Assim como se incomodavam com as maquininhas de remarcar preço nos supermercados, as pessoas se incomodam com os grandes e os “pequenos crimes” do dia-a-dia. E se incomodam mais com isso do que, por exemplo, com um eventual excesso de repressão.

Mas há aqui um claro problema de escolha política. Desde a redemocratização, como era de esperar, o país vem sendo governado pelas forças políticas que combateram o regime militar. Ora, baixar a repressão era coisa “deles”.

Vítimas da repressão se defenderam com a cultura dos direitos humanos, de modo que a coisa ficou assim dividida: a direita (Maluf é o melhor exemplo) põe a polícia nas ruas; a esquerda defende os direitos humanos.

Mal dividida, é claro. Chamar a polícia passou a ser entendido como dar autorização aos PMs para matar os suspeitos, sobretudo os pobres; defender os direitos passou a ser entendido como defender o direito dos bandidos.

Caricatura? Lembrem-se do referendo sobre a venda de armas. Até um certo momento, a coisa ficou dividida entre a bancada da bala e a turma da paz. E, por falar nisso, lembrem-se da reação ao surto de violência no Rio em 2001. Saiu o movimento “Sou da Paz”, quando o que se precisava era de guerra.

De outro lado, disseminou-se o ponto de vista de que a criminalidade é basicamente um problema econômico e social. Por causa do neoliberalismo, diz-se, o país não gera emprego e, assim, os jovens são atraídos para o crime. Portanto, trata-se de mudar a política econômica e social. Com mais escola, haveria menos crime, disse Lula.

Isso não tem base empírica. No início dos anos 2000, a Inglaterra foi surpreendida por um aumento geral da criminalidade, em todas as modalidades, justamente em um momento de forte prosperidade. O desemprego estava no nível mais baixo desde os anos 80 e os ganhos de renda pessoal alcançavam quase 5% ao ano. No mesmo período, os Estados Unidos registravam forte queda da criminalidade, também em um ambiente de prosperidade e sendo, ao contrário da Inglaterra, uma sociedade de renda mais desigual.

O que distinguia os dois casos? Combate ao crime, em políticas específicas aplicadas em diversas cidades e regiões. O que nos falta é uma combinação de políticas estaduais e federais: o Plano Real contra o crime.

E, como perguntar não ofende, a falta de recursos para Segurança Pública tem a ver com novos ministérios, novas universidades federais, etc?

Claudio

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Brasileiro também é do PCC: não desiste nunca

PCC invade jornal de S. Sebastião que cobriu ação criminosa
na Santa Casa; homem internado foi executado no hospital

10h35 – Segundo a Agência Estado, a organização criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) fez na madrugada desta quinta um ataque inédito: a um jornal. Pelo menos quatro homens, todos encapuzados, armados de espingarda calibre 12 e pistolas, invadiram às 4 horas a gráfica do jornal Imprensa Livre, no centro de São Sebastião, litoral norte do Estado de São Paulo. Os funcionários do jornal, que é distribuído em Caraguatatuba, Ubatuba e no Litoral Norte, foram obrigados a deitar no chão. “Eles mandaram que todos nós deitássemos no chão e queimaram a máquina impressora, a edição inteira e a guilhotina. Enquanto ateavam fogo diziam que não deveríamos mais noticiar nada sobre o PCC”, relatou Igor Veltman, editor-chefe do jornal. Ninguém ficou ferido. “Dez minutos antes de invadirem a gráfica, uma mulher ligou para cá dizendo que oito homens encapuzados iriam invadir a Santa Casa da cidade. Mandamos um repórter e um fotógrafo para lá”, contou o editor-chefe. A invasão à Santa Casa realmente ocorreu, segundo Igor. Um homem, identificado como Ailton, que estava internado desde segunda-feira quando foi baleado, acabou sendo executado pelos criminosos.

Pergunta ao leitor: o problema é da educação, da desigualdade, do crescimento econômico, da crise do capitalismo…ou quem perguntou isto está precisando rever seus conceitos?

Claudio

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Breve história do crime organizado no Brasil

O Comando Vermelho é o resulado [sic] de um código de ética estabelecido dentro do sistema penitenciário a partir de idéias socialistas trazidas pelos presos políticos da ditadura militar. “Passou a haver um comprometimento solidário entre os homens”, diz Simone. Os rapazes recém chegados já não mais podiam ser vendidos como tindás– serviçais em sua maioria estuprados – já não havia mais tantas contendas – brigas – não se matava por uma calça jeans, e o quilingüe – ladrão que rouba ladrão – também não era aceito. Esse código de ética surgiu a partir de um “acesso ao conhecimento que veio da classe média guerrilheira. Mas eles nunca se misturaram, nunca fizeram parte”, conta.

Direto daqui.

O governador de São Paulo pode ter pisado na bola. Mas a história mostra que seus opositores não fizeram muito melhor.

Claudio

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A importância da segurança pública

Uma das formas mais limpas de energia que existe é a nuclear. Não é a toa que um dos antigos fundadores do “Greenpeace” parou de se atirar ao mar em busca de baleias indefesas e se transformou num defensor desta forma de energia.

Como tudo na vida não é perfeito, é óbvio que a energia nuclear tem custos. Um deles, pouco analisado, é o da segurança pública envolvida. Não falo de acidentes. Falo de um país no qual o governo federal, além de não cumprir normas mínimas de segurança, tem ambições geoestratégicas bastante claras (evidentemente, os governos estaduais e municipais também têm problemas, o que nos leva a pensar que o problema é o governo, mas isto é outra discussão).

Para um país destes, no qual criminosos comandam sua capital econômica com desenvoltura invejável, como um analista de política lê esta (boa) notícia?

Entramos numa nova etapa do desenvolvimento da energia nuclear para fins pacíficos, numa era em que o presidente do Irã declara – para toda a imprensa mundial – que o Holocausto não existiu, insinuando que mandará seu vizinho para os ares ao mesmo tempo em que nega que órgãos multilaterais fiscalizem suas usinas nucleares. Uma era, sem dúvida complicada.

Há tensões mundiais? Claro. Mas há cenários terríveis de se imaginar. Se uma organização criminosa toma de assalto Angra dos Reis, o ministro da Justiça, o presidente, este povo todo, farão o que, exatamente? Culparão a desigualdade de renda? A educação? Farão como nos anos de chumbo?

Segurança pública e políticas de Defesa sérias não são como as que alguns têm divulgado por aí. São um tema relevante porque envolvem o tamanho do governo (impostos), o tipo de regime político (viva o autoritarismo? viva o não-autoritarismo? viva a dependência das ONGs?), além de muita, mas muita discussão que ultrapassa o conhecimento de nossos cientistas sociais que pretendem entender de energia nuclear. Eu não entendo. Mas vejo problemas importantes aí.

Claudio

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Regulamenta! Regulamenta! Nada de liberdade!

Quer uma polêmica? Toma esta. É o bordão de sempre: regula! Regula! O problema é regular? Ou o problema é quem regula? Como regula? E, claro, para quem regula?

Ora bolas, veja só como funciona o mundo dos reguladores: o PCC comprou uma sessão do Congresso. Então, que raios de argumento você vai usar para regular?

Não vale dizer que a procuradoria é iluminada e ética porque sabemos que não existe isto sob algum coletivo (“procuradoria”, “o partido XXX”, “os advogados”, “os economistas”, “os sociólogos”, “os proletários”, “o cardume”, etc). Então, meu caro, vem debate por aí.

E olha que eu nem sou tão fã assim do Orkut. Já pensava em sair dele, por livre e espontânea vontade. Mas, se você prefere alguém a te dar ordens, fique à vontade. Só não me leve junto.

Comentários? Críticas? Vale qualquer regulação? Os defensores da regulação estão além dos limites? Não? Por que? Regular o orkut é igual a regular o trânsito? Sim? Não? Comentários com bons argumentos são mais bem-vindos do que já o são os outros.

Claudio

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Sociólogos que contam

Taí um sociólogo que entende bem a diferença entre indivíduos e classes, estratos, castas, networks…

Reproduzo:

In response to another call for a blacklisting/boycott of Israeli, I have written the following letter to leaders of NATFHE – The University & College Lecturers’ Union:

To whom it may concern:
I encourage you and all to not engage in any blacklisting or boycott of Israeli citizens simply because they are from Israel. Otherwise, you would also have to boycott or blacklist me, because I live in the USA (a country whose government has engaged in genocide, slavery and illegitimate wars), I would have to boycott you for living in a nation that once had enslaved much of the world and continues to refuse to recognize the human rights of many peoples and people, and we would all have to boycott one another for similar reasons as well.
Best,
Mathieu Deflem

Não é preciso dizer mais nada, não é? A quem interessa desaparecer com o indivíduo da análise? Bem, em Nurenberg, vários nazistas tentaram jogar a culpa em quem estava morto. Os comandantes dos Gulags se faziam de bobos por causa da tal dialética marxista. A história do mensalão não tem culpados porque, como disse um envolvido, chorando, “achávamos que estávamos fazendo tudo pelo futuro (do socialismo e, portanto, da humanidade)”.

Mathieu Deflem está um passo acima tanto na escala da humanidade quanto da inteligência.

Claudio

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