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Aula de diplomacia

Não sei se o PRA concordará comigo, mas em tempos como estes, nos quais se exigir inglês na prova do Itamaraty é claramente um ato (z)elitista, talvez valham estas lições de Rui Nogueira sobre o que deveria ter sido feito quando do anúncio da expropriação bolivariana desta tal Petrobrás.

O que fazer

Do homem eleito para defender o Estado brasileiro, em vez de uma nota de apoio ideológico às maluquices populistas de Morales, era de esperar, na terça, estes passos objetivos:

1) A convocação do embaixador brasileiro em La Paz para uma coleta oficial de informações, uma vez que o governo brasileiro não recebeu nenhuma comunicação do ato de força cometido pelo governo boliviano – o que, nem de longe, pode ser encarado como atitude inamistosa. Isso é, tão-somente, uma medida típica de profilaxia diplomática;
2) uma declaração oficial dando conta de que o governo brasileiro não se mete nas decisões soberanas dos outros Estados – é diferente de dar apoio ideológico à medida de Morales;
3) a expressão oficial da óbvia preocupação com a medida do governo boliviano, uma vez que ela contém pontos nebulosos;
4) a notificação pública do fato jurídico óbvio, de que o Estado brasileiro assinou contrato com o Estado da Bolívia que não autoriza aumentos unilaterais de preços no gás;
5) a notificação, igualmente óbvia, de que a expropriação de bens de empresas brasileiras, públicas ou privadas, à luz de acordos internacionais de proteção de investimentos, exige o ressarcimento pelo preço justo devido.

Ninguém falou em “invadir a Bolívia”. Nem dos mais radicais PSOLentos, a gente ouviu tamanha baboseira.

Agora, sobre o que o meu amigo meio-boliviano, o Leo falou, é verdade que se eu lhe tomar metade da renda que ele tem e dar para um pobre na rua, aumento o bem-estar social? Sei que ele está brincando porque ele sabe que o custo de oportunidade que conta não é o que você faz se for roubado. É justamente o que você faz se não for roubado. Lembra do exemplo da “janela quebrada” do Bastiat?

A história é mais ou menos assim: um pivete quebra a janela de um comerciante. O que, inicialmente, era uma agitação favorável a este, passa por um apoio ao pivete. O argumento? Ora, se não fosse a janela quebrada, não teríamos a possibilidade de mais trabalho (e, portanto, renda) para fornecedores de janelas, vidros, etc.

Isto é maior bem-estar social? Não. Agora, é verdade que Morales (ainda) não destruiu nada fisicamente falando. As instalações da Petrobrás estão lá, intactas. Por outro lado, existe uma tal de “segurança do investimento” que tem efeitos de longo prazo sobre a economia.

Sei não, Leo. Sei não…

Claudio
p.s. Não sou admirador de FHC não. Mas não consigo entender quando, em meio ao furacão, o atual ocupante da Granja do Torto diga que a culpa da crise é do….FHC. Tá lá no Primeira Leitura. É sempre aquela história: eu não sabia, a culpa não é minha…menos, menos…
p.s.2. Um resgate da ala não-bolivariana do Itamaraty?

4 comentários em “Aula de diplomacia

  1. Lembre-se que com Morales já não havia qualquer segurança de investimentos. Ele, portnato, já não tinha nada a perder. As instituiçoes jah sao uma merda e o governo idem (e todo mundo sabe disso). Logo, o melhor a fazer é rasgar os contratos e refaze-los em novas bases.

  2. Com Morales já não havia? Não tem algo estranho na frase? Antes, com Morales, inseguro. Agora, com Morales, inseguro. Então, rasgue tudo? Você não quis dizer “sem Morales” no início??

  3. O que eu quis dizer foi o seguinte:
    Antes de 1 de maio, Morales era o presidente e ninguem confiava nele. Ele fez o que fez e continua sem qualquer reputacao. Ou seja, DADO QUE O MORALES EH O PRESIDENTE, ele nao tem nada a perder rasgando os contratos.

  4. Morales pode não ter nada a perder, sem entrar muito neste mérito. Agora a Bolívia como país tem muito a perder no longo prazo.

    Qual investidor virá a investir (perdoe-me pela redundância) em um país que não cumpre contratos? Sem investimentos sem aumento de renda no futuro. Ou seja, estagnação econômica.

    O que Morales está fazendo é tornar a Bolívia numa ilha dentro da globalização. Já temos algumas ilhas e não vejo estes como modelos de prosperidade.

    Quebrar contratos no momento em que você acha que pode assumir o controle, pois você já possui todos os conhecimentos e equipamentos, estes instalados por empresas de fora pois a Bolívia não possuia recursos financeiros para fazê-lo,é se apropriar indevidamente.

    Porque a Bolívia por iniciativa própria não explorou os recursos naturais? Ou será que estes recursos apareceram nos últimos anos.

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