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Mais Banco Mundial, mais neoliberalismo?

Quando eu morei em Porto Alegre, a prefeitura socialista sorria para manifestantes anti-globalização mas também adorava receber recursos do Banco Mundial para alguns projetos locais.

Bom, o fato é que eu sempre ouço que o FMI é um fator de aumento no “neoliberalismo” que, normalmente, é associado à tal “globalização”.

Pois bem, pelos fatos acima arrolados, eu esperava que a liberdade econômica fosse fortemente associada ao FMI e pouco associada ao Banco Mundial (ou então os socialistas estão enganados e/ou são hipócritas).

Qual não foi minha surpresa ao ler este resumo:

We analyse the effect of IMF and World Bank policies on the composite index of economic freedom by Gwartney et al. (2000) as well as its sub-indexes, using a panel of 85 countries observed between 1970 and 1997. With respect to the Bank, we find that the number of projects has a positive impact on overall economic freedom, while the effect of the amount of World Bank credits appears to be negative. These effects are stronger during the 1990s than in earlier periods. There is no clear relationship between credits and programmes of the IMF and economic freedom as measured by the index.

Interessante, não?

Claudio

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Incentivos importam sim, tio!

Quantas vezes já ouvi dizerem para mim que este papo de “incentivos” era “coisa de economista ortodoxo”, “muito linear”, “ideologia neoliberal” e coisas do gênero?

Sinceramente, falaram tanto isto para mim que já nem ligo. É a lei da demanda: quanto mais abobrinha, menor o valor pelo qual estou disposto a pagar para ouví-la.

Pois é. Agora, alguns não-economistas – daqueles que nunca são convidados para programas multidisciplinares, claro – descobriram que…incentivos importam. Como? Olharam para dentro do cérebro humano.

A moral da história é: vai ter muita gente sentada no chão esperneando, chorando e dizendo que não disse o que disse há anos. Mas a verdade é uma só: goste-se ou não, incentivos importam.

QED

Claudio

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Teorias do Estado

Bom artigo do Arnold Kling. Recomendo fortemente. Eis um trecho no qual a – para mim óbvia, para outros nem tanto – importância da liberdade de associação para a prosperidade aparece:

Freedom of association was also critical for solving many of the reputational problems necessary for trade among strangers to take place. In his latest book on the problems of underdeveloped nations, William Easterly describes a typical example.

“One type of cheating occurs when you cannot observe the quality of the good I am offering you. I could cheat you by…selling you tacos made under unsanitary conditions…If you had know the tacos might be unsanitary, you would have offered a lower price. If I adopted costly but safe food handling methods and sold you healthy tacos, but you couldn’t observe my safe handling and still offered a low price, then I would be the one who lost out in the exchange.”

As Easterly points out, this is the classic Lemons problem described by Nobel Laureate George Akerlof. It is frequently used as an argument for government intervention.

What Kohn points out (in other chapters) is that medieval guilds, which we think of as backward institutions, helped to solve the lemons problem long before government inspection came along. Each guild jealously guarded its reputation. If a member of a guild were caught selling a substandard product, he would lose his status as a guild member, and effectively lose his livelihood. If Mexico City had a “taco guild,” then that guild would provide sanitary taco stands with its seal of approval, and you as a consumer could pay the appropriate price for a safe taco.

Nem tudo termina em limonada, Mr. Stiglitz.

Claudio

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Educação deseducada

Não existe político perfeito, certo? Então vejamos: talvez deva analisar a qualidade das propostas do cara. Acho que existem motivos para se ficar preocupado com coisas como esta.

Eis um teste de hipóteses: quanto maior o uso da palavra “social” em discursos e documentos de um político, menor a qualidade técnica das propostas do mesmo. Quem se habilita?

Claudio
p.s. em eras antigas, o sociólogo Cândido Mendes fez um artigo no qual verificava a frequência de certas palavras-chave nos discursos dos governos militares. Infelizmente, nunca mais fez nada igual. E, claro, existe material de sobra para se fazer um estudo assim.

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Professores safados, rent-seeking na agenda

Esta aí embaixo é do ex-blog do César Maia.

O ESCANDALOSO USO DO PRÓ !!!!!!

Ex-autoridades, professores, diretores, de instituições de ensino, etc….ao saírem criam ONGs e -sem dissimular- tentam vincular a ONG à instituição que dirigiam ou participavam. Um exemplo disso foi a ONG -chamada- Pró-UniRio- que atuou -entre outros órgãos públicos- na prefeitura do Rio entre 1999 e 2000, e que foi desmascarada depois, e acionada por falsa identidade. Dizia-se representante da Universidade Federal -UNIRIO.

Agora vem o caso da PRÓ-CEFET, onde ex-diretor usa o nome da instituição que dirigiu com o nítido objetivo de iludir os incautos. O Globo demonstrou como -sendo ele- secretário de trabalho o Estado contratava sua ONG -(ex?). Até a Petrobrás a contratou. Para que ? Como ? Prestou o serviço ? Este ex-blog informou e até agora a Petrobrás está calada. Espera-se que esteja auditando para esclarecer à opinião pública. Quantas mais PRÓ-….existem manipulando a relação -inexistente- com um órgão público ? Quem ler PRÓ,……ligado a uma

O que isto aí nos diz? Bem, primeiro que professores (de economia ou não) respondem a incentivos. Segundo, que estes mesmos professores – que muitas vezes se fazem de ídolos iluminados para a juventude – não são melhores do que os políticos dos quais não falam muito bem.

Para mim, que estudo “rent-seeking” há anos, não é novidade. E, inclusive, entendo melhor agora porque tantos acadêmicos torcem o nariz quando se fala disto para eles: é uma mistura de medo de ser descoberto com o desafio de se encarar sua própria ação, pouco ética, no caso.

Uma pena que haja desonestidade no mundo? Claro. Quanto mais ladroagem, maiores os custos sociais de se ter uma sociedade honesta. Você é obrigado a criar incentivos mais duros que nem sempre resolvem. Mais fácil seria se todos fossem anjos.

Para mim, é ótimo que todos tenham liberdade de escolha, respeitando o alheio. Mas é péssimo quando as pessoas se esquecem do “respeitando o alheio” e usam o sistema legal para transferir renda de outros para si mesmos. Por que? Porque os incentivos necessários para coibir a ladroagem são sempre mais duros. Traduzindo: preferências safadas = incentivos mais duros. Preferências menos safadas = incentivos menos duros. Claro, ambos para se atingir o mesmo ponto de ótimo social.

Claudio

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Por que ninguém liga para Morales?

Porque ele afetou os governos socialistas: Brasil e Espanha. É o que Daniel Drezner viu no Financial Times.

Quem liga para gente que gosta de viver atrás do muro que caiu? A cena em que o cara joga fora o retrato do assassino Che Guevara não foi cortada voluntariamente pelas distribuidoras do filme neste país?

Claudio
p.s. Veja também mais um caso de plágio.
p.s.2.UPDATED: Através do “Se Liga” (ver nos links fixos ao lado), cheguei nisto:

A candidata do PSOL à Presidência, senadora Heloisa Helena (AL), foi uma das poucas vozes a reconhecer o direito de Morales de romper contratos: — Não posso deixar de me colocar no lugar do presidente Evo Morales. E em nome do interesse público se podem romper unilateralmente contratos. Isso está assegurado, inclusive, na nossa Constituição. A defesa dos interesses brasileiros não pode se transformar num ato imperialista contra qualquer outro país.

Divertido.

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World on Fire

Vejam a tese da simpática Sra(ou srta?) Chua: a liberalização tem exacerbado as tensões entre os grupos étnicos que aproveitam a onda e os que ficam de fora. Basta adicionar democracia para ver a m*##$ que vai dar. A maioria excluída elege alguém que vai expropriar os ricos e todos saem perdendo.
A idéia não é nova, mas parece cada vez mais atual.
Veja aqui um vídeo da apresentação dela no Banco Mundial.
(A dica foi do Mahalanobis)

Leo

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