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Em memória de John Muth

Ele morreu. Em 2005. E eu não sabia. Bem, aí vai a homenagem.

Para os mais novos: ele foi o grande precursor das expectativas racionais. Pena que seu artigo fosse tão inacessível na época. Mas é um cara para ser lembrado com respeito.

Claudio

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Aula de diplomacia

Não sei se o PRA concordará comigo, mas em tempos como estes, nos quais se exigir inglês na prova do Itamaraty é claramente um ato (z)elitista, talvez valham estas lições de Rui Nogueira sobre o que deveria ter sido feito quando do anúncio da expropriação bolivariana desta tal Petrobrás.

O que fazer

Do homem eleito para defender o Estado brasileiro, em vez de uma nota de apoio ideológico às maluquices populistas de Morales, era de esperar, na terça, estes passos objetivos:

1) A convocação do embaixador brasileiro em La Paz para uma coleta oficial de informações, uma vez que o governo brasileiro não recebeu nenhuma comunicação do ato de força cometido pelo governo boliviano – o que, nem de longe, pode ser encarado como atitude inamistosa. Isso é, tão-somente, uma medida típica de profilaxia diplomática;
2) uma declaração oficial dando conta de que o governo brasileiro não se mete nas decisões soberanas dos outros Estados – é diferente de dar apoio ideológico à medida de Morales;
3) a expressão oficial da óbvia preocupação com a medida do governo boliviano, uma vez que ela contém pontos nebulosos;
4) a notificação pública do fato jurídico óbvio, de que o Estado brasileiro assinou contrato com o Estado da Bolívia que não autoriza aumentos unilaterais de preços no gás;
5) a notificação, igualmente óbvia, de que a expropriação de bens de empresas brasileiras, públicas ou privadas, à luz de acordos internacionais de proteção de investimentos, exige o ressarcimento pelo preço justo devido.

Ninguém falou em “invadir a Bolívia”. Nem dos mais radicais PSOLentos, a gente ouviu tamanha baboseira.

Agora, sobre o que o meu amigo meio-boliviano, o Leo falou, é verdade que se eu lhe tomar metade da renda que ele tem e dar para um pobre na rua, aumento o bem-estar social? Sei que ele está brincando porque ele sabe que o custo de oportunidade que conta não é o que você faz se for roubado. É justamente o que você faz se não for roubado. Lembra do exemplo da “janela quebrada” do Bastiat?

A história é mais ou menos assim: um pivete quebra a janela de um comerciante. O que, inicialmente, era uma agitação favorável a este, passa por um apoio ao pivete. O argumento? Ora, se não fosse a janela quebrada, não teríamos a possibilidade de mais trabalho (e, portanto, renda) para fornecedores de janelas, vidros, etc.

Isto é maior bem-estar social? Não. Agora, é verdade que Morales (ainda) não destruiu nada fisicamente falando. As instalações da Petrobrás estão lá, intactas. Por outro lado, existe uma tal de “segurança do investimento” que tem efeitos de longo prazo sobre a economia.

Sei não, Leo. Sei não…

Claudio
p.s. Não sou admirador de FHC não. Mas não consigo entender quando, em meio ao furacão, o atual ocupante da Granja do Torto diga que a culpa da crise é do….FHC. Tá lá no Primeira Leitura. É sempre aquela história: eu não sabia, a culpa não é minha…menos, menos…
p.s.2. Um resgate da ala não-bolivariana do Itamaraty?

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Viva o Evo!

Caro leitor, esqueça as patriotices. Suponha que a receita extra que Morales pegou na mão grande seja transferida para o mais pobres bolivianos. Ora, isso gera um aumento líquido de bem-estar global. Afinal, as perdas mixurucas dos brazucas são mais do que compensadas pela barriga cheia de milhões de bolivianos.

Leo, mezzo-boliviano, mezzo-brasileiro.

PS. Antes que perguntem. Não. Nao foi comigo que o claudio discutiu. (Mas vai ser agora! 🙂 )

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Negociar

Lula: Bolívia fez o “ajuste necessário de um povo sofrido”

13h55 – Em discurso na abertura de uma reunião regional da Organização Internacional do Trabalho (OIT), em Brasília, o presidente Lula referiu-se diretamente à decisão do presidente boliviano, Evo Morales, de estatizar o setor de gás e petróleo e expropriar os bens dos investidores, como a Petrobras. Lula nunca tratou a medida como uma expropriação e disse que, apesar de a imprensa falar em crise, “não há crise nenhuma entre Brasil e Bolívia”. O que existe, afirmou, “é o ajuste necessário de um povo sofrido que tem o direito de reivindicar mais poder sobre a riqueza que tem”. Para temperar o discurso com uma pitada de anti-imperialismo rasteiro, Lula aproveitou para ironizar o governo Bush e fazer um paralelo com a relação Brasil-Bolívia: “Não vamos descobrir nenhuma arma para justificar uma briga”, afirmou, numa referência ao fato de que o governo norte-americano justificou a invasão do Iraque e a derrubada do ditador Saddan Hussein com um relatório oficial que falava da ameaça de fabricação de armas de destruição em massa, o que nunca se comprovou. O presidente da República não disse quem foi que lhe pediu para invadir ou brigar com a Bolívia nos moldes que Bush tratou o Iraque. “Eu aprendi a negociar muito antes de ser político, e as divergência serão [discutidas] em torno de uma mesa, conversando. O fato de a Bolívia defender os seus direitos não quer dizer que isso anule os direitos brasileiros”, afirmou Lula.

Negociar é preciso. Eu mesmo estava pensando outro dia em decretar minha revolta contra o governo e não pagar imposto de renda. Aí eu não poderia ser preso (quer sofrimento maior do que ver o fruto do seu trabalho ir para o governo e não ter, sequer, segurança, saúde e educação pública no nível, digamos, fazer nossos meninos tirarem boas notas num exame mundial de educação) e ainda poderia ganhar do governo a chance de renegociar.

Existe algo chamado soberania, quer eu goste ou não (prefiria não ver governos sobre a face do planeta, mas eles existem). Então um engenheiro brasileiro some no Iraque e uma empresa brasileira é invadida na Bolívia. O que um governo soberano deve fazer? Não sei, é verdade. Mas o que me intriga é o papel dos órgãos de inteligência do Brasil neste caso.

Não há como fugir, cara. O Brasil é um país geograficamente não-ignorável. Fronteiras porosas com todo mundo do continente e uma costa marítima imensa. Vai me dizer que soberania, de verdade, aquela que se defende com zelo, não passa por um serviço de inteligência alerta?

Talvez a culpa não seja deles. Talvez eles tenham informado aos iluminados sobre a iminência do problema. Mas aí o problema esbarra no “eu não sabia, a culpa não é minha”.

Diga-se de passagem, eu pago impostos para que o governo tenha um serviço de inteligência, um órgão diplomático e funcionários eficientes também. Não é só pela saúde e educação ou pela segurança pública.

Eis um problema de políticas públicas que nenhum livro de economia do setor público explora (talvez por algum temor de quebras ilegais de sigilos que eram feitos na era militar e, claro, nos dias de hoje): o gasto público com serviços de inteligência.

Quais as externalidades? Qual o bem gerado? Como medir sua eficiência? Um dia eu descubro e conto para você.

Claudio

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Gary Beckers goes Mexico

Drogas, descriminalizadas? Uau!

Tem gente que se escandaliza com isto. Antes de ficar nervoso, pense: já pensou em apoiar o assassinato de fetos (aborto)? Então, por que ficar inquieto com drogas liberadas?

Meu ponto é: antes do choque, serenidade, análise científica e uma boa dose de ceticismo.

Liberais brasileiros, por exemplo, em grande maioria, não gostam de discutir a liberação do uso de drogas, muitas vezes por preconceitos de origem religiosa ou moral. Mas, se estes liberais são também acadêmicos, não podem usar métricas morais para analisar problemas como estes. O debate, meus caros, está aberto.

Claudio

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Ciência e hipóteses

Um povo sofrido e miserável, afastado dos fatos através da ignorância induzida, precisa de explicações simplistas para seus problemas. Nada mais oportuno que condenar terceiros, normalmente os bem-sucedidos, que já despertam automaticamente o sentimento da inveja, bastante comum à nossa natureza também. Tal receita foi utilizada em demasia pelas nossas terras tupiniquins, sempre despertando fortes emoções nos pseudo-nacionalistas, que costumam acreditar que o sucesso alheio é responsável pelo nosso fracasso.

Eis aí um bom teste de hipóteses. Isto me faz lembrar um excelente parágrafo escrito por um historiador norte-americano:

“If foreigners invest in agriculture, this promotes primary product dependency via the argument of declining terms of trade. If they invest in industry, this is ´the new structure of dependency’. If the national bourgeoisie is small, that is because foreigners ‘debilitate’ it; if the national bourgeoisie is large, it responds to external interests anyway as the internal agent of neo-colonialism. If the economy of a Latin American country is labor intensive, this is exploitation and mantains dependency, if it is capital intensive, this is newer form of dependency which forsters unemployment, marginalization, and increasing inequalities. And so on”. [Stephen Haber, na introdução de “How Latin America Fell Behind – essays on the economic histories of Brazil and Mexico, 1800-1914]”

Bom para pensar, né?

Claudio

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