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Negociar

Lula: Bolívia fez o “ajuste necessário de um povo sofrido”

13h55 – Em discurso na abertura de uma reunião regional da Organização Internacional do Trabalho (OIT), em Brasília, o presidente Lula referiu-se diretamente à decisão do presidente boliviano, Evo Morales, de estatizar o setor de gás e petróleo e expropriar os bens dos investidores, como a Petrobras. Lula nunca tratou a medida como uma expropriação e disse que, apesar de a imprensa falar em crise, “não há crise nenhuma entre Brasil e Bolívia”. O que existe, afirmou, “é o ajuste necessário de um povo sofrido que tem o direito de reivindicar mais poder sobre a riqueza que tem”. Para temperar o discurso com uma pitada de anti-imperialismo rasteiro, Lula aproveitou para ironizar o governo Bush e fazer um paralelo com a relação Brasil-Bolívia: “Não vamos descobrir nenhuma arma para justificar uma briga”, afirmou, numa referência ao fato de que o governo norte-americano justificou a invasão do Iraque e a derrubada do ditador Saddan Hussein com um relatório oficial que falava da ameaça de fabricação de armas de destruição em massa, o que nunca se comprovou. O presidente da República não disse quem foi que lhe pediu para invadir ou brigar com a Bolívia nos moldes que Bush tratou o Iraque. “Eu aprendi a negociar muito antes de ser político, e as divergência serão [discutidas] em torno de uma mesa, conversando. O fato de a Bolívia defender os seus direitos não quer dizer que isso anule os direitos brasileiros”, afirmou Lula.

Negociar é preciso. Eu mesmo estava pensando outro dia em decretar minha revolta contra o governo e não pagar imposto de renda. Aí eu não poderia ser preso (quer sofrimento maior do que ver o fruto do seu trabalho ir para o governo e não ter, sequer, segurança, saúde e educação pública no nível, digamos, fazer nossos meninos tirarem boas notas num exame mundial de educação) e ainda poderia ganhar do governo a chance de renegociar.

Existe algo chamado soberania, quer eu goste ou não (prefiria não ver governos sobre a face do planeta, mas eles existem). Então um engenheiro brasileiro some no Iraque e uma empresa brasileira é invadida na Bolívia. O que um governo soberano deve fazer? Não sei, é verdade. Mas o que me intriga é o papel dos órgãos de inteligência do Brasil neste caso.

Não há como fugir, cara. O Brasil é um país geograficamente não-ignorável. Fronteiras porosas com todo mundo do continente e uma costa marítima imensa. Vai me dizer que soberania, de verdade, aquela que se defende com zelo, não passa por um serviço de inteligência alerta?

Talvez a culpa não seja deles. Talvez eles tenham informado aos iluminados sobre a iminência do problema. Mas aí o problema esbarra no “eu não sabia, a culpa não é minha”.

Diga-se de passagem, eu pago impostos para que o governo tenha um serviço de inteligência, um órgão diplomático e funcionários eficientes também. Não é só pela saúde e educação ou pela segurança pública.

Eis um problema de políticas públicas que nenhum livro de economia do setor público explora (talvez por algum temor de quebras ilegais de sigilos que eram feitos na era militar e, claro, nos dias de hoje): o gasto público com serviços de inteligência.

Quais as externalidades? Qual o bem gerado? Como medir sua eficiência? Um dia eu descubro e conto para você.

Claudio

Um comentário em “Negociar

  1. Ora, claudio, servico (publico) de inteligencia é uma contradicao em termos.

    (O unico que é bom no que faz eh o Mossad. O resto é inutil)

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