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Ricardo e os Mapas de Londres

A Teoria das Vantagens Comparativas é bastante contra-intuitiva e não é óbvia mesmo para pessoas muito inteligentes. Quase tão bacana quanto a Teoria, foi a estratégia de apresentação do Ricardo. Ao invés de incluir todo o rolo do mundo real, ele simplificou tudo e colocou só dois países, dois bens e um fator.
Lembro do Ricardo sempre que vejo o mapa do metrô de Londres. Quando foi desenhado por Harry Beck, em 1933, ele foi um marco do design. O motivo é que ele não é realista. A localização das estações quase nem lembra a real. Paradas distantes no mapa são, na verdade, próximas, e não há nada de linhas paralelas nos trilhos do Tube. Veja aqui uma animação que compara o esquema de Beck com o real.
Mesmo assim, o esquema é bem mais fácil de ser utilizado do que o mapa realista. Ao invés de colocar toda a informação , ele simplificou e só listou o necessário para o cidadão escolher o melhor caminho. Tal como fez Ricardo.

Leo.

(OK, eu não sou o primeiro a ver semelhanças entre mapas e os modelos econômicos. O Krugman já viu isso. Mas o que ele não viu, diabos?!?! 🙂 )

10 comentários em “Ricardo e os Mapas de Londres

  1. Cláudio, o cara é bom pacas por quqlauer criterio. Para vc mudar a opiniao , basta vc ler menos o NYT e mais seus trabalhos academicos. Nesse campo, ele soh da bola dentro.

  2. Mais importante: o NYT serve para encher o bolso com pouco esforço.
    E isso nada diminui a sua genialidade (vc jah leu “como vejo o mundo” do Eistein? Eh uma porcaria. Mas ele continua sendo um genio).

  3. Um breve comentário sobre o post: genial.

    Me fez lembrar as aulas do Duílio, quando ele falava de metodologia científica. O modelo (mapa) não precisa ser real, os resultados é que precisam ser aplicáveis à realidade.

  4. desvaneceu-me estar citado no mesmo pedestal que krugman, ainda que atacado por shikida, ele, o krugman, não o shikida (kamikaze?) nem eu (grená, meus times), se me faço entender. por outro lado, lembrei de jorge luiz borges com o mapa do reino em escala 1:1. não serviria para nada. (e o joão manuel beluzo, ou o que seja, citou esta passagem como epígrafe de sua tese campineira).

    mas, nos tempos em que eu amava uma arquiteta, fiz troça dos mapas em escala 1:1, pois lemos o texto de j.l.b. enrodilhados numa cabine de trem rumando de barcelona a roma, e ela disse-me ser corriqueiro em arquitetura, design, essas coisas fazerem-se mapas em escala 4:1 etc., para ver o detalhe de, por exemplo, uma voluta, uma dobradiça, essas coisas. plus ça change, plus tout reste comme la mêmme chose, ou seja, acho melhor dedicar-me a escrever em alemão.
    abraços
    d.

  5. Grande Mestre Duilio,
    Bom ter a tua visita!
    Sobre o mapa do JLB, tem um texto otimo do Umberto Eco discutindo a possibiidade real de se construir o tal mapa (O mapa teria que flutuar no ar e ser translucido e portanto invisivel… ) A referncia bibliografica, como tudo mais, esta em algum lugar nao mapeado.
    Abracos, leo.
    Nota: O Cláudio acentuado, nao é o nosso claudio Shikida . Eh outro, bem parecido, mas é definitavemnte outro.

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