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Respostas inteligentes para perguntas do dia-a-dia

Você é também daqueles que acham que:

1. O mundo é injusto, desigual, arbitrário e violento e está baseado, não na solidariedade entre os povos, mas nas relações de força e na prepotência dos poderosos?

2. O Brasil está situado na periferia, por razões históricas e estruturais, estando, portanto, condenado a uma situação de dependência em relação às poderosas nações centrais?

3. A dominação econômica das empresas multinacionais atua como obstáculo para nossa independência tecnológica e se reflete em relações desiguais na balança tecnológica?

4. O Brasil não consegue exportar devido ao protecionismo dos países ricos, que protegem seus setores estratégicos ou sensíveis, e nós deveríamos fazer o mesmo?

5. O multilateralismo e os agrupamentos regionais representam nossa melhor defesa no plano mundial e por isso precisamos atuar mediante grupos de países (G-77, Mercosul, G-20 etc.)?

6. Devemos reforçar os laços com os grandes países em desenvolvimento (China, Índia) e com os da América do Sul, com os quais devemos lutar para mudar a geografia comercial do mundo?

7. Só podemos abrir nossa economia e liberalizar o comércio na base da estrita barganha recíproca e com o oferecimento de concessões equivalentes e substantivas?

8. Os capitais voláteis são responsáveis pela desestabilização de nossas contas externas e por isso devem ser estritamente controlados?

9. Os tratados internacionais devem ser sempre recíprocos e respeitadores de nossa soberania e autonomia nacional?

10. A globalização acentua as desigualdades dentro e entre as nações e que por isso o Brasil deveria evitar uma abertura excessiva à economia mundial?

11. Processos de liberalização entre parceiros muito desiguais beneficiam principalmente os mais poderosos, por isso devemos primeiro corrigir assimetrias estruturais?
etc., etc., etc…

Então leia o resto desta excelente peça de pensamento crítico. E olha que é só a primeira parte.

Claudio

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Ricardo e os Mapas de Londres

A Teoria das Vantagens Comparativas é bastante contra-intuitiva e não é óbvia mesmo para pessoas muito inteligentes. Quase tão bacana quanto a Teoria, foi a estratégia de apresentação do Ricardo. Ao invés de incluir todo o rolo do mundo real, ele simplificou tudo e colocou só dois países, dois bens e um fator.
Lembro do Ricardo sempre que vejo o mapa do metrô de Londres. Quando foi desenhado por Harry Beck, em 1933, ele foi um marco do design. O motivo é que ele não é realista. A localização das estações quase nem lembra a real. Paradas distantes no mapa são, na verdade, próximas, e não há nada de linhas paralelas nos trilhos do Tube. Veja aqui uma animação que compara o esquema de Beck com o real.
Mesmo assim, o esquema é bem mais fácil de ser utilizado do que o mapa realista. Ao invés de colocar toda a informação , ele simplificou e só listou o necessário para o cidadão escolher o melhor caminho. Tal como fez Ricardo.

Leo.

(OK, eu não sou o primeiro a ver semelhanças entre mapas e os modelos econômicos. O Krugman já viu isso. Mas o que ele não viu, diabos?!?! 🙂 )

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Uma outra reforma agrária é possível, mas talvez ainda não seja esta

O vice-ministro indicou que a reforma consistirá na abolição dos latifúndios atualmente permitidos nas leis nacionais, que possibilitaram a acumulação de terras em poucas mãos, principalmente nos departamentos do leste do país, como Santa Cruz, Pando e Beni. No planalto da região andina e nos vales centrais da Bolívia onde, ao contrário do leste, há uma divisão da propriedade, será promovida uma redistribuição de terras.

Desde 1996, o Instituto Nacional de Reforma Agrária regularizou os títulos de 17% das terras do país, e investiu cerca de US$ 80 milhões no processo.

Os analistas políticos reagiram com temor ao anúncio da reforma agrária. Eles advertiram que a medida pode desencadear uma onda de violência, como a que houve entre 2000 e 2005, período no qual pelo menos 100 camponeses sem terra morreram durante invasões a fazendas.

Nada contra a reforma agrária. Mas será que algum destes líderes (auto-denominados e festejados pelos frequentadores das edições do FSM como “socialistas”) serão capazes, algum dia, de promover reformas agrárias de maneira a minimizar o investimento dos envolvidos em violência? Tenho minhas dúvidas.

Claudio

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Duas mini-aulas de economia

Primeiro, sobre o papel do Estado na economia.

Especialistas criticam ingerência de Lula na Petrobras

06h36 — Por Nicola Pamplona e Irany Tereza, n’O Estado: “A determinação do governo de que a Petrobrás absorverá um eventual aumento no preço do gás boliviano foi criticada por especialistas consultados ontem pelo Estado. Mas todos concordam que a decisão não deve afetar muito as contas da empresa, pois os negócios na Bolívia representam só 2% da receita da estatal brasileira. As preocupações referem-se à ingerência do acionista controlador nas atividades da companhia. ‘É a primeira vez que um presidente da República pede explicitamente que a empresa segure preço’, diz o consultor Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura, referindose a declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na semana passada, de que não haveria repasse para o consumidor. ‘Se o gás tem um custo, a Petrobrás não pode, como empresa, vender abaixo desse custo’, diz um acionista da companhia. Segundo Pires, os acionistas minoritários podem contestar a determinação de Lula se se sentirem lesados. ‘O acionista majoritário tomou uma atitude que pode prejudicar os demais acionistas.’ Cerca de 68% das ações da estatal estão com terceiros. Analistas de banco de investimento avaliam que a crise terá pouco impacto sobre os resultados da estatal. ‘A Bolívia não representa absolutamente nada nos negócios da estatal’, diz Ricardo Junqueira, da Ático Asset Management. ‘Só a conquista da auto-suficiência dará uns US$ 4 bilhões a mais, muito mais do que ela já investiu na Bolívia.’ A avaliação geral é que a situação boliviana é mais perigosa para a indústria consumidora do combustível, especialmente a paulista, do que para a estatal. As distribuidoras de gás canalizado devem ter impacto, pois o ritmo de crescimento das vendas deve cair.”

Agora, sobre como funciona oferta e demanda (para estudantes, economistas e índios ex-plantadores de coca).

Morales montou armadilha para si mesmo, diz empresário

06h45 — N’O Estado: “O presidente Evo Morales quer unir o país em torno do aumento no preço do gás mas o principal líder dos empresários da Bolívia está convencido de que as chances de se obter um aumento substancial são remotas. ‘Preço é mercado, não é favor político nem amizade’, afirma Roberto Mustafá, presidente da Confederação dos Empresários de Bolívia, entidade que reúne indústrias e bancos, estabelecimentos de comércio e mineradoras. ‘Todo empresário sabe que os preços funcionam pela lei da oferta e da procura. Para conseguir que os brasileiros paguem mais pelo nosso gás, a Bolívia precisa encontrar alguém que queira pagar mais por ele, na mesma quantidade. Esse cliente não existe, pelo menos nos dias de hoje’, diz Mustafá. Exportador de manufaturados de couro que freqüenta o Palácio Quemado em aparições que o governo costuma festejar como demonstração de apoio de empresários, Mustafá costuma se reunir com a equipe de governo e se confessa cada vez mais decepcionado com o que ouve e vê. Ele está convencido que Evo Morales montou uma armadilha para si mesmo com o decreto da nacionalização. Perguntado se acha viável que a Petrobrás e a Repsol concordem com uma elevação de 60%, como o presidente da Bolívia anunciou no fim de semana, Mustafá diz, em tom desanimado: ‘Acho muito difícil’. Na sexta-feira, o empresário teve uma reunião de três horas no Palácio Quemado. (…) Quando questionou o projeto de reservar uma participação de apenas 18% nos maiores campos de gás do país, ouviu que os lucros da Petrobrás eram tão grandes que a empresa poderia ganhar muito dinheiro se tivesse participação de apenas 8% nos resultados. Mustafá se confessou preocupado com um comportamento capaz de provocar ‘fuga de investimentos’.(…) Ele receia que possa danificar a imagem do país – e tornar mais difícil a vida de quem pretende investir na Bolívia.”

Claudio
p.s. Ambos do Primeira Leitura.
p.s.2. Engraçado mesmo é ver o que dá clicar em “Estatísticas” neste site. E eu achando que iria ver algo sobre gás natural. 🙂

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